O FUTEBOL COMO PROMOTOR DE SAÚDE DE MENINAS DO CAMPO DA TUCA

Dulce Maria Bedin

SECRETARIA DA SAÚDE DO RIO GRANDE DO SUL

ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA

RESIDÊNCIA INTEGRADA EM SAÚDE COLETIVA

CENTRO DE SAÚDE ESCOLA MURIALDO

Projeto de Pesquisa de R2:

ORIENTADORAS:

Eliane Ribeiro Pardo

Rose Teresinha da Rocha Mayer

CO-ORIENTADORA:

Lúcia Thaler

Porto Alegre, 2005.

COMENTÁRIO INTRODUTÓRIO

Inicialmente preciso situar o leitor que recebeu este projeto através da publicação dos anais do VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa.

Este projeto foi escrito em fevereiro de 2005 como requisito para a conclusão da Residência Integrada em Saúde Coletiva e por isso, toda a linguagem teórica (diferente da prática que pode bem ser observada como centrada na pessoa, através das minhas atitudes) do projeto não inclui referências de Rogers ou outros autores da Abordagem Centrada na Pessoa, já que estarei utilizando a ACP apenas na redação final da Pesquisa, o que deverá acontecer em dezembro de 2005.

Portanto, comprometo-me em enviar a pesquisa concluída a todos que se interessarem. Para isso, realizem contato através de meu e-mail: dulcebedin@uol.com.br

Por fim, gostaria de colocar que meu maior interesse neste momento é o de compartilhar com as pessoas do VI Fórum Brasileiro da ACP que se interessam pelo tema, minha atual experiência como psicóloga inserida na atenção primária à saúde coletiva em uma Unidade Básica de Saúde, conforme os princípios do Sistema Único de Saúde do Ministério da Saúde.

SUMÁRIO

1. Futebol? Justificativa e Importância…………………………………………………………. 03

2. Objetivos……………………………………………………………………………………………… 06

3. Metodologia…………………………………………………………………………………………. 06

4. Cronograma…………………………………………………………………………………………. 13

5. Orçamento…………………………………………………………………………………………… 14

6. Referências Bibliográficas……………………………………………………………………… 15

7. Anexo………………………………………………………………………………………………….. 18

1. Futebol? Justificativa e importância.

Nos últimos meses, tenho pensado em maneiras de trabalhar nas comunidades em que atuo, promovendo saúde e prevenindo adoecimentos.

Entre muitas idéias e possibilidades de trabalhos, pesquisas e projetos a desenvolver, fui me decidindo por realizar uma pesquisa com a comunidade do Campo da Tuca (área de abrangência da Unidade Básica de Saúde 7-UBS 7- situada no bairro Partenon, Porto Alegre / RS). O desejo foi se tornando idéia e, com isso, iniciei a busca por contatos para esclarecer meus objetivos e as possibilidades de concretização do trabalho.

A idéia surgiu inicialmente como uma possibilidade remota (talvez por ser uma tarefa difícil, levando em conta que a relação da UBS 7 com a comunidade, especialmente com as lideranças da Associação Comunitária do Campo da Tuca, encontra-se prejudicada há dois anos, quando a UBS 7 mudou-se para a sede central do Murialdo). Contudo, com o passar do tempo foi me parecendo uma atividade possível e interessante.

O futebol é um esporte do qual gosto muito e o enorme campo que se encontra praticamente no centro de nossa área de abrangência (Campo da Tuca) chama minha atenção há algum tempo. Em função disso, comecei a pensar então que poderia realizar alguma atividade relacionada àquele espaço. Assim, por que não realizar um trabalho através do próprio futebol? Comecei a imaginar a criação de um espaço no qual meninas a partir dos 12 anos pudessem estar se reunindo para jogar futebol. Pensei que, além do futebol, também poderia acontecer um momento de convivência em grupo antes dos treinos, imaginando que, com isso, este espaço se tornasse incentivador para a busca de melhoria na qualidade de vida de cada participante.

Como coloca Arpini (2001), percebo que são inúmeros os trabalhos com jovens de populações carentes, mas, analisando bem, vejo que a maioria destes são voltados para a recuperação, reabilitação. Parece-me difícil encontrar saúde quando, de saída, o que se procura é o que se julga ser doença. São trabalhos nos quais os jovens podem se inserir “desde que estejam em estado de vulnerabilidade” (e às vezes ser pobre é sinônimo de doença), ou seja, para receber ajuda, cuidado, é preciso primeiro adoecer. Percebo que, desta forma, fica mais difícil encontrar maneiras de promover a saúde, pois ainda estamos olhando muito para a doença e pouco para as qualidades, os potenciais humanos. Através do trabalho a que me proponho, estarei pensando a saúde para além dos índices epidemiológicos que são importantes, mas não adentram as esferas do simbólico, representacional, do desejo que é também saúde e que pode vir a indicar melhores eixos para a promoção, prevenção e intervenções futuras com essa comunidade. Espero com isso encontrar sinais importantes e significativos nas relações sociais, podendo acessar a estas como na verdade são, e não como achamos que deveriam ser.

Talvez com isso eu encontre indicativos de um modo de ser diferente do meu, mas não menos valioso, e com isso possa criar, junto à comunidade, trabalhos que realmente façam sentido para todos os envolvidos. É como defende Ferro (1986, p.43) abordando o conceito de prevenção em saúde mental: “é colocar-se na encruzilhada, pondo palavras ao desconhecido, ao que não se sabe, ao que se oculta porque não se suporta, escutando a cultura, entregando a técnica e recuperando a palavra para que se funda num projeto político de transformação para a melhoria de vida de nosso povo”.

Ao falar em recursos internos, Canguilhem (1978) coloca que o homem saudável seria aquele que se sentisse capaz de adoecer e de afastar a doença. Ele propõe grandes discussões a tudo que se apresenta como regra, uma vez que estas deixam de lado as particularidades.

Os estudos e pesquisas na área do futebol como fator de sociabilidade e foco de representações já têm sido bastante publicados. No entanto, praticamente todos estão voltados ao futebol masculino. Ainda assim, são muitos os achados que falam dos vários aspectos que o futebol pode proporcionar entre grupos e comunidades.

Pesquisas, como a de Goellner (2000), fazem uma retrospectiva da participação da mulher no mundo do futebol. Existem registros que provam que o Presidente Getúlio Vargas, em 1940, proibiu o futebol feminino no Brasil, pois colocava que às mulheres não se permitiria a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza. Alguns médicos publicavam em jornais que a prática deste esporte poderia ser prejudicial às curvas femininas e aos órgãos reprodutores. Havia ainda outra deliberação (CND – nº7/65), reforçando esta proibição que dizia: “Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, pólo aquático, pólo, rugby, halterofilismo e baseball” (Castellani Filho, 1994, p. 63).

Naquela época, então, acreditava-se que a mulher que adquirisse músculos perderia a feminilidade, o que deu origem a um grande preconceito relacionado ao homossexualismo. Tratava-se de construções culturais sobre corpos e atitudes femininos que saíam dos padrões preestabelecidos por essas mesmas culturas.

A proibição do futebol feminino como atividade esportiva durou até 1979, mas a reluta quanto ao futebol feminino como esporte foi tanta que apenas na década de 80 foi reconhecido pelo Conselho Nacional de Desportos. (Goellner, 2000).

Estudos mais recentes, que serão aprofundados no decorrer do trabalho, já procuram compreender o que acontece no espaço onde são disputados campeonatos de futebol feminino, problematizando: o que é ser jogadora de futebol? Quais representações de corpos femininos atravessam e delimitam estas definições? Como gênero e sexualidade marcam estes corpos?

Há neste sentido, considerações que destacam existirem vários grupos em torno do mesmo interesse: jogar bola. Um critério importante para a formação de grupos de amigas e equipes é o treino nos campos mais próximos de suas moradias. Nesse caso, há uma identificação não só com o gosto pelo futebol como também com o bairro e localidade onde vivem suas histórias.

Brandão (1994), analisando o espaço de esporte na vida das pessoas, acrescenta que é oportuno pensar o esporte como o encontro de pessoas, de corpo e espírito, além de considerar que a prática do esporte não está na produção de algo, mas no próprio encontro de sujeitos.

2. OBJETIVOS

Tendo em vista todas as colocações anteriores, busco com a pesquisa analisar o processo de construção de um trabalho de intervenção com a prática cultural e social do futebol, colocando em foco os benefícios da prática de esportes priorizando a vivência do jogo de futebol em si, em sintonia com o princípio de ser um espaço de lazer que prima pela inclusão social.

Tenho também como objetivo promover a saúde estimulando o crescimento e o desenvolvimento pessoal das meninas da área de abrangência da UBS 7. Para isso, procurarei motivar as meninas a participarem de treinos organizados duas vezes por semana, possibilitando que os encontros, além da prática do esporte, sejam espaços de convivência, sociabilidade e saúde, nos quais as meninas encontrem apoio e acolhimento para as mais diversas necessidades.

Ainda objetivo compreender qual o significado da prática do futebol para as jovens que o praticam; e em que isso contribui na sociabilidade e na saúde da comunidade?

3. METODOLOGIA: coleta e análise de dados

Para alcançar tais objetivos, fiz alguns contatos com membros da comunidade, a fim de saber o que já existe a esse respeito na área e com quem contar. Falei também com profissionais e contatei com órgãos públicos. Os representantes da Secretaria Municipal de Esportes, Recreação e Lazer (SME) colocaram a possibilidade do fornecimento de bolas e redes, além de disponibilizarem a visita de um profissional Educador Físico para dar sugestões e informações sobre os campeonatos promovidos a cada período e também estimularam a idéia, salientando a importância dos cuidados com a saúde física, na perspectiva da integralidade. Por fim, afirmaram que seria necessária a presença de algum responsável no local para orientações físicas em todos os encontros.

Comecei então a pensar que talvez eu precisasse fazer contato com as universidades de Porto Alegre, principalmente a PUC e a UFRGS (pela proximidade) para avaliar a possibilidade de ter algum estagiário acompanhando o processo, mas logo descobri a existência de estagiários pela Prefeitura Municipal, que são destinados aos trabalhos comunitários, surgindo a possibilidade de poder contar com um deles. Esse passo só será dado a partir de março, quando as universidades retomam suas atividades.

Nos meses de novembro e dezembro de 2004 consegui visitar alguns campos de futebol, na companhia do Professor de Educação Física responsável pela área adstrita ao Partenon e Lomba do Pinheiro. Por conselho dele e devido a várias vantagens encontradas acabamos por considerar, que o melhor espaço seria a quadra de futsal da Praça Francisco Alves (também conhecida como Praça São Judas, devido à proximidade a uma Igreja de mesmo nome), localizada na Vila João Pessoa, com início na rua Mal Mallet e fim na rua Alarico Valença. Soube que já existem trabalhos educativos desenvolvidos tanto pela Prefeitura quanto pelas escolas da região na praça, o local é em uma área mais segura do que o Campo da Tuca e ao mesmo tempo é limite com a área atendida pela UBS7. A utilização da quadra se dá em combinação com o professor responsável que já apóia a idéia do futebol feminino, ao contrário do funcionamento no Campo da Tuca, onde o campo só pode ser utilizado com a autorização da Presidente da Associação Comunitária, que detém a posse das chaves de acesso ao campo de futebol.

Nestes encontros, também fui definindo a escolha pelo trabalho com o futsal ao invés do futebol de campo, pois, conforme me orientou o Professor, é mais fácil começar o trabalho com menos pessoas, e no futsal são necessárias apenas cinco jogadoras para cada lado, e não onze como é no futebol de campo. Acatei a sugestão, e fui atrás do material necessário.

Esta é uma pesquisa qualitativa, na qual, de acordo com Molina (2004), as generalizações não são possíveis, pois a base analógica desse tipo de investigação se centra na descrição, análise e interpretação das informações recolhidas durante o processo investigatório, procurando entendê-la de forma contextualizada.

Este paradigma permite considerar o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um aspecto dos fenômenos que não pode ser reduzido à operacionalização de variáveis; aqui estão em questão as vivências, as experiências, a cotidianidade (Minayo, 1996).

A análise institucional socioanalítica, corrente desenvolvida na França durante as décadas de 1960/70, e a psicoterapia institucional, que surge na década de 50, serão os aportes teórico-clínicos que sustentarão a análise do material pesquisado. Nesta perspectiva, a escolha metodológica passa a ser elemento fundamental, já que pesquisar, no campo das relações institucionais, torna-se imediatamente interferir, intervir. Na tentativa de articular a fundamentação teórica às técnicas investigativas, proponho como orientação metodológica a pesquisa-intervenção.

A pesquisa-intervenção não restringe a ação ou participação à idéia de uma interação entre pesquisador e objeto (Paulon, 2003). Promovendo a análise micropolítica do cotidiano, esta forma de pesquisar visa interrogar os diversos sentidos cristalizados nas instituições, criticar o que está posto como Verdade e instigar os atores sociais a refletirem sobre os efeitos das práticas coletivas que (re)produzem. Trata de produzir evidências que visibilizem o jogo de interesses e de poder encontrados no campo de investigação. Tal metodologia está baseada numa argüição que desmancha os territórios constituídos e convoca à criação de outras instituições (Barros & Passos, 1998).

O procedimento de aproximação ao campo inclui, sempre, a permanente análise do impacto que as cenas vividas/observadas têm sobre a história do pesquisador e sobre o sistema de poder que legitima o instituído, incluindo aí o próprio lugar de saber e estatuto de poder do “perito-pesquisador”, o que consiste na análise de implicação (Paulon, 2003). A análise de implicação, segundo Barros e Passos (1998), consiste na análise do sistema de lugares, o assinalamento do lugar que ocupa o pesquisador, daquele que ele busca ocupar e do que lhe é designado ocupar, enquanto especialista, com os riscos que isto implica.

A intervenção orienta-se no sentido de construir ou utilizar-se de analisadores – eventos ou acontecimentos que, por condensarem questões políticas, afetivas, conflitivas do grupo, trazem à tona dimensões de seu cotidiano dificilmente exploradas. Por apontarem rupturas no instituído e “brechas” na homogeneidade dominante, os analisadores permitem vislumbrar saídas criativas e nem sempre construídas artificialmente como indica a célebre frase de Lapassade (apud Coimbra, 1995, p.65) “é o analisador que realiza a análise”.

A coleta dos dados será realizada ao longo do acontecimento dos encontros. À medida que o grupo de participantes for se constituindo em um time de futebol, farei uso de uma metodologia que inclui Observações Etnográficas, (Diário de Campo, com o maior número de observações possíveis, Memorial e Participação Observante, Wacquant, 2002), Fontes Imagéticas (fotografias e filmagens) e Relatos Orais.

Molina (2004) coloca que um estudo etnográfico, o qual geralmente está presente nos estudos antropológicos, examina a cultura e se propõe a investigar relações e comportamentos complexos e subjetivos. Nesse tipo de estudo, é importante que o pesquisador não tenha a priori indicativos predeterminados, realizando um tipo de observação não estruturada, na qual fará registros os mais descritivos possíveis, sem qualquer juízo de valor. Para isso, indica ser necessário que o pesquisador esteja preparado, pois usará a informalidade como caminho para recolher as informações relevantes ao trabalho. Hammersley e Atkinson (1983) acrescentam que é um processo reflexivo, e uma de suas características mais significativas é a flexibilidade.

O memorial, de acordo com Molina (2004) constitui-se de registros permanentes das situações vivenciadas, com as emoções sentidas e opiniões pessoais. É um relato escrito com ingredientes que aumentam a confiabilidade da informação.

Para analisar os dados, sendo esta uma pesquisa-intervenção, farei uma interlocução continuada: pesquisador – público alvo – campo de pesquisa. Neste sentido, a pesquisa socioanalítica não restringe a análise de dados ao momento de elaboração dos relatórios finais e sistematização formal das informações. Através da permanente análise de implicação com as instituições que atravessam a subjetividade de “pesquisados e pesquisadores”, as questões norteadoras devem funcionar como dispositivos analisadores que remetam à formulação de novas questões, assim como tragam para o campo de análise a reflexão das participantes acerca de suas relações com a prática do futebol como fator de saúde e sociabilidade (Paulon, 2003).

“O conceito operatório de intervenção socioanalítica, forjado empiricamente (analisador construído), é o elemento de uma situação que, negando de uma forma ou de outra o instituído, faz com que ele fale” (Rodrigues, 1995, p.65). É assim que o uso metodológico dos dispositivos analisadores permite articular os acontecimentos.

Todos os registros adquiridos, já citados acima, serão estruturados com o intuito de produzir categorias de análise para o problema central da pesquisa, relembrando: como se dá o processo de construção de um trabalho de intervenção com a prática cultural e social do futebol? E qual significado o futebol tem para as meninas que o praticam, e em que isso contribui na sociabilidade e na saúde da comunidade?

Ainda objetivando a articulação entre os objetivos deste estudo e a forma de investigação proposta pela pesquisa-intervenção, os indicadores de análise serão considerados como resultados parciais a serem tratados durante cada novo encontro.

Previamente às minhas anotações, observações, fotos ou filmagens, as participantes serão esclarecidas sobre a pesquisa através de um consentimento informado por escrito, conforme segue anexo. Aquelas que possuírem menos de dezoito anos de idade, deverão trazer o consentimento assinado por responsável. Caso não o façam, simplesmente não incluirei suas participações no estudo. No corpo do consentimento, estará a opção de desistência da pesquisa a qualquer momento sem que haja qualquer prejuízo à participante. As informações coletadas serão resguardadas por sigilo e em nenhuma hipótese serão usadas de maneira a identificar qualquer uma delas.

Os jogos estão previstos para terem início em abril de 2005, já que é uma atividade proposta a ser desenvolvida pela UBS 7 enquanto promoção de saúde. No entanto, a coleta de dados para a pesquisa está prevista apenas a partir de junho de 2005, período no qual provavelmente o projeto terá recebido a apreciação e aprovação do Comitê de Ética na Pesquisa em Saúde da Escola de Saúde Pública da Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul.

4. CRONOGRAMA

Em dezembro de 2004, após vários contatos com a SME, acabei por conseguir alguns materiais, como duas bolas e redes para as goleiras. Penso que, no decorrer do trabalho, poderei buscar patrocínio, o que pode ocorrer com a participação das meninas ou não, dependendo de como ocorrerá o processo.

Nos meses de janeiro a abril de 2005 pretendo divulgar a atividade, e convidar as meninas a partir dos doze anos de idade (nas escolas e espaços comunitários, contatos com familiares, entre outros), a participarem dos encontros, os quais ocorrerão duas vezes por semana (uma vez à tarde e outra pela manhã).

Conforme colocado, em março buscarei um estagiário de Ed. Física que possa me acompanhar na atividade, para, a partir de abril, iniciar os jogos. Pretendo que estes tenham continuidade enquanto houver interesse das participantes, independente do término da pesquisa. Considero que há diversas maneiras de seguir os encontros, como, por exemplo, contando com a participação dos residentes que vierem posteriormente, com a coordenação da prefeitura ou da própria comunidade, entre outras.

A revisão bibliográfica acontecerá desde janeiro até novembro de 2005, quando encerrarei a análise dos dados.

Pretendo iniciar a coleta de dados no período de junho a setembro de 2005, se o projeto já estiver autorizado pelo Comitê de Ética, e a análise de dados será realizada nos três meses seguintes (setembro, outubro e novembro). Os resultados serão obtidos e estruturados em novembro e dezembro de 2005, sendo o trabalho apresentado e entregue neste último mês à Escola de Saúde Pública e Centro de Saúde Escola Murialdo.

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan

Revisão Bibliográfica X X X X X X X X X X X

Divulgação da atividade e convite à comunidade X X X X

Busca de Estagiário da Ed. Física X

Início dos Jogos X

Coleta de Dados X X X X

Análise dos Dados X X X

Resultados X X

Redação Final X

Revisão X

Apresentação e Entrega X

5. ORÇAMENTO

MATERIAL QTD UNITÁRIO TOTAL

Folhas A4 500 0,03 15,00

Fotocópias 200 0,05 10,00

Cartucho de impressão 1 100 100,00

Disquetes 10 1,00 10,00

Lápis preto n°2 2 1,00 2,00

Caneta esferográfica 4 1,50 6,00

Borracha Látex 1 0,50 0,50

Bolas de Futebol* 2 90,00 180,00*

Redes para Goleiras* 2 150,00 300,00*

Encadernação 2 3,00 6,00

Máquina fotográfica/filmadora 1 1.380,00 1.380,00

Revelações 2 17,00 34,00

TOTAL R$ 2.043,50

* Material fornecido pela Secretaria Municipal de Esportes, Recreação e Lazer.

O restante dos materiais ficará ao encargo da pesquisadora, não ocasionando nenhum gasto para os órgãos envolvidos.

6. REFERÊNCIAS

ARPINI, Dorian Mônica. Identidade, exclusão e delinqüência em adolescentes de grupos populares. São Paulo: Revista Teoria e Técnica, 2001.

BARROS, Regina D. Benevides de & PASSOS, E. Transdisciplinaridade e Clínica. Polígrafo. Niterói/RJ,1998.

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CANGUILHEN*, G. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1978.

CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: A história que não se conta. 4 ed. Campinas, SP: Papirus, 1994.

DECCACHE-MAIA*, Eline. Esporte e juventude no Borel. In: Revista Estudos Históricos. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, v 13 n 23, 1999, p 192-206.

FERRO, Ruben. Prevención en salud mental: algunos modos de pensar el problema. Conferência. Córdoba, Argentina, 1986.

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GOELLNER, Silvana V. Pode a mulher praticar o futebol? In: Futebol: paixão e política. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

GOULD*, Stephen Jay. A falsa medida do homem. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

GUEDES*, Simoni Lahaud. O Brasil no campo de Futebol: estudos antropológicos sobre os significados do futebol brasileiro. Niterói: EDUF, 1998.

HAMMERSLEY, Martin & ATKINSON, Paul. Etnografia: métodos de investigación. Barcelona: Paidós, 1994.

LOVISOLO*, Hugo. Estética, Esporte e Educação Física. Rio de Janeiro: Sprint, 1997.

LUCENA*, R. de Figueiredo. O esporte na cidade: aspectos do esforço civilizador brasileiro. Campinas: Autores Associados, 2001.

MAFFESOLI*, Michel. O tempo das tribos: o declínio do individualismo nas sociedades de massa. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1987.

MINAYO, M. C. de Souza. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 5 ed. Petrópolis: Vozes, 1996.

_________ O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 5 ed. Rio de Janeiro: HUCITEC,1998.

MOLINA NETO, Vicente. A pesquisa qualitativa na educação física: alternativas metodológicas. 2 ed. Porto Alegre: UFRGS, [2004].

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NORI*, Célio. Boleiros de areia: o esporte como expressão de cultura e cidadania. São Paulo: SESC, [2002].

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ORTEGA*, Francisco. Para uma política da amizade. Arendt, Derrida, Foucault. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000.

PAULON, Simone Mainiéri, et al. Dispositivos sócio-analíticos para uma outra saúde possível. Porto Alegre: Revista CRP, 2003*.

PIMENTA*, Máximo. Novos processos de formação de jogadores de futebol e o fenômeno das “escolinhas”: uma análise crítica do possível. IN. ALABARCES, P.(copilador). Peligro de Gol: estudios sobre deporte y sociedade en América Latina. Bueno Aires: CLACSO, 2000.

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SENNETT*, Richard. O declínio do homem público: as tiranias da intimidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

VÍCTORA*, César Gomes. Pesquisa qualitativa em saúde: uma introdução ao tema. Portp Alegre: Tomo Editorial, 2000.

WACQUANT, Loic, J. D. Corpo e alma: notas etnográficas de um aprendiz de boxe.Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.

* Os autores destacados foram consultados, mas ainda não receberam citação, o que ocorrerá durante o desenvolvimento da pesquisa.

ANEXO

CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO DA PARTICIPANTE

Pesquisadora: Dulce Maria Bedin (F: 99912097)

Orientadora: Eliane Ribeiro Pardo e Rose Teresinha da Rocha Mayer

Co-orientadora: Lúcia Thaler

Instituição: Centro de Saúde Escola Murialdo

Escola de Saúde Pública – Rio Grande do Sul

Unidade Básica de Saúde: Equipe VII

Telefone: 3352-6563

Prezada participante:

Venho respeitosamente através deste, solicitar sua colaboração no sentido de participar de um estudo cujo objetivo é investigar como se dá o processo de construção de um trabalho de intervenção com a prática cultural e social do futebol, e qual o significado da prática do futebol para meninas que o praticam, e em que isso contribui na sociabilidade e na saúde da comunidade.

Para isso realizarei observações, registro das falas e acontecimentos, fotografias e possíveis filmagens.

Asseguro o compromisso com o sigilo e a ética neste trabalho, respeitando a privacidade de cada participante, não utilizando dados que possam vir a identificar qualquer uma das envolvidas.

Pelo presente consentimento livre e esclarecido, declaro que fui informada de forma clara e detalhada dos objetivos, da justificativa, da forma de pesquisa através de observações do processo de trabalho, com uso de máquina fotográfica, filmadora e anotações por escrito. Fui igualmente informada:

• da garantia de requerer resposta a qualquer pergunta ou dúvida acerca de qualquer questão referente ao trabalho;

• da liberdade de retirar meu consentimento a qualquer momento, e deixar de participar do trabalho, sem que me traga qualquer prejuízo;

• da segurança de que não serei identificada e que se manterá caráter confidencial das informações relacionadas a minha privacidade, podendo eu inclusive escolher um nome fictício como identificação;

• que serão mantidos os preceitos éticos e legais durante e após o término do trabalho;

• do compromisso de acesso às informações em todas as etapas do trabalho, bem como dos resultados deste;

• do o uso de gravador e anotação das falas, com garantia de sigilo e anonimato.

Porto Alegre, ____/____/____.

Assinatura da participante (ou responsável):___________________________

Apresentado no VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa – Canela RS – 9 a 15/10/2005