Nosso potencial infinito

Djalmira Santiago Junqueira Ayres, Eliane J. P. Figueiredo dos Santos ee Nadja Naíra Silva e Silva

 

Dedicatória

A Deus, o sentido profundo da nossa existência

A nossos companheiros com quem realizamos o nosso sonho de Felicidade.

A Nós, com a alegria de já conhecermos a beleza da Luz e do Amor.

A Família universal, com quem somos UM.

Agradecimento

A Carl Rogers, por sua natureza visionária a nos mostrar o Homem do Futuro.

A Lúcio Flávio Campos, pelo exemplo vivencial da empatia e consideração positiva para com o outro.

A Geraldo Leite, pelo compartilhar profundo na busca e descoberta dos caminhos que nos conduzem ao Eu Sou…

A Miguel Pereira, pelo companheirismo fraterno na longa estrada evolutiva.

A Elias Boainain Júnior, pela simplicidade e alegria com que também nos favoreceu o experienciar da transcendência e da espiritualidade.

A Afonso Henrique Lisboa da Fonseca, pela presença facilitadora e motivadora em nossas multiplicidades existenciais.

A Alondra Inez Mendizábal, pela afinidade e compartilhar profundo na busca dos valores espirituais.

Aos nossos clientes, que com sua dor e angústia, nos favorecem o aprendizado de caminhos que nos conduzem a menos sofrimento em nossas vidas.

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Hoje, logo cedo, nos ofereceste o mais belo, colorido e terno ramalhete de flores que poderíamos receber. Não é que isso aconteceu só hoje, pois tens nos ofertado tantas belezas incessantemente. Nós é que nem sempre estamos abertos às tuas dádivas.

É que, na tua perfeição, nos impulsionas ao encantamento que toca-nos a alma e, instantaneamente, nos alerta para o novo, o aqui e agora extraordinário das tantas nuances da tua criação – hoje é o equinócio da Primavera.

Os campos se cobrem de flores multicores, onde cada uma, em sua originalidade, enriquece amorosamente, todas as paisagens, mesmo aquelas já tão exuberantes e lindas.

Através da natureza florida e tão iluminada, vens nos convidar à compreensão de que também somos assim: repletos de flores, luz, calor e muita beleza. Entretanto, nem sempre, nos dispomos a vivenciar nosso ser em toda sua plenitude. Distanciamo-nos do nosso âmago e com isso, deixamos de nos reconhecer como seres do mundo, da vida, os herdeiros legítimos da Tua criação.

Mas que maravilha! Finalmente é primavera. Os dias cinzentos e frios haverão de nos favorecer uma trégua até o próximo inverno. Portanto, que vivamos, pois, apenas o agora. E este agora, nos traz muita harmonia, alegria, amor… Cremos, desejas ternamente nos ensinar que: mesmo na travessia das “noites escuras” dos nossos invernos, poderemos, se o quisermos escolher, mantermos o nosso olhar interior com o foco nas flores, na beleza, no calor, na luminosidade da primavera, onde sempre haveremos de encontrar tuas divinas paisagens… Principalmente em ti a Grande Luz”.

Nadja Naíra

Apresentação

Nossa nova perspectiva de mundo não é apenas um conjunto de fatos intelectuais. Ela é muito mais intuitiva e experiencial. Com efeito, aqueles que permanecem com uma visão apenas intelectual dos acontecimentos deste novo momento, sem dúvida, ficarão carentes de explicações, as quais novos paradigmas se encarregarão de fazê-lo.

É melhor pensarmos na mudança de metas e modelos com um renovado senso comum. Baseando-se na experiência vivida e não na teoria adquirida ao longo de todo este tempo. Trata-se mais de uma mudança no sentido de como a vida se apresenta do que como explicar esta mesma vida. Muitas teorias que dão suporte as explicações deste momento não correspondem à dimensão do que se passa na experiência deste novo homem. É necessário que se busque as respostas através de vivências que possam vir a transcender toda uma prática teórica.

“Há alguém dentro de mim que é mais do que eu mesmo.”

Sto. Agostinho

Em agosto de 1993, encontramo-nos no curso de pós-graduação em Psicologia Clínica Existencial Fenomenológica da Abordagem Centrada na Pessoa, na Universidade Católica de Pernambuco. Formamos um grupo de estudos, a fim de darmos conta das atividades acadêmicas.

Com o término do curso, continuamos a encontrar-nos, ao que nos apareceram certos questionamentos: após tantos anos de estudo e participação em tantos cursos, congressos, seminários, o que temos tirado de proveito para nossas vidas, enquanto ser no mundo, desses conhecimentos? Que oportunidades nos têm sido oferecidas e se estamos, de alguma forma, multiplicando o que adquirimos, fazendo alguma coisa em parceria? Como reciclar nossos conhecimentos acumulados, principalmente no que se refere à pós-graduação, como buscar aprofundamento nesta abordagem que, a nosso ver, apresenta uma linha mais ligada a espiritualidade? Foi assim que surgiu a idéia de formarmos um grupo com tais objetivos.

A alegria, o companheirismo, a amizade, a afinidade surgiram naturalmente, fluindo com o entrelaçar de nossas vidas. Aos poucos, o grupo foi se estruturando e desde janeiro de 1995 vem se realizando às terças-feiras à tarde até o presente momento. Dez anos. Já adquirimos a condição de podermos afirmar termos dado certo.Trata-se de um grupo de estudo, discussão, supervisão, estudo de caso, e mais que tudo, um grupo terapêutico.Um grupo sem líder, que se auto-determina, onde todos são terapeutas e todos são clientes, dependendo do vivido do momento e das possibilidades de cada um.

Muitos foram e ainda são os encontros e desencontros vivenciados ao longo desse tempo. Construímos uma história em que tantas emoções já nos envolveram, favorecendo o experienciar profundo da nossa humanidade. Lágrimas, sorrisos, tristezas, mágoas, saudades, raivas, alegrias, medos, amor, enfim, toda a gama de sentimentos humanos permeia nossos encontros na dinâmica milagrosa do risco intenso do envolver-se.

Já vivemos a perda de quem se vai para longe, mas também a alegria de quando chega para visitar. Ganhamos o prêmio de recebermos outros que se sentem felizes em compartilhar conosco e nos lançarmos juntos ao crescimento. E nesse tempo, temos vivido o tudo que caracteriza um organismo vivo, que luta para cumprir da melhor forma a sua função no mundo, embora as nossas limitações e impossibilidades.

Somos um grupo sim, cremos que mais do que psicoterapêutico. Um grupo de crescimento do ser não apenas em níveis psicológicos, humanos. É bem mais que isso. Transcende para as faixas maiores da vida. Um grupo que tem nos conduzido a níveis de crescimento, enquanto seres espirituais em evolução, num mundo também em progresso.

Nessa trajetória, compartilhamos as tantas experiências profissionais, humanas, pessoais em que cada uma, na sua luta diária, na busca de crescer, como ser no mundo, vai abrindo portas que nos têm favorecido a visão da claridade que lá fora aguarda a todos, oferecendo-se com tanto amor e ternura àqueles que tenham “olhos de ver”. Ampliando a ação do nosso ouvido interior, alcançamos a melodia sublime da paz, da harmonia, do bem-estar que vibra suave a quem “tem ouvidos de ouvir”.

No entrelaçamento dos nossos vividos, percebemos que todos somos UM. Como nossas histórias são comuns e parecidas umas com as outras. Como temos experiências de crescimento! Através de dificuldades, ansiedades, angústias e de tantas dores nos potencializamos e, ao ultrapassá-las, conquistamos o direito de planar bem alto nas distâncias e alturas mais elevadas, nas energias sublimes. Desta forma, fomos descobrindo, pouco a pouco, que as nossas experiências profissionais também se encontravam em pontos comuns, entre os quais, a importância e a presença presente de Deus em nossas vidas. Enfim, como diz Rogers, um jeito de ser, existir e fazer numa vida cheia de espiritualidade. E já não dá pra ser diferente. Envolve-nos inteiramente, quer seja da esfera pessoal ou profissional, o agora vivido.

Um viver com o sentido profundo do divino, do Ser maior a conduzir nossas ações ou, pelo menos, a luta para que seja assim. E na busca particular de cada uma, na superação das adversidades, das experiências de forte dor e sofrimento, foi-nos essencial atravessarmos as nossas “noites escuras” individuais para percebermos no mergulho profundo de cada uma de nós que podemos penetrar na essência maior da vida.

Ao conseguirmos vislumbrar essa luz e ouvir essa melodia sublime, maviosa, que enaltece o nosso ser, elevamo-nos a planos cada vez mais superiores.

Nos foi possível encontrar a força, a coragem, a certeza de que haveríamos de seguir nossos caminhos porque sabíamos, por viver, nunca estarmos sós. Que existe um todo maior do qual fazemos parte. Que existe um amor potencializador o suficiente para poder nutrir a todos os seres da criação, em todos os níveis e reinos em que se apresentem.

Assim, podemos contatar com a Mãe que existe em Deus. A mãe que ama e acolhe todos os seus filhos na sua amorosidade, na sua ternura. A certeza do amparo em todos os momentos, em todas as circunstâncias, por mais errados e imperfeitos que possamos estar.

Encontramos também com a dimensão Pai que há em Deus. Expressando-se na ação fortalecida que nos premia a compreensão do problema, não como afirmação de fragilidade, mas como excelente oportunidade de crescermos com o desafio. Esse pai que nos convida ao otimismo e nos ensina que o pessimista não cresce, pois vê sempre dificuldades nos desafios. Enquanto o otimista vê sempre um desafio nas dificuldades. E, desafio após desafio, vamos crescendo, tornando-nos mais fortes e donas de nós próprias, da nossa realidade mais ampla. A realidade que nos torna – como diz Friedrich Nietzsche – super-homens, capazes de superar-nos a nós mesmas.

E esse percurso de busca de triunfo pessoal fazemos dia após dia, através de quedas e caminhadas, erros e acertos. Quando erramos, entendemos que é preciso parar, refletir e transformar o que urge ser transformado. Temos a consciência da importância do nosso ser, com a certeza de sermos donas dos nossos destinos. Quando acertamos, avançamos cada vez mais com a certeza, como nos diz Carlos Castanheda, em seu livro O fogo interno, “se queres saber para onde ir, pergunta ao coração, pois, embora as respostas que lhe venham no caminho pareçam ser contrárias, lá adiante, quando chegares ao fim, haverás de descobrir que nunca o caminho poderia ter sido outro”. Caminhamos, então, com a divindade que habita em todos os planos do universo e que certamente habita em nós enquanto partícula de luz. É o nosso ser e existir com confiança no homem, na vida, em nós, com a convicção de ser este homem essencialmente bom, porque ele é essencialmente divino. E o divino é o superior ou a manifestação maior do amor, da paz, serenidade, beleza, perfeição, luz. Aí se encontra a grande tarefa que recebemos: fazer essa viagem interior, compreendendo todo o manancial de conhecimento que existe no universo externo e no universo interno de cada uma de nós.

Compreendemos que as leis que regem o macrocosmo são também as mesmas que regem o microcosmo. Desta maneira, o estudo das Leis Naturais, as Leis de Deus, que se aplicam a todos os seres, em todas as épocas, imutável, permanente, perfeita, eterna, é a chave que haverá de nos conduzir todos à verdade. A verdade que nos liberta definitivamente do medo, da angústia, da ansiedade, inveja, ciúme, egoísmo, orgulho, mágoa e nos revela, certamente, um Deus de amor. Pai e Mãe a acolher todos os seus queridos filhos com o amparo sempre presente em todo e qualquer momento que se faça necessário. Essa realidade nos convida a integrarmos toda a família terrestre e de todos os mundos, abrindo-nos para todos os seres da criação. Somos irmãos do sol, da lua, das estrelas, das matas, dos mares, dos rios, das fontes… Somos irmãos dos animais, das pedras, das flores…somos apenas UM. Somos Deus, a se expressar nas suas várias formas, nas diversas paisagens, nos seus múltiplos tesouros, como um extraordinário colar de pérolas. Cada ser é uma pérola e Deus é o colar reluzente.

Nos propomos, então, na certeza da Grande Luz que condensa todas as partículas que somos todos nós, elaborarmos com essa premissa o nosso projeto de vida, onde a grande luta pela evolução de todos os seres haverá de um dia tornar nossa mãe-Terra um planeta uno. Teremos, finalmente, todas as abordagens da vida, em favor da vida, da paz, da harmonia. As ciências físicas, biológicas, psicológicas, socioculturais e espirituais, conduzindo-nos a uma única meta: a unidade. E, com isso, alcançarmos a felicidade e a paz tão sonhada por toda a humanidade. Talvez, este nosso anseio, possa ser visto como idealismo ingênuo e utópico, ou mesmo, presunçoso. Entretanto, acreditamos ser hora de assumirmos essa perspectiva maior, que é a nossa maior força. A nossa realidade como seres divinos, grandiosos, destinados à iluminação.

Portanto, urge o “arregaçar as mangas”, lançarmo-nos ao trabalho fecundo e abrirmos os nossos corações, lutarmos por acender nossa luz interior, haja vista, de outra forma, não sermos capazes de iluminar. Assim, seguiremos adiante na tarefa maravilhosa da conquista do antídoto para todas as dores, aquilo que mais expressa a realidade perfeita e grandiosa de Deus – que resume o tudo, o todo, os todos que somos nós – Amor. É o amor que Carl Rogers vislumbrou no ser humano, através da sua intuição. Ele já podia antever em si mesmo os momentos milagrosos, na fluidez deste sentimento sublime. Os lampejos de luz já lhe acendiam a compreensão da trajetória de crescimento que todos haveremos de percorrer. E mais. Para alcançarmos o nosso âmago, o ser que é essencialmente bom, o anjo que há em nós, é mister passarmos pelas tantas roupagens e imagens que ele nos apresente. Carecemos ensinar o amor com amor. As nossas feras, ao selvagem que se encontra em nosso íntimo. Para tal, caminhemos com o otimismo que Deus Pai nos convida, não detendo nossos olhos na lama que se encontra abaixo dos nossos pés, mas, elevando o nosso olhar para o infinito céu azul prussiano, bordado de estrelas, que a piscar nos envia a grande mensagem: existe uma luz que sempre iluminará a nossa estrada.

Esta perspectiva da vida envolve e emociona profundamente o nosso ser neste momento. É que, a partir das nossas experiências individuais, arvoramos-nos a apenas vivermos intensamente essa nossa realidade, o nosso jeito de ser e existir no mundo, o nosso fazer profissional. Assim posto, compartilhamos através deste trabalho com todos aqueles que o desejem, não apenas os nossos pensamentos, mas, principalmente, os nossos mais sublimes sentimentos: esperança, ternura, serenidade, harmonia, respeito, compaixão, paz, amor… Simplesmente por já termos encontrado a verdade que nos torna a todos irmãos, na graça e no amor sublime de Deus… – pois, “se as cores se misturam pelos campos, é que flores diferentes vivem juntas…”. ( Roberto Carlos, Pensamentos).

Recife, primavera de 2005.

1- O HOMEM NOVO

Para a construção de um mundo novo, precisamos de um homem novo. Ouvimos sempre que o mundo está cheio de erros, injustiças, violências, egoísmos, dúvidas, medos… Contudo, se observarmos bem, veremos que todo esse quadro de angústia é apenas a soma de todas as dificuldades e limites humanos.

As inquietações experimentadas pela humanidade, que vai em busca de respostas às suas dúvidas acerca da vida, têm a tarefa de levar-nos a compreender que é necessária a mudança do homem para que o mundo se transforme. Entretanto, há muita gente que pensa o contrário: mudar o mundo para mudar o homem. Precisamos aprender que a transformação é conjunta e recíproca, mas tem de começar pelo homem. Enquanto o homem não melhora, o mundo não se transforma. Inútil, pois, apelar para modificações superficiais. Temos de insistir na mudança essencial de nós mesmos.

O homem novo que nos dará o mundo novo é tão velho quanto seu egoísmo, orgulho e dúvidas do mais remoto passado, renovadas pelas angústias, violências e medos que lhe acompanham incessantemente.Desta forma, a injustiça, a opressão, o desamor, a desesperança caminham a passos largos. A beleza criativa da vida é embotada e o homem se aprisiona no isolamento do individualismo competitivo e avarento, tendo como prêmio, a solidão dos outros e de si mesmo.

Portanto, o homem novo vai em busca da verdade que lhe afirma não ser possível a justiça sem amor e sem o conhecimento da sua realidade mais profunda,. Não escapará das fraudes, dúvidas e medos que não lhe permitem a paz, o contentamento, pois ainda não se faz senhor dos extraordinários recursos interiores do seu ser profundo.

Que se possa lutar pelo despertar das consciências, libertando o homem dos grilhões do egoísmo, do isolamento, do individualismo, da avareza… Mas que o homem possa arvorar-se ao risco de se abrir ao outro, descobrindo que as verdades do isolamento são, geralmente, moedas falsas de circulação restrita. A verdade é a que nasce do contexto social, da usina das relações, onde o indivíduo se forma pelo contato com os outros.

É no entrelaçamento, formando um grupo, um organismo, que poderemos verdadeiramente encontrar as verdades que sempre estiveram presentes, mas que ainda não as podíamos alcançar por falta de compreensão e instrumentos adequados. Quando isso acontecer, sem nenhuma dúvida, haveremos de ver com clareza a maior e mais bela das verdades, que o sentimento já revela a alguns: “somos apenas um. A separatividade é uma ilusão”. Vai, então, em busca de meios para o aprendizado e desenvolvimento interior. Assim, o seu conhecimento não deve se resumir a um saber intelectual, científico, mas também o que lhe sirva de alavanca para o despertar da consciência. O conhecimento que não parte apenas da mente, mas também do coração e da intuição, que tem o poder evolutivo e transformador. Conquistará uma força viva, dinâmica e atuante que transformarão suas teorias em consciência e experiência.

“…Eu conheço o Todo… Eu sou o Todo… Mesmo enquanto parte, eu sou a totalidade…” Robert Monroe (Cit. Cappellari, pg 47)

1.1 Conhecimento científico e sensorial

“Quando começamos a entender o ser total que o homem compreendemos que ele não é um simples organismo físico. Dentro dele há muitos poderes, cujo potencial emprega em grau maior ou menor para se adaptar as condições deste mundo. É muito maior esse potencial do que imagina o homem comum”.

Somos limitados em nosso conhecimento, assim, só alcançamos aquilo que se encontra no nosso nível evolutivo. O todo é Deus, não tem princípio nem fim. A criação de Deus é a sua manifestação que se faz incessante. Tendemos a rejeitar o que não se enquadre em nosso crivo de avaliação. Entretanto, se limparmos os preconceitos, perceberemos que existem muitas formas de uma coisa a se apresentar.

Estamos em uma nova era, onde o conhecimento científico se apresenta impotente para dar conta de todos os fenômenos que estamos vivenciando. É necessária uma abertura que venha vislumbrar outros tipos de conhecimentos, compreender os fenômenos emocionais com um enfoque bem mais amplo do que se conhece até o momento.

Sentimos que o encontro existente em um processo de psicoterapia vem da esfera da sensibilidade e só pode ser compreendido através da intuição. Nesta compreensão, aparece uma energia propulsora para uma mudança de vida. Com isso, o cliente fica mais aberto a vislumbrar algo novo, um fluxo de mudança, começando a criar, mudar sua percepção de mundo. Neste sentido, o encontro psicoterapêutico tem como ponto central, para ser bem sucedido, a prática da intuição.

No livro, Um jeito de ser, Carl Rogers fala dos estados alterados de consciência, que nada mais são que um contato com o fluxo evolutivo, o “eu” profundo, a intuição “parece existir no universo uma tendência formativa que pode ser observada em qualquer nível… Sabe-se que toda forma mais complexa vem da mais simples, então, as partes compõem o todo. Estamos sintonizados com o todo, com a energia universal. É, portanto, com este todo do qual somos feitos. O organismo, com essa percepção, evolui para um desenvolvimento cada vez mais pleno e com níveis de consciência cada vez mais ampliados. Essa relação, quando sentida em um processo psicoterapêutico, gera unidade e crescimento para ambas as partes. Terapeuta e cliente se encontram verdadeiramente e passam a recriar suas existências. Neste sentido, ficamos mais próximos do nosso “eu” intuitivo. O contato com o nosso “eu” intuitivo gera e libera energia de ajuda que possibilita o crescimento de uma energia propiciadora de cura.

Para aumentar nossa percepção, é necessário um trabalho voltado à ampliação da consciência, que pode ocorrer através da meditação, visualização criativa, contemplação da natureza, a mudança de hábitos alimentares, enfim, acalmando o barulho mental. Neste sentido o encontro acontece. Quanto mais se treina para acalmar o barulho mental mais a consciência se amplia e maior a quantidade de sensações entram no espaço vital.

Este campo de energia em harmonia favorece um bem-estar e uma paz interior profundos. Ser saudável é conquistar este equilíbrio interior, pois no desequilíbrio é que aparece a doença, daí, a necessidade da doença ser pesquisada em uma esfera mais ampla. O significado de doença para a pessoa diz mais que o sintoma, apenas é necessário que se entre em contato com a verdadeira importância dela, o seu significado, para então podermos trabalhá-la de forma mais profunda. Sendo assim, as respostas obtidas poderão proporcionar a cura e o crescimento desejados.

A cultura e a medicina ocidental declaram guerra total à doença e à morte: a morte porque significa o fim de nossa existência e a doença porque impede que a vida flua, portanto, encaramos a doença como algo ruim que devemos nos livrar rapidamente. Nossa cultura vê o sofrimento e a enfermidade como algo proveniente de um lado frágil do corpo. Sendo assim, ela desagrada a nossa visão estética de mundo. Se pudéssemos entender a doença e o sofrimento como um processo de transformação física e psíquica, poderíamos compreender que são meios para a alteração da consciência, portanto, é um processo de renovação e auto-cura.

Nos últimos anos ocorreu uma reavaliação no processo de alteração da consciência, quando existe uma atitude mais positiva diante da morte e do sofrimento. Assim, a ciência começou a reavaliar o conhecimento de culturas passadas e de sociedades tradicionais, onde enfermidades, sofrimento e morte são manifestações da sabedoria do corpo, capaz de revelar as regras básicas de nossa existência. Estas culturas também consideram a doença um processo que retira de nossa existência os maus hábitos que acumulamos diante de nossa atitude para com a vida. Por esta razão, nossa atitude diante da doença deve ser sempre a de procurar o seu significado para a sua existência.

Percebemos que não se pode isolar nenhum destes fenômenos, pois eles estão interligados. Devemos, então, atribuir um valor significativo à relação no encontro psicoterápico, facilitando à pessoa sair do isolamento, revertendo-o e começando a participar da vida, podendo novamente criar e identificar seu processo evolutivo. Neste sentido, os medos, anseios e dúvidas começam a ser minimizados, até porque o processo de criação liberta. Muitas vezes, por insegurança, a pessoa deixa de criar seu mundo para copiar a realidade do outro, a pessoa então estagna e a fatalidade ocorre, aparecendo, desta forma, a doença. Quando há o cuidado e a compaixão, a criação acontece e a pessoa se modifica, evolui e pode fazer o seu estar sendo em conexão com o seu verdadeiro eu, que é o seu centro, e recria toda uma visão de mundo mais real, mais próxima do seu self.

O ponto de partida para toda esta conexão é o pensamento. Ele é energia e tem o poder de nos ajudar a criar, fazer o nosso mundo diferente. Entrar em sintonia com pensamentos que possam ajudar a nossa criatividade é procurar uma mudança em nossa perspectiva de vida. Daí, a importância de se aprender a canalizar pensamentos positivos que nos ajudem a interagir com o nosso “verdadeiro eu”.

1.2 HISTÓRIA DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA

NO CAMPO DA ENERGIA HUMANA

Tradição Espiritual, a antiga tradição indiana de mais de 5.000 anos, menciona uma energia denominada PRANA, visto como a origem de toda vida. Prana é o alento da vida, move-se através de todas as formas e lhes dá vida. As pessoas que praticam a Yoga fazem sua manipulação através da respiração.

Os chineses, no terceiro milênio a.C. falavam de uma energia vital a que davam o nome de Ch’i. Toda a matéria animada ou inanimada se compõe dessa energia. O Ch’i contém duas forças: yin e yang. Quando estão em equilíbrio, o sistema tem saúde física.

A Cabala teve início por volta de 538 a.C. reforça a mesma energia como luz astral.

Em todo o discurso da história, a idéia de uma energia universal que impregna toda natureza foi defendida. Essa energia vital, percebida como um corpo luminoso, foi registrada pela primeira vez na literatura ocidental pelos pitagóricos, por volta de 500 a.C. Sustentavam eles que a sua luz produzia uma série de efeitos no organismo humano, incluindo a cura de doenças.

No século XII, dois eruditos, Boirac e Liebeault, viram que os humanos possuem uma energia capaz de causar interação entre indivíduos à distância. Relataram que podem exercer um efeito negativo ou positivo. O matemático Helmont, no século XIX, visualizou um fluido universal que impregna toda natureza e que não é matéria corpórea e condensável, mas um espírito vital puro que penetra todos os corpos. Segundo Leibnz , matemático, os elementos essenciais do universo são centros de força que contêm seu próprio movimento.

No século XIX, Helmont e Mesmer , afirmam que os objetos animados e inanimados poderiam ser carregados com “fluido” e que os corpos materiais podiam exercer influência uns sobre os outros à distância. O que subentendia a existência de um campo de certo modo idêntico ao campo eletromagnético.

No século XX, a partir de 1900, muitos médicos também se interessavam pelo fenômeno. William Kilner relatou seus estudos no campo de energia humana como se fosse visto através de telas e filtros coloridos, o Dr. Wilhelm Reich passou a se interessar por uma energia universal a que deu o nome de Orgone. Outros médicos também fizeram observações acerca desse campo energético. A Dra. Valorie Hunt coloca que o corpo pode ser encarado através de um conceito de quantum de energia decorrente de energia celular atômica do corpo em funcionamento, que atravessa todos os tecidos e sistemas. O conceito de holograma parece proporcionar uma visão cósmica unificadora da realidade.

Com esses depoimentos, percebemos o quanto às pessoas desde os tempos mais remotos se interessam pela energia universal, sentida na natureza.

1.3 Paralelo entre o Modo com que Nos Vemos e com que Vemos a Realidade

Opiniões científicas ocidentais

Somos produtos de nossa herança científica ocidental. O modo do nosso pensamento tem base no pensamento científico dos físicos. O método científico ocidental procura encontrar concordância entre as provas matemáticas e experimentais. À proporção que progride o nosso conhecimento, há sempre a descoberta de novos fenômenos que muitas vezes não podem ser descritos pela teoria em voga quando são explicados.

Física Newtoniana

Grande parte de nossa auto-definição se baseava na física tradicional, nela o universo é percebido como objetos sólidos, principalmente na visão de Newton e seus colaboradores, do século XVII ao XVIII. Este tipo de pensamento se estende até ao século XIX para descrever um universo composto de blocos fundamentais de construção denominada de átomo. Acreditava-se que o átomo era composto de um objeto sólido, um núcleo de prótons e nêutrons com elétron girando em torno do núcleo de maneira muito parecida com a terra. Este mesmo movimento foi descrito para os planetas das máquinas mecânicas e dos fluidos em movimento contínuo, os físicos então imaginavam que o universo era um imenso sistema mecânico que funcionava com as leis do movimento de Newton. Esta foi considerada a teoria definitiva dos fenômenos naturais.Essa lei sustentava a idéia de tempo e espaço absoluto e dos fenômenos da natureza rigorosamente causais. Todas as reações físicas tinham uma causa física.

Essa maneira de ver o mundo ainda é sentida hoje. Nossas vidas têm influência newtoniana. Quando corremos de um lado para o outro num esforço para chegar a “tempo” é fácil ver-nos como mecânicos e perder de vista as experiências mais profundas que ocorrem dentro de nós.

No alvorecer do século XIX descobriram-se fenômenos físicos que não podiam ser descritos pela Lei de Newton. O descobrimento de fenômenos eletromagnéticos levou a um conceito de um campo. O campo é definido como uma condução do espaço capaz de produzir uma força. Michael Faraday e James Clerk Maxwell colocam que cada partícula do átomo, carregada positivamente de negatividade, os prótons e nêutrons criam uma “perturbação” ou uma “condição” no espaço à sua volta de modo que a outra carga, quando presente, sente uma força. Nasceu aí o conceito do universo cheio de campos criadores de força que interagem umas com as outras. Surge então uma estrutura científica que explicava a nossa capacidade de influir uns com os outros à distância, através de meios que não a fala e a visão.

Em 1905, Albert Einstein publicou sua Teoria da Relatividade. Nela o espaço não é tridimensional e o tempo não é uma entidade separada, mas justamente ligados entre si. Então não podemos falar em espaço se não falar em tempo e vice-versa. O tempo não é linear nem absoluto. O tempo é relativo. Sendo assim, dois observadores poderão ver dois eventos em tempo invertido, isto é, ao observador 1 o evento A terá ocorrido antes do evento B. Para o observador 2, o evento B terá ocorrido antes do A. O tempo e o espaço são fundamentais para a nossa descrição dos fenômenos. Como o tempo não é linear, fenômenos podem ter acontecido, podem estar acontecendo, ou acontecer no futuro. Por exemplo, uma pessoa que está vivendo um acidente, este tempo é longo, no entanto, no relógio são poucos segundos. O tempo experimentado não se mede pelo relógio, porque o relógio é um aparelho newtoniano.

O contínuo espaço – tempo de Einstein, proclama que a aparente linearidade dos acontecimentos depende do observador. Ele também afirma que matéria e energia são intercambiáveis. A massa nada mais é do que uma forma de energia. A matéria nada mais é do que a energia desacelerada ou cristalizada. Nossos corpos são energia.

Na década de 1920 a física ingressou na estranha realidade do mundo subatômico. Hoje para se descrever um fenômeno, os físicos lançam mão de dois tipos de descrição. Esses tipos se completam e não se opõem.

A maneira que penetramos mais profundamente na matéria, a teoria subatômica verifica que a matéria é instável e não existe em lugar definido, mas mostra “tendência” para existir. Todas as partículas podem ser criadas a partir da energia transmutada em outras partículas. Elas podem ser criadas a partir de energia e se dissipar com ela. É o que chamamos de dualismo.

Descobriram os físicos que as partículas também podem ser ondas, porque não são ondas físicas reais, como as do som ou da água, mas são ondas de probabilidade. As ondas de probabilidades representam probabilidades de interconexões. Nosso velho mundo de objetos sólidos e leis determinantes da natureza está dissolvido em um mundo de modelos de interconexões em forma de ondas. O universo inteiro parece uma teia dinâmica de modelos inseparáveis de energia. Nessas condições o universo é visto como um todo inseparável, que inclui o observador de modo essencial.

O físico David Bohm, disse que as leis físicas não podem ser descobertas por uma ciência que tenta dividir o mundo em partes. Observa-se que as partes estão em conexão imediata na qual suas partes dependem de todo o sistema. É a visão holográfica do universo. Esse conceito sustenta que cada pedaço representa exatamente o todo e pode ser utilizado para reconstruir o holograma inteiro. Todas as experiências são interligadas. A percepção holística está fora do tempo linear e do espaço tridimensional. A meditação é um dos meios para extrapolar os limites da mente linear e permite que a coerência de todas as coisas torne-se uma realidade experiencial.

Os cientistas agora estão descobrindo provas de uma coerência imediata universal dentro da estrutura da ciência, usando a matéria para seus experimentos. Em 1964, J. S. Bell, o Teorema de Bell sustenta matematicamente o conceito de que as “partículas” subatômicas estão ligadas de um modo que ultrapassam o espaço e o tempo, o que acontece em uma partícula interessa à outra. O efeito imediato não precisa de tempo para ser transmitido. Esses efeitos podem ser mais rápidos que a velocidade da luz. A conexão instantânea pode proporcionar a capacidade de ler as mentes uns dos outros, quando assim o quisermos.

O físico Jack Sarfatt sugere que a coerência superliminar pode existir através de um plano mais elevado da realidade. Coloca que as “coisas” e os acontecimentos mais “correlacionados” num plano de realidade “acima” do nosso e que, nesse plano as “coisas” estão ligadas por meio de um plano mais elevado. Assim, atingindo um plano mais alto, compreendemos como funciona a coerência instantânea.

2 – EM CONEXÃO COM A FONTE

No nosso processo evolutivo o ser busca incessantemente recursos que lhe propiciem uma maior compreensão e legitimidade da sua existência. Dessa forma, inquietações íntimas lhe surpreendem a todo momento com experiências singulares, que embora traga-lhe bem-estar e harmonia, à luz do intelecto leva-o, frente aos outros, aos extremos do ridículo.

Os panoramas da vida se apresentam numa visão diferente. Não se trata apenas de ver coisas de modos diferentes, mas de ver coisas diferentes. Ter novas buscas, novos valores. A realidade se faz maior e mais rica, na qual nossa linguagem limitada não a consegue traduzir. Uma dimensão elevada que só pode ser compreendida através da experiência, de contatar profundamente com nosso ser espiritual, nosso Deus interno – semelhante as experiências místicas descritas em todas as épocas da humanidade.

“Os estados místicos, parecem àqueles que os experimentam, estados de conhecimento. São percepções de profundidades da verdade, desconhecidas pelo intelecto discursivo”. ( Ferguson, pág 352)

Tal experienciar revela fenômenos que são normalmente inexplicáveis. É um conscientizar ampliado, um conhecer completo, transcendendo as possibilidades de descrição, pois é algo novo, criado a partir da integração entre a sensação, percepção e intuição, “num todo maior”. Leva a um despertar que revela a existência de uma realidade secundária (não percebida por todos). Aqueles que encontram essa perspectiva transpessoal alteram suas experiências internas pela mudança em sua visão de mundo (das coisas e de tudo o que acontece ).

Segundo Ferguson, para Jung, a perspectiva transpessoal, a que ele chamou de a elevação do nível de consciência, “capacitou alguns indivíduos a superar problemas que destruíram outras pessoas. Alguns interesses mais elevados ou amplos surgiram no horizonte da pessoa e, através desse alargamento de sua visão, o problema insolúvel perdeu sua urgência. Este não foi resolvido de forma lógica em seus próprios termos, mas obscurecido face a uma nova e mais forte tendência de vida. Não foi reprimido e legado ao plano inconsciente, mas simplesmente visto sob uma diferente luz.” (Cit. Ferguson, pg 354 ).

“Quando olhei os olhos daquele jovem que tanto me magoara, e que naquele momento se encontrava em tanto sofrimento, viajei para o seu olhar infantil cheio de ternura e amor… Senti um estalo, algo novo dentro de mim. Vi, nos seus olhos, o meu e o seu medo e dor. Aí, eu, ele e a criança amorosa, éramos um só. Então eu era ele e ele era eu e nós éramos o Todo…A raiva, o sofrimento, a dor… deram lugar à compaixão, esperança e à serenidade de esperar. Conheci o que é a paz íntima, ser feliz, apesar de… Deus em mim, eu em Deus…”

(Depoimento de uma Cliente)

O pesquisador do cérebro Karl Pribram tentou descrever uma mudança de percepção ainda maior: Não é que o mundo das aparências esteja errado; não é que não estejam ali os objetos, em um dos níveis da realidade. É que, ao se penetrar e olhar o universo por um sistema holográfico, chega-se a uma realidade diferente, capaz de explicar coisas que até então permaneceram inexplicadas pela ciência: fenômenos paranormais… sincronicidades, a coincidência de eventos aparentemente significativa.

Em seus ioga sutras, Patañjali nos ensina que todo conhecimento é apenas uma preparação do terreno para que possamos ir em busca de estados mais elevados de vida. Assim, é possível, de forma gradativa, compreender a existência de uma nova visão de mundo, menos fragmentada e, acima de tudo, holística. Ela nos mostra que o Universo é totalmente integrado e dinâmico.

2.1 A realidade quântica

O despertar do ser para uma realidade quântica não é uma tarefa simples e fácil, pois “como humanos ocidentais já nascemos com lentes predeterminadas. A grossa camada de poeira que envolve estas lentes nos impede de ver a realidade, tanto interior como exterior, tal como ele é, e sim, como nos ensinaram a vê-la. Desde Galileu, coloca Pribram: olhamos para a natureza através destas lentes. A realidade profunda de todas as coisas não é aquilo que vemos com os olhos tridimensionais, de percepção objetiva e lógica, nem aquilo que vemos com os cinco sentidos”. ( Cappellari, pg 49)

Através da Física Quântica, tem sido possível vislumbrar e descortinar um mundo extremamente integrado e holístico, podendo descrever a interconexão que ocorre entre todos os elementos da natureza, bem como diz respeito às dimensões intuitivas e transpessoais da consciência.

Assim, a física quântica ou Ciência de Interação nos convida à participação consciente na condução do processo evolutivo, pois os eventos do mundo nos dizem respeito. Somos co-responsáveis pela evolução do Universo. Fazemos parte de um todo indivisível, entrelaçado numa teia oculta de relações. As partes formam o Todo. A unidade é formada pelas partes e é muito mais que a soma delas.

2.2 A Inter-relação Cósmica

Em observação do macrocosmo – o universo em escalas superiores – em estados ordinários de consciência, onde nos situamos em nosso dia a dia, não percebemos as conexões existentes entre todos os componentes deste imenso universo. O que vemos são as partes separadas.

O universo quântico, observado pela ciência indica que no interior do universo, embora não consigamos ver, existe uma gama variada de ondulações energéticas que estabelece padrões de interferência que conectam cada parte com as outras partes simultaneamente.

Cappellari, pg.51, informa-nos que David Bohm tinha uma idéia central a respeito desta realidade. Aquilo com que nos deparamos em nossas vidas cotidianas constitui, de fato, uma forma de ilusão. Se nós, entretanto, ampliássemos nossas percepções, perceberíamos que existe um outro nível de existência, vasto e primordial, que dá origem às aparências do mundo físico – um vasto oceano multidimensional – onde tudo se inter-relaciona e se interpenetra com a totalidade e onde milhões de coisas e seres estão ao nosso redor e dentro de nós, da mesma maneira como nós estamos ao seu redor, juntos e dentro deles. Estes estados de consciência podem ser alcançados, por exemplo, pela prática da meditação.

2.3 Características de consciência nos níveis

Quânticos e clássicos

Características de consciência dos níveis quânticos e clássicos – Fonte: Harbans Lal Arora

CARACTERÍSTICA NÍVEL QUÂNTICO NÍVEL CLÁSSICO

Dimensão Transcendental Percepção iminente

Estado Ondas (probabilidade) Partículas (certeza, colapso de onda)

Energias Sutis (chi, ki, ka, prana…) Físicas (eletromagnéticas, nuclear, gravitacional)

Campos Sutis (morfogênicos, holográficos, auto-organizacionais, implícitos…) Físicos (eletromagnéticos, nuclear, gravitacional)

Transferência de energias físicas mensuráveis Não Sim

Interconexões Não-locais Locais

Comunicação Instantânea Limitada por velocidade da luz

Estado mental Inconsciente coletivo Inconsciente individual

Sentimento Unicidade (interconectividade) Separatividade (fragmentação/reducionismo)

Fenômeno Paranormais/místicos Normais

Eletroencefalograma Ondas alfa/alfa profundo Beta

Estado interno Quietude (sintrópico) Inquietude (entrópico)

Desenvolvimento humana Sensibilidade, intuição, criatividade, espiritualidade Sentidos/intelecto

Segundo o princípio da conservação de energia física, de Lavoisier, Lei da Conservação: na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Sempre que uma forma de energia é convertida em outra, uma ganha e outra perde.

No que se refere às relações humanas, esse princípio (Lei de conservação de energia) – a relação do ganha e perde dissolve-se, dando origem ao princípio do compartilhar, da interação do inter-relacionamento e da potencialização. Quando vivenciamos sentimentos elevados em relação com o outro, nenhum dos dois perde. Ambos ganham. Um exemplo é a troca de um abraço fraterno. É possível verificar que as ondas luminosas quânticas não seguem os princípios clássicos da energia onde um ganha e outro perde.

O Professor Harbans Lal Arora, que é Ph.D em Física Quântica (Cappellari, pg 55), afirma que esta, como uma ciência de interação, é estruturada com base num relacionamento dinâmico entre tudo o que existe e o que chamamos realidade. Este relacionamento pressupõe um diálogo criativo entre corpo e alma, entre a cultura humana e a natureza, unindo o que outrora parecia incompatível.

O mundo quântico é formado por energias metafísicas como: amor, ternura, compaixão, cuidado, fraternidade, vontade, etc e não podem ser comprovadas nem mensuradas pela ciência clássica, pois vão além do que pode se ver, medir ou quantificar. Apresentam também a propriedade de independerem do fator tempo e distância e podem ser intensificadas, multiplicadas, tendo grande velocidade de deslocamento (aproximadamente 100 vezes a velocidade da luz). São praticamente instantâneas. Assim, havendo conexão afetiva entre duas pessoas, mesmo que se encontrem muito distantes uma da outra, a intensidade da conexão afetiva não se altera. É como se estivessem próximas. Como se pode observar, difere do que afirma a física clássica: se dois corpos de energia se afastam a intensidade da energia vai diminuindo. O pensamento é instantâneo. Pensou, já está lá.

Portanto, através do desenvolvimento da nossa humanidade, atingindo gradativamente os níveis da sensibilidade, intuição, criatividade e espiritualidade, poderemos nos identificar profundamente com o Todo, ao reconhecermos em nós e no outro um ser mais fluido, capaz de se modificar e evoluir incessantemente, acreditando no seu potencial interno, autotransformador e auto-curativo, possuindo ainda todos os recursos orgânicos, fisiológicos, energéticos e espirituais dentro de si, numa inter-relação cósmica com a grande teia universal.

3 ONDAS E FORMAS PENSAMENTOS

“Tão saturados de amor devem ser vossos pensamentos, que se tornem caudais de forças benéficas em favor do mundo”.

(Aos pés do Mestre, pg. 78).

Todos têm o poder do pensamento; mas somente poucos o aproveitam inteligentemente. A verdade é que, até certo ponto, todos nós usamos de forma inconsciente esse poder e nossa ignorância nos faz muitas vezes empregá-lo indevidamente, ocasionando mal em vez de bem. A posse de um poder implica sempre responsabilidade; portanto, a fim de que não sejamos induzidos a praticar involuntariamente o mal, e para que utilizemos plenamente essas magníficas potencialidades, precisamos entender alguns pontos básicos acerca dessas questões.

3.1 Ondas de Pensamento

Enquanto a luz viaja a uma velocidade de 300.000 quilômetros por segundo, o pensamento é virtualmente instantâneo em sua propagação. Os pensamentos são coisas vivas. Um pensamento é tão sólido quanto uma pedra. Podemos deixar de existir, mas os nossos pensamentos nunca morrem.

O pensamento é a força primordial que se encontra na origem e por trás de toda a criação. A gênese de toda a criação fenomenológica foi concebida num único pensamento que surgiu da mente cósmica. Quando o homem pensa, imprime uma vibração no corpo mental, e essa vibração produz dois resultados:

1 – A irradiação de vibrações ou ondas concêntricas em três dimensões(física, astral e mental) e em todas as direções;

2 – A produção de formas pensamento.

Quando a onda de pensamento toca outro corpo mental, tende a produzir um pensamento do mesmo tipo.

O homem que tem por hábito emitir pensamentos puros, bons e fortes está utilizando a parte superior do seu corpo mental, parte esta que não é utilizada pelo homem comum; tal pessoa é uma potência para o bem, sendo de grande utilidade para os seus vizinhos. As vibrações que ele envia tendem a despertar uma nova e mais alta parte dos seus corpos mentais e abrir diante deles novos campos de pensamento.

Cada pensamento é um elo na ilimitada corrente de causas e efeitos e cada elo na corrente é formado com três componentes: desejo, pensamento e ação. Um desejo estimula um pensamento, o pensamento uma ação, a ação constitui a trama da vida. Semeamos uma ação e colhemos um hábito; semeamos um hábito e colhemos um caráter; semeamos um caráter e colhemos um destino. As palavras e os atos são simplesmente a continuação dos pensamentos.

A distância a que pode chegar uma onda de pensamento, a força e a persistência com que pode afetar o corpo mental de outro, depende da força e da clareza da mente que o originou.

O poder do pensamento unido, de certo número de pessoas, é sempre muito maior do que a soma de seus pensamentos separados. Daí ser muito benéfico para qualquer cidade ou comunidade que se efetuem reuniões de pessoas capazes de gerar pensamentos de alto nível.

3.2 Formas – Pensamento

Um pensamento dá lugar a uma série de vibrações na matéria do corpo mental. Sob esse impulso, o corpo mental lança de si mesmo uma porção vibradora, modelada pela natureza das vibrações. A matéria mental assim lançada reúne essência elemental da atmosfera circundante do plano mental, e assim é gerada uma forma-pensamento.Ela é uma entidade temporariamente viva, de intensa atividade, animada pela idéia que a gerou; se é constituída do tipo mais fino de matéria terá grande poder e energia.

A essência elemental é uma estranha vida semi-inteligente que nos rodeia, vivificando a matéria do plano mental; responde muito facilmente à influência do pensamento humano. Assim cada impulso emitido pelo corpo mental de um homem, reveste-se logo do veículo temporário dessa essência. O pensamento, pois, torna-se durante algum tempo uma espécie de criatura viva. Essas formas-pensamento são chamadas de elementais ou elementais artificiais.Observa-se o seguinte:

1 – A qualidade do pensamento determina a cor;

2 – A natureza do pensamento determina a forma;

3 – A exatidão do pensamento determina a nitidez do contorno

Na maioria dos casos, as formas-pensamento são simplesmente nuvens da cor relativa a idéias que as fez nascer. No atual estágio em que se encontra a humanidade há um predomínio de pensamentos, de forma irregular e sem nitidez, produto da mente mal treinada da maioria. É muito raro se encontrar forma claras e definidas entre as milhares que flutuam em torno de nós.

Cada homem produz três classes de forma-pensamento:

1 – As que não são dirigidas a quem quer que seja vão ficando atrás dele como uma esteira, que marca seu roteiro;

2 – As que sendo centralizadas em torno de quem pensa, pairam no seu redor e seguem-no para onde quer que vá;

3 – As que são lançadas para longe de quem pensa, dirigindo-se a um objetivo definido.

Se a forma-pensamento despertar vibrações simpatizantes, ao entrar em contato com outro corpo mental, produz uma atração e é absorvida por esse corpo mental, ou então vai se desfazendo aos poucos se não é retro alimentada. Essas formas-pensamento, pairando em torno de quem os produziu, tende a despertar no homem a repetição dos pensamentos e a trazer para ele as formas-pensamento da mesma natureza que esteja pairando em torno de outro pensador. Os homens são seus próprios tentadores. A casca de pensamento auto-centralizado tende a obscurecer a visão mental e a formação do preconceito. O homem passa a ver o mundo através dessa casca mental, que distorce seus conceitos. Pensamentos reiterados de vingança que pode culminar num crime. Nenhum outro ser é responsável pelo que adquire, pois tudo é conseqüência do seu pensamento.

A onda-pensamento não produz uma idéia definida e completa, mas tende a produzir um pensamento semelhante. Assim, a onda-pensamento é menos definida em sua ação, mas alcança um círculo bem mais amplo. A forma-pensamento produz uma idéia completa, definida transferindo a natureza exata do pensamento para aqueles que estejam preparados para recebê-la.

3.3 Responsabilidade do Pensar

O homem que sabe que se afligir a ninguém ajuda, muito pelo contrário, é um dos fatores responsáveis por muita coisa ruim, inclusive esperdiçamento de energia, abstém-se de empregar sua força em emoções mal dirigidas.

Só possuindo domínio da mente é que se capacita a ser útil ao próximo, a não lhe causar mal e a ensinar-lhe como fazer o bem. Exemplo, enfocando um suposto defeito de alguém, chamando para esse fato a atenção de muita gente, causaremos mal, pois reforçaremos o que não é bom. Isso é maledicência e assim estaremos cometendo ao mesmo tempo três ações más:

A – Enchemos o nosso ambiente de maus em vez de bons pensamentos, aumentando, assim, a tristeza do mundo.

B – Se neste homem existir o mal que supomos, fortificamos e alimentamos esse mal e, assim, tornamos pior o nosso semelhante, em vez de melhorá-lo

C – Saturamos a nossa mente de maus em vez de bons pensamentos; embaraçamos, assim, o nosso próprio crescimento, tornando-nos, aos olhos dos que podem ver, um objeto feio e penoso, em lugar de belo e atraente.

Todas as vezes que se permitir irradiar uma onda de cólera, inclinar-se-á esta para produzir uma vibração similar no corpo astral ou mental do próximo – para fazê-la surgir por motivos preexistentes, intensificada, ou, se não os houver dar corpo a motivos novos; e assim estará contribuindo ele para tornar mais difícil o trabalho de auto-desenvolvimento por parte do próximo e pondo-lhe uma carga mais pesada sobre os ombros. Por outro lado, se ele dominar e reprimir a onda de cólera, irradiará, pelo contrário, uma influência tranqüilizadora, o que, sem dúvida, significará ajuda a todos os seus vizinhos que travam a mesma batalha.

Em todo homem existem germens ou possibilidades de mal, provindos de experiências passadas. Se emitirmos um pensamento mau ou impuro, pode facilmente acontecer que um daqueles germes se torne ativo, e, assim, a nossa falta de auto-domínio fará surgir na vida de outro homem um mal de que poderia estar livre. Despertamos nele a tendência adormecida, que estava prestes a desaparecer, e com isso lhe retardamos o progresso.

Enquanto o germe permanece latente, o defeito está em via de eliminar-se; mas quando de novo o despertamos, poderá receber alento e crescer. É como se provocássemos a abertura de um dique e deixássemos sair a água. Com efeito, o homem que dá curso a um pensamento mau não pode dizer qual a soma de males porque virá a ser responsável, pois a criatura que se torna perversa em conseqüência desse pensamento,pode, por sua vez, influenciar outras pessoas, e estas outras ainda, sucessivamente. É certo, por isso, que, por causa de um pensamento irrefletido, gerações futuras poderão vir a sofrer. Felizmente tudo isso é igualmente verdade no que respeita aos pensamentos bons; e o homem que o compreende faz uso correto do poder que lhe foi conferido, estando apto a exercer uma incalculável influência para o bem.

Numerosas pessoas se ocupam em fixar o pensamento em um suposto defeito de alguém, chamando para esse defeito a atenção de muita gente que talvez o não tivesse observado; e desse modo, se a má qualidade realmente existe naquele sobre quem recaiu a crítica, certamente ficará ela acrescida pelo fortalecimento das ondas correspondentes. Se, como geralmente é o caso, o defeito não existe senão na imaginação maldosa de quem critica, e não naquele que é objeto da maledicência, então se está fazendo todo o possível para criar o defeito na pessoa visada; e se há somente um germe latente na vítima, é bem provável que o odiento esforço surta efeito.

Devemos estar sempre alertas para a possibilidade de que podemos afetar o corpo astral ou mental de alguém com pensamentos de auxílio. Auxílio positivo é estar em sintonia com o bem.

De acordo com as leis do pensamento, temos a certeza de que eles produzirão resultados, não há possibilidade de fracasso, mesmo que não apareçam conseqüências a nível físico.

Quando um homem pensa em si mesmo como se estivesse num lugar distante, ou deseja ansiosamente estar ali, a forma-pensamento que ele faz de sua imagem, aparece nesse lugar. Às vezes, essa forma pode ser vista por outros com poder clarividente, ou a forma-pensamento deve ser suficientemente forte para se materializar. Naturalmente o pensamento para gerar uma forma-pensamento desse tipo deve ser muito forte.

O homem comum ainda não aprendeu a pensar de forma clara e definida. Isso é a melhor proteção para ele, contra assaltos inamistosos da mente e coração puros, pois seu corpo mental constituído de matéria muito sutil não responde a vibrações de matéria tosca e densa.

Uma vez que o homem sabe mais, tanto as suas palavras e ações como os seus pensamentos serão mais sábios do que antes. Suas formas-pensamento serão melhores, as ondas que fluem do seu corpo mental mais elevadas, e mais ricas; e tudo isso deve seguramente produzir resultados que influirão nos corpos mentais dos que fazem parte do seu círculo. Como é próprio de todas as outras coisas, tendem elas a reproduzir-se, a provocar uma taxa semelhante de vibrações em tudo aquilo que entra em contato. A mesma lei natural, cuja ação permite fazer ferver a água para o nosso chá ou torrar o nosso pão no fogo, dá a certeza de que bons efeitos da sabedoria acrescida influenciarão os outros, ainda mesmo que o possuidor desta não diga uma só palavra.

Eis aí porque em todas as religiões tanta importância se dá à companhia dos bons, dos santos, dos puros. As qualidades humanas são contagiosas e importa muito que sejamos cautelosos na escolha daqueles em que confiamos.

Acham-se os homens tão inextricavelmente vinculados uns aos outros. A humanidade constitui de modo tão efetivo uma unidade no meio de toda a maravilhosa diversidade que ninguém pode adiantar-se ou recuar sem ajudar ou retardar o progresso dos outros. Daí a razão porque nos incumbe cuidar sempre de que estejamos entre os que ajudam, e não entre os que estorvam, de que nenhum ser vivo, seja homem ou animal, venha jamais a sofrer por causa de nossos pensamentos, palavras ou atos.

4 O PENSAMENTO COMO FONTE DE CRIATIVIDADE

A mente humana não é um lugar vazio. Os pensamentos são a unidade básica da mente e eles representam crenças e valores que cultivamos durante nossa existência. Cada pensamento leva a pessoa a um estado mental diferente, podendo atingir nível de consciência também diferente. Sendo assim, o homem tem à sua disposição um poder sem limite, que é o pensamento, é a mente subjetiva. Isto acontece porque ele é uno com o todo. O pensamento do homem em consonância com a sua mente subjetiva, une-se à mente universal e torna-se a lei de sua vida. Cada pessoa mantém sua identidade por meio de uso pessoal que dela faz.

Por meio do pensamento a pessoa poderá trazer para a sua experiência de vida o que desejar. No nosso ser existe um campo criativo que é a mente subjetiva. A mente individual reside na mente universal, na qual não tem limite. Ou seja, cada ser é universal em subjetividade e individual em percepções conscientes.

O pensamento produz resultados. Se você pensa positivo tem uma resposta positiva. O contrário também é verdadeiro. A nossa mente tem possibilidades ilimitadas e um poder criativo ilimitado. Na nossa realidade, ou experiência de vida, a pessoa reflete através do seu pensar. Toda nossa história, ao mesmo tempo, pode ser transformada, modificada em função da qualidade dos nossos pensamentos. A palavra é símbolo do nosso pensamento, portanto, é o começo de tudo. Os efeitos do pensamento produzem resultados surpreendentes se eles forem canalizados positivamente. Eles ocupam um lugar na mente, onde já não mais importa se continuamos pensando ou não. Por isso, o que dizemos e fazemos é tão importante. Então, quando canalizamos nosso pensamento, nossa qualidade de vida é modificada em função do que estivermos pensando.

Quanto mais ampliarmos o pensamento, mais abertos para outras sensações ficamos, apresentando-nos mais sensíveis no sentido de captar níveis de vibrações diferentes. Por isso, precisamos educar o nosso pensamento para que ele nos ajude no processo evolutivo. É tarefa que compete a cada um de nós. Neste sentido, podemos entrar em conexão com o eu que é a nossa essência.

Esta essência de mente é pura, é saudável, é completa. Entrarmos nessa sintonia é nos encontrarmos verdadeiramente. É entrarmos em contato com nossa intuição que se movimenta além da experiência direta. Ela nos ilumina e vai além dos sentidos, direcionando-nos a um modo de vida mais saudável, mais verdadeiro, mais pleno. Sentimos que, cada vez mais, ficamos responsáveis por este trabalho interior, que vem favorecer o encontro com o nosso eu, e com o eu do outro, podendo vislumbrar uma vida melhor, mais esperançosa no sentido de que um relacionamento mais saudável possa vir a acontecer.

4.1 Meditação

Para entendermos melhor a meditação, precisamos primeiramente compreender um pouco das diferenças culturais entre o Ocidente e o Oriente, que foi o berço da meditação.

Nós ocidentais valorizamos muito o pensamento, o fazer sem cessar e os bens materiais. Já os orientais valorizam o saber ficar em silêncio, o manter a mente vazia, o não-fazer e o desenvolvimento da sabedoria interior.

Pensar sem cessar, falar sem parar, fazer algo o tempo todo nos afastam de nós mesmos, o que causa muita ansiedade. E diferentemente do que acreditamos, o silêncio desperta a alma, a mente vazia nos permite conectarmo-nos com o universo e o não-fazer é uma forma eficiente de nos prepararmos para fazer o que deve ser feito e cada vez melhor.

A verdade é que não dá para compreender tudo com o cérebro. Há coisas que só se compreende com a alma e em silêncio.

Na meditação estamos em silêncio, com a mente vazia e sem fazer nada. Essa, com certeza, é a melhor e talvez única forma de encontrarmos nós mesmos, de descobrirmos nosso lugar aqui neste universo maravilhoso, de nos conectarmos com a verdade.

Através da meditação treinamos a atenção e acalmamos nossa mente, nosso corpo e nossa alma e assim iniciamos o caminho ao auto-conhecimento, o encontro com a nossa verdade e a do universo. Saímos da escuridão da ignorância para a luz da sabedoria.

A meditação é a morte do eu, de sua mente ligada ao ego, apenas o que não é mente, o que não é ego permanece. Para se meditar é necessário romper as barreiras da mente; a memória é uma delas. A mente acumula tudo, não apenas o que é coletado conscientemente, mas toda uma informação inconsciente. Podemos entender que a memória é apenas uma parte do cérebro, mas está distribuída em cada célula do corpo. Portanto, as memórias corporais são mais fortes do que as da mente, porque o corpo é parte da mente racional. Tudo o que existiu continua vivendo em seu corpo. Assim, o corpo tem a sua própria memória e a pessoa que quer entrar em meditação precisa conhecer o seu corpo. Não se devem negar as mensagens corporais, e sim, cooperar com elas, pois a luta real não é contra o corpo, e sim, contra a memória do ego. Esta memória não pode projetar o que não conhecemos. Sendo assim, ela planeja o futuro e estas projeções amarram as nossas mudanças. Este tipo de comportamento torna-se sutil quando praticamos uma meditação contínua. Neste sentido irá existir uma explosão, ou uma abertura espiritual, promovendo a descontinuidade com o passado. O velho vai embora, aparecendo o novo, e o novo não está conectado com o velho. Se o passado for afastado, seremos apenas consciência. Deste modo, não poderemos ser ego, pois ele é um acúmulo de eventos passados.

Quando existir uma fenda entre o nosso ser real e nossas memórias; e quando houver um espaço entre o nosso ego e nós, dentro dele acontecerá a explosão.

Se encontrarmos algo em nós que não pode ser destruído junto com o passado, este algo será consciência pura. Se pudermos permanecer neste estado de atenção isto se transformará em meditação. Permanecer neste estado não é fácil, pois tendemos a correr para a periferia. Esta periferia é o ego, mas o ser se encontra sempre no centro. Neste centro é que se encontra o Eu Superior, Verdadeiro Eu, ou, o Eu sou. É neste contato que nos renovamos numa transformação contínua.

A meditação não é algo estranho ou inadequado para a mente ocidental. Nos estudos acerca da meditação desenvolvidos pelo CEPEC (Centro de Pesquisa da Evolução da Consciência), no Recife-PE, compreendemos que dominar a mente e trazê-la para o entendimento correto da realidade não é tarefa fácil. Requer um processo lento e gradual de análise.

A mente é uma espécie não física de energia; a sua função é conhecer, experimentar.

Cada um de nós é o centro de um mundo de pensamentos, percepções, sentimentos, lembranças e sonhos – todos eles são mente.

A mente não é uma coisa fixa que possui pensamentos e sensações: ela é, na verdade, essas experiências.

A mente pode ser comparada a um oceano e os eventos mentais transitórios, como a felicidade, a irritação, as fantasias e o tédio, podem ser comparados às ondas que se levantam e caem sobre a superfície desse oceano.

Assim como as ondas podem amainar e revelar a tranqüilidade das profundezas do oceano, assim também é possível acalmar a turbulência da nossa mente e revelar sua natureza intrínseca.

A habilidade de fazer isso está dentro da própria mente, e a chave para acalmar a mente e atingir suas profundezas, está na meditação.

A meditação pode tomar muitas formas:

1 – A concentração dirigida unicamente a um objeto (interno);

2 – A tentativa de compreender algum problema pessoal;

3 – A geração de um amor radiante por toda a humanidade;

4 – A prece a um objeto de devoção;

5 – Ou a comunicação com nossa própria sabedoria interior.

A meta final da meditação é descobrir um nível de consciência extremamente sutil e utilizá-lo para descobrir a realidade, direta e intuitivamente. Essa percepção direta e intuitiva de como são as coisas é conhecida como iluminação.

Existem muitas técnicas diferentes de meditação. Cada técnica possui funções específicas e traz benefícios próprios. Meditar não quer dizer nos afastarmos e fugirmos. Na verdade, significa sermos totalmente honestos conosco mesmos: observar bem o que somos e trabalhar com isso para nos tornarmos mais positivos e úteis para nós mesmos e para os outros. Através da meditação podemos reconhecer nossos erros e acostumar nossa mente a pensar e reagir mais realista e honestamente.

Enfim, “a meditação é a forma de nos conectarmos com a nossa mais pura essência. É acordar, é ser você, é atenção para perceber que tudo está interligado. No silêncio da meditação se encontra a razão de tudo”. (Rosenfeld, pg 31 )

4.2 Visualização criativa

A idéia da visualização criativa é experimentar internamente aquilo que queremos ver materializado. Primeiro o criamos no nosso interior, de modo a sentirmos. Ao focalizarmos regularmente essa imagem, idéia ou sentimento, lhe daremos energia positiva e, assim, contribuímos para sua materialização.

Podemos imaginar desde coisas simples, como uma casa, um carro, resolução de um problema, até ver-nos como um ser radiante, pleno de luz e amor. Em qualquer nível em que nos encontrarmos, os resultados serão obtidos.

Não precisamos ter a crença em qualquer idéia metafísica ou espiritual para usarmos a visualização criativa. Não necessitamos ter fé em nada que esteja fora de nós mesmos. Basta que a nossa mente possa estar aberta para o “novo”, de forma positiva.

Para usar de forma eficaz a visualização criativa, fazem-se necessários os seguintes passos:

1- Estabelecimento do objetivo

Inicialmente decidimos o que queremos ter, desenvolver realizar ou criar. A escolha deve ser de objetivos nos quais acreditamos facilmente e que possamos realizá-lo num futuro próximo.

Desta forma as resistências internas se enfraquecem. Ao conseguir a prática com as visualizações, poderemos ter objetivos mais desafiadores.

2- Criação de uma idéia, imagem, ou sentimento.

A imagem não precisa ser vista obrigatoriamente, basta pensarmos com intensidade no que desejamos. Criando uma idéia, imagem mental ou sentimento do nosso objetivo exatamente como o queremos. Pensemos nele no presente, existindo no agora, da maneira que aspiramos. Imaginemos-nos na situação desejada. Que possamos incluir todos os detalhes que desejarmos. Coloquemos-nos na cena.

3- Visualização do nosso objetivo como se ele já fosse realidade.

Imaginemos o que desejamos com o máximo de detalhes possíveis, visualizando como se o que queremos já fosse realidade, acontecendo no momento. Em seguida, que essa imagem, idéia ou sentimento possa ser envolvido por uma luz rosa, como se fosse uma bolha de luz dentro da qual fica o nosso desejo. Que possamos soltá-la para o Universo, vendo-a afastar-se até desaparecer.

Mantenhamos nossa imagem, idéia ou sentimento presente em nossa mente no nosso dia-a-dia, em meio às atividades, principalmente se fizermos meditação. Fazendo parte da nossa realidade de vida, será mais fácil a sua realização.

Na focalização do nosso objetivo, que o pensamento seja encorajador e que o uso de afirmações positivas envolva o nosso desejo, como já se tivesse realizado. As afirmações devem ser colocadas no presente para que a realização possa ser breve.

4- A força do pensamento.

Já temos conhecimento de que somos o que pensamos, logo, faz-se necessário que nossos objetivos sejam sempre pensados de forma positiva com certeza e confiança nessa realização. Logo, logo as realizações vão se tornando possíveis. E quando vemos que as realizações vão acontecendo, a auto-confiança aumenta e torna-se um caminho sem volta. São só os acontecimentos sucedendo e a caminhada torna-se muito mais amena e tudo começa a funcionar. Passamos a ver tudo com mais clareza e começamos a sentir que vale a pena existir, descobrimos do que somos capazes. Como a vida continua, haveremos de encontrar e encarar novas dificuldades, pois novas perspectivas vão surgindo e sabemos que para alcançá-las enfrentaremos dificuldades. Só que já estamos certos das nossas possibilidades, acreditamos na nossa capacidade e por essa razão não desanimamos. Vamos em frente com a certeza que há em nós a força da vida. Quanto mais dermos ouvido à nossa força interior e seguirmos os nossos sentimentos mais oportunidades teremos de manter o fluxo da evolução universal e encontraremos portas que se abrem para satisfação das nossas necessidades.

Podemos olhar para trás e lembrarmos como era nossa forma de agir anteriormente. Quando não acreditávamos no nosso potencial, não sabíamos que o ser humano era dono do seu próprio destino, quanto esperava que a vida por si só fizesse por cada um. Almejávamos algo e ficávamos aguardando que fosse o nosso destino fazer acontecer ou não. Faltava sempre a nossa parte. Nós fazermos acontecer, ajudando com o poderoso poder do pensamento, de acordo com a nossa vontade, que pode ser através de exercícios como relaxamento, meditação, enfim, com a visualização criativa. Entregando-nos à própria força interior, tudo vai acontecendo naturalmente, chegando ao fim desejado. Devemos, no entanto, saber usar a visualização criativa de maneira correta, pensando sempre se o que estamos desejando é o melhor para nós. E para ilustrar podemos lembrar o filme “As Bruxas de Eastwick” , onde cada uma das três mulheres, desejando encontrar um parceiro que preenchesse os seus requisitos para a felicidade, fez surgir uma só criatura para todas, preenchendo porém de forma negativa, pois não souberam se expressar no pedido.

5-Elementos para uma visualização criativa adequada:

São três elementos importantes para fazer funcionar a visualização criativa corretamente:

– O querer- é necessário que se queira realmente.

– A certeza- se realmente acreditamos no nosso objetivo, assim, tornar-se-á mais fácil obter os resultados.

– A aceitação- é necessário aceitarmos aquilo que estamos buscando.

6-Progredindo com a visualização criativa.

Aos poucos vamos descobrindo que através da visualização criativa nossa vida vai melhorando, uma vez que vai sendo possível conseguir o que desejamos. Isto ajuda a melhorar nossa auto estima. Começamos a dar atenção a nós mesmos, conhecendo o nosso potencial, valorizando-nos cada vez mais.

4.3 Intuição

No mundo ocidental aprendemos a respeitar o aspecto racional e lógico do nosso ser, e, a rejeitar ou negar a intuição. Toda a nossa crença de valor está voltada para que o racional e o aspecto superior constituam a verdade mais ampla. A tradição científica ocidental torna-se a nossa religião. Nossas instituições religiosas dão apoio a esse medo do eu intuitivo e não-racional.

No passado as religiões tinham como base uma consciência do princípio universal criativo em todos os seres. Hoje, elas dão apenas a esta uma idéia. Ficando mais centradas em nossas regras que parecem controlar as naturezas mais profundas de uma pessoa. A natureza intuitiva é tida como perigosa e má e deve ser controlada. Sendo assim, apenas o que é racional é capaz de domar essas forças misteriosas e canalizá-las para o que é saudável e construtivo.

Na maioria das vezes as sociedades mais primitivas abordam a vida com uma profunda consciência e respeito pela intuição.

Na evolução humana, à medida que a nossa capacidade racional foi se desenvolvendo, ficamos cada vez mais resistentes aos aspectos intuitivos. Tentamos controlar criando regras que definem o comportamento ideal ou adequado. Nesta maneira de ver a vida, pondo culpa em tudo que é relacionado de forma inadequada ou irracional, as doenças sociais começam a aparecer.

No entanto, ao aceitarmos a existência de uma força superior funcionando no universo que a canaliza para nós através da intuição, torna-se claro que as dificuldades pessoais e males sociais são causados por não seguirmos nosso saber interior.

Quanto menos confiarmos e mais abafarmos o nosso eu interior, tornaremos provável que ele apareça de uma forma distorcida. Assim, podemos perceber que a mente racional é finita, ela só pode computar os dados que forem diretamente enviados para ela, ou seja, ela tem como base a experiência direta que cada pessoa tem na vida. A mente intuitiva tem acesso a um imenso e infinito suprimento de informações vindas do universo. Ela também seleciona as informações e nos fornece o que precisamos. Quando aprendemos a confiar, nossas vidas têm outros tipos de orientação e funcionam de maneira mais harmônica, sintonizadas na intuição, e, permitindo que ela se torne a força orientadora de nossas vidas. Seremos então pessoas mais criativas e abriremos um canal de ligação entre o pensamento criativo que é a evolução e o sentido de paz.

Em qualquer grau, onde valorizarmos ou escutarmos nossa intuição, tornamos-nos um canal criativo para as forças superiores do universo. Neste sentido, passamos a transformar e criar algo novo para a nossa vida. Sermos um elo para a canalização da intuição é sermos nós mesmos, tendo consciência que somos um veículo para as forças do universo.

À medida que aprendemos a confiar na intuição, sentimos cada vez mais o seu fluxo energético e, assim, estaremos sempre no lugar e na hora certa. Então, viver com esta plenitude dependerá da ligação que estamos fazendo com o universo e o nosso mundo interior.

O masculino e o feminino dentro de nós.

Temos energia masculina e feminina dentro de nós. O equilíbrio entre elas é que irá ocasionar a harmonia. As filosofias orientais falam de Yin (feminino/receptivo) e Yang (masculino/ativo) e acreditam que tudo no universo compreende estas duas forças. No ocidente, Jung foi chamar estas forças de anima e animus. Com isto, deduz-se que o aspecto feminino é o eu intuitivo. Esta é a parte mais sábia que existe dentro de nós. É o aspecto receptivo a porta aberta pela qual a inteligência superior do universo pode penetrar. O lado feminino comunica-se conosco pela intuição, através de palpites, pressentimentos, imagens ou sensações no corpo. Ela é a fonte da sabedoria superior e, se aprendermos a escutá-la, ela nos orientará com perfeição.

O aspecto masculino é a ação, a nossa capacidade de pensar, falar, movimentar nossos corpos. O feminino recebe a energia criativa do universo e o masculino expressa no mundo, através das ações. A união das energias é a base da criação, do bem-estar, da harmonia.

A natureza do feminino é a sabedoria, o amor e a visão muito claros, manifestada através de sentimentos e desejos. A natureza masculina é a ação que é colocada a serviço do feminino. A força feminina e o poder do espírito estão sempre dentro de nós. É o ego a nossa energia masculina. À medida que nos entregamos à força feminina, a masculina que existe dentro de nós vai se modificando, aceitando as forças intuitivas e à transformação e o equilíbrio acontece. No entanto, somos ensinados a não confiar na intuição, em não confiar em nossos sentimentos, a não reconhecer que na essência do nosso ser há uma natureza criativa, cheia de amor e força. O caminho seria uma reeducação para a escuta e o confiar nas verdades interiores que nos chegam através dos sentimentos intuitivos. Estamos, assim, com certeza, correndo o risco de perder o que conquistamos através da razão (falsa), da segurança exterior, mas, ganharemos a integridade, a totalidade, o verdadeiro poder criativo. Isto não que dizer que o intelecto não seja um instrumento poderoso, mas deve ser usado para dar apoio à sabedoria interior.

“Deus é tanto sabedoria infinita quanto sentimento infinito.Quando se manifestou na criação, deu forma à Sua sabedoria na figura do pai, e, forma ao Seu sentimento na figura da mãe (…) Todos os pais e mães estão potencialmente dotados com ambas: a sabedoria paterna e a ternura materna de Deus. Eles têm que aperfeiçoar essas dádivas (…) O homem divino desenvolve tanto as qualidades paternas quanto as qualidades maternas em si mesmo”.

Paramahansa Yogananda(Onde existe Luz pg 149)

Estamos, a todo momento, em contato com nossa intuição, mas temos o costume de duvidar. O primeiro passo para se escutar esta voz é prestarmos mais atenção ao que sentimos interiormente, ao diálogo interior e não subestimarmos e desvalorizarmos as experiências que irão ocorrer a partir deste diálogo. Outro passo importante é a verificação interior que consiste em relaxarmos e ouvirmos nossos sentimentos e sensações mais profundas. Neste processo, é necessário termos a coragem de sermos nós mesmos, como somos agora, aceitando a consciência da iluminação e da limitação humana. Assim, cresce e se desenvolve em nós cada vez mais o contato com as forças do universo.

Nenhum de nós está plenamente iluminado. Sendo assim, corremos o risco de nos expressar erradamente. Parte do que emerge poderá vir sem polimento, com distorções. No entanto, à medida que cada vez mais aceitarmos e confiarmos nesta força, deixaremos-nos ser guiados pelo sentimento. Esta força poderá ser chamada de eu sou ou Eu Superior.

A força superior que existe em nós: o Eu Sou – Eu Superior

Em sua constituição mental, física e espiritual, o homem abrange as formas inferiores, como também, as superiores de consciência. Muitos desejos e muitas emoções corporais são sentidos através dos instintos do animal que nele habita. Estes oprimem a natureza superior que fica quase despercebida.

O homem antes de querer acabar com os segredos do universo exterior deve saber governar o seu universo interior, o EU. Ele é a mais alta manifestação do universo no nosso planeta, é o ser mais organizado. No entanto, continua preso às forças instintivas. Este homem também possui características próprias que não são dos animais inferiores, as quais, quando desenvolvidas torna-o diferente dos outros. O desenvolvimento destas qualidades latentes é possível a todos, é necessário, apenas, que exista a vontade de reconhecê-las. Para que isto ocorra é necessário distinguir o “Eu” do não “Eu”. O Eu que chamamos de Eu verdadeiro, ou o Eu sou, ou Eu Superior, é a centelha divina. Ele possui em si mesmo o poder. À proporção que a pessoa desperta para a sua natureza real, manifesta suas qualidades mais nobres, deixando de lado sentimentos mais inferiores que são sentidos como fazendo parte do seu Eu. Neste sentido, ao se por de lado tudo que fizer parte do seu não Eu passa a se conectar apenas com o Eu.

Os selvagens e bárbaros são poucos conscientes do seu Eu. Estão centrados apenas nas necessidades do corpo, na satisfação dos apetites e paixões. Nos selvagens a sede do eu está na parte inferior da mente instintiva. O eu deste homem é o físico. Uma pessoa neste nível de desenvolvimento não pode falar de sua mente em uma posição mais elevada. Ela ocupa um lugar baixo no desenvolvimento do homem. Ele vê os atributos superiores acima de si, à medida que estes se adiantam em cultura e civilização, os seus sentidos são educados e encontram satisfação apenas em coisas mais refinadas. É também uma forma mais refinada de gozos sensuais e não um real adiantamento de sua consciência e desenvolvimento.

À proporção que o homem progride na escala da evolução, faz uma concepção mais alta do eu. Começa a fazer uso de sua mente e razão e passa ao plano mental. Sua mente começa a se manifestar no plano do intelecto. Acha que há nele algo que é superior ao corpo. Neste estágio o homem sente-se perplexo, pois descobre problemas que não encontra resposta por si só. Ele percebe-se confrontando com o desconhecido. O homem neste grau de consciência pensa no eu como uma coisa mental, que tem um companheiro inferior, o corpo, tornando-se infeliz com tantos questionamentos. Deste modo, ele vai em busca de respostas que nem sempre são satisfeitas neste plano e começa a sua busca pelo espiritual. Ele sabe que tem dentro de si a chave do saber. Sabendo disto, ele não desiste e reconhece a sua natureza real e as suas possibilidades, quando acorda a consciência das suas forças e capacidades. O saber verdadeiro vem como uma forma especial de consciência. Esta consciência do Eu é um passo para o estado de iluminação que indica um despertar para o contato com o todo, a consciência de unidade.

Só poderemos criar uma sociedade verdadeiramente harmoniosa quando iluminarmos o nosso verdadeiro Eu. Se existe a vontade de mudança, é necessário pararmos de nos preocupar com o julgamento de outras pessoas e nos centrarmos no nosso verdadeiro Eu. Se isto não acontece, vamos viver de acordo com que o outro pensa de nós. Tomando contato com a nossa existência espiritual, nossas manifestações físicas e mentais passam a servir ao propósito de servir ao nosso verdadeiro Eu, fazendo parte de um processo de harmonia e equilíbrio. Quando isto acontece todos os sentimentos, emoções e ações são sentidos e vivenciados com um profundo amor e respeito ao próximo. Este tipo de mundo não é produto de uma teoria política ou religiosa, e sim, de uma revolução espiritual de grande escala. Alcançar a iluminação significa manter contato com o verdadeiro Eu, ou, Eu Sou, ou Eu Superior.

A presença do Eu Sou ou Eu Superior é a identidade divina do homem nos planos do espírito. Podemos compreender esta presença se refletirmos da seguinte maneira: Deus é espírito. O homem que é feito à sua imagem é também um ser espiritual. O Eu Divino está em contato com o eu finito através de um fio ou corrente de energia. É chamado de cordão de cristal e é através deste cordão que desce a energia que faz bater o nosso coração físico e que nos permite estar no mundo. Esta presença é a Divindade imutável e a conexão existente entre o Eu Sou e o eu mutável ou finito, dá-nos força e experiência. Então, o Eu Sou ou Eu Superior é um foco ilimitado de potencial dentro de nós.

Então, o verdadeiro eu é a luz, o farol que deveria guiar as nossas vidas, a maior fonte de saúde e felicidade está nele situado. Ele possui o poder, a sabedoria e a realidade. À proporção que o homem progride na escala da evolução, faz concepção mais alta do eu, começa a fazer uso de sua mente e razão, passando para o plano mental mais evoluído. Neste plano a pessoa não se desespera ante os problemas, reconhecendo a sua natureza real e as suas possibilidades. O saber verdadeiro vem da forma especial de consciência. Para isso, é necessário que o eu deixe de se reconhecer como o centro de influência e poder para se identificar com o centro da consciência, um eu eterno que não necessita de poder para evoluir, e sim, de uma elevação consciencial.

O Eu Sou ou Eu Superior não é Deus, mas a sua manifestação, ele toca o universo em todos os seus pontos e está em sintonia mais estreita com a vida.

À medida que o homem cresce em compreensão e consciência do verdadeiro eu, aumenta a capacidade de usar a sua própria potencialidade, e traz consigo o amor e a benevolência para toda a vida, porque a consciência fica repleta de idéias mais elevadas.

A graça, a gratidão e a benevolência no contato com o todo é sentida, e a pessoa passa a conhecer e sentir o verdadeiro amor.

“Quando estou em minha melhor forma, como facilitador de grupo ou como terapeuta, descubro uma nova característica. Percebo que quando estou o mais próximo possível de meu eu interior, intuitivo, quando estou de algum modo em contato com o que há de desconhecido em mim, quando estou, talvez, num estado de consciência ligeiramente alterado, então, tudo o que faço parece ter propriedades curativas. Nestas ocasiões, a minha presença, simplesmente, libera e ajuda os outros. Não há nada que eu possa fazer para provocar deliberadamente essa experiência, mas quando sou capaz de relaxar e de ficar próximo ao meu âmago transcendental, comporto-me de um modo estranho e impulsivo na relação, que não posso justificar racionalmente e que não tem nada a haver com meus processos de pensamento. Mas esses estranhos comportamentos acabam sendo corretos, por caminhos bizarros: parece que meu espírito alcançou e tocou o espírito do outro. Nossa relação transcende a si mesma e se torna parte de algo maior. Então, ocorrem uma capacidade de cura, uma energia e um crescimento profundos”.

Carl Rogers ( Um jeito de Ser pg 47)

A Intuição no Processo Psicoterapêutico.

Dentro de um processo de psicoterapia, o contato com a intuição se faz necessário. Isto acontece quando entramos em sintonia com o nosso centro, o verdadeiro eu, ser interior. Existe em nossa organização psíquica ou espiritual um centro no qual a nossa identidade participa, onde existe uma abertura para o divino, o contato com o todo universal. Com ele entramos em harmonia. É um estado sem conflitos, angústias, medos e sensações estranhas. Os pensamentos, avaliação crítica, deixam de ter poder para que, apenas, a sensação de paz ocorra. Este controle deixa de ter prioridade na divisão que existe entre o eu e o outro, passando a não mais existir. Este centro ou consciência ampliada é um estado de paz e iluminação. Sentimos uma grande quantidade de energia, disposição, abertura para a vida. Enfim, o amor universal brota, aparecendo o respeito à existência de todas as criaturas. Através desta abertura, onde não se manifestam os desejos pessoais, sentimentos de medo, inveja, etc, é que podemos ampliar nossa natureza e integrá-la na totalidade da existência.

A harmonia e a integração não são vivenciadas enquanto a nossa mente estiver dividida. Essa dualidade de bem e mal, dentro e fora, eu e mundo nos leva a uma contradição interna. É essa ilusão que nos impede de perceber que todos nós fazemos parte de uma só realidade. Esta harmonia aparece por intuição, por isso, desejamos alcançá-la. Possuímos também uma intuição a respeito de um relacionamento mais verdadeiro, entre o homem e outros homens, como também, entre o homem e a natureza. Sendo assim, o contato com o divino acontece intuitivamente. Este tipo de trabalho nos leva a formas mais desenvolvidas de consciência, na prática a concretização de transformação de sentimentos, pensamentos, sensações e criatividade. Mudando, tal experienciar, a relação do homem com o mundo também muda. Para isto, todo o trabalho psicoterapêutico deve ir além do conflito, além das divisões e barreiras afetivas. Deve-se dirigir ao centro psíquico, ou espiritual que irá nos favorecer o equilíbrio necessário para facilitar a transformação existente dentro de nós. “Quando o sentido do eu” atinge o mais alto plano de consciência, todas as dualidades são dissolvidas, aparecendo a união com o todo. Neste estado de consciência o eu se dissolve no não eu e tudo faz parte de uma só realidade.

Quando o nível de consciência se amplia, sabemos que existe a permanência de níveis mais ampliados de iluminação e completude. Aparece uma identidade com o eu cosmo, eu oculto, a paz, a serenidade, a harmonia, enfim são alcançadas.

Então o terapeuta não está sozinho, existe a presença de uma força curadora, que é o ser interior, ou, o “verdadeiro eu” está presente. Nesse encontro existe um momento de iluminação que é sentido pelo terapeuta e absorvido pelo cliente.

O terapeuta corre um grande risco se ele entrar no mundo do cliente sem um trabalho que possa identificar o ego do não ego. Ele fica na superfície e não identifica a profundidade do encontro. No entanto, quando o terapeuta se permite aliado com o seu “verdadeiro eu”, guiado pela mente superior, participa com mais profundidade do mundo do cliente. O encontro acontece.

Em vez de continuarmos a falar deste tipo de encontro, vamos relatar alguns casos que foram vivenciados por nós em nossas experiências profissionais. Os nomes das pessoas foram omitidos e, em alguns casos, trocados para proteger a sua identidade.

5 COMPARTINHANDO EXPERIÊNCIAS

Na nossa prática profissional com o cliente, aprendemos a dar mais importância à relação e a perceber que quando ela assume níveis mais profundos a pessoa aprende a assumir e a se diferenciar em relação às outras. Nesse sentido, o encontro é sagrado, pois ele facilita o contato com outros níveis de consciência se o terapeuta estiver preparado para este tipo de prática. Acreditamos que, ao tentarmos nos relacionar verdadeiramente com outras pessoas, estamos em contato com outros níveis de energia universal. A nossa paz e iluminação são sentidas pelo outro e a transformação de seus conceitos é facilitada. Esse encontro que favorece a criação, nada mais é que a transformação de nossas existências; medos, anseios, dúvidas, que estão guardados, são expressos pela confiança da relação e a mudança passa a acontecer quando todos estes sentimentos puderem ser vivenciados com inteireza.

O terapeuta deve atingir também os sofrimentos provenientes das identificações egoícas, apegos e desestruturas, que devem ser vivenciados para que a libertação ocorra, facilitando de maneira que as pessoas, através da dor, possam examinar as cadeias de ação e reação em que se encontram. Estes sofrimentos psíquicos escravizam a mente, deixando a pessoa presa. Quanto maior a resistência à transformação, maior o medo, maior a depressão. E um dos atributos do terapeuta é descobrir a forma de ser de cada pessoa e ajudá-la a caminhar.

Com esta visão, conduzimos os processos de terapia individual e de grupo. Parece que entrar em contato com este tipo de trabalho é como entrar em uma porta, onde os fenômenos brotam com toda a intensidade e ultrapassam a catarse, chegando ao centro propriamente dito. Dor, desespero, desesperança, enfim, tudo é vivido, mas ultrapassado para uma vivência mais próxima do eu intuitivo.

Neste sentido, colhemos algumas informações de um trabalho realizado com grupo de crescimento pessoal:

1 – Como o estar sendo que é você ( o eu sou) está sendo neste

grupo? E como o estar sendo neste grupo vem sendo em você?

Cliente A -“Eu sou o estar sendo aqui no grupo de uma

forma mais saudável, mais harmoniosa em contato comigo e com os outros.”

“O estar sendo este grupo vem sendo um indicativo, um norte em minha vida, mas sinto que preciso deixar me abrir mais para fluí-lo de toda a minha energia que aqui consigo experimentar e levar isso com mais propósito para a minha vida, o meu dia-a-dia, o meu eu, eu sou. Com isso poderei sentir-me mais confiante, com mais força, mais determinação no meu caminhar, nos meus objetivos de vida. Podendo experimentar minha leveza, paz e harmonia. Ter equilíbrio suficiente para assimilar e distribuir bem o peso, sem sentir-me sufocada”.

1- Descreva a(s) pergunta(s) que você gostaria que fosse(m) feita(s), bem como a(s) resposta(s) que você gostaria de dar?

“A força do pensamento tem uma importância definitiva na nossa vida. Nós somos o que pensamos. Se tenho pensamentos positivos eles me liberarão a viver bem comigo e com os outros. Porém, o fraquejar, em algumas ocasiões, são portas abertas para entrar o negativo, o fracasso, o alienante.”

Pergunta:

Por que estou aqui?

O que vim fazer aqui?

O que posso fazer para ser feliz aqui, agora?

Como viver bem comigo, com os outros e com o universo?

O que posso fazer para que possamos viver bem na Terra, nosso planeta mãe?

Cliente – B “Acredito que estar sendo neste grupo, o que eu sou, ajuda ao grupo na compreensão de si mesmo, do eu sou de cada um. O estar sendo do grupo está sendo em mim algo muito valioso, levando-me a crescer como pessoa e acreditar cada vez mais que só sendo, eu sou, verdadeiramente, é que encontro a paz e a harmonia.”

“Não faças aos outros, aquilo que não queres que te façam.”

“A relação que encontro é de que é dando que se recebe. Quando dou o melhor de mim ao outro, recebo o melhor do outro.”

“Neste momento não me vem nenhuma pergunta, e, me questiono: Como não tenho nada a perguntar? Talvez eu já consiga ter uma certa compreensão para o momento atual”.

Cliente – C “O meu eu sou neste grupo está sendo conhecido por mim, está cada vez mais criando e se desenvolvendo. Inquieto, querendo saber até onde ele pode chegar. Mas, parece-me que ele está sempre buscando. Busca esta que nunca vai parar. Hoje eu procuro ouvir o meu verdadeiro eu.”

“Este grupo está sendo o caminho para meu “eu verdadeiro encontrar o caminho da auto-realização”.

“Ele vem sendo o motivo das minhas transformações”, ou, seria eu me permitindo estar sendo”.

Cliente –D “Estou me envolvendo cada vez mais com o grupo, tanto física como energeticamente. O Grupo vem sendo para mim um momento de reflexão e energização para enfrentar os acontecimentos do dia-a-dia. A minha participação vem trazendo para mim muitos momentos de encontro comigo e com outras pessoas, bem como, trazendo respostas para algumas dúvidas que tenha tido anteriormente sobre alguns fatos que acontecem comigo. Mudamos nas atitudes e maneiras de enfrentar a vida”.

“Quando mudo a minha forma de ser através do meu contato com o eu real, conseqüentemente, mudo minha relação com o mundo.”

Como estamos percebendo, nos relatos, o contato com o “eu sou” ou Eu Superior ou, o eu intuitivo, nos dá paz, tranqüilidade, possibilitando cada vez mais buscar perguntas e respostas para a nossa existência. Ser uno com o universo é que possibilita este tipo de encontro, podendo assim, transformar nossa vida.

Em terapia de grupo e individual estes encontros também acontecem. O eu intuitivo é presentificado e a relação se torna mais íntima e mais verdadeira.

Quanto mais a pessoa vai soltando as amarras mentais, mais vai ficando independente e compreendendo o sentido dos obstáculos da vida. Todas as experiências vão se tornando mais integrais. Uma satisfação interior começa a surgir, filha da necessidade de libertação. Uma vivência para ser resolvida requer aceitação, entrega e desidentificação. Os espaços vazios que ficam deste processo nos leva a atingirmos outros níveis de consciência, paz, tranqüilidade e a criação começa a aparecer.

Fica cada vez mais clara a abertura a outros níveis de percepção, proporcionando-nos uma maior intuição. Pensamentos e sentimentos ficam mais libertos e a amarra mental se dissolve. A pessoa vai caminhando em relação a totalidade. O terapeuta deve procurar incentivar seu cliente a entrar em conexão com estes estados, sintonizando-se mais freqüentemente com estas experiências para que o seu processo possa fluir. Assim, uma sensibilidade mais desenvolvida começa a aparecer.

A descoberta da vastidão e independência dos sentimentos de amor e prazer pela vida começa a aparecer e a descoberta que a felicidade pode ir além das dificuldades experimentadas pelo self. As vivências de amor e do prazer em si mesmas aparecem com mais freqüência e parecem estar ligadas à diminuição do medo de existir, de ser. Com esta diminuição do medo, a inveja e outros sentimentos destrutivos passam a aparecer com menor freqüência. É a evolução natural com a mudança de consciência que acontece.

O encontro psicoterapêutico poderá favorecer ao cliente, levando-o a compreensão de que com o alargamento da consciência, esta se propaga como ondas, ganhando dimensão e significado, rumo a uma progressiva união, onde a energia psíquica é utilizada como fonte de evolução. Ao compreender sua verdadeira natureza e ser objetivo, sua vida estará transformada em níveis mais elevados e todos nos tornamos um, uma única consciência, uma única percepção, uma única energia, um único amor.

Estes contatos aos quais nos referimos não são acontecimentos egóicos. Eles são acontecimentos que levam a uma mudança de vida. Abandonando a focalização na dor, no sofrimento e na miséria, o contato com a paz serve de alimento para a pessoa. Se a vida externa modifica, ou não, quando se encontra a paz, fica mais fácil lidar com eles. Em conseqüência, a culpa, raiva, e medo vão aos pouco perdendo o seu poder na vida para dar lugar à luz, proveniente do ser interno intuitivo.

Nestes encontros verdadeiros, aparecem os momentos de movimentos ou momentos milagrosos, como é denominado por Antonio Monteiro dos Santos.

5.1 Mudança de Padrões mentais

Somos o que pensamos. Nossos pensamentos se baseiam nas crenças que adquirimos ao longo de nossa vida, principalmente na infância, tornando-se nossa verdade.

A fragilidade da inexperiência infantil nos leva a buscar respaldo nos adultos ou mesmo crianças maiores que nos impregnam com seus conceitos de vida e de mundo. Desta forma, absorvemos várias características e visões das coisas, principalmente dos nossos pais. É assim que nos tornamos aquilo que fizeram de nós.

Facilmente encontramos crianças e até bebês lindos, risonhos, maravilhosos que além de receberem os nomes que escolheram para eles, já começam a ser cobrados na realização dos sonhos que alguém espera poder realizar por seu intermédio. Assim, são médicos, engenheiros, professores, cientistas, astronautas, jogadores de futebol, vôlei, tênis, bailarinos, cantores, músicos, pintores, escritores e tantas e tantas fantasias que seja possível sonhar.

Pergunta-se à criança vestida do Náutico: qual o seu time? A resposta é exata e imediata: Náutico! Afinal, seu pai é torcedor vibrante dessa equipe. Não precisa a criança entender de futebol ou qualquer esporte. Ela precisa é acreditar que esse é o melhor time, seu pai lhe afirma e garante isso. Ela então acredita mesmo, chegando até a brigar pelo Náutico.

Às vezes, vemos que a criança é exposta como boneca de vitrine por ser muito bela ou saber realizar algo (canto, tocar um instrumento, pintura, etc.) ou mesmo notas azuis na escola. Os adultos vibram frenéticos, sem se aperceberem das angústias dos pequeninos – muitos se iniciam assim na timidez.

Certa vez, num grupo, um dos participantes colocou-se admirado de ter certa habilidade para identificar notas musicais através do som de sinos. É que ele desde criança rejeitara a música. Sua mãe professora de piano exibia os filhos para todas as pessoas que chegassem à sua casa. Todos seus irmãos tocam algum instrumento, menos ele. Não admitia poder gostar e entender de música.

Quando as crenças nos levam a um auto-conceito negativo, os prejuízos são imensos. Tantas criaturas se desviam por caminhos que lhes conduzem a dores, decepções e frustrações profundas. A visão de si e do mundo é de muita feiúra e incapacidade.

Encontramos então aqueles que, “nada dá certo em suas vidas” ou mesmo que têm a mania de se apresentar como “superior” exatamente por trazer em si o padrão de “inferioridade”. Quando criança, seus pais afirmavam o tempo todo que ele “não dava pra nada” e ele tentava reagir querendo mostrar o contrário: “Eu sou melhor”.

A criança não é capaz de discernir o que é adequado ou não. Com isso, o que lhe serve na infância torna-a prisioneira de certos pensamentos que se cristalizam em si, acompanhando-a por longo tempo e, embora lhe servissem na infância, podem ser de muito atrapalho em sua vida de adulto.

Um adolescente finalmente conseguiu a aprovação no vestibular para o curso que tanto desejava. A alegria dos pais foi imensa; ele deu um sorriso e foi dormir. Resolveu-se a matrícula e, ao se aproximar o início das aulas, entrou em desespero, não querendo ir à escola. Tinha muito medo, quase pânico. É que estudara por todo o tempo em escolas menores com poucos alunos e seus pais ensinavam aos filhos: “não confie em estranhos. Os únicos amigos são os pais”. Ele e os irmãos viviam no isolamento, não se envolviam com ninguém. Só de pensar no mundo da universidade, com tantos estranhos, tremia de angústia e pavor.

Não raro, os sentimentos se instalam com muita força desde cedo ao se incutir na criança a idéia de que “é minha culpa”.

Uma jovem mulher nos seus 34 anos, sem motivo aparente, começou a apresentar crises de hipertensão arterial, muita dor de cabeça e insônia. Tinha duas lindas filhas. A mais nova foi indicada para uma possível cirurgia de amídalas (garganta). Isso desencadeou seu pânico. Ela se sentia culpada pela morte de uma irmã pequena quando ela tinha sete anos e a mãe a deixou em casa tomando conta do bebê de 11 meses que estava doente. A febre subiu demais, provocando convulsão e óbito. Ela acreditou não ter tomado conta corretamente do bebê, temia ser punida com a morte de sua filha.

Aquilo em que acreditamos torna-se a nossa verdade. Nisso, é nas circunstâncias de nossa infância que nos ensinaram a acreditar em vários padrões que há muito deixaram de ter razão de existir ou que nunca foram legítimos para tal, mas que impregnamos em nosso ser, são-nos verdades quase absolutas.

Um cliente, filho de pais muito pobres, que tivera muita dificuldade quando criança (até de alimento), quando seu pai perdeu o emprego. Em idade adulta, tem cargo de gerência numa empresa multinacional. Não consegue usufruir da oportunidade material de conforto que o seu salário lhe permite, sentindo que tem que depositar o dinheiro em aplicações bancárias para trazer rentabilidade. Ele só tem segurança se tiver muito dinheiro na conta com que possa contar se precisar. Na sua fantasia, nutria o medo de perder o emprego, levar sua família a passar necessidades como ele passou.

Assim, formamos nossas verdades, nossos painéis mentais, aquilo que acreditamos e sobre os quais construímos nossas vidas. Muitas vezes são apenas a opinião dos outros que vêm com tanta força que nos é impossível não acreditar.

Certa vez em um ambulatório de saúde pública, uma senhora entra de sala adentro com um neto, um garoto de 11 anos dizendo: “doutora, quero saber se esse menino é doido ou não”. Segundo a avó e a professora da escola onde estudava (por escrito), ele não sabia ler. Iniciado o acompanhamento, percebemos que o garoto lia desde jornais, a cartilhas, livros de histórias, etc. Perguntamos em certa sessão: “foi você quem leu?” Ele ficou espantado. “Foi você ou eu?”, repetimos. Ele sorriu, sorrimos. “Fui eu”, disse ele. “É, você sabe ler sim?”. Ele contou que ficava muito nervoso na escola quando a professora lhe mandava ler, aí gaguejava. Ela então dizia: “você não estuda mesmo não é? Nunca aprende a ler. Vai ficar sem recreio hoje de novo”. Em casa, diziam que ele era burro. Emprestamos o livro de histórias infantis para que ele levasse para casa e o lesse para sua família.

Portanto, é indispensável a reflexão acerca dessas nossas verdades. Em realidade, nossos sofrimento, doenças, problemas. Compreender que qualquer problema é oriundo de um padrão mental e que isso pode ser mudado se o quisermos.

Uma mulher que só vivia doente e nada dava certo em sua vida pôde compreender que vivia à margem da vida. Lembrou que desde pequenina escutava seus pais dizerem que sabiam que ela não se criaria, pois era muito frágil e doente. Era a coitadinha…

Uma outra, necessitava de hospitalização quase todo o mês (por um tempo), por conta da menstruação. Durante o seu processo psicoterapêutico identificou que rejeitava ser mulher e tinha vergonha de tudo que dizia respeito a sexo. É que quando pequena escutava sua mãe dizer que mulher sofre muito e os assuntos de sexo eram vistos como feios e nojentos.

Se em nossa experiência somos levados a crer no mundo como seguro, amoroso, belo, nossas crenças serão bem diversas. Aceitamos o amor da vida, das pessoas e damos o nosso a nós mesmos e aos outros. A confiança favorece então o risco de relações profundas, premiando àqueles que se aventuram a tal conquista.

Nossos pensamentos efetivamente criam realidades. Tudo o que experienciamos na vida é guiado pelos nossos próprios pensamentos; nada que não tenha sido pensado. Tais verdades também se aplicam à idéia de Deus e seus recursos. Desta forma, para alguns, a relação com a divindade é algo angustiante, ameaçador, onde o indivíduo é vigiado onde quer que esteja, sentindo-se culpado, necessitando de punição. Assim, não é possível experimentar a paz. O amor é a liberdade como merecimento humano- “o mundo, a vida é um vale de lágrimas”.

Diferentemente, há quem acredite num Deus perfeito, cheio de amor, compaixão, perdão. Então, é possível a entrega de si e a abertura para a vida, recebendo também o outro com a certeza íntima de que se pode seguir sem medo numa sintonia profunda.

“Confie em Deus sem nenhuma reserva; não se apóie em sua inteligência. Em todas as suas atitudes, tenha-o presente e Ele dirigirá seus passos”.

Provérbios 3, 5-6

A presença do divino em nossas vidas nos convida à compreensão das leis naturais e com isso descobrimos que tudo o que enviamos para o exterior, através da mente, da palavra, voltará igualmente para nós. Toda ação tem uma reação, afirmando que somos responsáveis por todas as nossas ações físicas, mentais, emocionais…

Haveremos de colher o fruto da nossa plantação. De forma que se desejamos uma vida cheia de alegrias, harmonia, paz, amor, precisamos ter pensamentos e emoções de paz e alegria, harmonia e muito amor para conosco e com o universo (todos os seres da criação).

Assim, somos nós o grande milagre – Eu sou o poder em meu mundo. Terei tudo o que alimentar dentro de mim com meus pensamentos e emoções.

Quando o indivíduo toma consciência de que seus problemas se iniciam em si mesmo, no seu pensamento, percebe o tamanho da sua responsabilidade como criador de si mesmo e o único capaz de mudar sua vida. Ele é o artífice do seu destino, não podendo mais viver de lamentações, como coitadinho, culpando a Deus e o mundo por seus sofrimentos.

Para facilitar essa fase do processo, o uso das afirmações positivas e visualizações são muito importantes até o fortalecimento do novo padrão de pensamento.

Como se pode perceber, necessária se faz a decisão de mudar os padrões mentais, crenças que já não servem para o agora. Carece então de parar, silenciar e realizar uma viagem interior a fim de observar seus pensamentos e sentimento. Neste momento a meditação é imprescindível para se alcançar a profundidade essencial à mudança.

“Respire profunda e suavemente, relaxando o mais possível. Procure observar o seu pensamento e sentimento no agora. Se é fato que seus pensamentos moldam a sua vida, se você recebe de volta tudo o que envia para o exterior, você gostaria que o seus pensamentos se tornassem verdade? Se for pensamento de raiva, mágoa, vingança ou medo, como acha que ele voltará a você?”

Não é fácil a luta de mudança dos pensamentos, pois não conseguimos acalmar a mente; o pensar acontece numa rapidez tamanha, mas é tarefa a ser conquistada com a observação sistemática. Precisamos prestar atenção ao que falamos, visto os pensamentos expressos em palavras adquirem maior força. Assim, estamos a todo momento plasmando o nosso futuro, enunciando muitas vezes nossa sentença de sofrimento, sem nem mesmo nos darmos conta disso: “Não tenho sorte… minha vida é só sofrer… só encontro pessoas que querem me passar para trás… vou fazer o concurso, mas ser que é difícil passar… Sou muito doente… Não nasci para ser feliz…”

Através da observação nos é possível a compreensão do padrão mental que conduz nossa vida e aprender que para termos sucesso na mudança as forças do pensar, sentir e agir precisam seguir numa mesma direção, numa potencialização. Assim, já percebemos que nossas frustrações estão em nossa postura perante a vida. Quanto mais nos entregarmos à raiva mais criamos situações que nos enraiveçam.

Todos queremos que nossa vida se modifique, que as situações fiquem melhores e mais fáceis, mas não queremos ser obrigados a mudar. Esperamos sempre que os outros mudem. Contudo, se quisermos mesmo as mudanças, precisamos mudar por dentro. Temos que transformar modo de pensarmos, modo de falarmos, modo de nos expressarmos . Só então acontecerão as modificações externas.

Felizmente, podemos iniciar isso a qualquer hora em qualquer lugar, concentrando-nos em desenvolver as qualidades de que somos carentes. Tudo o que temos que fazer é afastar os pensamentos que desejamos destruir, substituindo-os por pensamentos construtivos. Temos medo, meditamos coragem. Sentimos tristeza, buscamos alegria.

A lei da física clássica nos ensina que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Com base nisso, à medida que enchemos nosso ser de pensamentos e sentimentos positivos, estaremos expulsando de nós os negativos, indesejáveis.

Assim, passamos a ter uma visão nova da vida, de nós, das coisas, do mundo… São novas perspectivas que se abrem quando conquistamos a consciência responsável, compreendendo que “somos artífices do nosso destino, afinal somos o que pensamos, o que acalentamos em nosso íntimo”. Encontramos em nós todo um universo a conquistar e ampliar para nos liberar das inibições e conflitos, diante dos novos desafios que acenam com a auto-realização e o amadurecimento íntimo.

Portanto, vamos à luta pela mudança dos nossos padrões mentais. Quando a insatisfação, a ansiedade, o sofrimento, nos indica o caminho da nossa falta de habilidade em tratar a nós mesmos e aos outros; quando entendemos e admitimos ter uma tendência a subestimar ou superestimar tudo; quando percebemos o quanto a nossa consciência encontra-se fechada. Ampliando os limites da mente e do coração, dos pensamentos e sentimentos, elevaremos nossa consciência muito além do horizonte num vôo extraordinário de conquista do infinito.

5.2 A Re-descoberta do ser (Depoimento de uma cliente)

Os estudiosos dizem que “o que nos difere dos demais seres vivos é o pensamento”.

É ele que nos qualifica enquanto “melhores”, mas é ele também que nos escraviza dentro dos nossos medos, impedindo-nos de enfrentar o maior desafio, perceber nossas fragilidades.

Enquanto seres pensantes, projetamos, reprimimos, introjetamos, recalcamos, enfim, FUGIMOS de nós mesmos o tempo todo. Corremos daquilo que pode prejudicar o que achamos que é o nosso EU. Mal percebemos que ao fugir do que nos amedronta também deixamos à parte as nossas potencialidades e capacidades.

Na realidade, sufocamos o EU REAL, o EU SUBLIME que a todo instante nos dá sinais de que somos mais do que percebemos ser, somos mais do que podemos perceber com os nossos conceitos e preconceitos. É no silêncio interno que lhe damos voz, que o libertamos das correntes do “real” e vivemos em sintonia com a energia da qual fomos criados e faremos parte até a eternidade.

São alguns anos de terapia. Fui em busca de respostas, calmaria e paz. Precisava compreender porque o “mundo” me maltratava tanto. Eu não era feliz, tinha momentos de felicidade apesar de sempre ser alegre.

A muralha que eu ergui diante de mim era muito forte, (quase) intransponível. Lembro-me de ter me conceituado como um casulo, sentia-me mesmo assim, aprisionada dentro de mim, em alguns momentos do meu processo de busca eu me permitia dar uma “olhadinha” para o mundo desconhecido (mas eu tinha muito medo do que poderia encontrar, tinha medo de mim).

Nesta época acreditava ser forte. Eu ERA A FORTALEZA (intransponível, inacessível). Dava sempre a impressão aos outros que de fato eu era assim, não permitia que ninguém presenciasse meus momentos de dor (que eram intensos e constantes). Costumava dizer: “mesmo que eu tenha nascido para ser infeliz, eu vou driblar o destino. Eu serei feliz”. Percebam quanta blasfêmia. Primeiro: não percebia que, com aquela postura, EU me fazia infeliz. Segundo: ninguém se materializa (reencarna ou nasce) para a infelicidade. Fazemos parte de um todo, de um corpo de energia, da paz (como era cega). Terceiro, e mais importante: o meu EU SUBLIME estava me falando o tempo todo sobre a liberdade para a felicidade.

O processo terapêutico caminhava em passos lentos porque eu andava em passos lentos (apesar de estar a caminho). Até que uma situação inusitada abalou por completo a minha vida. Depois de sete anos de relacionamento e grávida, houve o rompimento. Foram momentos de muita angústia, solidão e auto-flagelação.

Fui então convidada a participar de um grupo de processo transpessoal (minha iniciação à vida plena). Nos primeiros encontros, (como eu era incrédula), a sensação era de não pertencer ao grupo, achava-me incapaz de entrar em contato com o EU SUPERIOR de que falavam, apesar de sair sempre com muita tranqüilidade (talvez já experimentava parte da paz que eu sempre busquei). Dedicava-me o quanto podia, apesar de ainda resistir em sair do casulo.

Meu filho nasceu e eu percebi o quanto eu precisava ser melhor, precisava realmente encontrar a saída. E foi esse amor que, atrelado a todo o trabalho terapêutico desenvolvido, abriu frestas na grande muralha. Mas eu ainda estava mergulhada no medo e no desespero, afinal, não é fácil re-conhecer-se.

Por sugestão da minha terapeuta, iniciamos um processo de sensibilização, o encontro com o meu EU REAL, um encontro comigo.

Em uma das sessões, minha terapeuta observou algumas marcas em minhas pernas. De acordo com a dermatologista eram verrugas (algumas já haviam sido cauterizadas), mas se espalhavam por toda a perna direita e já estavam proliferando para a outra perna, braço e coxas. Eram sinais de carne avermelhados aglutinadas, coçavam e inchavam. Eu realmente estava expulsando de mim toda a tristeza que me mantinha distante de mim mesma. A psicóloga então me sugeriu uma técnica de cura.

Mais crente da minha capacidade de me encontrar, mais próxima da minha busca e sabendo que sou parte da energia curadora, iniciei o trabalho. Toda a noite entrava em contato com o silêncio interior, dava-lhe voz e poder sobre meu corpo, vivia e respirava intensamente aquele momento, eu realmente me transportava para a “vida”. Em 15 dias as supostas verrugas desapareceram. Só existem as marcas das que foram cauterizadas e a certeza de que sou mais do que supunha ser.

Descobri que, além de tantas outras coisas, estamos interligados. Somos um único corpo, uma única energia vibrando. Tenho mais paz para resolver minhas questões (que são inerentes à vida). SOU FELIZ e continuo alegre, sou força e luz. Não há mais necessidade do casulo, prefiro as asas coloridas da borboleta e todo o meu universo interior para explorar.

Apesar de ainda ter muito que encontrar, o que descobrir e melhorar, acreditando que esta metamorfose é necessária e válida, permitam-me pedir, entreguem-se, continuem na busca do seu VERDADEIRO EU. Eu continuarei.

6 MOMENTOS MILAGROSOS

O mundo físico é criação nossa. Cada um de nós cria a sua própria versão particular, sua realidade, sua experiência, enfim, sua visão de mundo. Nossas necessidades vão aparecendo à medida que o nosso mundo vai se revelando. Quando uma pessoa olha para dentro de si mesma, projeta os seus conflitos para o mundo exterior. Isto é um reflexo do seu eu. No entanto, quando ela aprende a tomar contato com o seu Eu Superior, Eu verdadeiro ou o Eu Sou, ela irá projetar energias positivas e recriar o seu mundo através deste canal energético. É o ser eterno que vive dentro de nós e que é capaz de transformar nossa percepção de mundo. A harmonia entre pessoas reflete a presença da divindade em nós. A vida é beleza e paz a ser doada.

Os físicos agora estão descobrindo que a matéria, aparentemente sólida, é na verdade feita de energia. Se olharmos através de um microscópio, vamos observar partículas em vibração. Se examinarmos novamente uma destas partículas, vamos perceber que existem partículas ainda menores. O fato é que tudo o que é matéria é energia.

Newton observou que, para cada uma ação existe uma reação. É a lei de causa e efeito. Podemos assim perceber que o cosmo material é um reflexo do mundo espiritual. Cada um de nossos pensamentos, sentimentos, emoções e atos é um investimento de energia. Em cada momento projetamos na atmosfera da terra energias etéricas, mentais, emocionais e físicas que revelam a nossa identidade.

Estas energias retornam para quem a mandou, portanto, se enviam uma energia negativa esta retorna com mais intensidade. Quando uma energia positiva é canalizada para o universo, ela retorna com igual intensidade ou ainda maior. Por esta razão, o Eu Divino só recebe energias positivas.

Tudo que somos hoje é o produto de pensamentos e sentimentos de ações passadas ou enviadas através de energia para a atmosfera a nível individual ou coletivo. É necessário assumir esta responsabilidade individual ou coletiva para que possamos entrar em um processo de mudança. Se formos neste momento o produto do que criamos no passado, então, por uma utilização correta das energias podemos intensificar a imagem do verdadeiro eu. Devemos, por isso, aumentar o contato com o eu sou, pois ele é o nosso ponto de contato com o infinito. Assim, o homem continua o seu destino por meio dos seus atos. Deste modo, é de grande valia um trabalho voltado para a meditação. Nele vamos expandir o nível da consciência e, cada vez mais, crescer o contato com o Eu Sou.

Quando sintonizamos com esta energia universal somos levados a construir o processo de auto-conhecimento, aparecendo uma nova visão e sabedoria. Desta forma, um novo mundo se mostrará e a partir dele criaremos a nossa existência.

Como psicólogos e psicoterapeutas podemos utilizar estes conhecimentos para favorecer ao nosso cliente a ter um contato mais direto com a sua força intuitiva, que irá revelar o seu eu intuitivo.

6.1 Momentos milagrosos na Psicoterapia.

A psicoterapia é uma oportunidade de entrar em conexão com o centro do ser. A cura acontece quando o psicoterapeuta abandona sua proteção e ajuda ao cliente também a deixar de se defender, entrando em uma mesma sintonia. Sendo assim, ambos abandonam a necessidade de separação, a mente fica se sentindo uma, aparecendo um espaço onde a paz é encontrada. Juntos, fluem no processo de psicoterapia. Nestes encontros profundos, aparecem os momentos de movimentos ou momentos milagrosos. Estes não dependem apenas do terapeuta, mas do movimento em que o encontro acontece. Ambos (terapeuta e cliente) fluem através de uma vivência experimental de encontro com o seu centro. Experiência de paz, luz em geral é experimentado, existindo uma significativa mudança. Novas aprendizagens aparecem.

Carl Rogers fala destes encontros de movimentos como sendo momentos de mudança no processo psicoterapeutico que ocorre neste momento existencial. Não é um pensamento, é uma experiência. Não tem barreiras, inibições ou outros impedimentos. Ela simplesmente flui. Então, ela é uma experiência imediata de uma nova integração e aceitação. A estes movimentos, Antonio Monteiro dos Santos identifica como momentos milagrosos. Para que eles possam ocorrer em psicoterapia são necessárias certas condições: preparação, intensidade, liberdade, fluidez, flexibilidade, harmonia, sentido de totalidade, sincronicidade, vivência existencial, intuição, humildade e confiança. Todas estas características têm fundamental importância na relação terapeuta-cliente. Estes momentos vão além do ego, além da linguagem. Neles o terapeuta e o cliente vivenciam uma incrível fluidez de movimentos e uma sincronicidade onde os participantes têm uma sensação de que estão em sintonia um com o outro, vibrando na mesma freqüência. Tudo converge para a unicidade, não existindo nenhuma consciência reflexiva do que está acontecendo. Neste momento, existe a manifestação de uma sabedoria profunda da mente, que permite uma sensação de libertação, entendimento ou iluminação. Neste estado as modificações aparecem, pois conhecendo a iluminação, o comportamento tende a mudar e a cura acontece. Sofrimento e dor são vivenciados mais como uma oportunidade de se aprender algo diferente, partindo-se, evidentemente, para um crescimento e evolução.

É interessante saber que estes momentos não são apenas importantes para a psicoterapia. Em qualquer atividade quando passa a ser vivida aparecem estes momentos como fonte de aprendizagem e nos tornam mais plenos e modificados. Estes momentos têm em si a semente da transformação, seja em qualquer área que nos dispusermos no encontro verdadeiro com o outro. Nesse sentido, acreditamos que os momentos milagrosos revolucionam o nosso movimento de vida, mudando, iluminando e abrindo caminhos para uma verdadeira mudança.

Com a falência das instituições, escola, família e organização onde elas estão abandonando seu objetivo principal de saúde, harmonia e luz, para ir em direção de conflitos que levam a pessoa a se sentir desamparada. Surge daí a busca de líderes, professores, pais que promovam um encontro significativo.

Estes momentos de transformação podem ser vividos em várias instituições como; escolas, famílias e organizações, além de serem vividos nos processos psicoterapeuticos. Estes momentos de extremas mudanças e aprendizagens ocorrem entre o encontro com os seres vivos em cumplicidade com a força maior que rege o universo. Então, para que isto possa acontecer, a responsabilidade deles é dividida entre o terapeuta e o cliente, pais e filhos, professores e alunos, já que eles são processos naturais vivenciados e espontâneos.

Para que a vivência destes momentos ocorra é necessário que exista uma experiência vivida, onde não aconteçam barreiras ou inibições, sincronicidade entre o que está sendo vivido e o que está sendo expresso pelo corpo. Deste modo, é uma vivência integrada, imediata, de uma auto-aceitação, começando assim, uma mudança interna em vários níveis de conhecimento na clínica, na escola e em outras instituições em que o profissional esteja sintonizado com as energias universais. A transformação começa no nível individual e vai passando pelo coletivo. Como o mundo é o nosso espelho, quando entramos em um processo de transformação ele também se transforma. É preciso assumir esta responsabilidade. Deste modo, a canalização fica mais livre e o contato se faz com mais freqüência.

Com este tipo de vivência colhemos depoimentos de clientes que vivenciaram estes tipos de encontros…

7 O PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO

Existe em nós um centro psíquico ou espiritual no qual a nossa personalidade participa de um encontro com as energias do universo. É um estado sem conflito, onde os pensamentos e as avaliações críticas perdem sentido e as explicações racionais perdem o valor. Este é um contato com o centro ou com a consciência no seu mais elevado sentido, nele podemos encontrar a paz.

Toda e qualquer divisão interna leva a pessoa a ter conflitos e criar dificuldades na sua relação com o mundo. O equilíbrio psíquico só pode ser obtido na relação direta com a realidade e o contato com este centro psíquico. Neste sentido, existirá uma liberação de grande quantidade de energia, que é o começo de uma transformação interna. Quando nos sentimos unidos com tudo o que acontece na esfera universal, nossa identidade se amplia e começamos a fazer parte da identidade mais abrangente: a do universo. Apenas o nosso bem-estar e o da família não é o principal objetivo da vida ou o centro de nossas preocupações. O amor, respeito à ordem superior da criação e a consideração pela existência das pessoas passam a ter um valor significativo e intenso no nosso objetivo de vida. A igualdade entre as pessoas só poderá acontecer neste nível de consciência. A condição humana de participantes de uma Realidade Superior iguala a dos seres humanos. A concretização da transformação dos sentimentos, pensamentos e intuição na relação do indivíduo com o mundo acontecem. Quando o sentido do eu atinge o mais alto plano da consciência a identidade passa do individual para o todo. No sentido último, o eu se dissolve com o não-eu e tudo começa a fazer parte de uma única realidade.

A verdadeira cura para a falta de incompletude, só é possível quando percebemos, sentimos, pensamos e criamos a partir da experiência de unidade. Enquanto não nos sentirmos completos tentamos preencher o vazio existencial através da dependência com o outro. A satisfação e o equilíbrio acontecem quando começamos a sentir que somos fontes de insatisfação e que a nossa consciência está presente, vivenciando o experienciar da totalidade, e que ela em si mesma é criadora, doadora de amor e vida.

A energia que nos estrutura da velha imagem e, da velha imagem de mundo, permanece muito forte na percepção da pessoa em sonhos e visões durante o processo de renovação. Um novo sentido de si mesmo surge ao lado das novas motivações e objetivos renovados. Como o processo de renovação causa um considerável incômodo na mente comum, ao fundir-se com a energia, são necessários considerar determinadas condições, uma certa privacidade, para que o self possa ser ativado em uma relação interna, sendo necessário precisar de uma estrutura emocional para avançar através do processo de transformação. A expressão artística jorra, uma vez que o pensamento criativo é ativado. Para que isto aconteça é necessário que exista um trabalho de meditação.

8 CONCLUSÕES

“Não somos seres humanos tendo experiências espirituais, somos seres espirituais tendo experiências humanas”.

Pierre Teilhard de Chardin

A busca de sentido para a vida e paz nos impele a todos. Esses desejos do coração constituem a nossa luta no mundo, no lugar onde ocupamos nosso espaço, na nossa responsabilidade na comunidade humana, tanto pessoal como profissionalmente. Enfim, como viventes do planeta terra e co-criadores do universo.

Nos surgem os questionamentos: o que nos favorece uma sensação de muita harmonia e paz se estivermos em frente ao mar, deixando-nos envolver pelo ir e vir da ondas? Ou mesmo, se fechamos os olhos num silêncio interno e nos entregamos à serenidade e beleza de uma terna melodia? Ou ainda, vivenciarmos com inteireza, o deslumbre frente à simplicidade da flor? O que nos dificulta não experimentarmos sensações nesse mesmo nível estando em casa com a família, na sala de televisão ou à mesa do almoço? E, como foi possível ao pai judeu prisioneiro, descobrir o sentido da vida e a paz de espírito em meio às atrocidades de um campo de concentração nazista, sendo capaz de favorecer seu filho criança, a visão de “A vida e bela” ? E por que Schindler pôde sentir profundamente o sentido da vida e a paz de espírito que o premiou com a benção de tão extraordinária lista? O que permite a tantas criaturas anônimas, entre as quais, alguns de nossos clientes, terem a condição de mesmo entre tantas dores, angústias, medos, decepções, por motivos vários, se abrirem para a vida, o amor, o perdão e a paz, apesar de…?

Estamos navegando em um mesmo barco, onde tempestades assustadoras ocorrem. A falta de visão focada em um mundo melhor parece nos dominar. Precisamos aprender a remar com harmonia, rejeitando o ódio, a raiva, o medo, o orgulho… Precisamos nos colocar com coragem para fazer a grande mudança de vida. Para que este processo ocorra é necessário começar por nossas crianças, mostrando para elas a importância do amor, da bondade, da fé, da esperança, da compaixão, enfim, como é importante tratar o outro com respeito e dignidade. Cada um de nós tem responsabilidade em nossos encontros diários e em ser veículo de transformação e união com a energia universal. Desta forma, poderemos mudar o mundo.

Toda a sabedoria está dentro de nós. Se conectarmos com ela, nos tornaremos nossos melhores professores. Iremos, juntos, encontrar a paz e poderemos vivenciar, sem amarras, o presente, pois o fundamental é o agora com todas as suas contradições, independentemente do que foi absorvido por nós. E, à medida que isso vai ocorrendo, ficaremos livres da dependência de outras pessoas a ditar normas e valores defendidos por eles. O ponto central será sempre atingir o nosso eu profundo e, com ele, entrar em conexão com todo o potencial criativo existente dentro de nós. Ficaremos mais felizes e humanos. Poderemos harmonizar e fazer mais feliz nosso relacionamento.

Deste modo, é necessário ter consciência das polaridades de luz e escuridão dentro de nós, para que a transformação possa ocorrer. Ter uma posição ativa neste processo é responsabilidade de todos. Estes trabalhos com as energias do universo é um processo, em primeira instância, em nível individual seguindo para o coletivo. Quanto mais aceitarmos estas polaridades dentro de nós, mas o mundo conseguirá a sua paz e cura espiritual.

Acreditamos, por nossas próprias experiências, bem como, através das observações de outras pessoas, que é possível incluir Deus em nossa vida sem abdicar da nossa mente, se formos capazes de transcender nossos pensamentos de julgamento e análise tão comuns em nós e nos abrirmos para a aprendizagem de ser reflexivos e cheios de empatia.

Segundo a Dra. Jane Katra, no seu livro O coração da mente, em seu ensaio de 1939, “Ciência e Religião”, Albert Einstein escreveu que cada um de nós tem o potencial para uma consciência maior da verdade do que só a análise pode dar: “O conhecimento objetivo nos proporciona instrumentos eficazes para a realização de certos fins, mas a meta máxima em si, o anseio de alcançá-la, deve vir de outra fonte”.

A ciência tem funcionado, no mundo ocidental, como uma religião. Ela iluminou a nossa casa e nos ofereceu confortos vários. Ela nos proporcionou meios de viagem, comunicação e divertimento. Ela dobrou a nossa expectativa de vida no último século. Ela nos forneceu progressivamente um quadro compreensível do universo físico.Por fim, “a ciência forneceu muita quantidade para a nossa mente, mas não necessariamente qualidade para o nosso coração.”( Dra. Jane Katra ). Concluímos assim que existem muitas mentes brilhantes e muito poucos corações iluminados.

Percebemos sentindo fortemente em nossas vidas e na grandiosa oportunidade que nos dão nossos clientes e os amigos com quem partilhamos em profundidade que o algo fortalecedor, curativo e transformador do mundo interno, dos padrões mentais que nos aprisionam a medos, sofrimentos e angústias desnecessárias, é a experienciação – mesmo que em simples lampejos – da conexão com a Grande Luz, que contém em si tudo e todos, todas as partículas luminosas do universo. É sentir algo que nos inunda o ser num estado de quietude, paz, amor. Então, compreendemos ser cada um de nós, apenas parte de uma extensa colcha de retalhos, onde todos, com sua diversidade e beleza, têm a mesma importância e responsabilidade, pois que, se falta um só dos retalhos, a colcha não está completa. Sabemos ainda que ela é bem maior do que a simples soma das partes.

Isso responde aos nossos questionamentos iniciais com a certeza de podermos confiar na força da vida que permeia todos os espaços do universo, sendo possível arvorar-se a em quaisquer que sejam as circunstâncias, saber, por sentirmos, que não estamos sós. Nunca estaremos em abandono, como um barco à deriva. Assim, temos a coragem de arriscar na impotência a entrega plena, total e irrestrita, numa transcendência para algo maior, uma outra dimensão. É quando entendemos o que nos ensina o I ching: “quando não fazemos nenhuma força é que temos a maior força”. Na entrega plena de nossa parte individual, o Todo age com toda sua potencialidade universal. Assim, podemos experimentar a Unidade Cósmica, onde a paz, a harrmonia, a serenidade, a compaixão, o perdão, o amor, a luz… nos envolve interna e externamente.

Enfim, encontrando a verdade que liberta de medos, angústias, desconfianças, preconceitos, separatividade. Somos todos UM. Já não importa se branco, preto ou amarelo; rico ou pobre; bonito ou feio; americano, brasileiro, francês, africano, indiano, japonês ou de onde quer que seja. Não importam os títulos acadêmicos ou de nobreza. O que verdadeiramente importa, é que já sonhamos em ser homens sem fronteiras, herdeiros de Deus, apenas irmãos em humanidade, lutando para não mais a ninguém faltar “o calor do afeto e a energia do pão” Nadja Naíra, ( Pensamentos, Sentimentos, que a Vida Maior inspirou…, 1997).

Irmãos de tudo e de todos, do sol de lua, das estrelas, das matas, dos rios e das fontes, numa convivência amorosa e fraterna com todos os seres da criação.

Surge, desta forma, o deslumbre e o encantamento de acessarmos nossa divindade, que nos revela ao mesmo tempo nossa grandeza como ser (humano dotado de consciência) e nossa pequenez (pelo tanto que ainda carecemos aprender), frente à imensidão do todo universal. E tudo é luz, é amor, é paz… possível a unicidade vivencial em Deus. Podendo sonhar como nos convida John Lenon:

Imagine

Imaginar que o mundo Além de mim, há mais alguém

Possa viver em paz Se junte a quem pensa assim também

Não há inferno, não há céu E o mundo vai ser um só…

É só tentar imaginar Imaginar que a terra

Somente o firmamento Possa ser bem melhor

Feito apenas pra sonhar… Pra permitir sementes

Pessoas sem fronteiras Sem dividir o chão.

Vivendo pra viver Imaginar a fome

Nenhuma dor, nem guerra Dando lugar ao pão ?

Nada por que morrer

Haver um Deus apenas John Lennon

Como é bom imaginar…

Não é loucura nem sonho

E nos perguntamos: Será que mudamos alguma coisa no sentido do nosso estar sendo, desde os nossos primeiros encontros até atualmente? Será que houve alguma mudança na nossa forma de agir, de reagir, diante de tudo que a gente tem, fala, estuda, pesquisa? Será que a gente está conseguindo colocar isso em prática com a mesma seriedade com que a gente busca falar, interpretar o que estudamos e acreditamos? Talvez não tenhamos respostas precisas, mas continuamos com buscas profundas. Entretanto, hoje percebemos a importância desses encontros que vivenciamos e o quanto isso nos dá suporte para vivências cada vez mais transcendentais.

Portanto, é hora de assumirmos os caminhos que escolhemos, que trazem sentido e paz a nossas vidas. Vivendo com fraternidade, sendo solidários, temos a certeza de que nunca seremos solitários. A luta na vida se faz intensa, na conta bancária apenas um saldo para atender dignamente às nossas reais necessidades.Mas, na economia íntima, a riqueza é imensurável, com a segurança e serenidade de que nunca esse bem nos será roubado. É um valor imperecível, permanente, pois que é aquisição interior, espiritual. Não há maior fortuna do que sentir e conhecer Deus a se revelar em tudo e em todos. Precisamos, também, assumir a responsabilidade de compartilhar com os outros tais tesouros, pois sabemos que nada nos pertence, mas sim, ao universo. Com efeito, de todos…

Não temos a pretensão de que nossas vivências sejam as melhores ou mesmo as mais ricas e corretas para todos. Sabemos simplesmente que são nossas mais profundas e extraordinárias verdades perante a vida. Afinal, cada um tem as suas verdades e crenças, as quais respeitamos com muito zelo, visto já ser um contra-senso, com tais aprendizagens, não termos conquistado pelo menos pequeninas sementes de respeito à liberdade e diversidade de cada um.

Desejamos sim, com muito amor, simplicidade e transparência – referendando a presença de Deus em nossas vidas – Compartilharmos nosso viver e fazer mais profundos… Eis-nos aqui a convidar aqueles que possam e queiram se dispor a correr o risco de participar da nossa gratidão, pois que :

A experiência nos revela que, a vida é um hino de louvor a Deus, um poema de beleza, convite perene à gratidão.

Por isso, há somente razões para o agradecimento e bem poucas necessidades para solicitações.

Que seja a nossa gratidão silenciosa, que opere no bem, e que seja este o estímulo constante para a nossa existência.

A fidelidade aos compromissos nobres da vida, aos quais aderimos, espalhando ondas de otimismo, confiança e esperança; a atitude paciente e bondosa para com aqueles que ainda não compreendem o que já podemos compreender; perseverança nas ações relevantes quando tantos outros abandonam; o clima mental de paz e união com tudo e todos, sejam as formas de expressarmos gratidão a Deus e à vida pela honra de estarmos conscientes da nossa existência e presença no Universo.

A nossa gratidão seja o amor que se expande e envolve a todos quantos se aproximem de nós, experimentando a paz e a alegria de viver. Enfim como nos propõe a Prece da Paz :

Prece do grande mestre Lee na abertura da cerimônia da Assembléia-Geral das Nações Unidas no dia 28 de agosto de 2000.

“É uma honra ter a oportunidade de oferecer esta prece de paz diante de tantos líderes religiosos e espirituais ilustres. Estou muito grato por isso. Oremos.

Ofereço esta prece de paz

Não para um único Deus nem para muitos deuses,

Não para o Deus cristão,

Não para o Deus judeu,

Não para o Deus budista,

Não para o Deus islâmico,

E nem mesmo para os deuses indígenas de muitas nações,

E sim para a divindade interior que temos dentro de nós,

Que nos torna a todos irmãos e irmãs,

Para fazer de nós uma única família

Em nome da humanidade.

Ofereço esta prece de paz

À unidade cósmica que é nosso direito inato,

Ao nosso privilégio

E à nossa força

Que, se deixarmos brilhar, nos mostrará o caminho,

Nos conduzirá para a estrada da paz.

Não da paz cristã,

Não da paz judaica,

Não da paz islâmica,

Não da paz budista,

E nem mesmo da paz indígena de muitas nações,

E sim da paz humana,

Que tem um lugar no coração de todas as pessoas,

Para permitir que realizemos nosso potencial divino,

Para que nos tornemos os filhos de uma única humanidade.

Ofereço esta prece de paz

Para permitir que todos percebamos

A verdade da nossa existência,

Para permitir que descubramos

A santidade da nossa vida,

Para permitir que procuremos

A espiritualidade do nosso ser.

Por favor, permita que experimentemos

Com todo nosso coração e nossa alma

A íntima ligação com o divino,

Que todos possuímos dentro de nós,

Pois nosso corpo é o templo da adoração,

E nossa alma, o altar

Sobre o qual nos ergueremos confiantes

E realizaremos o verdadeiro significado de nossa existência.

Ofereço esta prece de paz

Para declarar uma revolução do espírito humano.

Quero anunciar que é chegada a hora

De despertarmos espiritualmente

E nos tornarmos iluminados,

Porque o tempo das trevas terminou.

A idade da iluminação elitista já passou.

Por quanto tempo vocês vão esperar que os profetas desçam

Das montanhas e nos digam o que fazer?

Todos precisamos nos tornar iluminados,

Para reconhecer nossa divindade,

Para elevar nossa consciência,

E proclamar nossa independência com relação à cega confiança

nos antigos sábios,

E encontrar as respostas na nossa própria fonte de sabedoria Espiritual.

Precisamos nos tornar os seres iluminados,

Precisamos perceber a nossa unidade.

Declaro que precisamos nos tornar “terráqueos”.

Da Terra

E não de qualquer religião, nação ou raça.

E sim desta terra, para esta terra e por esta terra,

Para criar uma paz duradoura

Na Terra.

Ofereço esta prece de paz

Para que as Nações Unidas, onde nos erguemos hoje,

Se levante da areia movediça da politicagem

E cumpra sua meta eminentemente espiritual,

Que é erradicar a doença da guerra

E criar um mundo justo e pacífico.

Esperemos que a ONU encontre a força e a vontade

De se tornar o porta-voz de todas as pessoas da Terra

E não apenas de umas poucas nações privilegiadas.

Esperemos que a sabedoria da ONU

Se torne o norte que todos poderemos seguir

Em direção à terra prometida de amor e de paz.

Suplico a vós, Deus de todos os deuses, o divino que vive

dentro de todos nós e nos liga em uma só vida,

Que institua uma ONU Espiritual,

Que nos guiará em direção ao próximo milênio.

Ofereço esta prece de paz

Com todos meus companheiros terráqueos

Em prol de uma paz duradoura na Terra”.

9 BIBLIOGRAFIA

1. WEISS, Brian L.. A Divina Sabedoria dos Mestres, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 1999.

2. REDFIELD, James e ADRIENNE, Carol : Guia da Profecia Celestina. Editora

Objetiva. Rio de Janeiro, 1995.

3. SANTOS, Antônio Monteiro: Momentos Milagrosos, A Natureza da Força da

Mente nos Relacionamentos e na Psicoterapia. Editora Vetor. 1 Edição. São

Paulo, 2004.

4. GAWAIN, Shakti e LAUREL, King. Vivendo na Luz, Um Guia para a

Transformação Pessoal e Planetária. Editora Pensamento. São Paulo.

5. BERTOLUCCI, Eliana: Psicologia do Sagrado – Psicoterapia Transpessoal. Edições Agora, São Paulo, 1991.

6. PROPHET, Elisabeth Clare: Chaves para o seu Progresso Espiritual, notas de Isabel Lopes. Publicação Câmara Brasileira do Livro, São Paulo, 1999.

7. GROF, Stanislost e GROF, Cristina: Emergência Espiritual, Crise de Transformação Espiritual. Edição Cultrix, São Paulo.

8. OSHO: Eu sou a Porta, o sentido da iniciação e do aprendizado – traduzido por Ma Prem Arsha. Editora Cultrix, São Paulo.

9. YOGUE, Ramacha Raca: Lições sobre o desenvolvimento mental – tradução de Francisco Valdomiro. Editora Pensamento, São Paulo.

10. LEE, Seung Heun: O Caminho da Iluminação – tradução Cláudia Duarte. Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2003.

11. CAMARGO, Jason de: Educação dos Sentimentos. Editora Letras da Luz, Porto Alegre, 2005.

12. CAPPELLARI, Jéferson L.: A Força da Vida – Fonte de Energia e Consciência. Editora Sal da Terra, João Pessoa, 2000.

13. FRANCO, Divaldo Pereira: Autodescobrimento – Uma busca interior (pelo espírito de Joanna de Angelis). Livraria Espírita Alvorada Editora, Salvador, 2000.

14. FRANCO, Divaldo Pereira: Amor, Imbatível Amor (pelo espírito de Joana de Angelis). Livraria Espírita Alvorada Editora, Salvador, 1998.

15. FRANCO, Divaldo Pereira: O Homem Integral (pelo espírito de Joana de Angelis). Livraria Espírita Alvorada Editora, Salvador, 1995.

16. KATRA, Jane e TARG, Russell: O coração da mente – Como ter a experiência de Deus sem dogma, ritual ou crença religiosa. Editora Cultrix, São Paulo, 1999.

17. WALSCH, Neale Donald: Conversando com Deus – Novo diálogo sobre os maiores problemas que afligem a humanidade (Livro II). Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro, 1997.

18. GAWAIN, Shakti: A visualização criativa pode mudar sua vida – Usando o poder da imaginação para criar o que você quer em sua vida. Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2002.

19. ROGERS, Carl R.: Um Jeito de Ser. Editora Pedagógica Universitária, São Paulo, 1980.

20. MAY, Rollo: O homem à procura de si mesmo. Editora Vozes, Petrópolis, 1971.

21. HAY, Louise L.: Você Pode Curar Sua Vida.Editora Best Seller, São Paulo, 1999.

22. NETO, Francisco do Espírito Santo: Além do Horizonte – Conceitos para desenvolver uma visão integral (pelo espírito de Hammed). Boa Nova Editora e Distribuidora de Livros Espíritas, Catanduva, 2001.

23. YOGANADA, Paramahansa: Onde Existe Luz – Discernimento e Inspiração para Enfrentar os Desafios da Vida. Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, 1997.

24. KRISHNAMURTI, J.: Aos pés do mestre. Editora Pensamento, São Paulo, 1999.

25. RAMACHARACA, Yogue: Curso adiantado de filosofia Yogue. Editora Pensamento, São Paulo, 1997.

26. OSHO: Aprendendo a silenciar a mente – Um caminho para a paz, alegria e criatividade. Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2002.

27. ROSENFELD, Sandra: O que é meditação. Editora Nova Era, Rio de Janeiro, 2002.

28. BATÁ, Ângela Maria La Sala: Conhecer para ser. Editora Pensamento, São Paulo, 1995.

29. BOAINAIN JR., Elias: Tornar-se Transpessoal – Transcendência e Espiritualidade na obra de Carl Rogers. Summus Editorial, São Paulo, 1998.

30. BRENNAN, Barbara Ann: Mãos de Luz – Um guia para a Cura através do Campo de Energia Humana. Editora Pensamento, São Paulo, 1987.

31. BRENNAN, Barbara Ann: Luz Emergente – A Jornada da Cura Pessoal. Editora Pensamento-Cultrix, São Paulo, 1993.

32. Centro de Pesquisa da Evolução da Consciência (CEPEC): Meditação – Princípios básicos.

33. HEADBEATER, C.W.: O lado oculto das coisas. Editora Pensamento, São Paulo, 1996.

34. BESANT, Annie: O poder do pensamento. Editora Pensamento, São Paulo.

Estudo de Caso

“Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo… E aventurar-se no sentido mais elevado é precisamente tomar consciência de si próprio”.

Kierkgaard

A vida se apresenta em incessantes transformações. Nada permanece inalterável.

Alterações no ser humano são conseqüências de padrões mentais diversos, vários níveis de consciência, de filosofias de vida diferentes, enfim, do que cada um elege como valor próprio.

Conforme pensa, assim é o comportamento, pois a mente expressa a realidade íntima. Antes de qualquer acontecimento se expressar no exterior, surgiu inicialmente no pensamento. Desta forma, nossas afirmações ou negações mentais se materializam na nossa realidade objetiva por conseqüência do campo energético que criamos em torno de nós próprios, atraindo o que se apresente em sintonia vibratória.

No cultivo de idéias negativas, pessimistas, geramos desequilíbrios de toda ordem, resultando em angústias profundas. Aí, são tantas as aflições, as lutas, decepções, violências, medos, culpas, punições que nos desencorajam, levando-nos muitas vezes a desistirmos da nossa maior e mais bela conquista: a de nos fazermos felizes.

Frente a tal circunstância, passamos a ter medo de nós mesmos e dos outros, tornando-nos ilhas individuais e grupais, alimentados por relacionamentos superficiais, onde, para tantos a depressão se instala.

No indivíduo em depressão, podemos encontrar muito ódio contido inconscientemente sem que ele se dê conta. A indiferença pela vida, o medo de enfrentar situações novas, o pessimismo, camuflam mágoas, ressentimentos, raivas não digeridas, favorece-lhe a perda da vontade de viver, correndo o risco de suicídio.

Quando nossas paisagens interiores se fazem sombrias e angustiantes, as exteriorizamos numa leitura de mundo sem cor, sem luz, sem sentido para a existência. O que nos leva a tais padrões mentais? Como compreender-nos e ajudar-nos?

Buscando enganar a sua realidade mediante a própria fantasia, o ser humano procura a projeção da imagem sem apoio da consciência. Evita a reflexão, permanecendo em contínuas tentativas de se negar, mascarando a sua individualidade. Teme profundamente a consciência lúcida, que descobre e separa objetivamente o que é real daquilo que apenas parece, por preferir acomodar-se e não ter que assumir responsabilidades; é mais fácil ser criança, independentemente de sua idade cronológica.

A larga infância psicológica das criaturas é dos mais graves problemas na área do comportamento humano.

Sendo habituada a criança a ser super protegida, mimada pelos adultos – pais, familiares, amigos, etc – ou atendidas apenas pela violência da família e da sociedade, apresenta desvios no seu processo evolutivo, negando-se a crescer, evitando as responsabilidades que enfrentará.

Em tais circunstâncias, o desenvolvimento emocional não corresponde ao físico e ao intelectual, que não são afetados pelos fenômenos psicológicos da imaturidade. É possível que surjam distúrbios físicos ou mentais por conseqüência das angústias por longas privações dos sentimentos vivenciados.

O que mais se observa são as apresentações de adulto inseguro, medroso, instável, ciumento, cheio de melindres, que não superou as dificuldades infantis, permanecendo em conflitos que lhe produzem intenso sofrimento, onde as figuras parentais (pai e mãe ou seus representantes) permanecem em atividade emocional, no seu inconsciente, resolvendo os problemas (protegendo-o) ou atemorizando-o, levando-o à fuga, distanciando-se da responsabilidade.

Na fuga das situações de decisão, optam encontrar pessoas superiores para lhe amparar, renunciando ao seu poder pessoal.

Assim, os conflitos se intensificam, assumindo a postura de coitadinho (autocompaixão) numa busca de carinho e assistência, sem se preocupar em retribuir.

Instável emocionalmente, a fuga também se expressa no amor igualmente infantil, onde busca apoio e transfere para a pessoa querida suas responsabilidades e preocupações, tornando a relação afetiva asfixiante e pesada para quem protege.

“Não tive família, sempre fui uma coitada, até quando conheci Marcos. Ele passou a ser meu tudo. Casamos e formamos uma linda família. Eu não precisava de mais nada. Não sentia falta de trabalho, de festas, outras coisas, o que quer que seja, eu vivia apenas para realizar o meu sonho: uma família feliz…. Ele me trocou por outra. Não sei o por quê, só sei que estou quase enlouquecendo…”

Apresenta-se como vítima das angústias da vida, onde os outros lhe aborrecem, não lhe compreendem, nem respeitam, magoam, usam. O problema é sempre o outro, nunca ele mesmo, vive cheio de justificativas desculpistas como: a culpa não é minha; tudo comigo dá errado; sou sem sorte; não estou acostumado; as pessoas não gostam de mim; as pessoas não têm nível para compreender que eu sou assim; não aprendi dessa forma; essa é a minha natureza… Não se abre para assumir as suas responsabilidades frente aos desafios naturais da vida. Preferem a permanência na “síndrome de Gabriela” de Caimi: Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou bem assim, vou ser sempre assim…

Encontramos então a dor, a angústia e o medo da solidão, embora muitas vezes camuflados pela falsa imagem de felicidade que procura demonstrar. É a cultura do sucesso-aparente que lhe faz vítima e prisioneiro de si mesmo, ansiando por liberdade. Ele não se apercebe que o homem solitário é alguém que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado.

Sem compreender suas reações pessoais, sempre imprevisíveis, facilmente se desequilibra com ações violentas ou se entrega à depressão, bastando que dificuldades em atender seus desejos apareçam. Da melancolia profunda ele passa à ansiedade com alternâncias de insatisfação e tentativas de auto-destruição e da desconfiança sistemática, não conseguindo resistir aos insucessos e dores da existência.

“Nada me importa, não quero fazer nada, nem ver ninguém. O que quero mesmo é morrer. Assim tudo acaba…tudo mesmo…”

Na psicoterapia, ele apresenta suas queixas e dores como causadas pelos outros. Ele só é vítima. Na maioria das vezes se aborrece e se assusta quando é convidado a refletir acerca de seu martírio íntimo. Será que não é oriundo de si mesmo? Estará disposto a compreender que: a liberdade é uma conquista de cada indivíduo; se faz lentamente, com o acúmulo de experiências que amadurecem o discernimento e a razão de que se utiliza no momento em que ele as vivencia.

Com a decisão da luta pela libertação, inicia pela escolha por si próprio, no aprendizado do amar-se, aceitar-se, respeitar-se do jeito que é, compreender que só assim poderá chegar ao que deseja ser. Esse amor por si mesmo ergue o homem aos patamares superiores da vida, buscando ideais para alcançar.

Descobre que possui vastos recursos interiores adormecidos, inexplorados a espera de serem desenvolvidos. Para tal, faz-se imprescindível o encontrar-se profundamente, o confronto da sua realidade íntima. Lentamente vão sendo retiradas as defesas que lhe prendiam as conveniências sociais, do conforme desejado, perguntando a si mesmo: quais suas reais necessidades? Que valores deseja para sua vida? O que o levou a tais caminhos em sua existência? O que fez dos seus sonhos de infância, adolescência, juventude? Quais os reais motivos da sua não realização? Quais os sonhos que ainda carecem ser realizados? Enfim, o que fazer quando assume ser dono do seu destino? Quando decide então gestar-se?

Compreende que o parto produz dor e recompensa com bem-estar, ensejando vida. O autodescobrimento é também um processo de parto, impondo a coragem para o acontecimento que libera.

Examinar as possibilidades com decisão e enfrentá-las sem mecanismos desculpistas ou de fuga é o passo a seguir.

“Sinto medo de mim mesma… Certas coisas que penso e sinto. Às vezes pergunto a mim mesma: Será que realmente as pessoas me maltrataram ou foi eu quem pensou assim? Por que minha prima fala que tinha tanto ciúme de mim, a mais bonita e preferida de nossa tia? Meus irmãos acharam maravilhoso morar naquele casarão lá na fazenda, com aquela família…Eu tinha pavor…”

Aventurar-se, no bom e profundo sentido da palavra, é a estimulação de valores, revelação dos conteúdos íntimos, proposta de experiência nova. A ansiedade e a incerteza decorrentes da tentativa fazem parte dos projetos da futura estabilidade psicológica, do armazenamento dos dados que cooperam para uma vida estável, realizadora e feliz.

Na árdua luta, os insucessos são inevitáveis, mas são a afirmação e confirmação do grande investimento, significa estar na vida literalmente, assumindo o dever de se enfrentar, de descobrir qual é a sua identidade e, acima de tudo, aceitar-se, amar-se. Nesta oportunidade é de grande importância o uso dos recursos tais como a respiração, o relaxamento, a meditação, a visualização criativa, as afirmações positivas…

“Lembro de minha mãe indo embora…Tenho tanto medo… É uma dor tão grande…Meu pai morreu logo depois. Não quero chorar, nunca mais eles voltaram. Mesmo sabendo que morreram no acidente, eu sempre lhes esperava, olhando pela janela, dizendo a mim mesma: Não tenho nada mais, nem mãe, nem pai… não quero tio, nem tia.Quero minha família…”

O descobrir que a própria identidade é única, especial, em decorrência de muitos fatores, favorece a manutenção do bem-estar íntimo, impedindo fugas atormentantes e inúteis.

“Começo a me lembrar de certos momentos que meus irmãos dizem termos vivenciado, mas que eu não conseguia identificar. Foto da minha tia comigo, muito sorridente, no meu aniversário de nove anos. Acho que eu é que não me deixava gostar dela, assim ela poderia tomar o lugar da minha mãe. Eu não podia deixar de amar a minha mãe nunca.”

O amor que descobre e alimenta em si, reconhece-o também nos outros, percebe-o oferecendo claridade e calor, ao mesmo tempo que alimenta com paz a todos os envolvidos nessa energia: quem ama e quem é amado.

“Percebo que neguei muitas alegrias em minha vida por não viver meu sentir. Acho que odiei meus pais por nos terem abandonado, mesmo por morte. Mas eu também os amava. Como eu poderia amá-los e odiá-los ao mesmo tempo? Era uma confusão. Eu amava minha mãe, mas achava que não era certo com minha tia. Eu queria ir embora daquela casa. Ei! É por isso que não gosto de fazenda?”

Desenvolve-se a consciência de si mesmo, sem disfarces ou rejeições. Vai amadurecendo emocionalmente para a realização de sua existência livre, rica e feliz, sabendo que não deixarão de existir os obstáculos naturais na vida. Entretanto, compreende que encontrará em si a mensagem de crescimento que lhe transmitem. As coisas tornam-se uma questão de quando, não mais de como.

“Hoje vejo que só vivi em função dos outros. Acho que ainda gosto do meu marido, mas já sei que não me serve mais. Eu é que tinha a ilusão de que era feliz. Como isso podia ser real, se só existia ele? Sei que ainda estou longe de onde quero chegar, mas vou chegar. Sinto que sou eu mesma, dona de mim. Meus filhos dizem que estou mais jovem, mais bonita. Perguntam: mãe, você está namorando? Quem é o felizardo? Sorrio e respondo: sim, estou namorando a mim mesma, com muito amor. Sou eu a grande felizarda. Ainda vou dar muito duro eu sei, mas já sou feliz comigo mesma e sei que outros também são felizes comigo…”

Aprofundando-nos cada vez mais numa viagem interior, conseguiremos tocar a verdade, guiados pela sabedoria espiritual que nos impele a fazer determinadas coisas, não porque alguém acha que deva ser assim, mas porque são certas. É possível assim entrarmos em contato direto com o universo, com toda a sabedoria e todo o entendimento. Todo o conhecimento do universo está oculto nós. Para fazermos aflorar esse conhecimento, pensemos de modo criativo. Mergulhemos fundo na nossa própria mente, encontrando as pérolas das soluções corretas para os problemas que enfrentamos.

Com a aprendizagem do uso da mente podemos evoluir e realizar a nossa unidade com o criador. Haverá, assim, serenidade por sermos guiados por nossa consciência, o divino poder do discernimento dentro de nós. Seremos capazes de iniciativa, pois aquele que cria não fica esperando uma oportunidade, culpando as circunstâncias, o destino ou Deus. Sempre que desejarmos criar alguma coisa, não confiemos em fontes externas. Aprofundemo-nos e nos propiciemos a fonte infinita. Alimentemos apenas amor pelos outros em nosso coração. Quanto mais vermos o bem neles, tanto mais estabeleceremos o bem em nós mesmos, mantendo a consciência do bem. A maneira de tornarmos as pessoas boas é reconhecermos o bem nelas.

Pensamentos podem às vezes ser mais eficazes do que palavras. A mente humana é a mais poderosa estação transmissora que existe. Se indagarmos constantemente pensamentos positivos com amor, esses pensamentos terão efeitos sobre os outros.

O mundo como um todo tem esquecido o significado real da palavra amor. No sentimento universal, é o poder divino de atração que, na criação, harmoniza, une, prende juntos. Aqueles que vivem em sintonia com a força atrativa do amor harmonizam-se com a natureza e com seus semelhantes e são atraídos para a união bem aventurada com Deus.

Portanto, quando alcançamos o nosso ser profundo, compreendemos que o maior amor que podemos viver é a comunhão com o todo, com Deus na meditação. É o amor perfeito que todos estamos procurando. É a felicidade. Quando meditamos, o amor cresce. Milhões de emoções atravessam o nosso coração. Se meditamos profundamente, virá a nós um amor tal que a linguagem humana não pode descrever; conheceremos nosso divino amor e seremos capazes de dar esse amor puro aos demais. Tudo é luz, tudo é alegria, tudo é paz, tudo é amor. Somos Ele e tudo… É o samadhi, comunhão, unidade com Deus.

Apresentado no VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa – Canela RS – 9 a 15/10/2005