A ACP em um congresso internacional

Marcia Tassinari

Participei, como representante da Universidade Santa Úrsula, do VI FÓRUM INTERNACIONAL DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA, realizado de 30/06 a 09/07/95, na Grécia (nas cidades de Salônica e Leptokarya). Apresento algumas reflexões e aprendizagens, retiradas desta convivência internacional provisória. Nesta oportunidade apresentei a Segunda Versão do trabalho: História da Abordagem Centrada na Pessoa no Brasil.

Diversas culturas estiveram presentes (29 países), tendo 11 representantes do Brasil (3 do RJ, 4 de SP, 3 de MG e 1 de AL), convivendo em sistema residencial por 9 días num local paradisíaco, em frente a uma praia belíssima. Além do evento científico, a Comissão Organizadora nos presenteou com passeios turísticos (à cidade de Salônica, Universidade de Aristóteles, Vila de Dion e Monte Olimpo), com guia especializada, noites folclóricas, propiciando o entrosamento rápido entre os congressistas.

Um Fórum Internacional da Abordagem Centrada na Pessoa diferencia-se de um congresso internacional tradicional, na medida em que se tenta construir uma comunidade, a partir da coletividade presente, oferecendo a atividade dos grupões da comunidade, diariamente, onde todo e qualquer assunto é benvindo, variando desde reflexões teóricas e/ou práticas, até assuntos administrativos, passando por colocações pessoais e pendências interpessoais.

Mais de 60 trabalhos foram apresentados abrangendo temas relacionados à psicoterapia, educação, trabalho com pequenos e grandes grupos, atendimento a deficientes, trabalho organizacional em ambiente de risco, treinamento da criatividade, influências culturais e sociais, trabalho focal e impacto do humanismo nos dias de hoje.

Participei de 12 apresentações, incluindo a minha e alguns pontos

chamaram minha atenção. As questões que tocam os europeus orientais são semelhantes às nossas, no sentido de utilizar os princípios de norteadores da Abordagem Centrada na Pessoa para confrontar as questões emergentes dos “excluídos” sociais, da necessidade um atendimento mais focal e breve nas diversas situações e na necessidade de reformulações da própria Abordagem.

Minha apresentação foi bem aceita, levando a maior disseminação do que fazemos e pensamos tanto nos consultórios, como nas instituições gerais e nas academias (universidades). A História da Abordagem Centrada na Pessoa no Brasil relaciona as publicações (artigos, teses, monografias e livros), atividades (cursos de formação e informação, palestras, jornadas, encontros, congressos e núcleos de profissionais) e entrevistas com profissionais envolvidos há muito tempo com essa orientação teórica. O trabalho com deficientes, especialmente com crianças autistas, utilizando os golfinhos como agentes “empáticos”, foi impressionante, bem como a utilização de aconselhamento centrado para ajudar os russos a confrontarem sua nova sociedade. Os trabalhos de psicoterapia enfatizava a necessidade de um trabalho breve e focal, associando-se técnicas corporais(exercícios, relaxamento) e técnicas comportamentais. Essas práticas são pouco utilizadas no Brasil onde se prioriza a relação interpessoal, facilitadora de crescimento.

A questão do gênero (reflexões sobre o novo papel do homem e da mulher de hoje) apareceu nos grupos vivenciais, quando os participantes se expressaram abertamente, especialmente os homens, que se mostraram sensíveis e perdidos com as mudanças do papel da mulher.

Voltei mais sensibilizada sobre a importância do papel do psicólogo como agente de mudança de uma sociedade global em constante evolução tecnológica e perplexa em como utilizar com sabedoria as novas informações.

1 MARCIA ALVES TASSINARI, Psicóloga, Professora da Universidade Santa Úrsula e do JBMR, Diretora do Centro de Psicologia da Pessoa.

2 Primeira Versão apresentada no VII Encontro Latino Americano da Abordagem Centrada na pessoa, jul. 93, Maragogi/AL

3. Trabalho realizado em colaboração com Clayse Silva, Rosane Oliveira e Yeda Portela.

 

 

Publicado no Jornal da Abordagem Centrada na Pessoa – Associação Rogeriana de Psicologia – Rio de Janeiro – dezembro 1995 p.3