A evolução dos conceitos de atitudes facilitadoras na perspectiva de Carl R. Rogers

Eloilde Lais Barbosa da Cruz

RESUMO

Percorrendo o caminho do próprio autor da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), Carl Rogers, esse trabalho busca de forma inicial tentar apreender um pouco da Evolução do CONCEITO DE ATITUDES FACILITADORAS.

Toda a construção do raciocínio pauta-se em cima de uma organização da Teoria em III fases, didaticamente falando, as quais se encontram descritas a seguir, no desenvolvimento.

Baseia-se primordialmente nos escritos de Rogers, como uma tentativa de resgatar a originalidade e essência na construção da teoria. Há também a inserção de idéias de outros autores, enriquecendo e ampliando alguns pontos.

Os construtos foram organizados e pesquisados de forma evolutiva, buscando na medida do possível, registrar as principais formulações relativas ao tema proposto do mim.

1. INTRODUÇÃO

Como afirmou o próprio Carl Rogers:

“em qualquer processo de psicoterapia, o terapeuta é uma parte altamente importante da equação humana. O que ele faz, a atitude que mantém, seu conceito básico do papel que desempenha influenciam notavelmente a terapia” (Rogers, 1992).

Desde as primeiras formulações propostas por Rogers, a Psicoterapia Centrada no Cliente, provocou intensas mudanças e reformulações no conceito de terapia dentro da psicologia a partir da década de quarenta nos Estados Unidos, tomando também posteriormente uma considerável repercussão em outros países.

A proposta deste trabalho está diretamente ligada à tentativa de uma compreensão sobre a Evolução dos Conceitos de Atitudes Facilitadoras na Perspectiva de Carl Rogers, baseando-se nas primeiras proposições propostas por ele e o crescimento natural desta teoria nas fases precedentes.

O problema inicial centra-se numa busca de observar, como se desenvolveu evolutivamente os conceitos de Atitudes Facilitadoras na teoria criada por Rogers?

Tendo como ponto de partida a idéia da extrema importância que é a atitude terapêutica no momento do encontro terapêutico para um posterior funcionamento saudável da pessoa humana.

É um trabalho inicial e com certeza não abrangerá a globalidade de todas as mudanças e evoluções mais atuais sobre o assunto, tentar-se-á entretanto, destacar os aspectos e conceitos mais importantes dentro desta perspectiva, sem desconsiderar a extrema dinâmica que envolve a evolução de um conceito no caminho da formação de unia teoria.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A Abordagem Centrada no Cliente em seu percurso teve raízes ligadas inicialmente, dentro do seu conceito de “insight”, no pensamento freudiano. Em seu conceito sobre a habilidade do indivíduo para organizar sua própria experiência, há uma ligação com o trabalho de Otto Rank, Taft e Alien. Em sua ênfase sobre as pesquisas objetivas, ao submeter as atitudes fluidas à investigação científica, e ao se propor a comprovar ou a refutar todas as hipóteses através dos métodos de pesquisa, a dívida neste caso é para todo o campo de psicologia americana, no que se refere a toda sua estruturação à metodologia científica.

Para efeitos de estudos e pesquisas há a divisão nos dias atuais, de todo o legado de Carl Rogers, em três fases ou períodos, compreendendo de 1940 a 1950 a 1 fase, conhecida como TERAPIA NÃO DIRETIVA; a II fase de 1950 a 1957 é denominada como TERAPIA REFLEXIVA; e a III fase de 1957 a 1970 é chamada TERAPIA EXPERIENCIAL (Hart, 1970).

Focalizando mais especificamente a evolução dos conceitos de Atitudes Facilitadoras, podemos destacar que na 1ª fase de acordo com as idéias descritas no livro Psicoterapia e Consulta Psicológica (Rogers, 1985), apreende-se que nesse período, a terapia não diretiva destacou primordial importância na gradual aquisição por parte do cliente do insight sobre si mesmo e de sua situação. O trabalho do terapeuta constituía-se necessariamente em ajudar ao cliente a esclarecer seus sentimentos e percepções.

O terapeuta procurava facilitar a compreensão (insight) criando um ambiente constituído de um clima não autoritário, permissivo e o cliente era livre para prosseguir no seu ritmo pessoal, próprio, criando suas próprias direções. Adaptando-se a este modo não interventivo, o terapeuta tentava ajudar ao cliente livrando-o da necessidade de refrear e esconder a capacidade de defesa.

Segundo Rogers esta técnica proporcionava o desenvolvimento de uma relação livre e permissiva, proporcionando uma tendência em direção a uma ação positiva auto-iniciada.

Nesta época registra-se a opção pela palavra “cliente” ao invés do termo habitual “paciente”, advindo de uma prática médica. Enfatiza a própria relação terapêutica como uma experiência de crescimento para o cliente; afirma que a psicoterapia não é uma preparação para a mudança, ela é a própria mudança.

Afastando-se dos moldes psicanalíticos, Rogers procurou desvencilhar do terapeuta a imagem de autoridade, chegou mesmo a afirmar que terapia e autoridade não são compatíveis, propõe algumas soluções parciais a este problema enfatizando a necessidade de uma especificação mais adequada quanto ao papel do “conselheiro”, objetivando desvincular a imagem associada às pessoas no exercício de funções em que a autoridade é inerente.

Rogers destaca também que deve haver uma maior independência e integração do indivíduo em vez de se esperar que tais resultados sejam obtidos pela ajuda do psicólogo na resolução do problema que é posto em foco.

O objetivo principal não é resolver um problema em particular, mas o de ajudar o indivíduo a desenvolver-se para poder enfrentar o problema presente e os futuros de uma maneira mais perfeitamente integrada: Há uma confiança muito mais profunda no indivíduo poder orientar-se para a maturidade, para a saúde e para a adaptação.

Nessa fase há uma ênfase no sentido de que o psicólogo deve estimular a livre expressão dos sentimentos em relação ao problema. Essa liberdade é provocada pela atitude amigável, interessada e receptiva do psicoterapeuta.

O psicólogo aceita, reconhece e esclarece os sentimentos negativos. Esforçando-se através do que diz e do que faz para criar uma atmosfera em que o cliente possa chegar a reconhecer que tem esses sentimentos negativos e que é capaz de aceitá-los como uma parte de si mesmo, em vez de os projetar nos outros ou de ocultá-los por detrás de mecanismos de defesa; o psicólogo aceita e reconhece os sentimentos positivos que se exprimem, da mesma maneira que aceitava e reconhecia os sentimentos negativos (Rogers, 1974).

Em 1946 numa palestra proferida para os dirigentes da Menninger Clinic e do Topeka Veteren’s Hospital, em Kansas (USA), Carl Rogers destaca que é possível declarar com alguma exatidão as condições em que precisam ser preenchidas para iniciar e conduzir esta experiência terapêutica liberadora. Descreve uma lista abreviada das condições que parecem ser necessárias, e dos resultados terapêuticos que ocorrem.

Segundo Rogers, a experiência que libera forças internas de crescimento do indivíduo ocorrerá na maioria dos casos se os seguintes elementos estiverem presentes:

1 – “Se o Conselheiro agir sob o princípio de que o indivíduo é basicamente responsável por si próprio, e desejar que o indivíduo mantenha esta responsabilidade;

2 – Se o Conselheiro agir sobre o princípio de que o cliente tem uma forte tendência a tomar-se maduro, socialmente ajustado, independente, produtivo e confiar nesta força, e não em seus próprios poderes para realizar mudanças terapêuticas;

3 – Se o Conselheiro criar uma atmosfera calorosa e permissiva na qual o indivíduo esteja livre para trazer qualquer atitude ou sentimento que possa ter, não importando quão absurdos, não convencionais, ou contraditórios sejam. O cliente é tão livre para resguardar sua expressão quanto para expressar seus sentimentos;

4 – Se os limites estabelecidos forem simplesmente limites quanto ao comportamento, e não limites quanto às atitudes;

5 – Se o terapeuta usar na entrevista somente aqueles procediementos e técnicas que transmitam seu profundo entendimento das atitudes expressas, carregadas de emoção, e sua aceitação delas. Esta compreensão talvez seja melhor transmitida por uma reflexão sensível e clarificação das atitudes do cliente. A aceitação do Conselheiro não envolve aprovação tão pouco desaprovação;

6 – Se o Conselheiro se abstiver de qualquer expressão ou ação que seja contrária aos princípios precedentes. Isto significa evitar de perguntar, sondar, culpar, interpretar, aconselhar, sugerir, reassegurar.

Se estas condições forem atendidas, então pode-se dizer com segurança, que na grande maioria dos casos, os seguintes resultados acontecerão:

1 – O cliente expressará atitudes intensas e motivacionais;

2 – O cliente explorará suas próprias atitudes e reações mais plenamente do que o fizera antes e tomar-se-á consciente de aspectos de suas atitudes que negara previamente;

3 – Ele chegará a uma apreensão consciente mais clara de suas atitudes motivadoras e se aceitará mais completamente. Esta apreensão e esta aceitação incluirão atitudes previamente negadas. Ele poderá ou não verbalizar esta compreensão consciente mais clara de si e de seu comportamento;

4 – A luz de uma percepção mais clara de si, escolherá por sua própria iniciativa e responsabilidade, novos objetivos que serão muito mais satisfatórios que seus objetivos desajustados;

5 – Escolherá comportar-se de maneira diferente para poder alcançar estes objetivos, e este novo comportamento irá em direção a um maior crescimento psicológico e maturacional. Seu modo de comportar-se será tambóm mais espontâneo e menos tenso, mais harmonioso com as necessidades sociais dos outros; representará um ajustamento à vida mais realista e mais confortável. Será mais integrado que seu comportamento anterior. Será um avanço na vida do indivíduo.”

(Rogers, 1946)

Ao passar do período I para o período II, observa-se um maior amadurecimento das idéias e construtos. No período II muitos conceitos e práticas da Terapia Centrada no Cliente foram sistematizados e apoiados em extensas investigações.

Rogers destaca nesta época que um orientador eficaz da Terapia Centrada no Cliente apresenta um conjunto de atitudes coerente e em evolução, profundamente embutido em sua organização pessoal, e esse sistema de atitudes é implementado por técnicas e métodos que lhe sejam compatíveis. De acordo com Rogers, o orientador que tenta utilizar um “métodos” está fadado ao insucesso, a menos que esse método apresente uma concordância genuína com as atitudes pessoais dele.

Examinaremos primeiramente, um ponto importante que é a atitude do orientador em relação ao valor e ao significado do indivíduo. Para Rogers indivíduos que já estejam se. empenhando em direção a uma orientação que enfatize o valor e o significado de cada pessoa podem aprender bastante rápido as técnicas centradas no cliente que implementam esse ponto de vista.

Pode-se dizer que o orientador escolhe trabalhar de modo coerente sobre a hipótese de que a pessoa tem capacidade suficiente para lidar de forma construtiva com todos os aspectos de sua vida que possam, potencialmente, alcançar a percepção consciente. Isto significa a criação de uma situação interpessoal na qual o material possa chegar à consciência do cliente, e uma demonstração significativa da aceitação do cliente por parte do orientador, como uma pessoa capaz de conduzir a si mesma.

Nesse período, o papel do terapeuta foi reformulado e elaborado dando maior ênfase a uma responsabilidade sensível aos sentimentos do cliente. A reflexão dos sentimentos substitui a “clarificação” e as formas cognitivas de interação foram re-enfatizadas. Implementando a reorganização do cliente a reintegração do seu auto-conceito, o trabalho do terapeuta era remover as fontes de ameaça da relação e espelhar em si o mundo fenomenológico do cliente, a técnica utilizada era a reflexão dos sentimentos.

Centrar-se no cliente sugere não apenas um papel mais ativo por parte do terapeuta; significa também que ele torna o cliente foco de sua atenção. Se anteriormente a orientação era ficar fora do caminho do cliente, neste momento ele é levado a comprometer-se numa busca por compreensão empática do sistema de referência da outra pessoa.

A prática da empatia, autenticidade e aceitação incondicional propostas por Rogers (1957), importa que o terapeuta aprenda a vivenciar o relacionamento terapêutico de forma mais completa, com a totalidade de seu self. O terapeuta utiliza-se portanto, de seus próprios sentimentos como parte do estar presente neste encontro.

Nesta fase Rogers esclarece melhor que a postura centrada no cliente está desvinculada de uma passividade e aparente falta de interesse ou envolvimento, concepção errônea que levou a fracassos consideráveis no aconselhamento, tal procedimento é apreendido pelo cliente como rejeição uma vez que indiferença nada tem haver com aceitação. E em segundo lugar, uma atitude Laissez Faire de modo algum indica ao cliente que ele é tratado como pessoa de valor.

O terapeuta deve procurar, nessa fase, assumir tanto quanto possível a estrutura de referência interna do cliente perceber o mundo como o cliente o vê, deixar de lado todas as percepções a partir da estrutura de referência externa no momento em que estiver fazendo isso e comunicar algo de sua compreensão empática ao cliente.

Esse tipo de relação só se torna possível se o terapeuta for profunda e genuinamente capaz de adotar tais atitudes. O “aconselhamento centrado no cliente”, segundo Rogers, só se torna eficaz diante de um processo sincero e é essa sensível e autêntica “centralização no Cliente” que o autor considera como a terceira característica da terapia não diretiva a qual coloca-a num plano diferente das outras abordagens de terapia. A 1ª. e a 2ª. característica são respectivamente: previsibilidade do processo e descoberta da capacidade do cliente.

Nessa fase a mudança mais flagrante destacada por Hart (1970) foi a ênfase do terapeuta em reagir sensivelmente ao afetivo mais do que ao significado semântico das expressões do cliente.

Após esse momento segue-se o período III, conhecido como PSICOTERAPIA EXPERIENCIAL, pode-se observar nessa fase, ainda em crescimento maturacional e tomando forma, que há uma certa dificuldade de ser caracterizada de uma maneira fechada (isto seria impossível) já que ainda está em movimento, em constantes reformulações nos dias atuais.

Ao se transferir em 1957 para a Universidade de Wisconsin, Rogers e colaboradores começaram a refletir sobre a abrangência em que havia tomado a Terapia Centrada no Cliente e se deram conta de uma necessidade de alargar os estudos e pesquisas ao campo dos psicóticos e dos normais, já que até então só haviam trabalhado com os neuróticos. Diante dessa inquietação de Rogers e colaboradores (como Shilin e Gendlin) a terapia centrada no cliente foi aplicada e testada sua validade em esquizofrênicos de um hospital psiquiátrico.

Os resultados dessa experiência foram muito ricos para um maior aprimoramento da teoria. Rogers e colaboradores concluíram que frente a clientes tão passivos, a iniciativa no processo de interação cabia ao terapeuta, sendo isto de importância crucial para o desenvolvimento e sobrevivência do próprio contato.

Gendlin (1970) observou, que a eficácia desse tipo de terapia deveria ser num sentido de uma terapia pessoal e expressiva – um processo sub-verbal, e profundamente experienciado. Os terapeutas nesses contatos puderam descobrir a importância de trazer à tona os seus próprios sentimentos ao estar diante do outro; perceberam que em alguns casos houve algumas alterações no cliente a medida em que havia uma participação ativa da subjetividade do terapeuta.

Hart (1970) observa que a ênfase do pensamento do grupo de Rogers e colaboradores, já mostrava mudanças no que se refere a técnicas terapêuticas específicas como reflexão de sentimentos para um foco nas habilidades e atitudes gerais do terapeuta, as quais eram comunicadas numa variada gama de comportamentos terapêuticos. No artigo “The Necessary and Sufficient Conditions of Therapeutic Personalit Change” (Rogers, 1957), o autor principiou a idéia de que dada condições básicas e favoráveis de terapia, entre elas as atitudes terapêuticas de Consideração Positiva Incondicional, Compreensão Empática e Genuinidade, haveria para tanto uma direção para uma mudança positiva da personalidade.

A mudança ocorreria, entretanto, independentemente das técnicas utilizadas pelos terapeutas ou dos problemas particulares dos clientes. Rogers, entretanto destaca firmemente nesse período que a relação subjetiva pessoal é também um parte fundamental da mudança terapêutica da personalidade (Rogers, 1987).

Usando a terminologia de Rogers a mudança em termos progressivos da terapia em meados de 1960/1961 progrediu na determinação dos elementos de uma relação que promovia o crescimento pessoal. A psicoterapia nessa época evoluiu num sentido crescente identificando condições que estavam na base das relações terapêuticas, as quais criavam a terapia e facilitavam o desenvolvimento da pessoa num sentido de uma maturidade psicológica.

Deixando claro que a terapia não substitui a motivação para o desenvolvimento ou crescimento pessoal. Tal crescimento parece ser inerente ao organismo e é observado como uma tendência do organismo para se desenvolver e atingir a maturidade, mediante um processo que envolve um mínimo de condições favoráveis. A Terapia entra nesse ponto, desempenhando um papel extremamente importante na libertação e no processo de facilitação da tendência do organismo para a maturidade e desenvolvimento psicológico, mediante um bloqueio dessa tendência.

Nesse período, tomando como referência o livro Tomar-se Pessoa (1987), houve uma maior elaboração dos conceitos de: CONGRUÊNCIA

“A transformação pessoal é facilitada quando o psicoterpeuta é aquilo que é, quando as suas relações com o cliente são autênticas e sem máscaras nem fachada, exprimindo abertamente os sentimentos e as atitudes que nesse momento ocorrem.” (Rogers, 1987, p. 65).

Rogers reconhece que ninguém consegue realizar essa condição plenamente, entretanto quanto mais o terapeuta souber ouvir e aceitar o que passa em si mesmo, quanto mais ele mostrar-se capaz de assumir a complexidade dos seus sentimentos sem medo, maior será o seu grau de congruência.

CONSIDERAÇÃO POSITIVA INCONDICIONAL

Quando o terapeuta está experienciando uma atitude calorosa, positiva lica que o terapeuta esteja realmente pronto a aceitar o cliente, sejae de aceitação para com aquilo que está no seu cliente, isso facilita a mudança. Imp o que for que esteja sentindo no momento – medo, confusão, desgosto, orgulho, cólera, ódio, amor, coragem, admiração. Isto quer dizer que o terapeuta se preocupa com o cliente de uma forma não possessiva, que o aprecia mais na sua totalidade do que de uma forma condicional, que não se contenta com aceitar simplesmente o seu cliente quando este segue determinados caminhos e com desaprová-lo quando segue outros. Trata-se de um sentimento positivo que se exterioriza sem reservas e sem apreciações” (Rogers, 1987, pag. 65).

COMPREENSÃO EMPÁTICA

“Quando o terapeuta é sensível ao sentimento e às reações pessoais que o cliente experiencia a cada momento quando pode apreendê-los “de dentro” tal como o cliente os vê, e quando consegue comunicar com êxito alguma coisa dessa compreensão ao cliente, então está cumprida esta terceira condição” (Rogers, 1987, p. 66).

Rogers reconhece que esse tipo de compreensão é extremamente raro. Não 6 comum possuir-se tal atitude e nem somos objeto dela freqüentemente, entretanto destacou vital importância de que quando há uma verdadeira compreensão empática:

compreender a pessoa, como ela se sente e como é, sem análises nem julgamentos, então nesse clima pode haver crescimento.

Estudos realizados demonstraram que quando há o estabelecimento dessas três condições na relação terapêutica e como tais apreendidas pelo cliente em processo o movimento terapêutico evolui. Ressalta também a importância de que tais atitudes são mais importantes para a modificação terapêutica, do que o conhecimento e a capacidade técnica do terapeuta.

O resultado para a terapia é que quanto mais o cliente vê o terapeuta como uma pessoa verdadeira e autêntica, capaz de empatia e tendo em relação a ele um respeito incondicional, isso favorecerá um movimento de mudança de um funcionamento estático, fixo, insensível e impessoal, e se encaminhará no sentido de um funcionamento caracterizado por uma experiência fluida onde há diferenciação de sentimentos e reações pessoais à imediatez da experiência.

3. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Tendo em vista a fundamental importância que é a evolução dos conceitos de Atitudes Facilitadoras na teoria de Rogers, e a medida que tomei contato com os escritos, percebi a enormidade de textos, publicações e palestras proferidas, decidi então não encerrar com uma conclusão ensejando fazer a posteriori, um maior aprofundamento dentro de tão importante e estimulante tema.

Primeiramente destaco que no início do seu trabalho, haviam resquícios de orientação e termos psicanalíticos na construção da teoria ou “Nova Teoria” como Rogers assim denominou, mas já podemos observar uma mudança radical nos conceitos, atitudes e habilidades por parte do terapeuta ou conselheiro, onde Rogers deixa bem claro a importância para o terapeuta dele possuir habilidades profundamente embutidas em sua organização pessoal, atitudes estas que enfatizem o valor e o significado de cada pessoa e principalmente a crença na capacidade de auto-direção pertinente a cada indivíduo.

Na II e III fases houve uma maior elaboração dos conceitos e um respaldo de todas as descobertas em intensas observações clinicas e pesquisas. Registra-se na fase II uma maior estruturação da teoria com o acréscimo da visão do desenvolvimento do EU em um continuum de mudança que iam da fixidez para a fluidez.

Na fase III o momento da relação terapêutica passa a ser visto como proporcionador de crescimento tanto para o cliente, quanto para o terapeuta e a importância deste último estar em um estado de acordo interno pelo menos no momento da relação.

Após toda a reflexão no decorrer da organização deste trabalho, posso registrar que há uma visível evolução dos conceitos, os quais foram influenciando a teoria de uma maneira geral e principalmente a prática clínica, a qual sempre se mostrou muito rica em termos de fontes de pesquisas, pois Rogers evidentemente partia de uma prática e extensos estudos pautados a partir dela.

Nessa idéia, destaco também a freqüente ênfase de Rogers a Terapia Centrada no Cliente, não como uma escola ou dogma, mas sempre como um conjunto de princípios hipotéticos, os quais colocam-se em franco desenvolvimento e reformulações durante todo o seu transcurso, e ainda nos dias atuais em que dirigi-se para um enfoque mais fenomenológico da relação.

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