A PSICOLOGIA DA ACP NO TRABALHO INTERDISCIPLINAR DA SAÚDE COLETIVA: O RELATO E A EXPERIÊNCIA EM COMUNIDADE

Tatiana de Lucena Torres

“Um dia, um incêndio atingiu uma floresta e então todos os animais desesperados fugiram, deixando tudo para trás. Em meio a confusão o Elefante que também fugia percebeu que um pequeno Beija-flor sobrevoava um lago próximo a floresta e então verificou que o pequeno pássaro ia até o lago, enchia seu bico e despejava toda a água nas chamas da floresta, e assim repetiu o trajeto algumas vezes, até que o Elefante questionou: – Beija-flor porque fazes isto, pensas por acaso que você poderá apagar este incêndio, ora não sejas tão burro!
E o Beija-flor respondeu: – Sei que posso não conseguir apagar o fogo,
mas pelo menos estou fazendo a minha parte!”

Autor desconhecido

APRESENTAÇÃO

O mundo contemporâneo tem apontado cada vez mais o isolamento e a superproteção como formas de amenizar os danos e as dificuldades cotidianas, que principalmente as grandes cidades nos impõem. Cada vez mais as pessoas apresentam maiores dificuldades de relações interpessoais. Entretanto é o pensamento comunitário que tem apontado saídas para a violência, a fome, a falta de emprego.
Trabalhar junto não é fácil, principalmente quando a sociedade espera que sejamos cada vez mais autônomos. Entretanto, são as ações conjuntas, não apenas “somadas”, mas “interacionadas” que evidenciam grandes possibilidades de realização.
Este trabalho tem o intuito de provocar uma reflexão baseada na ACP a respeito das possibilidades de atuação do Psicólogo, que inserido em equipes interdisciplinares, trabalham a Saúde Coletiva junto às comunidades, utilizando para tanto o relato de minha própria experiência com os Programas Universidade Solidária e Comunidade Solidária.

A PSICOLOGIA DA ACP NO TRABALHO INTERDISCIPLINAR DA SAÚDE COLETIVA:
O RELATO E A EXPERIÊNCIA EM COMUNIDADE

A INSERÇÃO DA PSICOLOGIA NAS AÇÕES DE SAÚDE COLETIVA

Com a chegada do século XXI, iniciou-se um movimento bem abrangente de reflexão, aliás, bastante comum nos novos ciclos e períodos. Com a Psicologia não está sendo diferente. A busca por novos campos de atuação, melhorias de trabalho e principalmente a procura por meios de contribuições mais efetivas no âmbito social, estão conduzindo a uma prática e uma teoria recente, mais próxima das pessoas, enquanto indivíduos e enquanto conjuntura social.

Obviamente o interesse de aproximar a Psicologia das realizações humanas não é recente, nem tão pouco a existência de profissionais nessa área seja escassa, entretanto, me refiro a um movimento que envolve não apenas Psicólogos Sociais, mas profissionais de atuações e áreas de trabalho diferenciadas, que estão enquanto classe profissional e até mesmo enquanto integrantes e participantes da sociedade, buscando uma dinâmica envolvida com o social.

É válido ressaltar que esse movimento não é exclusivo da Psicologia, ele vem se estendendo entre os profissionais da área de saúde e educação.

O crescimento da Saúde Coletiva, enquanto abrangência de atuações é indubitavelmente um reflexo dessa dinâmica que vem assumindo proporções cada vez mais integradas. Compreender que a área de saúde necessita de contribuições de outras áreas como a educação, por exemplo, significa caminhar para uma percepção que considere a amplitude do Ser Humano.

“Profissionais de saúde de uma maneira geral, encontram-se diretamente vinculados, diretamente comprometidos (independentemente do tipo de prática) com o outro e consigo mesmo no seu ato de realizar atendimentos e na sua relação de ajuda.”(p. 213)[1]

A ação em Saúde Coletiva, principalmente enquanto prevenção, assume melhor respaldo e consistência quando considera o indivíduo e sua inserção no meio social, como agentes provocadores de mudanças.

Compreender que as pessoas expressam valores culturais e sociais ativos da comunidade a qual estão inseridas; e que esses valores precisam ser considerados como influenciadores da realidade na expressão de Saúde e na sua ausência também, significa verificar o quanto é imprescindível uma interação profissional, no sentido de alcançar resultados realmente consistentes.

Sendo assim, qual seria o papel do Psicólogo em uma Equipe Multiprofissional de Saúde, no trabalho comunitário ?

A atuação do Psicólogo pode ser muito ampla. Como todos os profissionais que realizam trabalhos de Saúde em comunidades, o Psicólogo também precisa ser um agente-educativo, sempre informando e buscando a construção de uma consciência comunitária, com objetivos, como a saúde, por exemplo, sem que para tanto seja necessário convencer ou impor verdades absolutas. Construir uma consciência comunitária que auxilie a prevenção de doenças, implica em informar e conhecer a realidade, pois nenhum hábito ou atividade das pessoas poderá ser modificado por imposição.
Além do trabalho de agente educativo, o profissional de Psicologia possui a responsabilidade de trabalhar o empobrecimento dos laços afetivos, que acabam interferindo nos laços sociais.
E agindo dessa forma, o Psicólogo trabalha também as perdas que o contexto social impõe, como a falta do emprego, educação, habitação e a saúde, oferecendo meios para a reconstrução individual enquanto pessoas, de modo que essa reconstrução possa interferir no coletivo.

Existe também a possibilidade de parcerias com os demais profissionais em atividades conjuntas, desde programas de prevenção e desenvolvimento de grupos terapêuticos de apoio, até a própria escuta psicológica, advinda da demanda da comunidade.

É importante considerar que a presença do Profissional de Psicologia, neste tipo de trabalho, está diretamente ligado à preservação e estimulação da saúde das pessoas, enquanto prevenção de doenças cônicas ou não, a partir do processo de valorização humana, da terapêutica emocional utilizada enquanto método concernente a este profissional e da contribuição enquanto facilitação, da construção de uma consciência individual e coletiva, do potencial de crescimento inerente a todas as pessoas, à medida que estejam em um ambiente facilitador.

O direcionamento tomado pelo Psicólogo que trabalha com Saúde Comunitária, pode ser muito variado, entretanto o maior objetivo, comum a todas as direções, deve ser a busca pela humanização, através da consideração e aceitação incondicional do Ser Humano.

A SAÚDE PÚBLICA, SAÚDE COLETIVA E MEDICINA SOCIAL: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS

As expressões Saúde Pública, Saúde Coletiva e Medicina Social muitas vezes são usadas como equivalentes, entretanto possuem algumas peculiaridades que as diferenciam.

– A definição de Saúde Pública costuma se referir a formas de agenciamento político/governamental (programas, serviços e instituições) no sentido de dirigir intervenções voltadas às denominadas “necessidades sociais de saúde”.

– A Saúde Coletiva refere-se a diversidade e especialidade dos grupos populacionais e das individualidades com seus modos próprios de adoecer e/ou representar tal processo. E, que, não necessariamente, passam pelas instâncias governamentais. A saúde comunitária é um termo equivalente a saúde coletiva por possuírem definições semelhantes.

– A Medicina Social indica uma área acadêmica que estuda o adoecer além da dimensão biológica. Também se pode compreender as diferenciações existentes nos termos descritos acima, partindo dos referenciais históricos de reforma em saúde com as diferentes formações sócio-econômicas.

Desse modo, as expressões sofrem influência de movimentos sanitários ocorridos na França e Alemanha (Medicina Social), nos Estados Unidos e América Latina (Saúde Comunitária), na Europa (Higienismo) e na Grã-Bretanha (Sanitarismo).

Embora a descrição possa ocorrer didaticamente, esta categorização é mais abrangente e conforme as circunstâncias, os campos da saúde podem se interpenetrar, dificultando as delimitações distintas das ações.

Todas as expressões possuem em comum o ideal de bem-estar das populações em termos de ações e medidas que evitem, reduzam e/ou minimizem agravos à saúde, assegurando condições para a manutenção e sustentação da vida humana.

Após o conhecimento das diferentes concepções de Saúde, cabe uma reflexão sobre as formas de atuação e necessidades do Profissional de Psicologia especificamente na Saúde Coletiva.
EXPERIÊNCIAS EM TRABALHOS DE SAÚDE COLETIVA PARA COMUNIDADES

No intuito de explanar a importância da inserção do Psicólogo em equipes de Saúde Coletiva que desenvolvem projetos comunitários, buscou-se enriquecer este trabalho com experiências vivenciadas a partir da participação em Programas desta ordem: o Programa Universidade Solidária (UNISOL) e Comunidade Solidária.

O Programa UNISOL é realizado anualmente apoiado por instituições privadas e pelo governo federal em parceria com Universidades Públicas e Privadas. Para a realização do Programa exige-se a participação do município beneficiado, através da infra-estrutura necessária para a realização do mesmo, podendo para isso utilizar o apoio financeiro federal. Normalmente os municípios beneficiados são municípios com Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) muito baixos, municípios paupérrimos e que realmente necessitam de uma atenção especial.

A equipe interdisciplinar da UFPB selecionada para participar do UNISOL de 1999, na cidade de Cajazeiras do Piauí/PI, era composta por 1 aluna de Educação Física, 1 aluno de Educação Artística, 2 alunas de Medicina, 2 alunas de Enfermagem, 1 aluno de Pedagogia, 1 aluna de Agronomia, 1 aluna de Psicologia e 1 aluno de Medicina Veterinária. A Equipe foi coordenada por 1 professora de Educação Física da UFPB.

Durante 21 dias, após o período de 1 semana de cursos preparatórios para as atividades que seriam desenvolvidas no município, a equipe instalou-se em Cajazeiras do Piauí e passou a vivenciar uma realidade muito diferente da habitual. O princípio básico utilizado pela equipe e por sua coordenação, era conhecer aquela população a partir da vivência de sua realidade, pois era inconcebível, e isso foi um consenso da equipe, querer modificar uma estrutura sólida de hábitos, crenças, costumes, sem buscar compreender as causas e sem questionar a real necessidade de mudança daquelas pessoas.

Inicialmente, a grande dificuldade partiu do esclarecimento, de que aquele não se tratava de um Programa assistencial, mas sim educativo, aspecto que gerou descrença por parte de alguns representantes políticos, por acreditarem que apenas uma ação assistencial poderia realmente alcançar resultados.

Nos trabalhos Comunitários torna-se imprescindível à definição do tipo de ação que será desenvolvida, se assistencialista, educativa ou educativa assistencial.

O assistencialismo utilizado isoladamente não possui o caráter mobilizador e nem suscita nas pessoas a consciência da responsabilidade individual para consigo. Este tipo de ação é determinista, limitada e provoca dependência, principalmente porque se concentra apenas na ação imediata, atua na conseqüência, desprezando a importância da prevenção e de uma ação anterior ao adoecer.
Nesse caso, tanto a ação educativa quanto à educativa-assistencial possuem uma maior abrangência de atuações, além de basear-se no referencial da prevenção.

“Cabe falar agora de educação. Educação enquanto algo que diz respeito à possibilidade de o homem habitar a sociedade em que vive, ou seja, processo que permite ao homem humanizar-se. Educar não é apenas ensinar ou corrigir, é fazer daquele indivíduo alguém capaz de ser responsável por si mesmo, no sentido de assumir sua própria identidade. É permitir que este se aproprie da sua individualidade, do seu modo de ser no mundo”( p.213)2

O que se pretende com a ação educativa ou com a educativa-assistencial é permitir que as próprias pessoas que vivem a rotina da dificuldade, que sentem no seu dia-dia as faltas do seu município, que estas pessoas possam refletir por si mesmas sobre tudo isso e que juntas possam tomar decisões, possam agir coletivamente em prol da melhoria de vida da população. Isto porque da mesma forma que uma pessoa, e apenas ela, consegue realmente sentir a dificuldade que atravessa, apenas a própria pessoa consegue ter a dimensão da sua dificuldade e o quanto ela lhe assola, muito embora se possa compartilhar ou contribuir no processo de elaboração de saídas ou de alternativas para a superação das dificuldades.

Um fato é inquestionável, principalmente para aqueles que já tiveram a oportunidade de trabalhar com comunidades, a maior dificuldade encontrada por esses tipos de Programas e também a maior crítica, é o fato de que as equipes iniciam um trabalho, mas não podem acompanhar por um tempo prolongado, dificultando o processo de continuidade, justamente porque não investem no agente multiplicador, que será o responsável pela propagação das informações e continuidade do que já fora iniciado.

A escolha dos agentes multiplicadores deve basear-se nas atitudes de líderes já existentes na comunidade ou que tenham se revelado durante a realização do Programa. No caso da saúde e da educação, torna-se imprescindível agir em conjunto com os agentes comunitários de saúde e os professores, pois são eles que possuem a maior aproximação com as pessoas da comunidade, possibilitando o conhecimento fiel da realidade do município.

Na Abordagem Centrada na Pessoa, busca-se incentivar o potencial ao crescimento que todas as pessoas possuem, partindo da realidade da mesma, através de sua experiência e do seu sentimento diante da facilitação que lhe está sendo oportunizada. No trabalho com comunidades pode-se agir com a mesma direção, sempre considerando a posição e a experiência das pessoas do local, aprendendo sempre e procurando trocar informações, nunca impondo verdades absolutas ou traçando as formas de agir das pessoas.

“Para se constituir uma experiência existencial, a prática não pode ser concebida no isolamento da individualidade do homem; ela tem de ser uma prática social. Ela só alcança sua plenitude se ocorre o contato e na troca com outras pessoas”(p.07)[3]

Quando recordo o período que passei em Cajazeiras do Piauí/PI, lembro-me imediatamente do nosso primeiro contato com a comunidade, quando sentamos todos ao redor de uma mesa e durante 3 horas elaboramos a apresentação do Programa para aquelas pessoas que pareciam tão ansiosas por saber o que podíamos “ensinar”. Foi quando percebemos que a melhor coisa que poderíamos fazer era questionar as próprias pessoas sobre as suas necessidades, para somente depois realmente elaborar um projeto que atendesse aquela demanda.

Mas, como questionar pessoas que não estão acostumadas a reivindicar direitos? A alternativa encontrada improvisadamente, partiu justamente de um conceito muito prático da ACP, que pôde ser bastante aproveitado, construir um ambiente ao qual as pessoas sentissem confiança, onde pudessem sentir igualdade de forças e compreender a intenção maior, o objetivo de nossas ações, através de atitudes empáticas que acabaram por surgir naturalmente. A nossa apresentação deixou então de ser uma reunião e passou a ser uma conversa, onde o resgate pela responsabilidade atuante de cada um na mudança da realidade de suas vidas, do seu bairro, do seu município; partia principalmente da compreensão de que o pouco que se pode fazer é suficiente quando todos se mobilizam.

É incrível como toda a discussão sobre ideais e necessidades do município e das pessoas partiu de um questionamento: Como é morar em Cajazeiras do Piauí? Este tipo de questionamento suscita reflexões que ascendem não apenas as características negativas e as necessidades do município, mas também o que eles possuem de bom. Nesse momento percebi, o quanto maravilhoso e construtivo seria estar com aquelas pessoas durante quase 1 mês, aprendendo e compartilhando aprendizagens.
No UNISOL a equipe mesmo sendo extremamente heterogênea, em termos de áreas, buscou trabalhar sempre em grupo, procurando consensos, informações complementares com pessoas de áreas distintas, que contribuíam com seus conhecimentos individuais e experiências, que diante de um clima de aceitação e abertura tanto por parte da coordenadora quanto dos próprios membros da equipe, podiam colocar-se.

Obviamente era impossível trabalhar sempre juntos, tanto por questões didáticas quanto por questões de dificuldades individuais relacionadas a alguns temas, por isso algumas vezes a equipe se subdividia ou de acordo com a necessidade podia-se ficar sozinho.

Independente da área de atuação, foi possível aprender com os colegas e compreender que uma ação interdisciplinar possui um alcance extremamente valioso quando os membros dessa equipe conseguem interagir cada um com seu conhecimento, disponibilidade e respeito pelos outros .
O Programa Comunidade Solidária/2000, funciona nos mesmos moldes do UNISOL, entretanto é mais extenso e não exige a permanência constante da Equipe durante o tempo de Programa, entretanto exige que a Equipe obedeça certa constância. O Programa Comunidade Solidária realizado no município de Sobrado/PB, foi caracterizado como um trabalho educativo-assistencial, porque mesmo sendo direcionado pela ação educativa, o Comunidade Solidária desenvolveu atividades de aplicação de flúor, exame Odontológico, verificação de pressão arterial das mulheres no intuito de dimensionar potencialmente quais seriam as pessoas passíveis de um diagnóstico de hipertensão, além de verificar os hábitos da população com Diabetes.

Foram realizados cursos (Saúde da Mulher, fitoterapia, alimentação alternativa, DST e AIDS, entre outros) e dinâmicas com as crianças no sentido de resgatar a história do município.

As crianças foram o foco principal da grande maioria das atividades, talvez por mostrarem-se mais abertas a mudanças. Todos os cursos, palestras e dinâmicas partiram da necessidade expressa pela própria comunidade, entretanto a equipe mostrou-se sensível a dificuldades não expressas pela população, mas que surgiram durante o trabalho desenvolvido, como foi o caso do medo apresentado pelas crianças diante do profissional de odontologia, esse medo não foi expresso anteriormente pelas autoridades e pessoas de contato do Programa, entretanto o profissional de Psicologia pôde trabalhar em parceria com os profissionais de odontologia e auxiliado por profissionais de medicina e enfermagem, no sentido mais explicativo do processo orgânico. No que diz respeito à primeira ação realizada antes do exame Odontológico e a aplicação do flúor, trabalhar as fantasias que ocasionavam o medo e que não pertenciam apenas às crianças, à medida que já faziam parte da dinâmica da comunidade.

O medo das crianças relacionado às fantasias desencadeadas pela coerção utilizada pelos adultos estava influenciando a saúde bucal de toda a comunidade, aspecto que foi comprovado após o estudo da equipe de odontologia. Em termos de procedimentos, após o trabalho das fantasias das crianças de uma forma lúdica onde eles mesmos podiam comparar suas experiências, foram realizadas brincadeiras de forma que elas pudessem relaxar, permitindo que as crianças que passavam pelo exame pudessem retornar a brincadeira de forma que todos pudessem verificar a real atuação do odontólogo.

O Trabalho Interdisciplinar em Saúde Coletiva refere-se a atuação conjunta de profissionais no sentido de melhorar a saúde da comunidade partindo da compreensão abrangente que a definição de saúde pode alcançar, como a própria OMS define: “Saúde é o bem-estar físico, psíquico e social”. Buscar ações que procurem atingir essa abrangência é compreender que um único profissional não é suficiente para a dimensão complexa que o ser humano se apresenta.

O Programa de Saúde da Família (PSF), que vem se propagando no país e que muito se assemelha com a sistemática de Prestação de Saúde Cubana; parece ser um exemplo, em sua maioria eficaz, das possibilidades de atuação interdisciplinar que podem ser utilizadas no incentivo à Saúde coletiva das Comunidades. Entretanto, ainda falta muito para se estabelecer uma dinâmica realmente eficaz, desses tipos de ações.

O trabalho com Saúde Comunitária nada tem haver com assistencialismo ou caridade, mas está intimamente relacionado com a Compreensão científica; a superação de métodos retrógrados; o controle epidemiológico, partindo principalmente do estuda da etiologia da morbidade e da mortalidade nas comunidades; a busca pela prevenção e pela detecção precoce de doenças; o incentivo a comunidade enquanto responsável pela saúde de seus integrantes; a amenização dos problemas sociais, que atingem a saúde das pessoas e principalmente compreender a importância da PESSOA, enquanto cidadão e enquanto indivíduo, no foco de todo esse processo.

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notas de rodapé, transformadas em notas de fim de texto

1 MORATO, H. T. P. (1999). Aconselhamento Centrado na Pessoa: Novos desafios. Ed. Casa do Psicólogo, São Paulo.

2 IDEM

3 MIRANDA, E. M. F. (1998). Histórico da Psicologia em Hospitais Gerais de Minas Gerais; artigo apresentado no III Fórum Brasileiro da ACP-1999.
Trabalho apresentado no IV Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa

28/10 a 03/11/2001 – Pirenópolis–GO