Ciranda

John Keith Wood

Quero agradecer o convite para participar no projeto de vocês. Fico muito contente por vocês estarem tentando uma maneira criativa de avançar o conhecimento.

Então, aqui estamos, como numa Ciranda, cada um começando de novo, começando juntos. Espero que essa dança – através de palavras – possa dar mais, do que mera satisfação (ou desapontamento) pessoal, de fazer parte de um “acontecimento”, como um “forum” ou “encontro latino”, e que ocorra uma verdadeira integração de conhecimento.

1. Existiria uma direção ou uma tendência filogenética para uma humanidade mais generosa?

Filogenética: o desenvolvimento evolucionário da espécie humana, na forma de seleção natural, supostamente é livre de valores. Isto é, a evolução biológica do homo sapiens sapiens não prevê a formação de uma humanidade mais ou menos generosa. E também, a direção ou inclinação que a evolução humana tomou até agora não fornece evidências que suportem a idéia de queuma humanidade mais generosa, mais nobre esteja de fato se manifestando. A partir do cotidiano parece ser bem o contrário.

Entretando, não se pode dizer que as pessoas sejam totalmente boas, mas também não se pode dizer que sejam totalmente más. A estória ainda não acabou.

A hipótese da “tendência formativa direcional” de Rogers é diferente. É uma “tendência em direção à maior ordem, maior complexidade, maior inter-relacionamento”. Esta hipótese também não prevê uma humanidade mais generosa.

Sinto que uma teoria para as aplicações da abordagem centrada-na- pessoa (uma aplicação é a terapia centrada-no-cliente) fundamentada na biologia evolucionária, tem vantagens indubitáveis.

Em primeiro lugar, a tremenda quantidade de dados da biologia se torna disponível para estudos de fenômenos psicológicos, fazendo assim uma ligação entre psicologia e ciência biológica. O que se chama, “psicologia evolucionária” já está fazendo isso, e até agora seus esforços tem sido muito promissores.

Em segundo, essa tem sido sempre a base implícita do pensamento j de Rogers. Embora sua hipótese de uma “tendência atualizante” fosse

ainda um pouco alinhada na direção de uma filosofia do vitalismo, sua insistência em seguir uma “experiência organismica” é completamente

central ao pensar da biologia.

Terceiro, não há nada a perder, e tudo a ganhar, em se construir uma teoria de fundamento biológico. Explicações do comportamento humano, deduzidas a partir de uma “psicologia evolucionária” são tão ou mais satisfatórias do que as explicações da psicanálise ou do comportamentalismo (ambos sistemas mortos: o primeiro morto por sua própria falta de resultados no consultório; e o último pela demolição de Chornsky do conceito de mente como tábula rasa, fundamento do trabalho de Watson e Skinner). Além disso, alguns problemas que antes pareciam insolúveis se tornam claros nessa nova perspectiva.

Eu recomendo com insistência que as pessoas sérias leiam a literatura relevante (forneci um começo nas referências bibliográficas do meu artigo Abordagem Centrada na Pessoa: Rumo a Uma Compreensão de suas Implicações publicado no Person-CenteredJoumal, 2, (2) 1995, p.l 8-3 5) Se não for possível nada mais, pelo menos The Adapled Mind deve ser lido. Por não estarem informadas as pessoas irão perder muito tempo em discussões sobre idéias já há muito desacreditadas como “darwinismo social” e outras bobagens.

(Nota: Como se pode ver pela observação do Rogério, psicoterapeutas que trabalham somente com indivíduos no consultório, têm muito pouco interesse em uma discussão que tente lidar com a complexidade crescente exigida pelas diversas aplicações da Abordagem Centrada na Pessoa. Entretanto, acredito que lhes seja mais vantajoso apoiarem essa discussão porque, embora a simplicidade da abordagem ainda funcione eficazmente no consultório, a psicologia da terapia centrada-no-cliente não é mais convincente em contextos mais amplos).

2. Porque cresce a necessidade de se esclarecer e discutir as diferenças entre ACP e TCC?

Lula parece ter compreendido a idéia central. Rogers tentou por muitos anos definir claramente a ACP. Quando ele falou sobre TCC, não pareceu haver nenhum problema porque os princípios da TCC são, de uma maneira grosseira, uma descrição da ACP. Entretanto, quando ele tentou explicar outras aplicações da ACP, como workshops de grandes grupos, os princípios pareciam não ser mais relevantes. Assim ele sempre se voltava para sua idéia de um jeito de ser. Esse era um começo satisfatório para definir a ACP, mas subsistiam problemas de categoria que causavam ainda maior confusão. TCC é uma terapia: isto é, uma atividade, que é feita metodicamente, que tem uma teoria e um corpo de pesquisa. ACP é uma postura pessoal. Uma rocha e um elefante pertencem a categorias diferentes. Eles podem ter coisas em comum, como serem ambos de cor cinza. Uma psicoterapia e uma postura pertencem a categorias diferentes. Embora possam se aproximar em vários pontos. Nesse caso, a ACP (um jeito de ser) foi aplicada ao problema da psicoterapia individual e ao longo de 30 anos surgiu a TCC (uma psicologia, com teoria, com um método e um corpo de pesquisas).

Marcia também parece compreender bem as diferenças, mas sugere que elas não importam para os brasileiros que substituem ACP por TCC. O que, nesse caso, é um erro de categoria que resulta num contra-senso literal. E a esse contra-senso se somam outros problemas, tais como os que revolvem em tomo da questão 4 sobre, “bastaria um jeito de ser”. (Se a ACP e a TCC fossem esclarecidas, poder-se-ia ver que ao lado de um jeito de ser, em cada campo de aplicação, há também um sério desenvolvimento da prática, incluindo-se métodos, o cultivo de habilidades, tanto quanto um corpo de conhecimento e tentativas de teorização que toma óbvio, que um jeito de ser só não basta).

Rogério nos dá um bom exemplo de ignorância aliada a falta de auto-controle. Depois de admitir sua incompetência para comentar o assunto, ele solta “é uma tremenda babaquice”.

Parece não haver fim para o número de pessoas que comprovam a observação que existem pessoas que têm alguma coisa a dizer, e existem pessoas que têm que dizer alguma coisa. A ACP tem sido definida como:

uma tradição, uma filosofia, um meio de comunicação, um sistema de valores, um conjunto de atitudes, um movimento social, uma religião, uma psicoterapia, uma técnica para “responder”, um método revolucionário para mudar instituições, um quadro de referência linguístico, e muito mais.

As idéias de Rogers foram comparadas com as dos psicoanalistas Sigmund Freud, Carl Jung e Fleinz Kohut; do psiquiatra Milton Erickson, do antropologta Gregory Bateson; do comunitário H.C. Boyte; do pedagogo Paulo Freire; do filósofo Martin Buber. A prática da TCC foi associada com Mr. Rogers uma personalidade conhecida da televisão em programas de crianças, com taoismo, budismo, florais de Bach, com a doutrina cristã do pecado original, com as virtudes do Novo Testamento. Sua luta com a psiquiatria foi associada com a posição de Lutero confrontando a Igreja Católica. E a lista continua.

Há pessoas que praticam ACP combinada com Tai Chi Chuan, ACP e a órbita microscópica do Taoismo, ACP e treinamento vocal, Abordagem Existencial-Fenomenológica Centrada na Pessoa. Há um dentista cujo cartão de visitas convida seus pacientes a Descobrir Cari Rogers. Há até mesmo um psiquiatra que diz fazer, “tratamento de choque eletro-convulsivo centrado-na-pessoa”. E isso não é tudo.

Assim, ninguém sabe o que os outros estão falando porque cada um significa uma coisa diferente quando fala de ACP. Depois de escutar conversas entre “abordados” e “centrados” e também de “críticos”, fica-se com a impressão de se ter testemunhado Chiquita Bacana tentando, sem sucesso, ter um pensamento original.

Eliminar esse nível de confusão por si só já seria suficiente para justificar uma declaração clara do que seja a ACP e como se relaciona com a TCC. Assim, embora possa haver alguma rivalidade entre pessoas que trabalhem como psicoterapeutas no consultório e outras que estejam aplicando a ACP em áreas diversas, a razão principal para clarear as diferenças entre ACP e TCC é esclarecer a confusão e deixar cada pessoa continuar mais eficazmente seu próprio trabalho.

3. Existe um caminho ou criação dentro da ACP e da TCC pós Rogers?

O que implica essa questão? Será que alguém tomou as rédeas depois que Rogers morreu? Não, que eu saiba. Existem novas tendências? Não conheço nenhuma. As que Marcia mencionou, têm existido por muitos anos.

Se alguma coisa indica uma direção dentro da ACP, pode ser a perspectiva que essas várias direções, quando forem compreendidas a partir de uma postura comum – a ACP – conseguirem mostrar um movimento muito forte e definido em direção à “maior ordem, maior complexidade, maior inter-relacionamento”. Se não houver uma visão com essa perspectiva, somente o caos poderá ser notado.

4. Existe uma impressão velada entre alguns colegas que a ACP é um caminho mais sedutor para pessoas menos preparadas cultural e tecnicamente, porque bastaria ‘umjeito de ser” que seria aval para qualquer tipo de trabalho dos experimentados por Rogers. Vocês também têm essa impressão. E então?

Aqui, no Brasil, nunca encontrei um “colega” que fosse mais preparado cultural e tecnicamente do que os melhores terapeutas centrados-no-cliente, que conheço. Pelo contrário. (Aqui, novamente, assumo que a questão lida com psicoterapia. Devo dizer que essa perspectiva centrada-no-terapeuta que vocês três estão dando a este estudo enfraquece a sua relevância geral. Embora possa ser extremamente relevante para seus interesses restritos).

Penso que a culpa para esse equívoco grosseiro da noção que “bastaria um jeito de ser”, deva ser partilhado. Vocês não podem culpar somente os alunos, que do jeito brasileiro atual, querem o máximo com o mínimo esforço possível. Vocês não são meros observadores. Devem assumir sua parte na culpa. Como se espalhou esse conceito ridículo? Ninguém teve coragem de se manifestar contra? Será que os bastidores estão tão mal informados a ponto de não poder esclarecer esse equívoco para prevenir mais “abortados cirandando”?

Rogers disse que, enquanto membro de um grupo, se ele pudesse ser, de verdade, quem ele realmente era, seria suficiente como sua contribuição para a facilitação daquele grupo. Ele nunca alegou que seu “jeito de ser” fosse suficiente para resolver todos os problemas da vida, nem mesmo para aconselhamento de um cliente em terapia.

Sem dúvida, seu “jeito de ser” não é suficiente; mas, para ele, era necessário. Era a postura essencial com a qual ele abordava seu cliente no consultório, sua participação em um grupo de encontro, sua interação com estudantes em sala de aula, sua organização de uma grande grupo para lidar com conflitos, compreensão trans-nacional, como culturas se formam e se transformam.

Como alguém poderia pensar que isso fosse suficiente? Ele aplicou sua abordagem à psicoterapia por 30 anos. Através de ensaios e erros, observação apurada, experimentos científicos, raciocínio preciso, ele lentamente e com segurança, desenvolveu um corpo de conhecimento e métodos eficazes para o aconselhamento de indivíduos no consultório. Será que isso se parece com, bastaria “um jeito de ser”? Outras aplicações da ACP começaram com esse mesmo “jeito de ser” e estão – embora não tão sistematicamente – desenvolvendo seus próprios métodos, acumulando seu próprio corpo de conhecimento.

5. Como resolver ou se movimentar no antagonismo em que se coloca a ACP de ser anti institucional, por natureza e precisar da instituição universitária, por exemplo, para ensino, formação e reconhecimento acadêmico?

A ACP é uma postura. Não é a favor ou contra instituições, universidades, reconhecimento acadêmico. Normalmente é aplicada em situações onde a abordagem institucional tenha falhado. Sua devoção é para com a eficácia, não eficiência; à preservação do potencial, não da produção. Está mais perto da verdade do que da polêmica; mais próxima de fazer a coisa certa do que de acertar (fazer o que é considerado correto).

Embora a ACP seja indiferente às instituições, Rogers, depois de uma vida de desapontamentos trabalhando com instituições, tomou-se contrário a elas. Entretanto, duvido que ele continuasse contrário, se elas estivessem ajudando pessoas, a pensar mais claramente, a amar mais profundamente e a agir mais responsavelmente.

6. Porque na nossa história é tão difícil juntar deforma mais profunda, mais abran gente, pessoas que pensem parecido e acreditem fundamentalmente nos grupos, na solidariedade, na comunhão, na força da criatividade coletiva, etc?Nossa história? como “abordados”? como espécie? o que?

1. Como espécie: Existiram e sempre irão existir pessoas que agem em comunhão com os outros e com respeito às pessoas, individualmente. Se não fosse assim, a espécie humana já estaria extinta e nós não estaríamos tendo esta discussão, hoje.

2. Como “abordados”: Estou preocupado que vocês achem que sou chato, e que não prossigam adiante no pensamento sobre este assunto tão importante. Peço-lhes que sejam pacientes, e que reflitam mais profundamënte no que vou dizer.

Penso que seja simpático e inteligente usar termos tais como “abordados” e “centrados”. E, eu os veria como inofensivos também, se não fosse pela forte impressão que fico, pelos comentários de vocês, que vocês não acham importante agir (ser, pensar e falar) sob a perspectiva que a ACP seja uma postura e não uma filosofia ou um grupo para se filiar ou torcer. Por não agir consistentemente com essa perspectiva, vocês incentivam que pessoas mal preparadas possam ir por aí, chamando atenção a si mesmos como sendo “abordados”.

A definição da ACP que propus não surgiu de um papo no barzinho da praia, no último fim-de-semana. É o próprio conceito de Rogers, e permeia toda sua vida de trabalho. Pessoas sérias devem estudar seu trabalho em profundidade. A ACP é exatamente o que as palavras sugerem, uma abordagem, que consiste de atitudes, crenças, intenções da parte da pessoa que se defronta com o fenômeno (uma pessoa em terapia, um grupo de encontro, um workshop que se reúne por vários motivos). Assim, é uma postura.

Falar “abordados” e “centrados” sugere que a ACP não seja uma postura, nem um jeito de ser ( que era a expressão favorita de Rogers), mas, algo mais do tipo de um partido político, o PACP do Brasil (um abordado, como um tucano) ou talvez, uma torcida ( ser centrado, como ser um corinthiano).

Vocês podem querer descartar o que estou dizendo como sendo “ironia”. Não é nada disso. Perguntem a seus amigos, jornalistas, ou de literatura, o que eles entendem da construção de suas frases e sobre o conteúdo das suas declarações. As declarações de vocês não apontam para um conceito de ACP? Qual é esse conceito? Certamente não é um jeito de ser.

Agora, voltando para o assunto que, “é tão difícil juntar de forma mais profunda, mais abrangênate, pessoas que pensam parecido e acreditem fundamentalmente.

Vocês já notaram que um grupo de pessoas que se dizem “centrados”, quando se encontram, logo começam a discutir? Fica óbvio que o fato de acreditarem em democracia, apreciarem gerânios e terem repulsa pela autoridade, não significa que tenham mais nada em comum.

Se for possível esclarecer pelo menos o que é ACP, talvez essa situação possa ser melhorada.

7. Em que, para uma definição mais geral, a ACP em sua estrutura evolucionista se difere das pretensões budistas, evangélicas, incluindo o catolicismo, espíritas de Kardec ou da mitologia africana, para termos alguns pontos referenciais?

Eu lhes dei uma definição mais geral da ACP. Essa questão sugere que vocês ou não compreenderam o que eu disse ou insistem na [vossa] definição implícita da ACP: como tudo e nada. Se continuarem nessa direção, nunca poderemos chegar a alguma compreensão inteligente.

O que os Fórums da ACP, encontros latinos e os encontros evangélicos, católicos, kardecistas e macumbeiros têm em comum, é a exploração de estados alterados de consciência de pessoas reunidas juntas. O contágio emocional no grupo é usado para reforçar os princípios norteadores de um sistema particular. Assim, “centrados” se sentem mais “centrados”. Evangélicos mais prontos a darem suas vidas para Jesus. Cavalos de santo prontos para carregar mais. Adeptos da macumba, mais próximos de seus arquetipos. A verdade eterna, que sem dúvida está escondida em seus sistemas não aparece facilmente. Embora o candomblé, por exemplo, pareça ser um sistema completo de educação, saúde pública e fortalecimento do caráter moral. Pessoas sérias devem tomar consciência dos sistemas tradicionais e não pensar que sabem alguma coisa porque formaram uma opinião a respeito. Mais importante, devem estudar a produção mágico-religiosa, tribal e cultural dos “encontros latinos”, e “fóruns”. Talvez, seja mais importante saber o que “nós” somos do que imaginar o que “eles” são.

Caro Lula. 16 de junho de 1996

Estância Jatobá

Muito obrigado por suas cartas e presentes. E também pelo seu manuscrito, Intenções e Gestos.

Eu apreciei meticulosamente a leitura do seu manuscrito, um agradável equilíbrio de prosa e poesia. Fiquei impressionado com sua habilidade em capturar os pontos sutís do meu trabalho. Sem dúvida, você faz isso também com outras pessoas.

Lendo as mensagens de E-mail que Marcia me mandou, sobre um encontro nos Estados Unidos de pessoas que se associam com “PCA”, fiquei muito surpreso pela discussão. Foi como abrir uma “cápsula de tempo” e estar lendo uma discussão de vinte anos atrás. Foi uma experiência triste para mim. As pessoas participantes dessa discussão de grandes grupos não se informaram, nem sobre os princípios elementares. Estavam preparadas para expressarem suas opiniões e discutirem sem a menor preparação sobre o assunto. Me fez lembrar daquelas crianças conversando entre si sobre suas opiniões sobre Deus. Porém sem a graça das crianças.

Ainda que nosso avanço de conhecimento tenha sido pequeno, penso que nós, no Brasil, somos previlegiados por termos tido umas poucas experiências genuínas de grandes grupos que foram criativos, e por termos sido obrigados a pensar mais profundamente sobre o assunto. Por exemplo, a única voz sensível que ouvi nessa discussão Americana foi a de Jayme (com quem frequentemente eu não concordo). Ele os desafiou a verem o grande grupo sob uma perspectiva mais ampla do que mero aconselhamento. Este desafio não é para diminuir o aconselhamento. E para ampliar a visão.

Esse tipo de insight não é algum tipo de fenômeno Latino Americano, porque Alberto Segrera (a despeito do todo seu charme e inteligência) não tem insights sobre esse assunto como muitos brasileiros têm.

Nem acho que seja um fenômeno totalmente brasileiro: visto que muitas pessoas no Nordeste, que por outro lado têm pensamentos refinados, parecem completamente perdidos neste assunto.

Você e Marcia, Jaime, Vera Cury, e uns poucos outros, não percebem quão avançados vocês realmente estão. Eu sei porque tenho tido experiência direta com o que está acontecendo em várias partes do mundo.

É devido à confusão epidêmica sobre a abordagem centrada-na-pessoa que tenho trabalhado tão duro tentando tomá-la mais clara como uma postura essencial, e fazendo um esforço para preservar seu potencial, para quando for necessária novamente.

Certamente a necessidade sempre existe. Mas é que o reconhecimento dessa necessidade só vem quando, como notou Buber, “todos os outros recursos falharem”. Quando a última moda de pensamento, a última novidade em técnica de psicologia, a última interpretação de filosofia utópica falharem, então essa postura pode ser aplicada. Entretanto isso só será possível se seu potencial tiver sido preservado e não desperdiçado por difamadores, ou pela confusão entre seus adeptos, pela mania de dar novos nomes (embrulhar bens antigos em embalagens novas), pelo fascínio dos jogos infantis sem fazer a passagem para a maturidade.

Portanto eu lhe agradeço por ter inventado a Ciranda e pela oportunidade d’eu poder participar. Estou fazendo-o seriamente e de coração. Estive esperando exatamente por uma iniciativa como essa, para poder contribuir com tudo que posso de uma maneira que as pessoas possam se beneficiar. Talvez essa seja a maneira. Tenho esperança que um diálogo importante resulte dos esforços de vocês.

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