Comunidades alternativas: visão social da ACP?

Hélio Pacheco de Gusmão e Silva

(…) Seria a democracia, tal como a conhecemos o derradeiro aperfeiçoamento possível em matéria de governo?

(…) Jamais haverá um estado realmente livre e esclarecido enquanto o estado não venha a reconhecer o indivíduo como o poder mais alto e independente, do qual se origina todo o seu próprio poder e autoridade, e tratá-lo correspondentemante.”

Henry David Thoreau.

Como pode uma pessoa – como pode a nossa sociedade – aprender a lidar de uma forma humana e efetiva com as complexidades da vida moderna? Como podem indivíduos, grupos, nações com interesses conflitantes a resolver ou reduzir estas tensões, de tal forma que possam viver juntos numa fluida e razoável harmonia?

Carl R. Rogers

INTRODUÇÃO

Todas atitudes, eventos, conceitos, teorias, etc., contém intrinsecamente, componentes ideológicos, cujas expressões são explicitas ou subjacentes. São ligações indissociáveis, porquanto são produções humanas introjetadas, cujas pessoas estão em permanente processo interativo, consigo e com campo. Pessoa, fora deste contexto inexiste, é só abstração, irrealidade.

Qual ideologia política está contida nos pressupostos da ACP ? Que tipo de sociedade ela sugere, ou que seria mais favorável que o crescimento pleno da pessoa? Qual a nossa identidade política, enquanto acepianos?

Desejo mostrar neste trabalho, em linhas gerais, o que é comunidade alternativa, suas características, tipos, etc. e como vivem os comunitários.

Esses dados poderão servir como subsidios àqueles leitores voltados aos citados questionamentos

É baseado no que pude perceber no dia-a-dia de três comunidades, em estadias de curtos períodos; em informações de dezenas de comunitários e andarilhos simpatizantes dessa forma de viver; e num pequeno conhecimento livresco.

Duas razões me motivaram a escrevê-lo :

1 – as comunidades alternativas apresentam aspectos afins com os pressupostos da ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA, tendo os comunitários, a meu ver, o perfil psicológico muito próximo das características do novo homem que surge, nos relatos de CARL R. ROGERS [1]

2- por acreditar que esse sistema de relações, cujas amplitude e profundidade são os mais facilitadores ao crescimento do ser humano, e se constituir, parafrasendo DAVID BEN GURION,”A Redenção da Humanidade”[2].

Talvez poucos trabalhos nos falem tão forte, do que fizemos de nós mesmos e do nosso mundo, como o ‘PINK FLOYD — THE WALL”[3]. É um filme denúncia, no qual são enfatizados de maneira chocante, os horrores da guerra, na guerra, e na que se desenvolve permanentemente na paz. Retrata o dia-a-dia de nossa sociedade e a sua reprodução: a família; a educação; a falta de liberdade do crescer genuíno, sem pêias; a discriminação das minorias negra, judia, homossexuais, etc; a violência dos poderes totalitários e a dos da “doce mamãe”; a falta de comunicação, a solidão; a alienação e a produção social da loucura. E por fim, o personagem grita, acompanhado da massa, de faces idênticas: —“Derrubem os muros! Derrubem os muros!”: Muros que nos separam, que nos fazem sós e infelizes.

Esta obra focaliza o “fundo do poço” em que nos metemos, mas esse processo contém em si mesmo uma contradição dialética, que nos arrastará inevitavelmente à consciência de novos caminhos, de uma nova era. É a “dor de parto” que a humanidade atravessa, como enfatiza ROGERS, e que nos levará a um novo paradigma.

Complementando a visão expressa no referido filme, que não abre, espaço às soluções, exceto no melancólico brado final, ROGERS nos fala sobre o potencial humano, que impulsiona as pessoas a estágios mais complexos, capazes de tirar-nos da atual condição, recriando um mundo melhor.

ROGERS, desde o inicio de sua vida profissional se preocupou com o desenvolvimento do ser humano, tendo então, como o centro de suas observações, o homem em processo psicoterápico individual. Ele diz que “durante mais de trinta e cinco anos, o aconselhamento psicológico e a psicoterapia foram o núcleo da minha vida profissional”[4].

Esse foco de interesse foi deslocado, posteriormente, para os pequenos grupos, formados por oito a doze pessoas, e mais tarde, para os grandes, com cem a oitocentas pessoas, e até mais – cerca de duas mil pessoas – eventualmente[5].

ROGERS conduziu sua obra, implícita ou explicitamente, com intensionalidade direcionada para o social, para o todo. E permitiu-se até a sonhar – “admitidamente um sonho idealista”, com “um mundo mais humano e humanitário”; que “desenvolverá as riquezas e capacidades da mente e do espírito humano”; que “produzirá indivíduos, que serão mais integrados e plenos”; que tenham “uma compreensão da unidade espiritual do universo”’.

Essa intensionalidade e sonho, quando operacionalizados, provocaram a incompreensão e ataques de grupos reacionários, que acreditavam ser manobras comunistas e nazistas, visando promover lavagens cerebrais, controle de pensamentos ou algo parecido, pondo em risco, consequentemente, a segurança do pais[7].

Vale salientar que, o pressuposto básico da ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA é a TENDÊNCIA ATUALIZANTE, observável em qualquer organismo vivo, cuja maximização é função, sobretudo, de um ambiente facilitador às suas expressões existenciais, aonde ele estiver inserido. Portanto, é fácil de se supor que, num ambiente cujas preocupações têm o homem como centro, e o concebe como um todo indivisível – biológico, psicológico, social e espiritual – em permanente processo interativo, consigo mesmo e com o campo, o organismo nele inserido terá mais condições de atualizar suas potencialidades.

O meu interesse em comunidades alternativas surgiu abruptamente, como num passe de mágica. Foi num sonho que tive, na minha adolescência: eu estava numa casa desconhecida, mas eu sabia que era de minha Lamuia. Meu avô se aproximava de mim e me dizia: — vá para o engenho para desenvolvê-lo. E me dava cinqüenta mil réis. Instantaneamente eu me via na fazenda, conversando com os moradores. Dizia-lhes, mas sem falar, que trabalharíamos na agricultura, da segunda à sexta-feira, e nos fins de semanas faríamos tijolos, telhas e construiríamos nossas casas, O pagamento seria apenas em gêneros alimentícios, suficientes à sobrevivência familiar. Na primeira colheita todo o lucro seria reaplicado à produção, e nas seguintes dividiríamos tudo igualmente. Todos aceitaram. E me via trabalhando lado a lado com eles, sentindo-os companheiros. De repente comecei a subir lentamente. Eu flutuava no ar, deitado. E passei a ter a visão global do nosso trabalho. Que panorama lindo… Havia grandes quadras, uma para cada cultura, separadas entre si por alambrados. O verde se espalhava em variadas tonalidades. Havia uma única rua, com várias casas, sem reboco, formando o vermelho dos tijolos e telhas, harmonioso contraste com o verde circundante. Numa extremidade da rua edificamos algo parecido com um cruzeiro, à frente de uma grande sala retangular — local de nossos encontros, inclusive os religiosos. Eu estava tomado por indescritível felicidade, e ai eu me acordei.

Esse foi o inicio de meu interesse pelas coisas comuns. E passei a ler livros socialistas e a conviver com pessoas com essa tendência.

Vale salientar que os termos utilizados neste trabalho, referentes aos conceitos orientais, foram extraídos, basicamente, de livros ligados à Teosofia que, pelo seu caráter universalista, não sectário, têm trânsito entre os adeptos das principais escolas esotéricas existentes.

Referências significativas

O tema em questão é pouco conhecido entre nós e sofreu nessas últimas décadas, inúmeras distorções. Por isso, para ser melhor compreendido, tentarei esclarecer, inicialmente, três referenciais importantes para significativa parcela dos comunitários brasileiros.

1- A Visão Sistêmica

“… aquilo que é pessoa, é político. Isto é, o que decidimos pensar e fazer enquanto indivíduo repercute na sociedade com um todo.” Natalie Rogers

Todo grupo é formado por sub-grupos. O grupo influencia os sub-grupos, e toda a ação de cada um destes repercute no grupo. Assim, os ambientes físicos, sócio-econômicos e culturais influenciam, sobremaneira, o tipo de comunidade, mas esta comunidade afeta os referidos ambientes. Isto é inevitável. Naturalmente, essas influências dos sub-grupos sobre o grupo poderão ser maior ou menor. Dependerá inclusive do determinismo histórico.

O Monastério AMO-PAX, por exemplo, pequena comunidade alternativa fundada em Resende, no estado do Rio de Janeiro, em

1953, por Sri Sevãnanda Swami, a saber, a primeira do pais, foi o responsável pela introdução oficial e divulgação do Yoga

prático no Brasil, assim como, pela formação dos primeiros instrutores.

AMO-PAX existiu por um curto período – seis anos – não obstante, o trabalho deste grupo tornou-se conhecido em todo o pais.

Conheci dois dos referidos instrutores: Sarvãnanda Swami, um dos idealizadores e fundadores da Comunidade FAZENDA MÃE D’ÁGUA; um dos principais articuladores para a criação de novas comunidades e do permanente intercâmbio entre elas, através de periódicos e encontros anuais, a nível nacional. Sarvãnanda teve decisiva influência sobre milhares de pessoas, uma das quais, o psicólogo Pierre Weil, que relata tal influência em dois de seus livros[8] o outro instrutor é conhecido por Thoth, terceiro patriarca da Igreja Espectante, escola esotérica fundada por Cedaior[9]. Após sua iniciação no Monastério AMO-PAX, Thoth transformou sua vida. Distribuiu todos os seus bens – várias indústrias e imóveis — e passou a se dedicar integralmente ao seu ideal. Atualmente ele vive num pequeno trailler, viajando pelo Brasil, promovendo o desenvolvimento de grupos de estudos e iniciação esotérica.

2- Os métodos de pesquisas

A Ciência ocidental tem privilegiado dois métodos fundamentais de pesquisa: o Teórico Formal e o Teórico Informal[10]. No entanto, é possível se fazer pesquisa séria sem utilizar esses métodos. Os orientais utilizam métodos introspectivos, que conduzem o cientista, agora chamado místico, às experiências diretas com as realidades observadas.

Existem aspectos nessa forma de pesquisa que são muito criticados. O primeiro é que, sendo uma experiência pessoal, a sua descrição não é fácil, especialmente quando ocorre em estágios que fogem à nossa realidade cotidiana, não havendo, portanto, como se estabelecer analogias. Os fatos vivenciados se tornam então, indizíveis ou de difícil comunicação[11]; o segundo é que o observador é também o observado. E assim sendo, não ocorreriam interferências? Os místicos afirmam que sim uma vez que, o processo de desenvolvimento da percepção diferenciada é gradual [12] e é função de inúmeros fatores, incluindo o aspecto ético (superior) que, como variável independente, participa do fenômeno [13]

Charies Tart [14] salienta que existem quatro regras básicas que, se estiverem presentes na metodologia de qualquer pesquisa, ela poderá ser considerada cientifica:

1- BOA OBSERVAÇÃO: observar o máximo; melhorar o método de observação;

2- OBSERVAÇÃO UNIVERSAL: o cientista é obrigado a relatar o que observa, as técnicas e condições de obsevação, para ser repetido por qualquer observador TREINADO;

3- COERÊNCIA TEÓRICA – as hipóteses e teorias devem explicar coerentemente o que se observa, e devem ser expressas com estruturas lógicas e compreensiva

4 – CONSEQÜÊNCIAS OBSERVÁVEIS DA TEORIA. – as teorias têm de ter conseqüências observáveis e fazer previsões.

Os métodos utilizados pelos místicos satisfazem essas exigências, particularmente aos próprios experienciadores.

3- Conceito de realidade

O quadro de referência dos comunitários difere do usual, influenciados por conceitos e experiências místicas. Para a maioria deles, a realidade extrapola o plano físico, têmporo-espacial, e se manifesta em outros planos e dimensões; que existem seres, cujas evoluções ocorrem paralelas à nossa, a humana; que todas “as coisas de movimento são coisas vivas, quer se trate de átomo ou de planetas”[15] que a manifestação do ABSOLUTO ( Espaço, Energia e Consciência) ocorre no plano objetivo periodicamente (Manvantara), após um período de repouso (Pralaya); que a vida é um tipo especial de energia, a qual, em seu ciclo, percorre variados estágios, desde o mineral a outros infinitamente superiores ao homem (reencarnação/evolução); etc.

Normalmente somos tentados a acreditar como sendo fantasias, citações como as do psicólogo Pierre Weil, no seu livro “A Revolução Silenciosa “(páginas 115 e 127):

“Depois de um certo tempo ele jogou um pouco de álcool no chão e acendeu uma fogueira a partir desse material. Foi ai que eu vi o espetáculo mais incrível de minha vida. Ele começou a falar com o fogo, dizendo: “sai daqui, vai para lá”, indicando o caminho que o fogo devia seguir, e o fogo obedecia direitinho”; referindo—se à Comunidade de Findhorn, Pierre diz: “eu vi couves e repolhos enormes, quase do tamanho de um homem. Inclusive houve casos de rosas crescendo na neve e no gelo”; ou ainda, o relato de Dorothy Maclean, referindo-se à resposta do Deva da ervilha: “Posso falar-lhe, humana criatura. Estou inteiramente dirigido por minha obra, que está planejada e moldada e que eu meramente levo à realização; no entanto, você veio diretamente à minha consciência[16].

BLAVATSKY, em 1888, asseverou que “o objeto puro, separado da consciência, nos é desconhecida enquanto vivemos no plano de nosso mundo de três dimensões; pois só conhecemos os estados mentais que ele suscita no ego que o percebe. E, enquanto durar o contraste entre o sujeito e o objeto, isto é, enquanto apenas dispusermos dos nossos cinco sentidos, e não soubermos como libertar o nosso ego, que é todo percepção, da escravidão dos mesmos sentidos, seria impossivel ao EU pessoal romper a barreira que o separa do conhecimento das “coisas em si” ou da substância””

Vale ressaltar que, com o desenvolvimento tecnológico, particularmente no campo da Física Moderna, tem se constatado aspectos da realidade, até então inteiramente desconhecidos, e já relatados pelos místicos[18].

As cidades alternativas

E preservaram as doutrinas dos apóstolos, e na comum fração de pão, e nas orações. (…) E todos os que criam estavam unidos, e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e distribuíam o preço por todos, segundo as necessidade que cada um tinha.E todos os dia freqüentavam em perfeita harmonia o templo, e , partindo pão pelas casas, tomavam a comida com alegria e simplicidade de coração, louvando a DEUS, e sendo bem visto por todo o povo. E o Senhor aumentava cada dia mais o número dos que haviam de salvar nesta união.

Paulo de Tarso.

Denomina-se comunidade alternativa a um grupo de pessoas que vivem, decidem e trabalham juntas, dividindo entre si todas as responsabilidades e os frutos de seus esforços.

Nas comunidades todos os projetos são elaborados pelos comunitários ou por terceiros, mas são analisados, aceitos ou rejeitados livremente em assembléias. “Não há patrões nem empregados; relógio de pontos nem concorrência”. Internamente não é necessária nenhuma transação que envolva dinheiro.

São unidades de vida de visão holística, aonde o homem é a medida de tudo, O seu crescimento quase sempre é buscado de maneira integral, isto é, existe a preocupação com a alimentação, corpo, mente, religiosidade, problemas sociais, ecológicos, econômicos, culturais, etc.

As comunidades alternativas são também chamadas de ashram, na Índia; Kibutz,em Israel; comuna, fazenda coletiva, comunidade de subsistência, tribo.

Os ideais que norteiam os comunitários são, por assim dizer, “um caldeirão em ebulição”. Frequentemente considerados utópicos, radicais, ingênuos e outros adjetivos, não são aceitos por todos. Fortemente influenciados pelos pensamentos orientais, esses ideais nos dizem sobre um mundo unificado, sem fronteiras e livre.

GANDHI advoga “um só valor monetário para todos os países e uma língua auxiliar como é o Esperanto”[20] a divisão das riquezas segundo as necessidades de cada pessoa e nega a propriedade privada [21].

Na percepção de Shree Rajneesh, as comunidades conteriam, no máximo, cinqüenta mil pessoas, colocando-se desta forma, contrário ao gigantismo das cidades, fator que facilita a desintegração das pessoas.[22] Eis o que ele pensa: Na minha visão de um novo mundo, o mundo das comunas, significa que não haverá nações, grandes cidades, não haverá famílias, mas milhões de pequenas comunidades espalhadas por todas a terra, em matas espessas, matas verdes e luxuriantes, em montanhas, em ilhas” [23]. Shree Rajneesh aceita a prática do aborto, controle de natalidade e da engenharia genética como instrumentos à melhoria da raça humana [24]

Mário Sanchez questiona e renova as concepções comunitárias. Ele busca integrar as experiências passadas às visões e condições modernas, e ao novo homem que surgirá — o homem univérsico[25]. E resgata, com a equipe do CEAG – Centro de Estudos Avançados de Goiânia – a importância do conhecimento comunitário indígena[26]

Distorções das idéias comunitárias

A idéia — comunidade alternativa — é algo muito versátil, tendo a possibilidade, em si mesma, de ser instituída de inúmeras maneiras e em consonância com quaisquer sistemas políticos. No entanto, suscita muitas dúvidas nas pessoas ideologicamente ligadas ao socialismo e, especialmente, ao capitalismo.

Parte das distorções que surgiram, corre por conta de pessoas não—simpatizantes dessas idéias. As demais são de responsabilidade dos simpatizantes que, por observações parciais, ou ainda, por fuga, insatisfeitos com suas vidas, decidem se integrar às comunidades.

Parece-me fundamental a abertura à experiência para repensarmos nossa sociedade, e assim, exercermos com mais acerto nossa cidadania

São vários os questionamentos contrários aos movimentos comunitários. Citaremos alguns:

1- Os comunitários se isolam do social, tornando-se alienados e alienantes:

Se observarmos as vidas de grandes líderes, como Gandhi, Golda Meir, Martin Buber, Huberto Rhoden, Sivananda, Sri Aurobindo, Shree Rajneesh, Mário Sanchez, Ede, Sarvananda, Rolf Gelewski, Sevananda, Vinoba Bhave, Edson Hiroshi, e tantos outros, que tiveram ou têm extraordinária participação em suas sociedades, e que viveram ou ainda vivem em comunidades, verificaremos que essa afirmação não é de toda verdadeira. Os comunitários se envolvem com o social, mas á sua maneira, respeitando-se enquanto pessoa. Suas necessidades pessoais e seus sonhos são considerados.

Infelizmente, foram inseridas e estimuladas no seio dos movimentos sociais, idéias que, se corretas, atendem, tão somente, ao aspecto social da personalidade humana. A pessoa, enquanto ser individual, foi esquecida, ou na melhor das hipóteses, negligenciada. ALEXEY MATUSHKIN [27] , mostrou essa realidade na vida dos soviéticos, durante o IV Fórum Internacional da Abordagem Centrada na Pessoa, realizado no Rio de Janeiro, em 1989. E foi confirmado através dos últimos acontecimentos no leste europeu.

Parece-me imprescindível nas transformações das estruturas sociais, que sejam considerados também, os aspectos psicológicos do homem, cuja influencia é fator determinante de quaisquer modificações: o intelectual aceitar serviços manuais; o trabalhador comum acreditar nas suas potencialidades intelectivas e na sua possibilidade de coordenar trabalhos; a reavaliação dos valores humanos; a verificação das necessidades reais e das supérfluas; a verificação das reais possibilidades produtivas de cada pessoa; a eliminação de preconceitos de classe, raça, cor e religião; a permanente auto-análise, em busca da coerência entre o pensar e o viver, apesar de serem fundamentais às transformações sociais, pensados por lúcidos socialistas, não são possíveis sem a modificação do homem, cujo sentido do movimento interior é de dentro para fora, e não ao contrário, através de decretos. O participar, o comprometer-se com a sociedade é algo que precisa ser sentido, vivenciado. A mera compreensão não basta.

Viver em comunidade não é isolar-se do mundo, mas a possibilidade de desenvolver em si mesmo, o equilíbrio psicossomático, a maturidade, as artes, o amor, a justiça, a mente, a religiosidade, a coragem de deixar—se fluir, mostrando-se tal como é. E renovado lançar-se no mundo.

2-As comunidades são incapazes de conduzir o processo de renovação social a nível nacional.

Acredito que nenhum setor da sociedade seja capaz de fazê-lo. Revolução é algo multidiciplinar, e não acontece só com fuzis, mas com compromentimento e participação de todos setores da sociedade.

Mesmo entre as comunidades alternativas existem diferenciadas vocações, em função do pensamento de suas lideranças: Gandhi canalizava a maior parte de seus esforços na área política, utilizando uma nova “arma” – ahinsa (não-violência ativa)[28]. Vinoba Bhave dedicou-se, principalmente, a uma sui- generis implantação de reforma agrária: pedia terras aos grandes latifundiários e as distribuía entre os camponeses. Em sete anos Vinoba recebeu e distribuiu mais de 1.618.800 hectares de terras[29] Sri Aurobindo investiu na área da educação integral e iniciou um audacioso projeto — a criação de Aurovilie, uma cidade internacional para cinqüenta mil pessoas, cujo propósito é realizar a unidade humana’; Shree Rajneesh atuou como um grande questionador de nosso século. Irreverente e provocador, ele força as pessoas reverem suas posições. É o mais conhecido mestre tântrico da atualidade.

No Brasil, como já comentamos, Sevananda propagou o yoga; mestre Yokaanam, com duzentas famílias, criou a Cidade da fraternidade universal, em Goiás (Cidade Eclética), aonde centenas de pessoas de diferentes culturas e níveis sociais, vivem em razoável harmonia[31]. Edson Hiroshi, Lino Mateus, Ede, Sarvananda e outros, propagaram as primeiras idéias ecológicas, técnicas alternativas de medicina e agricultura, pesquisaram produtos naturais e homeopáticos para curas de plantas e abelhas[32]. Huberto Rohden dedicou-se à divulgação da filosofia do Ioga, de idéias alternativas , científicas, e outras, relacionadas à religiosidade do ser humano, através de mais de cem livros e centenas de palestras em todo o mundo, principalmente em universidades norte—americanas; Mário Sanchez, discípulo de Huberto Rohden, deu continuidade aos seus trabalhos, fundando a IMERY PUBLICAÇÕES, cuja linha editorial é comprometida com as idéias alternativas esotéricas, científicas e sociais; ROLF GELEWSKY, discípulo de Sri Aurobindo, foi o responsável pela divulgação dos trabalhos desse grande filósofo indiano no Brasil. ROLF deu ênfase ao Yoga Integral e as artes; Okal se voltou à Astrologia Esotérica.

3- As comunidades estão ligadas às idéias religiosas.

Desdobraremos este questionamento em dois aspectos: o primeiro diz respeito à confusão que se faz com o termo “idéias religiosas”. Para nós ocidentais, este termo está ligado às concepções transcendentais, idealistas, antagônicas aos conceitos materialistas, e , geralmente, inserido no corpo doutrinário de instituições religiosas. Está também associado á idéia de religação do homem a DEUS – Ser incriado e eterno, criador de todas as coisas, cujos atributos são absolutos.

Para as Escolas Esotéricas orientais, “idéias religiosas” têm outro sentido e estão mais próximas do termo religiosidade, isto é, de vivências relativas à existência, e não, necessariamente, ligadas à seitas institucionalizadas; não existe a dicotomia espírito e matéria, mas a realidade é una, e consiste em espaço, energia e consciência. Os três coexistem”. Não há, pois, criação, mas emanações de potencialidades criadoras[34].

O segundo aspecto é que

— a) apenas pequena parte das comunidades estão ligadas às religiões. São comunidades Quakers, as de orientações católicas, Protestantes, Espiritas, etc.

b) grande parte das comunidades consideram os sentimentos de religiosidade que estão presentes nas pessoas, mas que não são ligadas às instituições religiosas;

c) o restante das comunidades, talvez a maioria, são materialistas. Percebem a importância das comunidades como um instrumento para se estabelecer relações de produção mais eficazes e justas, e até objetivando solucionar problemas sociais, como desemprego, crianças abandonadas, defesa de fronteiras, etc.

Entre os simpatizantes das idéias comunitárias alternativas, as grandes distorções estão relacionadas à crença de que a vida nesses grupos é fácil, tudo são flores, paz, harmonia, pouco trabalho, ausência de ambição, apenas meditação, etc. Tudo falso. Há muito trabalho e os corpos dos comunitários quase sempre estão doloridos; as relações interpessoais às vezes são bastantes difíceis.

– FRIEGEL comenta: “O que foi o tudo que abandonamos? Pensa você que ficamos um grama menos ambiciosos? Ao contrário, ficamos dez vezes mais do que éramos. Se abandonamos uma vida para seguir outra, foi exatamente porque éramos ambiciosos. Toda nossa aspiração, o kibutz, ela é desmedidamente ambiciosa – queremos alcançar mundos e céus — no terreno econômico, no social, no educativo, em todo terreno, enfim, que alimente ambições o homem”[35].

Características das comunidades alternativas

Existem caracteres que classificam as comunidades alternativas.

ROBIN e JANINE comporam uma relação de caracteres contendo trinta e seis itens. Cada item enfoca um aspecto homem/ relação de produção, e confronta a visão diferenciada entre a sociedade comum, que eles denominam “de tecnologia dura” e as das comunidades alternativas – “as de tecnologia branda”[36].

No entanto, devido a progressiva utilização de sofisticadas tecnicologias nas comunidades de países socialistas e em Israel, e até contratação de mão-de-obra especializada, a meu ver, essa lista não se adéqua “in totum”, a todas as comunidades.

Observo como características comuns às comunidades alternativas:

a) preocupação com as pessoas, independente da tendência ideológica dos comunitários;

b) os grupos apresentam bom nível de abertura às experiências;

c) acreditam no potencial humano;

d) os debates são democráticos, realizados em assembléias , sem representação;

e) os trabalhos são executados por todos os comunitários, não havendo especializações nem preconceitos em relação a eles;

f) existem preocupações ecológicas;

g) não há desemprego;

h) enfatizam o fazer, sem relegar as teorias a segundo plano;

i) os comunitários são idealistas, buscando no concreto, a realização de seus sonhos, e dispõem para tal, incomum vigor físico;

j) as ações produtivas das comunidades ocorrem a partir de necessidades, e não por desejo de acumulação de bens.

Origem das comunidades alternativas

Os sistemas comunitários alternativos ao contrário que muitos pensam, não são recentes, mas se perdem nas “noites dos tempos”. Há milênios, na Índia já existiam os Ashram[37], onde provavelmente surgiram e permanecem até os nossos dias.

Vale salientar que, a estrutura das sociedades indígenas, tidas como continuas, assemelha-se a das comunidades alternativas.

Várias seitas religiosas adotaram com sucesso essa forma de viver em grupo, adaptando a idéia a cada contexto particular têmporo-espacial.

Parece-me que, no novo mundo, as comunidades tiveram grande disseminação, a partir do movimento Beatneeck, e, posteriormente, do movimento Hippie, os quais tomaram como referência, conhecimentos orientalistas, não obstante os terem distorcido parcialmente. Esses conhecimentos chegaram aos Estados Unidos, especialmente em San Francisco, Califórnia, no fim do século passado e inicio deste, através da migração de vários mestres de escolas esotéricas orientais, como Paramahansa Yogananda, Akhilananda Swami, e outros; pelo surgimento de sociedades budista, Vedanta, Teosófica, etc, que resgataram a importância dessas correntes filosóficas, inclusive na própria Índia, desgatadas pelo nefasto poder do imperialismo britânico; e ainda, graça ao grande desenvolvimento dos meios de comunicação, da irreverência e da visão ocidental de liberdade individual.

Surgiu, Mais recentemente, principalmente na Europa, um novo movimento, denominado OS NOVOS SELVAGENS. São pessoas que criam comunidades alternativas — AS TRIBOS – mas buscando tipo de vida e instrumentais primitivos. É um retorno às origens[39].

As Pessoas

O número de pessoas nas comunidades brasileiras geralmente é pequena. Que eu saiba, apenas a comunidade CIDADE DA FRATERNIDADE UNIVERSAL, em Goiás, possui grande contingente, aproximadamente mil pessoas.

Há predominância de pessoas jovens. Eu vi poucas com faixa etária entre 35 a 60 anos e apenas uma com uns 80 anos. Era um agrônomo alemão, responsável pelo aspecto técnico da agricultura da Fazenda Mãe D’Água – vovô Franz. Ele era muito respeitado pelo seu conhecimento e muito querido como pessoa. Todos carinhosamente o “paparicavam”, mas sob protestos.

Na ocasião em estive na CASA SRI AUROBINDO, haviam vinte residentes. Outros estavam trabalhando fora da sede ou visitando seus familiares.

Na FAZENDA MÃE D’ÁGUA, quando da minha estadia, estavam presentes dezessete comunitários e muitos visitantes, que, aliás, geravam grandes dificuldades, pois a maioria deles não colaborava a contento.

O nível cultural dos comunitários era bom. Muitos tinham cursos universitários. Na CASA SRI AUROBINDO, havia um professor universitário, ex-primeiro bailarino do corpo de ballet do teatro de Berlin; mais dois bailarinos de formação superior, clássica e moderna; um psicólogo clínico e professor universitário; um violinista de formação superior; alguns com formação em letras; uma estudante de psicologia, etc. Conheciam além do português, inglês, alemão, francês e espanhol.

Os comunitários que conheci eram pessoas saudáveis, criativas, “leves”. Tinham disposição para o trabalho e o faziam com prazer. Apreciavam as artes. Olhavam as instituições e normas vigentes com restrições e desconfiança. Satisfaziam-se com pouco. Gostavam de intimidade.

O conceito de pessoa entre significativa parte dos comunitários é para nós, ocidentais, sui generis, e reflexo da visão oriental: seria a manifestação do Absoluto (BRAHMAN) em três dos sete planos ou espaços existentes, onde se Expressa de maneira diferenciada, em forma de energias — matéria, vida/forma e consciência. Pessoa é, portanto, a resultante da permanente e inseparável interação dessas energias, no plano físico e nos outros dois.

Nessa visão, ocorre na pessoa, a consciência de si mesma e do mundo, por ressonância, na sua relação com os outros e com o mundo. É na diversidade que a pessoa se atualiza e toma consciência da sua singularidade na universalidade, e da universalidade contida em si mesma. Essa é a visão holística ou monista, como é mais conhecida.

Como conseqüência, a pessoa não é boa nem má. Esses adjetivos indicam apenas valoração. A pessoa simplesmente é, e contém em si, os aspectos YIN—YANG, as faces complementares de uma mesma moeda, a qual inexiste sem ambas.

A compreensão dessa visão é fundamental para se perceber consistência e congruência em aparentes contradições de conhecidos comunitários. Vejamos o que Mahatma Gandhi escreveu

“a economia que ignora as considerações morais e sentimentais é como figuras de cera, que podem ser parecidas com a vida, mas carecem da vida genuína da carne viva. Em todos os momentos cruciais, essas leis econômicas fracassaram na prática. E AS

NAÇÕES OU INDIVIDUOS QUE AS ACEITAM COMO MÁXIMA DE ORIENTAÇÃO DEVEM PERECER’[40]; ou ainda: “(…). Foi por isso que participei da guerra Bõer, da chamada rebelião Zulu e da última guerra. Foi por isso que DEFENDI O TREINAMENTO EM ARMAS para aqueles que acreditam no método da violência. PREFIRO QUE A ÍNDIA RECORRA As ARMAS para defender sua honra a se abster de maneira covarde e tornar-se a testemunha impotente de sua própria desonra”[41]

A mulher

A maioria das mulheres que vive em comunidades alternativas é de temperamento forte, corajosa e briguenta. Defende os espaços e opiniões em igualdade com os homens, mas é também bastante “feminina” e boa companheira. Muita limpa, gosta de se arrumar com simplicidade. É mística, muito sensível e tem senso das realidades econômica, social e ecológica do pais. Realiza trabalhos, culturalmente considerados de homens, com destreza. As vezes, quando da realização de trabalhos muito pesados, ela mostra uma pontinha de seu “machismo feminino”.

O homem

Apesar de ser místico e sensível, de ter, por assim dizer, o seu aspecto feminino razoavelmente “trabalhado”, o machismo

ainda se faz notar, com freqüência. Tem visão critica em relação a todos aspectos da sociedade. É versátil e objetivo,

facilitando a solução de problemas, de forma criativa.

Os filhos

Parece-me haver entre as comunidades brasileiras, pouca experiência quanto aos aspectos que se relacionam com os filhos. Talvez por serem, na sua maioria, pequenas e bastantes instáveis, existam poucas crianças.

Na MÃE D’ÁGUA haviam duas crianças residentes e um adolescente que gozava suas férias escolares.

Não observei ai nenhum cuidado especial dos comunitários em relação às crianças, exceto quanto à alimentação, que era farta e a melhor disponível. Se a comida era pouca e não dava para todos, era separada para elas. Naturalmente todos as tratavam bem, mas não percebi se sentirem co-responsáveis pela sua educação (direta) e proteção. A mãe era quem cuidava de tudo e fazia malabarismos para conciliar essas atividades com as do grupo. Quando necessário dedicava-se somente às atividades de mãe, com aceitação geral.

Vale ressaltar que, na cabeça dessa mãe, ela era a única responsável por seus filhos, e não a comunidade.

Na CASA SRI AUROBINDO, residiam duas crianças, com uns três anos de idade. Eram muito bem tratadas por todos. A cada duas ou três horas havia revezamento do adulto que estava responsável por elas.

Parece ser essa a fórmula ideal para se lidar com crianças – o revezamento do adulto guardião – porquanto, o responsável estará sempre em condições psicológicas e, principalmente, físicas, disponíveis. Estará à altura das inesgotáveis energias e solicitações infantis.

Estive com essas crianças várias horas em diferentes momentos. Elas eram muito inteligentes, e o nível de competitividade entre si era praticamente nulo. Não pude observá-las na escola, mas me disseram que os comportamentos delas era muito semelhantes. Isto é desejável, no mundo competitivo como o nosso?

Na CASA SRI AUROBINDO a tarefa de cuidar das crianças era facilitada, pois todos discutiam em grupo o que fazer; as instalações infantis eram decoradas e tinham muitos brinquedos, de todos os tipos, exceto armas. Contavam ainda, se necessário, com a experiência do pessoal de AUROVILLE.

Em Israel, alguns kibutzim introduziram a CASA DAS CRIANÇAS, na qual, as crianças vivem juntas, com os cuidados de comunitários que optaram por essa atividade, e nela se especializaram.

As crianças vêem os pais quando sentem necessidade, inclusive nos locais de trabalho.

Dizem eles que esse tipo de relação não diminue o afeto pais/filhos, e facilita o desenvolvimento pessoal da criança, pois amplia os referenciais à sua identificação. O parâmetro não é então só a família, mas a comunidade.

Ouvi comentários que este modelo alteram os comportamentos atribuídos aos de Complexo de Édipo. A figura paterna, de certa forma se transfere para o grupo, não se observando, com a mesma intensidade, o que vemos nas relações familiares em nossas sociedades descontinuas.

Referindo-se às crianças dos Kibutzim israelenses, Isabel Adrados (1971)[42] diz: “o que há de melhor no Kibbutz é para as crianças”; “embora vivam de certa forma separados, pais e filhos se gostam e têm muito carinho”; “Casam—se muito jovens e quase sempre com jovens de outros kibbutzim de fora, pois consideram irmãos aquêles com quem foram criados”; “a mortalidade infantil é nula, a mais baixa do mundo”; “não há delinqüência juvenil nos kibbutzim; fora deles, no entanto, o número de delinqüentes vem aumentando”. Continua Adrados: “de acordo com o Dr. Spock, estudos recentes mostram que as crianças ali educadas têm todas uma boa inteligência média”. “(…) dai concluiu Dr. Spock: se desejamos que uma criança cresça sem problema viva num kibbutz”.

A família

O conceito ortodoxo de família não é aceito por todos comunitários. Esses discordantes defendem não ser a família uma instituição universal, e é a origem da maioria das dificuldades psicológicas. Além disso, sendo a família tal como ela é, oriunda de um contrato legal, produz ou acentua distorções, profundamente prejudiciais às pessoas e às relações, tais como o sentimento de posse, e, na percepção de muitos comunitários, induz os cônjuges à crença da realidade da monogamia, o que seria contrário à natureza humana.

Shree Rajnessh é um desses discordantes. Ele acha que o casamento destrói o amor, único fator que deveria ligar as pessoas.

Melford E. Spiro, em pesquisa de campo de sua tese pós doutoral, realizada entre 1951/52, em vários kibutzim israelenses, cuja síntese foi publicada sob o titulo “a FAMÍLIA É UNIVERSAL?”, evidencia a não—universalidade dessa instituição, contrariando, desta forma, a visão da Antropologia, que tem sempre sustentado, inclusive, a hipótese de que só na família nuclear é possível preencher as quatro funções básicas, necessárias a sobrevivência da sociedade: sexual, econômica, reprodutiva e educativa. Melford salienta, no entanto, de que isso só é possível nos kibutzim cujos integrantes se sentem, de fato, como numa grande família, e que é a sua.

A comunidade, de certa forma, passa a ser a família.

Não obstante, a maioria dos casais comunitários, vive segundo o padrão normal, no entanto, sem o contrato legal ou sem valorizá-lo, e mantendo entre si, relações de poder mais igualitárias.

A alimentação

Segundo uma corrente de pensamento oriental, a alimentação seria, talvez, o aspecto mais importante a ser observado pelo ser humano, porquanto, “ele é o que come”. Nessa visão, os biotipos e até a própria vida psíquica e os comportamentos objetivos, individuais e coletivos, por extensão, sofreriam profundas influências da cultura alimentar do povo.

Sem chegar a esse extremo, nas comunidades brasileiras a alimentação 6 vista com muita seriedade. Há visível tendência para o vegetarianismo. A Macrobiótica é bem vista, mas é pouco utilizada, na integra. Elimina-se ou se reduz ao máximo o uso de produtos animais, principalmente as carnes. As massas são sempre integrais, e, de preferência, aquelas cujos grãos foram cultivados sem agrotóxicos.

As refeições são feitas coletivamente. Na Casa Sri Aurobindo eram realizadas em silêncio, após breve agradecimento ao DIVINO, e com a consciência voltada aos movimentos e à mastigação. A refeição era, portanto, um ato de religiosidade a de se vivenciar o aqui e agora.

Na Fazenda Mãe D’Água, ao contrário, as refeições eram encontros alegres e participativos. Funcionavam como fator de integração entre os presentes. No entanto, também se fazia presente o aspecto místico: as refeições eram antecedidas pelas emssões dos sonoros mantras[43] “om’ e “aum”, pelos presentes.

A educação

Normalmente os próprios comunitários promovem o inicio da educação das crianças, principalmente quando existe escola na comunidade, como na Fazenda Mãe D’Água. Posteriormente as crianças são matriculadas em escolas públicas ou privadas.

A educação dos adultos ocorre pelo método auto-didata. Eles estudam o que necessitam, geralmente para imediata aplicação.

Não creio que existam nas comunidades brasileiras, projetos em educação formal, para adultos, exceto os referentes aos conhecimentos esotéricos ou correlatos.

A meu ver, um dos fatores que afasta as pessoas de decidirem viver em comunidades alternativas é a ausência de projetos em educação.

A saúde

Os comunitários têm excelente saúde. Isto é conseguido através de exercícios físicos, principalmente respiratórios, e alimentação equilibrada.

Raramente eles adoecem, mas quando isso ocorre são casos simples. Então eles utilizam jejum, alimentação especifica, Do— In, Homeopatia e outras técnicas alternativas. Evitam o uso de medicamentos alopáticos.

Como não existem nas comunidades planos de saúde, tais como conhecemos, surgem problemas quando os comunitários têm de recorrer a médicos e até a dentistas, que implicam despesas extras, não programadas.

A sexualidade

A sexualidade é vista com muita seriedade pelos comunitários e é vivida por eles de maneira diferente, em função, principalmente, da visão filosófica aceita pelo grupo. Não é algo feio ou sujo, mas bom, leve e que deve ser vivido com prazer e intensidade.

Existem comunidades cujos participantes almejam viver o BRAHMACHARYA[44], no entanto, se sentirem necessidade, são livres para viverem outras formas de sexualidade; em outras, o sexo é livre – os casais são ocasionais, a partir da necessidade física e principalmente, dos laços afetivos que os une naquele momento. Existem também casais “permanentes” que permitem ou não, relacionamentos sexuais extra-conjugais. Há ainda, comunidades de visão sexual TÂNTRICA[45]. Essas comunidades são ligadas, basicamente, às idéias de Shree Rajneesh – atualmente conhecido pelo nome OSHO — do movimento GNÓSTICO, cujos lideres mais conhecidos entre nós são Samael Aun Weor , Rabulu e Ernesto Baron; e ao movimento SIKKS, representado entre nós, principalmente pelo VENERÁVEL GURU DEVI, em Minas Gerais.

Existem kibutzim em Israel que têm a visão Freudiana da sexualidade. Nesses kibutzim, as crianças não são impedidas e muito menos castigadas, quando exploram os corpos de seus coleguinhas, a vez que essas atitudes são normais, naturais e freqüentes no desenvolvimento das fases psicossexuais.

Parece-me que, nas comunidades, é plenamente aceito o slogan:” ninguém é dono de ninguém”.

Relação dos comunitários com as drogas

Nas comunidades que contactei os comunitários eram contrários ao uso dos tóxicos, entre os quais, eles incluíam, também, açúcar branco, café e tabaco, sendo vetado aos visitantes a sua utilização, nos seus limites territoriais.

Afirmavam que a utilização de drogas poderiam provocar efeitos paranormais, sem controle, levando os usuários à sérias dificuldades para gerenciar a nova situação, sem possuir estrutura física, psicológica e ética adequadas. A “viagem” através de drogas não seria uma conquista pessoal, mas artificial, cheia de riscos, e, segundo Swaini Sarvananda, de difícil recuperação dos corpos sutil e astral.

Na Fazenda Mãe D’Água, vários comunitários já haviam experimentado o uso de tóxico, dois dos quais disseram-me serem ex-toxicómonos.

No entanto, em outras comunidades, segundo informações que obtive, particularmente de andarilhos, a maconha era utilizada esporádica ou frequentemente.

A relação dos comunitários com os vizinhos

Geralmente os primeiros contatos dos comunitários com a vizinhança são de reserva. Provavelmente por se vestirem, comportarem-se e terem idéias diferentes, os habitantes locais os olham desconfiados e, às vezes, com preconceitos. No entanto, devido a preocupação de se acomodarem, até certo ponto à cultura local, e às ações comunitárias, que geralmente são efetuadas pelos comunitários, a situação tende a mudar progressivamente.

No inicio da Mãe D’Água, alguns comunitários tomavam banhos coletivos e nús, causando constrangimentos à vizinhança, o que os levou a evitar tal procedimento. Com a introdução de campanhas de conscientização ecológica e de métodos alternativos de agricultura, e posteriormente, com a criação de uma escola rural, esses comunitários foram aceitos e muito respeitados.

Lino Mateus também se fez muito respeitado, no município de Visconde de Mauá, pelo seu excelente trabalho de difusão de idéias e métodos ecológicos, e de por em prática, entre nós, uma nova concepção de comunidade alternativa, na qual, cada comunitário é proprietário de sua terra. Nessa visão, os habitantes locais poderiam participar da comunidade, se desejassem.

O sistema comunitário alternativo e a segurança no futuro

O sistema comunitário alternativo brasileiro, pelo que pude observar, não oferece planos de saúde, nem de educação formal, e por serem muito instável, não oferece também uma estrutura de segurança para a velhice.

Isso significa, na prática, que os comunitários ainda não resolveram, em grupo, essas óbvias e prementes necessidades, e por isso, têm de estar sempre na dependência do sistema maior.

Acredito que essa situação dificulta a entrega total de cada um deles ao novo, ao revolucionário, ou cria uma pseudo entrega, principalmente entre os neófitos, sem experiências maiores.

Essa instabilidade, sob um aspecto é boa, pois a segurança, inevitavelmente, tem de ter alicerces na própria pessoa, e não em fatores externos.

No entanto, a falta ou a pouca projeção no futuro, criam inúmeras dificuldades, que impedem aos simpatizantes dessa forma de viver, se lançarem na experiência, comprometendo, portanto, a expansão desse movimento.

A meu ver, esse aspecto é uma distorção dos conhecimentos orientalistas, que apontam para o progressivo assumir da responsabilidade do ser, do seu próprio caminhar, enquanto individuo e grupo, pelo próprio ser, isto é, pela própria Potencialidade Criadora, cuja consciência se “expande”.

Vale salientar que, no Brasil, as comunidades se formam por iniciativas privadas, sem auxílios governamentais, ao contrário do que ocorre, ou ocorria até a alguns anos atrás, em Israel, onde 4% de sua população vivia em Kibutzim.

É profundamente lastimável que o nosso governo, com tantas misérias à sua volta, não incentive a formação de comunidades alternativas.

Apenas o Estado de São Paulo, há alguns anos, tentou formar kibutzim, no interior”.

Relação dos comunitários com a polícia

A estrutura das comunidades alternativas é anarquista, e isto gera, às vezes, desconfianças dos órgãos de segurança.

Segundo me relataram alguns participantes da Casa Sri Aurobindo, algumas vezes eles foram convidados a irem à policia. Lá eles preencheram um formulário e responderam algumas perguntas corriqueiras. Nada de especial.

Tanto na Casa Sri Aurobindo como na Fazenda Mãe D’Água, que recebiam grandes fluxos de visitantes, eles preenchiam um livro de registro, constando seus dados pessoais, os quais ficavam à disposição da polícia.

Salientamos que esse procedimento é normal e adotado em pousadas e hotéis.

No entanto, quase todas as cartas que eu recebia, oriundas de Sri Aurobindo, os envelopes tinham sido violados. Eram abertos cuidadosamente, provavelmente à gilete. Certa vez fecharam o corte, sobrepondo sobre o mesmo, um pedaço de papel, de coloração diferente da do envelope. Isso ocorreu durante o período de dominação militar.

Relação das comunidades alternativas com as religiões instituídas

A relação então existente entre as comunidades e as religiões instituídas era pacifica, por estranho que isto possa parecer, a vez que, existem muitas divergências conceituais entre elas.

Rolf Gelewsky, da Casa Sri Aurobindo, me contou que, em algumas ocasiões, eles receberam na comunidade, o arcebispo de Salvador, cujo nome não me recordo, e outras autoridades eclesiásticas. Eles almoçaram juntos e passaram horas agradáveis, trocando experiências.

Comunidades e atividades produtivas

As comunidades brasileiras são urbanas e, principalmente, rurais. As urbanas desenvolvem atividades comerciais e de prestação de serviços, e, às vezes, industriais, como na Casa Sri Aurobindo. Nesta comunidade eles ministravam aulas de danças espontâneas, clássicas e modernas; de música e trabalhos corporais; ministravam cursos em secretarias de estados; tinham uma gráfica editora, onde realizavam serviços editoriais, gráficos e de propaganda; faziam serviços de traduções e versões de revistas e livros, e produziam também fitas cassete de músicas selecionadas para trabalhos em grupo, dança, relaxamento, etc. Todas essas atividades eram devidamente legalizadas.

Na comunidade MATA-DA-ESTIVA, então existente em Minas Gerais, predominava a pecuária. Segundo eu soube, quando da minha estadia na Fazenda Mãe D’Água, eles possuiam em torno de cento e quarenta bovinos leiteiros, produzindo leite e seus derivados. Produziam também, produtos agrícolas, mas, para a sua subsistência.

Na zona rural há predominância das comunidades agrícolas. Produzem, basicamente, produtos de primeiras necessidades: grãos, hortaliças, ervas, etc. e mel.

Existem algumas comunidades rurais/industriais que se dedicam a plantação de cana-de-açúcar e produzem açúcar mascavo, em pequenos engenhos.

A revista VIDA & CULTURA ALTERNATIVA[47] nos fala de uma estranha comunidade nômade, flutuante, formada por vinte e dois veleiros de 9 a 15 metros de comprimento aonde vivem cerca de 140 pessoas, adultas e crianças. Esses comunitários posicionam seus barcos lado a lado, formando um grande círculo, semelhante a uma mandala, tendo como base as popas. Eles produzem, prioritariamente, artesanatos e shows artísticos.

Comunidades alternativas e as relações de produção

As relações de produção existentes nas comunidades alternativas brasileiras são inteiramente diferentes das que conhecemos e visam o desenvolvimento integral do homem, o qual está sempre presente, como figura ou fundo.

A produção não tem objetivo de lucro, mas de sobrevivência, e os bens advindos do trabalho grupal são de todos; o conceito de produtividade é desconhecido ou posto de lado; enfatizam a qualidade.

As técnicas adotadas são consideradas brandas, por serem simples e não agressivas ao homem e à natureza.

Os comunitários se tornam mais produtivos quando desejam mudar ou criar algo novo, sendo os trabalhos realizados com satisfação.

Na Casa Sri Aurobindo os trabalhos eram realizados em total silêncio, devendo o trabalhador estar consciente de cada movimento necessário à sua consecução, e dedicá-los ao Divino.

Como se pode observar, cada serviço é um instrumento de auto-realização através do vivenciar o aqui e agora.

Nas comunidades de paises socialistas e, principalmente nas israelenses, a visão tradicional mudou. Por serem unidades estáveis, com várias décadas de existência, e sofrendo fortes interferências econômicas e políticas externas e internas, como a mudança da faixa etária média dos comunitários e a clara percepção de que a distribuição igualitária dos bens, atropela o principio “a todos de acordo com suas necessidades”, os comunitários realizaram inúmeras transformações estruturais e organizacionais nos kibutzim[48]

Existem comunidades que utilizam tecnologias bastante complexas, cientificamente avançadas. Ai, produtividade é “palavra de ordem”. Em algumas existem mão-de-obra contratada, por falta de comunitários ou por se tratar de serviço altamente especializado. Essas comunidades são verdadeiros laboratórios, que estão pesquisando nas áreas de agricultura, pecuária, e, principalmente, em novas formas de se viver em grupo.

Há comunidades em Israel que desenvolvem modelo econômico capitalista. Elas são empresas e os comunitários, sócios. Nessas comunidades, as pessoas que nelas ingressarem entregam todas suas economias mas se desejarem sair, as recebem de volta, atualizadas.

Comunidades alternativas e as relações de poder

A prática do poder nas comunidades alternativas brasileiras ainda é algo complicado. Como essa forma de viver é pouco difundida entre nós e suscita dúvidas de toda natureza, poucas pessoas se habilitam a investirem suas economias na formação de comunidades. Em função disto, geralmente, um ou dois idealistas, com recursos econômicos, compram terra ou negócio e a(o) registra(m) em seu(s) nome(s), o que é, sob um ângulo de observação, uma distorção, e implica detenção de maior parcela de poder. Isso é visível, principalmente, quando ocorre extinção da comunidade.

Mário Sanchez analisa essa referida questão, e outras, com muita propriedade e apresenta soluções viáveis, no seu livro

“UNIDADES RURAIS DE SUBSISTÊNCIA”.

No entanto, no dia-a-dia das comunidades, observei a prática da divisão do poder, não obstante existir coordenação, assim como, pessoas que, pelo seu carisma, saber e experiência, exercem maciça influência sobre as demais. Suas propostas tendem ser aceitas por todos. Nada é imposto por pessoas e sim pelo grupo, após discussões em assembléias livres.

Segundo Sri Aurobindo, os espaços de comando deveriam ser ocupados por pessoas, cujas consciências e desejo de ajudar desinteressadamente estivessem bem acima da média da população. Para ele, a pessoa se omitir de efetiva participação política, em qualquer nível, implica ser co-responsável pelos descaminhos e desmandos da sociedade.

Shree Rajneesh pensa de maneira semelhante e propõe até um governo mundial, através do qual, todas as fronteiras e nacionalidades desapareceriam. Nós seríamos, tão somente, cidadãos cio mundo. Esse governo, evidentemente, seria diferente do que se desejava na extinta Liga das Nações e da Organização das Nações Unidas (ONU), que “não passa de um clube formal de discussão”[50] e pelo que observamos, trata-se de uma instituição altamente comprometida com o passado: injusta, desumana e “testa-de-ferro” dos grandes interesses internacionais.

Rajneezh ainda observa a imperiosa necessidade de se preparar as pessoas para assumirem o poder. E isso seria possível através da criação de dois institutos: o primeiro promoveria desprogramação de mente, objetivando a retirada de todos “lixos” introjetados nas pessoas; o segundo instituto seria o de meditação. “A meditação o transformará em um novo ser que não conhece nenhum medo, nenhuma seriedade, nenhuma avidez, nenhum ódio — nenhuma dessas emoções e sentimentos escuros, vis, doentios, nauseantes”.[51] A meditação provocaria progressiva expansão da consciência.

Para muitos comunitários o poder é, em si mesmo, a expressão de uma força ou energia universal, denominada “raio”. O poder é a energia de domínio do primeiro raio, dos sete existentes. Trata—se, pois, segundo essa visão, de um atributo natural a todos os seres, cuja função, tudo indica, mantém o equilíbrio do Todo.

Conclusão

Canta, espelho da vida,

doce mistério.

Caetano Veloso

Podemos observar neste trabalho que comunidade alternativa é uma forma de se viver em grupo, em comunhão. Forma que atravessou os milênios, em diferentes culturas e espaços geográficos. Não obstante, tem dado certo.

Não é uma concepção concluída, mas um processo, um eterno devir, buscando novas maneiras de se fazer, mais simples, em harmonia com a natureza, e enquadrado numa visão ética e filosófica.

Há visível choque entre as antigas e as novas concepções, a respeito de comunidades alternativas, forçado, sobretudo, pela necessidade de adaptação às condições modernas.

A minha experiência em comunidades alternativas e leituras que fiz a esse respeito, levou—me a perceber a incrível semelhança entre o tipo de pessoas que ai vivem, as interrelações pessoais que se estabelecem, as características existentes nessas comunidades, e aquelas preconizadas por Carl Rogers, na sua visão do homem do futuro, que já está surgindo progressivamente, em processo dialético, com características bem definidas.

Não creio que o estilo comunidade alternativa seja “A” visão social da ACP, mas, apenas uma das visões de sociedade, possíveis e coerentes com essa abordagem, e, o que é mais importante, exeqüível.

Eu aprendi pela experiência, apesar de pequena, que o sistema comunitário alternativo não é nenhum céu e que os comunitários são pessoas iguais a nós, cheias de virtudes e dificuldades. Mas que, por visão filosófica ou por não mais suportarem as pressões objetivas e/ou psicológicas de nossa sociedade, almejam um novo mundo, mais justo, em que se sintam mais aceitas e suas falas consideradas.

Nelas eu aprendi a ser mais gente; a sonhar mais, com “olhos abertos” e “pés no chão”; aprendi a possibilidade de se viver bem e feliz com menos recursos; aprendi a ter mais respeito à vida e às coisas; aprendi, enfim, VIVENCIANDO, que somos muito mais do que julgamos ser, quando nos abrindo às experiências, somos.

Finalizando, escrevi este trabalho não apenas para mostrar as afinidades entre alguns pressupostos da ACP e essa forma de se viver, mas, também para oferecer subsídios de uma nova (velha) visão de vida e mundo, e a partir dela, reavaliarmos o que fizemos de nós, e para nós mesmos. E dai, recriarmos . mundo pessoal e coletivo melhor.

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c)”A Pessoa que Está Surgindo: Uma Nova Revolução”- in Rogers & Rosenberg – A Pessoa como Centro — 1977 EPU, cap.XI.

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4.Rogers, Carl Ranson – Grupos de Encontro – 1974, Liv. Martins Fontes Ed., p.ll.

5. ROGERS, Cari R.; et ai – Busca de Vida: da Terapia Centrada no Cliente à Abordagem Centrada na Pessoa – 1983, Summus Editorial, São Paulo, p. 29 e 30 — notas de rodapé, item 11

6.Rogers, Carl R., et ai. – — Busca de Vida: da Terapia Centrada no Cliente à Abordagem Centrada na Pessoa – 1983, Summus

Editorial, São Paulo.

7.Rogers,carl R.— Grupo. de Encontro — 1974, Martins Fontes Editora, p.23/4.

8.a) Weil, Pierre – Esfinge, Estrutura e Mistério do homem- 1973, Vozes, p.7 e 14. Primeira tese em doutoramento em Psicologia Transpessoal, defendida na Universidade de Sorbone.

b) Weil, Pierre – A Revolução Silenciosa – Ed. Pensamento, p.55/7.

9.Mestre Cedaior, nome mistico e simbólico do francês Albert Raymond, iniciado da Ordem Martinista, na França.

10. Bachrach, A. J. – Introdução à Pesquisa Psicológica – 1975, EPU, p. 39.

11. Weil, Pierre, et ai – Mística e Ciência – 1978, vózes, cap. III

12. Jinarajadaza,C. – Fundamentos de Teosofia – 1956, Pensamento, p. 82

13.Ubaldi, Pietro – As Moúres-Técnica e Recepção das Correntes de

34 — 1953, LAKE, SP, 120/22

14.”Fundamentos Científicos para o Estudo de Estados Alterados da Conciência”, TART, Charles; WEIL, Pierre et ai, in Kistioa e

Cincia, 1976, Ed. Vozes.

15.Blavatsky, Helena Petrovna – A Doutrina Secreta – 1973, Eci. Pensamento, V.I p.111.

16.Maclean, Dorothy – A comunicação com os Anjos e os Devas – Ed. Pensamento, p.59.

17.BLAVATSKY, Helena Petrovna — A Doutrina Secreta – 1989, Editora Pensamento, Vol. II, p. 36.

18.Consultar as obras: O TAO DA FÍSICA; O PONTO DE MUTAÇÂO e SABEDORIA INCOMUM – todos de Fritjof Capra; O PARADÍGMA HOLOGRÁFICO E OUTROS PARADOXOS, de Ken Wilber e outros.

19.ADRADOS, Isabel – Orientação Infantil – 1971, Vozes, Petrópolis, 2a. edição, p. 19.

20.Extraido da revista “Kurso de Esperanto” – Ed da Fraternidade, da organização Social Cristã André Luiz, de São Paulo, p. 6

21.Martins, Maria – Asia Maior: Brabma, Gandhi e Nehru – 1961, Ed. Civilizaçôes Brasileiras, p. 169

22.Rajneesh, Shree – O Maior dos Desafios: O Futuro Dourado – Ed. Eco, p.75.

23.idem, ibden, p.58

24.Idem, ibdem. p.58

25.Sanchez, Mano – Unidades Rurais de Subsistência – Imery Publicações, p. 6

26.Sanchez, Mano; et ai. – As Comunidades Rurais Para O Terceiro Milênio – artigo publicado na revista Centro de Estudos Avançados de Goiânia (CEAG) — Imery Publicações, Vol 1, p. 7

21.ALEXEY MATUSHKIN, diretor do Institute of General and Educational Psychology da Universidade de Moscou.

28. Gandhi, Mohandas Karamchand – Minha Vida e Minhas experiências com a verdade – 1964, Ed. O Cruzeiro.

29 Hohden, Huberto — Kahata Gandhi – 1960, 2a. edição, Livraria Freitas Bastos, Epilogo.

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33.BLAVATSKY, Helena Petrovna – A doutrina Secreta – Ed. Pensamento, Vol. 1, proêmio.

34. , idem p. 73

35.FRIEGEL, Siegue – O Brasil Israel – artigo publicado na revista “Kibutz, do Sonho A Realidade”, da Organização Sionista

Unificada.

36.CLARKE, Robin ; CLARKE, Janine – Algumas características utópicas da tecnologia Branda – citado por Yann Burlot, no livro “Ecologia, Caso de Vida ou Morte”, 1979, Moraes Editores, Lisboa, p.145.

37. ASHRAMS: são um tipo de comunidade alternativa, cujo objetivo maior é o desenvolvimento espiritual do ser humano. Cada Azhram tem um orientador, denominado guru, Sri, etc, o qual tem conhecimento vivencial de todos os ensinamentos ministrados e a responsabilidade kármica sobre tudo o que ensina aos seus discípulos.

38.PERRIN, Pierre; KRAER, Gilies – O. Novo. Balvaqena – artigo publicado na revista MANCHETE, 1993, Editores Bloch, n. 2.161, de 4 de Setembro, p. 38.

39.OS NOVOS SELVAGENS – Atlantis é uma tribo anglo-irlandesa, situada na Colombia, formada por três casais e sete crianças de quatro a quatorze anos. Vivem em cabanas de madeira e tetos de aço e acrílico (?); há outra nos Alpes Marítimos da França, cujos comunitários vivem segundo os costumes dos índios americanos, Sioux e Arapoe. O líder desta tribo, Michel Adjiman, é conhecido pelo nome “CAVALO-EM-PÉ”.

40. “GANDHI, Mohândas Karamchand – As palavras de Gandhi – 1982, Ed. Record, Rio de Janeiro,9a.edição, p.30 (texto selecionado por Richard Attenborough)

41.Idem ibdem,, p. 49

42.ADRADOS Isabel – Orientação Infantil – 1971, Editora Vozes, Petrópolis, 2a. edição,p. 19 e 20.

43.MANTRAS – são palavras ou frases,cujas vibrações produzem efeitos físicos e\ou psicológicos, favoráveis a obtenção de determinados resultados.

44. BRAHMACHARYA ( Sânscrito): “a vida e condição do brahmachárin; noviciado. Voto de castidade em pensamentos, palavras e obras”. (Glossário Teosófico – Ed. Ground, p. 86). O Brahmacharya, apesar de ser na sua expressão externa igual ao celibato, isto é, os seguidores desses sistemas não mantém relações sexuais, não se observa, no entanto, entre os brahmachârin’s, distúrbios psicológicos, comuns a muitos celibatários. E essa diferença se deve aos processos metodológicos adotados pelos Yogues.

45.VISÃO SEXUAL TÂNTRICA : Tantra (Sânscrito), escola filosófica da Índia, “cuja principal peculiaridade é o culto do poder feminino, personificado por SAXTI’ (Glossário Teosófico – ed.Ground, p. 675), existente na criação. Na visão sexual, .. o TANTRA enfatiza o MAITHUNA ou ARCANO A.Z.F. (relação sexual) como prática fundamental ao

desenvolvimento espiritual, no qual, os parceiros utilizam mantras e respiração, e o homem não ejacula. Não obstante, ambos têm orgasmos.

46.Noticia publicada num dos jornais de São Paulo em 9 de Junho de 1983, com o titulo “Governo Paulista Tenta Seguir o Exemplo de Israel com o Kibutz”, assinado por L.R.S.Q.

Trata-se da criação de um kibutz, em uma área de 400 alqueires da Fazenda São Roque, pertencente á Secretaria da Promoção Social, no governo de Franco Montoro.

47. VIDAL, Daine – Comunidade flutuante: a experiéncia na Polinésia. francesa— artigo publicado na revista Vida & Cultura Alternativa, 1986 (Março), Quatro Oceanos Editora Ltda, São Paulo, n. 9p.32/5.

48.EISENSTADT,S.N. – Kibutz Transformação – extraido da revista “Kibutz, do Sonho à Realidade, p. 19. O autor tomou como base, para escreva-lo, o seu livro SOCIEDADE ISRAELENSE “, 1977, Ed. Perspectiva, São Paulo.

49.SANCHEZ, Mário – Unidades rurais de subsistência – Imery Publicaçes, Goiânia.

50.RJNEESH, Bhagwan Shree – O Maior dos Desafioa: O Futuro Dourado -Ed. Eco, Rio de Janeiro, p. 22/4.

51.Idem Ibdeni, p. 45.

O autor: Psicoterapeuta individual e de grupo; membro do Núcleo de Estudos da Abordagem Centrada na Pessoa – Pb.

Trabalho escrito para ser apresentado no VII Encontro Latino-Americano da Abordagem Centrada na Pessoa – Maragogi -Alagoas – Outubro de 1994.