Ciranda Abordada

Luiz Alfredo Millecco Monteiro, Rogério Buys e Márcia Tassinari

Para quem participou do Fórum Brasileiro da ACP (abril/96/RJ) já conhece a idéia da “Ciranda Abordada”, mas vamos repeti-la, no sentido de convidar outros cirandeiros a entrar na dança e que todos possam convidar outros, numa dança sem fim.

A partir do artigo de John Wood ( Abordagem Centrada na Pessoa: Rumo a uma nova compreensão de suas implicações), Luiz Alfredo Millcco Monteiro organizou oito questões. Depois, ele convidou Rogério Buys e Márcia Tassinari para uma discussão das questões, que forma um pouco reestruturadas e se transformaram em sete, que nós três consideramos essenciais.

A idéia da ciranda (assim como a dança nordestina) é que todos entrem com seu ritmo e passo, respondendo a todas, a algumas, introduzindo outras, reformulando as sete, de forma que possamos ter uma visão panorâmica do que pensam e fazemos colegas que trabalham a partir da ACP, em qualquer nível (psicoterapia individual ou de grupo, orientação vocacional, workshops, ensino centrado no aluno, trabalho em hospital, em outras instituições, trabalho em comunidade, em universidade, na sala de aula, com pesquisa, etc e tal).

Esperamos que vocês se engajem na Ciranda Abordada e convidem outras pessoas a cirandar. A idéia, parafraseando Lula: “se algo acontecer de mais valioso e interessante, quem sabe podemos estender para o latino e o internacional. É uma proposta para reflexão de nossas idéias, incluindo o novo, sem perder o nosso ‘jeito’.”

QUESTÕES:

l) Existiria uma direção ou uma tendência filogenética para uma humanidade mais generosa?

2) Por que cresce a necessidade se esclarecer e discutir diferenças entre. Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) e Terapia Centrada no Cliente (TCC)?

3) Existe um caminho ou criação dentro da ACP e da TCC pós Roger?

4) Existe um impressão velada entre alguns colegas que a ACP é um caminho mais sedutor para pessoas menos preparadas cultural e tecnologicamente, porque bastaria “um jeito de ser” que seria aval para qualquer tipo de trabalhos dos experimentados por Rogers. Vocês também tem esta impressão? E então?

5) Como resolver ou se movimentar num antagonismo em que se coloca a ACP de ser anti institucional, por natureza e precisar da instituição universitária, por exemplo, para ensino, formação e reconhecimento acadêmico?

6) Por que na nossa historia é ato difícil juntar de forma mais profunda, mais abrangente, pessoas que pensam parecido e acreditam fundamentalmente nos grupos, na solidariedade, na comunhão, na força da criatividade coletiva, etc?

7) Em que para uma definição mais geral, a ACP em sua estrutura evolucionista se difere das pretensões budistas, evangélicas, incluindo o catolicismo, espíritas de kardec ou da mitologia africana, para termos alguns pontos referenciais?

Aguardamos ansiosos os próximos cirandeiros.

Luiz Alfredo Monteiro, Marcia Tassinan, RogérióBuys, John Wood, Lucila Assumpção, Vera Cury, e Cláudio Rud já responderam.

Em setembro vamos preparar todo material recebido até lá para levar para o México (8º Encontro Latino Americano da Abordagem Centrada na Pessoa, 5 a 12/10/96, Aguascalientes).

Quem quiser receber esse material é só informar. Calcularemos o custo do envio do material e vocês poderão também ver a ciranda crescida.

As respostas podem ser enviadas para o correio-eletrônico para Marcia Tassinari (romar@ax.ibase.org.br) ou para Luiz Alfredo Millecco Monteiro (Av. Niermayer, 925/bloco C/apto. 603/ São Conrado 22430/Rio de Janeiro RJ), em forma de carta ou disquete

Publicado no Jornal da Abordagem Centrada na Pessoa – Associação Rogeriana de Psicologia – setembro 1998 – p. 7