DESENVOLVENDO A CRIATIVIDADE: UMA VIVÊNCIA COM A TERCEIRA IDADE

Francisca Carneiro de Sousa Klöckner et all

Aline Cavalheiro da Silva

Carla Patrícia Rambo

Dirce Gomes da Silva

Gessiele da Costa Sobanski

Juliana Cátia Tamparowski de Oliveira

Keila Santos Olive Eller

Lucimaira Cabreira

Mayara Isabela Baggio

Odette Amaral Bacaro

Patrícia Fabi Oliveira Santos

Silvileny Dayanny Poncette Neves

Simone Vivan

O Brasil tem testemunhado um aumento na expectativa de vida da população, o que tem acarretado um aumento significativo da população de idosos. Deste modo torna-se imprescindível o planejamento e a tomada de medidas objetivas para atender às necessidades dessa população, tendo em vista que, segundo Barreto (1992) o aumento do número de idosos, na maioria das populações mundiais, tem causado uma realidade incômoda aos países desenvolvidos, pois, estes ainda não encontraram uma solução satisfatória para seus velhos. Conseqüentemente, a população idosa tem sofrido com a exclusão e o preconceito. Costa (1998) cita que a “terceira idade” é considerada por muitos como um aprisionamento, um espaço de vida onde qualquer ato fecundo é impossível. Não obstante, Oliveira (1999) descreve a velhice como uma obra prima da sabedoria e um dos mais difíceis capítulos na arte de viver. “Um tempo de síntese de todas as épocas anteriores do ciclo da vida”.

É fundamental compreendermos que envelhecer bem não depende unicamente do idoso, além das condições adequadas a sua sobrevivência ele também precisa ser estimulado para que possa se manter ativo, participante e útil. Zimerman (2000) diz que estimular é criar uma postura de busca constante, de realizar atividades, que proporcione o sentimento de ser parte integrante e ativa do meio. É incentivar a busca da satisfação nas realizações do dia-a-dia, a fim de ampliar o mundo interno e externo, tornando-o satisfeito, ajustado, valorizado e integrado.

O envelhecimento traz consigo uma série de mudanças psicológicas, tais como: dificuldade de aceitação das próprias limitações, declínio na manifestação da atividade, nos interesses pelas ações, emoções e desejos; dificuldades na assimilação de idéias, coisas e situações novas; diminuição dos aspectos cognitivos como atenção, percepção, concentração; apego maior aos valores, costumes e normas já conhecidas e convencionadas. Todas essas mudanças podem se transformar em patológicas e acarretar perda da auto-estima, depressão, ansiedade, hipocondria, isolamento, sentimento de inferioridade e inutilidade, etc.

Partindo do princípio de que o mais importante não é acrescentar anos à vida e sim vida aos anos, e que o idoso possui potencial criativo e precisa ser estimulado a se sentir ativo, participante e útil, o projeto de extensão “Desenvolvendo a Criatividade: uma vivência com a terceira idade” que é parte do programa “Feliz Idade” desenvolvido pela Universidade Paranaense – UNIPAR, apresenta-se como uma proposta de focalizar a utilização de recursos expressivos, inspirado pelos trabalhos pioneiros de Natalie Rogers, a partir do enfoque da Abordagem Centrada na Pessoa e utilizar a potencialidade desses recursos, na promoção do crescimento e no despertar da criatividade em grupos da terceira idade. Segundo Tassinari (S/d) a utilização de recursos expressivos com tais finalidades não constitui nenhuma novidade, da mesma forma que as artes expressivas sempre desempenharam um papel importante nas sociedades, desde as mais primitivas. Contar histórias, representar, imaginar, escrever, cantar, dançar, desenhar, pintar, esculpir e conversar, têm sido os meios pelos quais as pessoas se expressam, se relacionam e representam o mundo para si e para os outros.

Natalie Rogers, criadora da abordagem denominada “Conexão Criativa”, pressupõe que os recursos expressivos que combinem movimento, arte, escrita, imaginação guiada pela música, meditação, trabalho corporal, escrita livre, comunicação verbal e não verbal, quando administrados dentro de um ambiente facilitador, podem proporcionar o auto-conhecimento, a auto-expressão, a criatividade e conseqüentemente, contribuem para despertar os sentimentos de utilidade, de pertencimento, de responsabilidade e de aceitação.

Objetivo Geral:

– Estimular o desenvolvimento da criatividade em grupos de terceira idade.

Objetivos Específicos:

– oferecer condições facilitadoras para o desenvolvimento do potencial criativo;

– proporcionar a auto-expressão através da utilização dos recursos expressivos;

– facilitar o relacionamento interpessoal entre os membros do grupo;

– Contribuir para o desenvolvimento da auto-estima;

– Despertar sentimentos de utilidade, de pertencimento, de aceitação.

Materiais e Método:

Participantes: O presente projeto vem sendo desenvolvido desde o ano de 2004 com um grupo de aproximadamente 40 idosos do Lar São Vicente de Paulo, na cidade de Umuarama, Paraná.

Procedimentos: O projeto em questão apresenta-se enquanto uma proposta de facilitação do desenvolvimento da criatividade através de oficinas onde os idosos podem realizar atividades utilizando recursos expressivos como a escultura em argila, o desenho, a pintura, a música, colagens, a escrita livre, entre outros. As oficinas são facilitadas por 12 acadêmicos do curso de Psicologia previamente preparados para esta atividade através de um treinamento de 60 horas. Os acadêmicos são divididos em três grupos de quatro componentes e cada grupo facilita uma oficina com aproximadamente 15 idosos, uma vez por semana. Cada oficina tem duas horas de duração.

Instrumentos: são utilizados diversos materiais como: argila, tintas, lápis colorido, papel, giz de cera, massa de modelar, recortes de revista, aparelho de som, miçangas, materiais ‘sucata’, entre outros.

Resultados: Com a realização deste projeto temos proporcionado aos participantes o desenvolvimento do potencial criativo, uma melhor interação entre os membros do grupo e conseqüentemente, o desenvolvimento da auto-estima. Os participantes têm demonstrado uma maior abertura para a aceitação pessoal e para perceberem em si e no outro, o seu lado positivo, saudável e criativo. Entregando-se a vivência de experiências “desveladoras” e transformadoras do seu lado obscuro e das limitações antes tão temidas, o que nos remete às palavras de Nathalie Rogers quando diz que “O processo criativo é como a liberdade, uma vez que você experimenta não consegue mais viver sem ela”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BARRETO, M. L. F. Admirável Mundo Velho: velhice, fantasia e realidade social. São Paulo: Ática, 1992.

COSTA, E. N. S. Gerontodrama: a velhice em cena – estudos clínicos e psicodramáticos sobre o envelhecimento e a terceira idade. São Paulo: Agora, 1998

OLIVEIRA, R.. C. S. Terceira Idade: do repensar dos limites aos sonhos impossíveis. São Paulo: Paulinas, 1999.

ROGERS. N. The Creative Connection: Expressive Arts as Healing. Palo Alto, California: Science and Behavior Books, 1993.

TASSINARI, M. Recursos Expressivos em Psicoterapia (S/d). Disponível em: http//:www.encontroacp.psc.br/artigos

ZIMMERMANN, G. I. Velhice: aspectos biopsicossociais. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Apresentado no VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa – Canela RS – 9 a 15/10/2005