A PESQUISA QUALITATIVA NA CLÍNICA

Antonio A. F. Coppe

Nos últimos anos tem havido um crescimento do interesse pela pesquisa qualitativa, tanto que Henwood (1998) afirma que “os psicólogos estão tomando consciência de que a coleta e a análise de dados qualitativos é, não somente uma característica inevitável da prática profissional (por exemplo, em entrevistas clínicas ou de aconselhamento), mas também, constitui uma das competências necessárias à condução de pesquisa”. (p.232)

Gomes (1989) também partilha do crescimento deste interesse, dizendo que a pesquisa qualitativa traz entusiasmo, uma vez que se evidencia uma perspectiva de um refinamento metodológico em que são consideradas as manifestações ou expressões humanas e sociais antes inacessíveis para estudo sistemático. Esse movimento, naturalmente, se opõe ao positivismo lógico e à quantificação. E, segundo Gomes (1989), “também, porque a pesquisa qualitativa em suas formas mais refinadas, pretende levar adiante um projeto proposto pela própria psicologia humanista, que é, o desenvolvimento de um critério empírico, operacional, rigoroso e humano de ciência” (p. 99).

Para pensar a pesquisa qualitativa em Psicologia é necessário, de acordo com Bicudo & Martins (1989), esclarecer “os significados de fato e de fenômeno, uma vez que a pesquisa quantitativa trabalha com fatos e a qualitativa, com fenômenos” (p. 21). Conforme o Positivismo Lógico, fato é tudo aquilo que pode se tornar objetivo e rigorosamente estudado enquanto objeto da Ciência, sendo que ele, após a sua definição, é controlado. Ao passo que fenômeno, conforme visão existencial-fenomenológica, vai significar aquilo que se mostra a si mesmo, o manifesto. Nesse sentido, Bicudo & Martins (1989) afirmam que “o fenômeno mostra-se a si mesmo, situando-se”. (p. 22)

Em função da sua característica de focalizar (situar) o individual, o específico, o peculiar, a pesquisa qualitativa tem por objetivo compreender a particularidade daquilo que estuda e não a explicação. Ela introduz um rigor metodológico que não o da precisão numérica, ao estudar os fenômenos como amor, raiva, angústia, tristeza, etc; uma vez que, segundo Bicudo & Martins (1989), “esses fenômenos apresentam dimensões pessoais e podem ser mais apropriadamente pesquisados na abordagem qualitativa. Os estudos assim realizados apresentam significados mais relevantes tanto para os sujeitos envolvidos como para o campo da pesquisa ao qual os estudos desses fenômenos pertence” (p. 27).

Nesse sentido, a modalidade metodológica da pesquisa qualitativa que melhor se enquadra à pesquisa na clínica psicológica é o enfoque fenomenológico, cujo objetivo geral é descrever os fenômenos estudados. Vejamos, então, a pesquisa fenomenológica.

1. A pesquisa fenomenológica

Os procedimentos desse enfoque metodológico estão fundados em princípios filosóficos que incluem, necessariamente, uma postura no qual é refletida uma concepção ontológica, epistemológica e metodológica, sendo essas concepções o fundamento do trabalho empírico. A delimitação do fenômeno está baseada em um enfoque metodológico-filosófico (Bicudo & Martins, 1989), possibilitando dessa forma a aplicação dos fundamentos da fenomenologia ao campo da Psicologia. Como se articula, então, a Fenomenologia e a Psicologia?

2. A fenomenologia

Mesmo que Edmund Husserl seja a figura primordial da Fenomenologia, influenciando filósofos como Jean-Paul Sartre, Martin Heidegger, Maurice Merleau-Ponty, entre outros, é ao alemão Franz Brentano que se atribui a sua gênese; que segundo Bonin (1991), “foi representante de uma psicologia descritiva a qual chamou de ‘psicologia dos atos’, que considera o essencial das manifestações anímicas (atos) em sua relação com o objetivo ao qual estão encaminhadas (intencionalidade)” (p. 68).

Husserl funda, em 1894, a Fenomenologia, que se desenvolve no século XX, em função da crise das ciências que se instalou na Europa. Segundo Holanda (1997) “a Fenomenologia surge como uma crítica, no sentido original do termo, como uma tentativa de pôr em crise o conhecimento vigente” (p, 36). Crise dada pelo divórcio entre as verdades científicas e o mundo da vida (Lebenswelt). Portanto, o surgimento da Fenomenologia (que se identifica com esse divórcio) se dá no campo da Filosofia, como um método novo de compreender os fenômenos, ou melhor, aquilo que aparece, pois, o ser do fenômeno é o seu aparecer, é o que se revela. Nesse sentido, a tarefa da Fenomenologia é um retorno às coisas mesmas (“zur Sache selbst”), ou seja, segundo Holanda (1997), “apreender o mundo tal qual este se apresenta para nós enquanto fenômeno” (p. 37).

Feijoo (1999) diz que “Husserl apresenta a fenomenologia como atitude frente ao conhecer, onde não cabe nenhum princípio explicativo acerca do vivido, cabendo apenas uma descrição (…) deixando como legado o instrumento metodológico” (p. 17), apresentando a redução eidética como tal instrumento. Então, para se compreender a passagem das várias regiões eidéticas, da região “mundo” para a região “consciência”, deve-se levar em conta a “epoké” ou redução fenomenológica, pois o retorno às coisas mesmas objetiva encontrar a essência dos fenômenos tal como manifestados na consciência, e neste caso, a consciência é sempre consciência de alguma coisa, isto é, ela é a pura intencionalidade, visada, doadora de sentido. Portanto, é necessário reconhecê-la como um projeto de mundo, um mundo que ela não possui, mas para o qual está constantemente se dirigindo enquanto vida intencional. E para que haja consciência, é necessário que haja um objeto de que ela tenha consciência, um objeto intencional. Donde podemos dizer que a intencionalidade não tem interioridade nem exterioridade, uma vez que ela é a pura relação do sujeito com o objeto, ou de preferência com o mundo, porque o mundo não é verdadeiramente um objeto: é o campo fenomenal de nossas experiências (Merleau-Ponty, 1971). Então, a consciência fenomenológica é o modo de intencionalizar o objeto em relação (significar o mundo), e, simultaneamente, significar a si mesma (consciência da consciência).

E a redução, segundo Forghieri (1993 b), “é o recurso metodológico para chegar ao fenômeno como tal, ou à sua essência; pode ser sintetizada em dois princípios; um negativo, que rejeita tudo aquilo que não é apodicticamente verificado; outro positivo, que apela para a intuição originária do fenômeno, na imediatez da vivência” (p. 15). Nesse sentido é um “retorno às coisas mesmas”, aquilo que é percebido e vivido pelo indivíduo, ou seja, a consciência-intencionalidade, enquanto doadora de um significado para a sua existência.

E voltar às coisas mesmas pressupõe a redução, que segundo Forghieri (1993 b) “consiste em retornar ao mundo da vida, tal qual aparece antes de qualquer alteração produzida por sistemas filosóficos, teorias científicas ou preconceitos do sujeito: retornar à experiência vivida e sobre ela fazer uma profunda reflexão que permita chegar à essência do conhecimento, ou ao modo como este se constituiu no próprio existir humano” (p. 59). Para os psicólogos ela é extremamente importante, pois é através dela que se pode retornar à experiência conforme ela é experienciada ou se apreende a experiência vivida conforme ela é vivenciada.

Assim sendo, a Fenomenologia se apresenta não como uma técnica, mas como um método, uma atitude, cujo objetivo é descrever para compreender. Keen (1979) enfatiza que

“o objetivo de qualquer técnica é ajudar o fenômeno a revelar-se de forma mais completa do que o faz na experiência usual. Este objetivo pode ser formulado como constituindo a tentativa de revelar tantas significações quanto possível, e suas relações mútuas, no momento em que o fenômeno se apresenta na experiência. A frase revelar-se de forma mais completa significa revelar camadas de significação. No aparecimento usual de um acontecimento, suas significações estão presentes em nosso ato de experienciar este aparecimento, mas estão implícitas e obscuras” (p. 34).

A pretensão de utilizar o método fenomenológico neste estudo é justamente a de buscar uma compreensão da experiência grupal a partir do depoimento do participante em função da representação vivida por ele e de seus significados ulteriores. Keen (1979), mais uma vez, nos mostra que “se os humanistas desejam argumentar que devemos compreender a experiência para compreender os pacientes, então é necessário entender realmente a experiência, em lugar de meramente apresentar o argumento. É necessário tornar o argumento convincente para oferecer uma compreensão coerente. A psicologia fenomenológica oferece esta esperança” (p. 100-101).

E nesse sentido, a Fenomenologia aplicada à Psicologia pode ser entendida como uma atitude que possibilita a compreensão do humano (psiquismo), pois ao estudá-lo em seu campo fenomênico o que está sendo valorizado é a sua condição única de ser-no-mundo e de representá-lo para si. Isso pressupõe que a tarefa da Fenomenologia, além de meditar constantemente sobre o homem em relação com o mundo, quando articulada com a Psicologia, é a de compreender como o homem significa a si e ao mundo.

E se a compreensão se dá através dos significados que a experiência subjetiva produz, novamente vemos no método fenomenológico uma possibilidade para estudar estas experiências. Nesse sentido veremos, então, que a Psicologia se utiliza de procedimentos fenomenológicos para a valorização da subjetividade individual, buscando a significação imediata da consciência na experiência vivida pelo cliente (indivíduo ou grupo), ajudando-o a se perceber e aos demais, refletindo sobre si próprio e sobre suas percepções. E quando se quer pesquisar as significações vivenciadas pelo cliente, veremos que “a pesquisa fenomenológica está dirigida para significados, ou seja, para expressões claras sobre as percepções que o sujeito tem daquilo que está sendo pesquisado, as quais são expressas pelo próprio sujeito que as percebe” (Bicudo & Martins, 1989:93).

1.2. A pesquisa fenomenológica para um estudo de vivências

O estudo das vivências na clínica tem ressonância com a Fenomenologia, uma vez que ambos se voltam para a compreensão dos significados das vivências. Mas, para tanto, é necessário definir o que é vivência e como se pretende estudá-la.

Uma definição clássica é dada por Mora (1982):

“chama-se na psicologia atual ao fato de experimentar, de viver algo (…), do tomar posição de algo que está fora da consciência. Na vivência não há apreensão propriamente dita, porque o apreendido e o vivido são uma e a mesma coisa, e por isso as vivências são consideradas habitualmente como experiências afetivas. Só mediante a análise pode uma vivência ser desprendida do experimentado nela, na medida que a apreensão se apresenta desde o primeiro momento como movimento da consciência para algo heterogêneo, tanto se isso é constituído por um objeto sensível como por um inteligível” (p. 421).

Dilthey foi o primeiro a investigar a vivência em sua natureza e formas, definindo-a como “algo revelado no complexo anímico dado na experiência interna; é um modo de existir a realidade para um certo sujeito” (Mora, 1982, p. 421), ou seja, a vivência não é algo dado, uma vez que somos nós que penetramos em seu interior, possuindo-a de uma maneira tão imediata que podemos afirmar que ela e nós somos a mesma coisa.

Husserl diz que as vivências devem ser entendidas como unidades de vivência e de sentido, sendo descritas e compreendidas, uma vez que elas são efetivamente vividas, ou seja, experimentadas como unidades dentro da análise da qual se inserem os elementos que a decompõem em vivências particulares e subordinadas, pertencendo a uma vivência mais importante e ampla que pode, até, entrecruzar com outra(s) (Mora, 1982).

Forghieri (1989) define a vivência como sendo “a percepção que o ser humano tem de suas próprias experiências, atribuindo-lhes significados que, com maior ou menor intensidade, sempre são acompanhados de algum sentimento de agrado ou de desagrado” (p. 07). Nesse sentido, veremos que o vivenciado por alguém não tem um significado em si mesmo, mas adquire um sentido para quem o experimenta, onde o vivido se relaciona com a sua própria existência. Por isso, a vivência de um ser humano, sua experiência subjetiva, apenas pode ser descrita e alcançada de forma direta por ele mesmo, pois só ele é capaz de transmitir os significados de sua experiência no mundo, ou seja, a vivência é a percepção que um indivíduo possui de suas experiências, ou então, do significado que é dado a elas; é uma experiência íntima que ocorre na consciência do indivíduo, só podendo ser acessada por ele (Forghieri, 1989).

Decorre dessas proposições que a vivência é uma experiência subjetiva, íntima, singular. É a maneira pela qual a pessoa significa a si mesma e o mundo, cabendo ao pesquisador, apenas, a significação a partir dos dados fornecidos por ela, isto é, pelo seu relato (oral ou escrito).

Se o pesquisador busca através da compreensão das significações produzidas o sentido que a pessoa dá, cabe agora uma ponderação do seu papel na pesquisa.

Mesmo que Husserl (Dartigues, 1970) tenha trabalhado anteriormente a questão da captação intuitiva e a integração dos significados, Forghieri (1993 a) ressalta que método fenomenológico “apresenta-se à Psicologia, como um recurso apropriado para pesquisar a vivência consistindo em focalizá-la através do envolvimento existencial e do distanciamento reflexivo do pesquisador” (p. 60).

O envolvimento existencial do psicólogo/pesquisador com o seu objeto de estudo é que possibilitará, com base numa atitude pré-reflexiva, uma compreensão mais aproximada do fenômeno; é a capacidade do pesquisador de se abrir e penetrar na experiência do outro, ou seja, ser empático. É importante que se reconheça a empatia como meio de entrar em contato com a subjetividade do outro, um “intra-habitá-lo”. Wood (1994) afirma que “a compreensão empática, em outras palavras, é um estado de consciência no qual uma pessoa experiencia e participa de um fluxo de pensamentos e sentimentos e seus significados, com outra pessoa, enquanto ao mesmo tempo também está consciente do contexto maior do qual os dois existem” (p. 228), e para tal, é necessário que o pesquisador coloque entre parêntesis os conhecimentos que tem sobre a vivência que pretende estudar, abrindo-se para ela e nela penetrar espontânea e experiencialmente.

Distanciamento reflexivo é o que ocorre após o envolvimento existencial. Em linhas gerais, é uma reflexão da vivência, analisando-a e enunciando os seus significados, apreendidos durante o envolvimento. Mas para isso, é necessário que se distancie da vivência para obter a compreensão e tentar captar o sentido da vivência para o indivíduo (Forghieri, 1993 a). Apesar de serem descritos separadamente, o envolvimento existencial e o distanciamento reflexivo são, de acordo com Forghieri (1993 b), “paradoxalmente inter-relacionados e reversíveis, convertendo-se o primeiro no segundo e este novamente no primeiro, e assim sucessivamente, até chegar a uma descrição que considero satisfatória“ (…) (p. 62).

Com base nessas duas atitudes, pode-se, segundo Chaves et al (1996), “refletir sobre a experiência e, através de sua tematização, comunicá-la ao universo científico” (p. 15).

Deduz-se da exposição acima duas afirmativas: primeiro, a importância da redução fenomenológica para o estudo de vivências, em que fica evidente o entrelaçamento do psicólogo que trabalha com Grupos de Encontro, uma vez que é inevitável a confluência do pensamento rogeriano com o Existencialismo e a Fenomenologia; principalmente esta última, pois o método de intervenção da Abordagem Centrada na Pessoa, que é a Resposta Compreensiva ou Reflexo, nada mais é do que a própria redução fenomenológica. E segundo: para desvendar a vivência do indivíduo, veremos mais uma vez que ela é possível através da pesquisa fenomenológica, que segundo Amatuzzi (1996, p. 5) “é o estudo do vivido, ou da experiência imediata pré-reflexiva, visando… seu significado, ou qualquer estudo que tome o vivido como pista ou método. Em suma, é a pesquisa que lida com o significado da vivência”.

1.3. A pesquisa fenomenológica empírica

A pesquisa fenomenológica é definida, em geral, como um estudo do vivido e seus significados. Amattuzzi (1996) diz que “ela é uma pesquisa qualitativa que lida com o significado da vivência”. (p. 5) E o propósito da pesquisa qualitativa , é o de trabalhar os significados das vivências que a psicoterapia possibilita ao cliente.

Reiteramos que nessa perspectiva o método fenomenológico se mostra viável para a compreensão dos significados da experiência subjetiva de uma pessoa uma vez que o objetivo dessa metodologia, segundo Bicudo & Martins (1994), “é buscar a essência (ou estrutura) do fenômeno que deve se mostrar nas descrições, ou seja, o objetivo a ser atingido são as descrições da essência do fenômeno experienciado e isso delimita o campo da pesquisa” (p. 35 e 36), mostrando que a pesquisa qualitativa é basicamente descritiva. Concluindo, na pesquisa qualitativa os dados são coletados através das descrições feitas pelos sujeitos em seus depoimentos.

Amatuzzi (1996) aponta seis tipos de pesquisa fenomenológica:

1º) A pesquisa fenomenológica como filosofia: é a filosofia buscando esclarecer o conhecimento e, a partir, daí o mundo (e nele o ser humano).

2º) A fenomenológica eidética, que busca a elucidação das vivências a partir da experiência comum, por reflexão e via redução fenomenológica.

3º) A fenomenologia hermenêutica elucida o vivido, partindo do pressuposto heideggeriano de que a interpretação é essencial na compreensão.

4º) A pesquisa fenomenológica de tipo experimental é uma da fenomenologia empírica com o método experimental.

5º) Pesquisa colaborativa é uma pesquisa fenomenológica conduzida em grupo e beneficiando-se do processo grupal, em que o grupo se reúne periodicamente, trabalhando o mesmo tema teórica e vivencialmente.

6º) A “pesquisa fenomenológica ‘empírica’ ou ‘científica’: é uma aplicação do enfoque fenomenológico ao trabalho de pesquisa em psicologia, como ciência que trabalha a partir de ‘dados empíricos’ (no caso, depoimentos focais ou qualquer objetivação do vivido)” (Amatuzzi, 1996, p. 7). Sendo este tipo de pesquisa a adequada para o estudo de vivências na clínica. Seu esquema é:

depoimentos -> elementos do significado vivido -> estrutura do vivido

A pesquisa desse tipo teria as seguintes etapas:

. Definição clara do campo que será objeto de pesquisa.

. Elaboração do projeto.

. Coleta de depoimentos com pergunta disparadora.

. Análise dos depoimentos seguindo os passos de Forghieri, Giorgi ou Van Kaam.

. Discussão.

. Redação final (Amatuzzi, 1996).

O que se espera de uma pesquisa fenomenológica é a descoberta do novo, do desconhecido e até mesmo de uma possibilidade não pensada (Gomes, 1989).

Ao se utilizar o método fenomenológico enquanto método de estudo da subjetividade, o pesquisador busca compreender o mundo para o sujeito, ou seja: captar significados do mundo deste sujeito a partir da sua descrição do vivido.

Se o objetivo da Fenomenologia é descrever para compreender, a compreensão se dá pela redução fenomenológica que é ir à essência das coisas mesmas. Desta forma, ir à essência da coisa mesma, consiste em apreender o significado vivido da experiência clínica para o cliente bem como chegar à implicação disto para a sua vida, através dos depoimentos a serem tomados.

E Rogers (1970) se expressa da seguinte forma frente a este tipo de pesquisa: “para minha maneira de pensar, este tipo de estudo pessoal, fenomenológico – especialmente quando se lêem todas as respostas -, é muito mais válido que a tradicional perspectiva empírica ‘bem-construída’. Este tipo de estudo (…), dá realmente uma profunda compreensão do que significou a experiência” (p.132).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CHAVES, A. P. et al. (1996). Psicologia Existencial-Fenomenológica: o saber filosófico e a produção científica. Estudos de Psicologia, 13 (2): 11-16.

DARTIGUES, A. (1970). O que é a fenomenologia? São Paulo: Ed. Moraes.

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WOOD, J. K. et al. (1994). Abordagem Centrada na Pessoa. Vitória: Fundação

Ceciliano Abel de Almeida, UFES.

1 Texto extraído e modificado da Dissertação de Mestrado: “A Vivência em Grupos de Encontro: uma compreensão fenomenológica de depoimentos”, UFRJ, 2001.
2 Psicoterapeuta, Professor da PUCMinas e do Unicentro Newton Paiva em Belo Horizonte, MG.

Apresentado no XI ENCONTRO LATINO-AMERICANO DA ACP – Socorro – Brasil – Out/2002