JUVENTUDE NA TERRA: EDUCANDO PARA A CIDADANIA. UMA EXPERIÊNCIA ORGANIZATIVA COM GRUPOS DE JOVENS ASSENTADOS

CLÁUDIO SÉRGIO REIS MAFFIOLETT

RESUMO

Este é o relato e discussão da experiência entre dois grupos de jovens, um de estudantes universitários o outro de assentados, na busca de construir um espaço para pensar e desenvolver atividades culturais, significativas para contribuir para uma formação cidadã esclarecida sobre suas identidades culturais.

Os jovens assentados são oriundos de um berço incluído numa faixa social não urbana, praticante de um tipo de vida ligado ao rural, à sobrevivência, com uma construção social prenhe de carências. As escolas são distantes, obsoletas, muitas vezes fora de suas realidades.

Os homens ainda migram para as favelas ou pontas de ruas das grandes cidades, tornam-se rurbanos e para conseguir trabalho têm de negar sua identidade.

Orientados pela máxima de que a reforma agrária, após o assentamento na terra, desenvolve várias demandas e entre elas a organização também centrada na produção familiar, a custos altos, num ambiente não favorável. Construir uma noção cidadã ligada à permanência na terra é a meta desse projeto.

Através de uma metodologia dialógica, horizontal, participativa, levantamos as experiências, valores, atitudes e interesses dos assentados, utilizando uma metodologia freiriana. Iniciamos com o resgate das falas e seus significados, dos fazeres e suas viabilidades e da história da construção dos seus pensamentos.

Como resultados, podemos discutir o valor da libertação da fala, da valorização e respeito aos seus pensares, fazeres, às atitudes de aceitação, cooperação, respeito e criatividade, bem como as dezenas de dificuldades que passamos para desenvolver o projeto e conseguir um poder de coesão que permita formar o grupo, mantê-lo e afirmá-lo.

* O autor é professor de Psicologia na Universidade Federal da Paraíba. Psicólogo Comunitário.

Apresentado no VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa – Canela RS – 9 a 15/10/2005