O Plantão Psicológico como porta de entrada do Serviço de Psicologia Aplicada: desenvolvimento dos estagiários, a partir da versão de sentido.

Marcia Alves Tassinari et all

Autores e Titulação:

Marcia Alves Tassinari, Psicóloga (CRP-05/1718), Coordenadora da Pesquisa, Professora e Supervisora do curso de Psicologia da Universidade Estácio de Sá, campus Méier, RJ, Doutora em Psicologia (UFRJ), Sócia fundadora do Centro de Psicologia da Pessoa (CPP), psicoterapeuta, plantonista e coordenadora do curso de formação de psicoterapeutas do CPP.

Aline Formiga, Débora Dias e Renata Paes Mota. Estagiárias do Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Estácio de Sá, campus Méier, RJ, participantes do Fórum Brasileiro e que colaboraram na realização da pesquisa.

Luiz Sérgio Lima de Souza e Tatiana Lopes da Silva. Estagiários do Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Estácio de Sá, campus Méier, RJ que também colaboraram em uma segunda etapa na realização da pesquisa.

3. Palavras chave:

Plantão Psicológico, Abordagem Centrada na Pessoa, Versão de Sentido, Pesquisa Fenomenológica, Serviço de Psicologia Aplicada, Desenvolvimento de estagiários e Formação do Psicólogo.

O Plantão Psicológico como porta de entrada do Serviço de Psicologia Aplicada: desenvolvimento dos estagiários, a partir da versão de sentido. [1]

Marcia Alves Tassinari [2] ,

Aline Formiga, Débora Dias e Renata Paes Mota.[3]

Luiz Sérgio Lima de Souza e Tatiana Lopes da Silva [4]

O Serviço de Plantão Psicológico tem sido utilizado em diversos contextos e, desde a década de 90, várias pesquisas e textos têm sido produzidos no Brasil. A maioria destas reflexões tem focalizado os benefícios para os usuários e a premência de repensar os serviços de atenção psicológica, apontando, por vezes, a necessidade de aprofundar a questão da formação ou treinamento dos estagiários e profissionais que se inserem nestes serviços.

Sem desmerecer a importância de continuarmos a refletir teoricamente e pesquisar a importância desta modalidade de atenção psicológica, propomos um recorte centrado na formação de estagiários a partir da inserção no Serviço de Plantão Psicológico.

Para tal, apresentamos uma primeira aproximação da pesquisa realizada no SPA de uma universidade particular[5] , a partir das versões de sentido esboçadas nos relatórios. A orientação teórica utilizada é a Abordagem Centrada na Pessoa, a partir de Rogers e Gendlin. Utilizamos a metodologia proposta por Amatuzzi para estudar processos, denominada de versão de sentido. (VS) [6]

A primeira parte contempla a história do Plantão Psicológico desde suas origens na USP no final da década de 60, para em seguida rever a conceituação de Plantão como uma modalidade clínica de atenção psicológica.

O segundo momento contextualiza este projeto, através da descrição de sua inserção na instituição, apresentando o levantamento estatístico realizado no período de 4 (quatro) meses. Em seguida apresentamos nossa metodologia de trabalho a partir das versões de sentido (VS), buscando captar os processos subjacentes ao desenvolvimento do estagiário-plantonista.

Como conclusão, oferecemos nossas reflexões pautadas nas análises qualitativas das classificações das VS ao longo de quatro meses, procurando explicitar que processos se desvelam quanto ao envolvimento do plantonista com a Abordagem Centrada na Pessoa e com sua própria formação. Aqui abrimos a discussão para repensarmos que tipo de formação temos oferecido aos nossos alunos para prepará-los para o mercado de trabalho.

1. Plantão Psicológico: histórico e conceituação [7]

A proposta inicial do Serviço de Plantão Psicológico surgiu em 1969, no Brasil (no Serviço de Aconselhamento Psicológico da Universidade de São Paulo), e sua primeira sistematização foi publicada somente no final da década de oitenta (Rosenberg, 1987) [8] .

Até o momento, foram encontrados (em publicações) sete contextos que oferecem o Serviço de Plantão Psicológico: na clínica-escola de Psicologia; aberto à comunidade; na Escola (de primeiro e segundo graus); em hospital psiquiátrico; no esporte; em instituição judiciária; em comunidade de baixa renda e no consultório particular. Existem outros contextos (delegacias, presídios, hospitais gerais, institucional para adolescentes, institucional militar, etc.) que têm se utilizado das potencialidades do Plantão, cujos relatos de experiências ainda não se encontram publicados. Diversas dissertações de Mestrado e teses de Doutorado, especialmente na USP, têm abordado esse tema.

Encontramos três pesquisas que lidam diretamente com o Plantão: duas no contexto escolar (Mahfoud, 1999, e Tassinari, 1999) e outra no SPA (Cury, 1999), utilizando a metodologia fenomenológica.

No contexto escolar, Mahfoud (op. Cit.) nos oferece melhor entendimento do processo que ocorre nos atendimentos, criando 16 categorias que emergiram dos relatórios dos estagiários, o que permitiu conceituar fases características de um processo de mudança. Em suas palavras:

Para além da possibilidade de uma avaliação das intervenções empreendidas, o que nos parece mais importante e indicativo de um grande potencial do Plantão Psicológico baseado na escuta profunda é o fato de podermos chegar a delinear um processo de características semelhantes segundo o tipo genérico de demanda, quando o conteúdo dos atendimentos são profundamente diversos. (p.94)

Já Cury (op. Cit.) voltou seu interesse para explicitar a vivência dos plantonistas, supervisores e funcionários de um SPA, a partir de depoimentos destes. A análise das sínteses específicas dos 12 depoimentos permitiu extrair uma compreensão destas vivências. Destacamos aqui as categorias extraídas para a questão da contribuição do plantão para a formação do aluno:

Possibilita o acesso a uma diversidade de pessoas e problemas, levando a um contato direto com o inesperado, criando impacto emocional, desenvolvendo uma escuta diferenciada e promovendo um raciocínio clínico mais rápido e preciso. Também promove um senso de responsabilidade ampliado, ao retirar o aluno de uma situação de aprendizagem mais protegida. (p.122/123.)

Ainda que seja considerada uma proposta alternativa, o Plantão tem conquistado espaços, constituindo-se como uma modalidade independente de atenção psicológica. Mahfoud (1999) esclarece:

“O próprio Conselho Federal de Psicologia chegou a se pronunciar em documento oficial, classificando Plantão Psicológico dentre as técnicas alternativas emergentes. Alternativa de maneira distinta daquelas de origem confusa ou esotérica, mas entendida como proposta inovadora, que em certa medida rompe parâmetros estabelecidos e que ainda estava aguardando uma avaliação mais rigorosa de sua eficácia pelas instituições de ensino superior e de pesquisa” (p.43).

O Plantão Psicológico aqui apresentado fundamenta-se na Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers e seus colaboradores, sendo, portanto, uma aplicação desta abordagem.

Encontro em Mahfoud (1987) uma definição inicial e abrangente, que será desdobrada em seguida:

A expressão Plantão está associada a certo tipo de Serviço, exercido por profissionais que se mantêm à disposição de quaisquer pessoas que deles necessitem, em períodos de tempo previamente determinados e ininterruptos.”.

Do ponto de vista da instituição, o atendimento de plantão pede uma sistematicidade do serviço oferecido. Do profissional, este sistema pede uma disponibilidade para se defrontar com o não planejado e com a possibilidade (nem um pouco remota) de que o encontro com o cliente seja único. E, ainda, da perspectiva do cliente significa um ponto de referência, para algum momento de necessidade (p.75).

Em uma primeira aproximação, pode-se definir o Plantão Psicológico como um tipo de atendimento psicológico que se completa em si mesmo, realizado em uma ou mais consultas sem duração predeterminada, objetivando receber qualquer pessoa no momento exato (ou quase exato) de sua necessidade, para ajudá-la a compreender melhor sua emergência e seu movimento de procurar ajuda e, se necessário, encaminhá-la a outros Serviços. Tanto o tempo da consulta quanto os retornos dependem de decisões conjuntas do plantonista e do cliente, tomadas no decorrer da consulta.

É exercido por psicólogos que ficam à disposição das pessoas que procuram espontaneamente o Serviço, em local, dias e horários preestabelecidos, podendo ser implementado em diversos contextos e instituições. Em cada local, precisará criar estratégias específicas, desde sua divulgação (processo de sensibilização à comunidade) até sua relação com a própria instituição/local.

O encaminhamento para a psicoterapia, para outros Serviços ou especialidades são objetivos secundários que não devem ocupar a atenção principal do plantonista.

A consulta no Plantão não visa somente a uma catarse, ainda que a inclua, mas objetiva facilitar uma maior compreensão da pessoa e de sua situação imediata. O plantonista e o cliente vão juntos procurar no “momento-já” as possibilidades ainda não exploradas que podem ser deflagradas a partir de uma relação calorosa, sem julgamentos, onde a escuta sensível e empática, a expressividade do plantonista e seu genuíno interesse em ajudar desempenham papel primordial, especialmente no sentido de desdobrar o pedido inicial e explicitar o movimento da pessoa em busca de crescimento e de mudança.

Nesse sentido, entendemos o Serviço de Plantão Psicológico como uma atividade de promoção da saúde, já que a escuta do plantonista visa possibilitar que a pessoa se situe melhor naquele momento e consiga verbalizar sua urgência, clareando para si mesma aquilo de que necessita, podendo, portanto, evitar o acúmulo da ansiedade. Acreditamos que ser atendida no momento de sua necessidade, por iniciativa própria, estimula o cuidado consigo mesma, atingindo, assim, os objetivos da prevenção primária.

Em alguns aspectos, o Plantão Psicológico tangencia outras modalidades de atenção psicológica, mas com elas não se confunde, a saber: psicoterapia, psicoterapia breve, consulta psicológica, aconselhamento psicológico, entrevista de demonstração, triagem interventiva, psicodiagnóstico interventivo, terapia de sessão única, psicologia educacional (no contexto Escolar), psicologia hospitalar, etc.

É interessante observar a origem da palavra Plantão e os significados que ela foi adquirindo. Segundo o Dicionário Petit Robert (1990), a palavra Plantão vem do francês planton, que, em 1584, foi utilizada para designar uma planta jovem. E o verbo plantar, do latim plantare, significava tanto semear (fixar na terra um vegetal), quanto enfiar o pé (a planta do pé, a face inferior do pé) e ficar aguardando. O sentido mais atual de Plantão, como um Serviço, foi usado pela primeira vez em 1790, para indicar o soldado de serviço – um sentinela fixo – que levava as ordens. Era assim denominado porque ele ficava plantado (de pé) em um lugar. No sentido figurado, significava a situação de uma pessoa que espera de pé. Portanto estar plantado é estar fixado na terra, aguardando, é estar disponível. E o sentido figurado de planta como algo vivo que se desenvolve, que cresce e precisa ser bem plantada aproxima-se da idéia de um Plantão Psicológico[9] .

Morato (1999) também oferece uma excelente metáfora, quando define o Plantão Psicológico como “Um local onde existe uma sombra para o caminhante do ‘deserto da vida’, para que ele possa se recuperar, encontrar abrigo e continuar sua viagem”.

A atividade do Plantão possibilita repensar a atuação do psicólogo frente às demandas socioculturais, permitindo que o profissional entre em contato com a comunidade diretamente, indo a ela, experimentando “o papel do psicólogo como um agente contribuidor de transformação e como multiplicador social…” (Morato, 1997, p.39).

2. O Serviço de Plantão Psicológico em Serviços de Psicologia Aplicada (SPA) ou Clínica-Escola de Psicologia.

Algumas instituições que oferecem o Serviço de Plantão Psicológico objetivam uma recepção diferenciada à sua clientela, para avaliar a adequação da pessoa aos encaminhamentos futuros. Esse entendimento de Plantão como uma triagem rápida não foi aqui contemplado, uma vez que visa basicamente ao encaminhamento e não à centralidade na pessoa que busca algum tipo de ajuda.

Encontramos, no final de década de 80, alguns postos de saúde da cidade de São Paulo criando o Serviço de Plantão, através do SPA da Faculdade São Marcos, que oferece aos seus estagiários a formação necessária para prestar esse Serviço à comunidade carente. Seguindo também o modelo dos plantões do SAP/IPUSP, os supervisores dessa universidade oferecem, desde 1995, ajuda imediata ao plantonista, pois estão presentes nos horários de Plantão. Bartz (1997), um dos supervisores, propõe dimensões características tanto para o plantonista quanto para o cliente, tentando estabelecer uma espécie de processo: poder pessoal, compreensão diagnóstica, encaminhamento, acompanhamento terapêutico e desfecho, “instâncias que podem ocorrer distribuídas de forma variada, por exemplo, todas em uma só sessão, uma ou duas em cada sessão, etc.” (p.4). Esse autor questiona a denominação de Plantão e propõe: “atendimento criativo à demanda de emergência”, ao se perguntar: “Qual seria o nome adequado a dar a um atendimento que acredita no ser humano, acolhe, elabora um diagnóstico, conduz a tratamentos e atividades, acompanha por uma parte do percurso e despede-se?” (Ibid., p.7).

Dentre os Serviços de Psicologia Aplicada que oferecem o Serviço de Plantão Psicológico, destacamos o do Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) pela sua inovação, ao propor a participação de supervisores de duas orientações teóricas – cognitiva e centrada no cliente – ainda que tenha se inspirado no modelo original do SAP do IPUSP, descrito anteriormente.

Da mesma forma que outros Serviços de atendimento psicológico, a criação do Plantão na PUCCAMP surgiu devido ao alto índice de desistência da clientela que procura ajuda e tem que aguardar imensas filas de espera. Surgiu também a partir da impossibilidade de atender a situações de emergências. Nessa instituição, o Serviço de Plantão foi denominado de pronto atendimento, sendo implantado em 1994, por alunos do curso de Especialização de Psicoterapias Institucionais do Departamento de Psicologia Clínica. Na apresentação de Cury (1999) encontramos:

“Em termos institucionais, o Plantão Psicológico compõe o elenco de práticas clínicas sob a responsabilidade dos estagiários do último ano do Curso de Psicologia, juntamente com o Serviço de triagem, psicoterapias individuais, grupais e de casal, assim como grupo de espera, sob a supervisão de docentes com diferentes abordagens teóricas. Os plantonistas, sendo alunos do último ano do curso de formação de Psicólogos, também são responsáveis por outros atendimentos psicoterápicos…” (p.117).

Confirmamos a posição aqui assumida em relação à compreensão da Psicologia Clínica, não a vinculando somente à psicoterapia a longo prazo. Avaliamos a experiência acumulada com o Plantão como geradora de transformações e de importantes pesquisas para redimensionar as rotinas dos Serviços de Psicologia Aplicada. Cury (Op.Cit.) apresenta os resultados de sua pesquisa fenomenológica sobre o pronto atendimento à comunidade, descrevendo a vivência do Plantão tal como apreendida por toda a equipe (estagiários-plantonistas, supervisores e funcionários da clínica-Escola), concluindo que : “o Plantão Psicológico representa uma flexibilização quanto às formas de atendimento clínico oferecido à população, podendo levar, também a uma economia para o sistema, na medida em que promove encaminhamentos internos e externos” (p. 128)

A Universidade Federal da Paraíba, através de sua clínica Escola, oferece desde 1993 o Serviço de Escuta Psicológica (Gusmão, 1999), também em função da enorme fila de espera e da desistência do cliente quando chamado para o atendimento. Igualmente inspirado no modelo da USP, procurou adaptar-se à realidade sociocultural das pessoas que procuram regularmente o Serviço de Psicologia Aplicada em momentos de emergência.

A concepção de Plantão aqui oferecida implica em uma visão mais socialmente contextualizada no âmbito da saúde, gerando uma desconstrução do modelo clínico tradicional, que trabalha com a vertente curativa de qualquer sofrimento humano. Neste sentido, a queixa passa a ser entendida como a necessidade urgente e esta como expressão do deslocamento da centralidade na pessoa, configurando assim uma clínica mais atenta àquilo que emerge como um desconforto e que necessita de um pronto acolhimento.

Estas experiências expressam os desafios enfrentados pelos profissionais e estagiários nos Serviços de Psicologia Aplicada, onde o Plantão de fato contribui para que um maior número de pessoas possam se beneficiar, embora ele ainda necessite de estudos mais aprofundados para poder realizar todas as suas possibilidades, especialmente como um Serviço promotor da Saúde, atingindo o nível de prevenção primária.

3. A criação do Serviço de Plantão Psicológico no Serviço de Psicologia Aplicada da instituição pesquisada.

O Serviço de Plantão Psicológico foi criado no segundo ano de funcionamento do Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) da Universidade. Duas razões propiciaram a inserção do Plantão: grande quantidade de desistências (antes da triagem e no início do processo psicoterápico) dos clientes que se inscreviam no SPA, fila de espera crescente e interesse pessoal da coordenadora desta pesquisa.

No início o SPA adotava o seguinte procedimento: os clientes telefonavam e faziam uma pré-inscrição com a secretária, fornecendo seus dados objetivos (nome, endereço, telefone, escolaridade, idade e horários disponíveis). Os supervisores pegavam estas fichas à medida que seus estagiários se disponibilizavam para o atendimento. Em função de diversos fatores, uns clientes eram agendados com maior rapidez do que outros, especialmente as crianças e a fila de espera aumentava consideravelmente. Muitos usuários, quando chamados para a triagem, não compareciam, outros iam à primeira entrevista e depois desistiam, gerando grande frustração nos estagiários.

A maioria das pessoas que procura este SPA vem com o pedido de “tratamento psicológico” quer por iniciativa própria, ou encaminhadas por médicos, postos de saúde, escolas, hospitais, etc.

Apresentei a proposta do Plantão Psicológico à coordenadora do SPA e decidimos realizar, inicialmente, um levantamento de follow up com os clientes desistentes. Alguns reclamaram da demora em ser chamados, por outro lado muitos argumentaram que não precisavam mais de atendimento naquele momento, enquanto outros alegaram falta de tempo. Um pequeno número solicitou sua reinscrição.

Estes resultados informais, obtidos, por telefone, reforçaram a idéia de criarmos uma porta de entrada mais receptiva e sensível à demanda das pessoas que buscavam algum tipo de ajuda. Assim, desde o dia 07 de março de 2005, os clientes que telefonam ou que vão diretamente ao SPA, são agendados no horário mais próximo.

Interessante ressaltar que a instituição não se encontrava preparada para tal serviço e toda a equipe se mobilizou tanto na preparação da sala (pintura, móveis e utensílios) como na operacionalização do Serviço (criação da escala de plantão e de modelo de relatório, numeração e inscrição dos usuários e divulgação do Serviço). A idéia era criar um local de atendimento que fosse aconchegante não só para os clientes, mas também para os estagiários que, eventualmente, ficariam aguardando. Conseguimos reservar uma única sala para o Plantão e preparamos os funcionários para o agendamento das consultas por telefone e eventual encaminhamento de pessoas que aparecessem no local. Criamos um caderno de comunicação entre os estagiários e a supervisora, que tem servido de elo entre as duas equipes (tarde e noite). Realizamos um treinamento rápido com os estagiários iniciantes, através de dramatizações, discussão de textos e de vídeos de Rogers (em entrevistas de demonstração)

Os estagiários que se inseriram no Serviço de Plantão pertenciam à equipe de Estágio em Clínica na Abordagem Centrada na Pessoa e encontravam-se em diferentes momentos da formação de Psicólogo (do 7º ao 10º período). O grupo era composto por 20 estagiários de experiência variada (iniciantes, experiência de um, dois e três semestres como psicoterapeutas), supervisionados pela coordenadora desta pesquisa.

No Anexo 2 apresentamos o levantamento estatístico das 256 pessoas que passaram pelo Serviço de Plantão no período de quatro meses. Nesta tabela podemos ter as informações objetivas de nossa clientela: por faixa etária, por idade, por sexo e pelo tipo de demanda inicial que traziam para o Plantão. Vale ressaltar que estas pessoas não iam procurar diretamente o Serviço de Plantão. A iniciativa era pela busca de um atendimento psicológico, em geral psicoterapia, que supunham ser o que precisavam no momento. Os encaminhamentos eram realizados de acordo com o desdobramento da urgência explicitada e das possibilidades do Serviço. Ainda que os estagiários tenham sido treinados para não “psicologizar” todo e qualquer sofrimento trazido neste momento inicial, vemos que quase todas as pessoas foram encaminhadas para triagem ou para a psicoterapia., de acordo com a tabela dos encaminhamentos (33.6%). Observamos também que o índice de desistência foi de apenas 11% (onze por cento), significativamente inferior ao anterior, que era de 80% (entre a inscrição e o agendamento para a primeira entrevista de triagem), conforme mostra a tabela da situação atual.

4. Metodologia:

A escolha por uma metodologia fenomenológica se pautou nas considerações de Streubert & Carpenter (citados em Moreira, 2001) ao sugerirem três questões que, se respondidas afirmativamente, legitimam a opção. São elas: Existe necessidade de maior clareza do fenômeno selecionado? Será que a experiência vivida é a melhor fonte de dados para o fenômeno escolhido? Está se levando em conta os recursos disponíveis, o tempo, a audiência e o estilo do pesquisador?

O desenvolvimento do estagiário-plantonista e conseqüente assimilação da Abordagem Centrada na Pessoa é um fenômeno pouco estudado (sim para a primeira questão). A resposta afirmativa para a segunda questão surge do fato de que as avaliações tradicionais (provas, trabalhos acadêmicos) nem sempre expressam o grau de assimilação e muito menos a aplicação do conhecimento. A possibilidade dos plantonistas expressarem suas próprias avaliações imediatamente após cada consulta pode ser um instrumento potente para avaliar a aprendizagem significativa (assimilada). Temos conhecimento das pesquisas de Amatuzzi (2001) utilizando a Versão de Sentido como um instrumento fértil para avaliar processos psicológicos Por fim, respondemos afirmativamente que os recursos de tempo e audiência são pertinentes, uma vez que o Plantão foi criado experimentalmente no SPA, necessitando de alguma consistência para justificar sua continuidade ou interrupção Portanto pesquisar o desenvolvimento do estagiário-plantonista mostra-se necessário.

A idéia inspiradora foi procurar compreender o desenvolvimento do plantonista a partir de suas próprias reflexões esboçadas imediatamente após cada consulta no Plantão. Esta foi a instrução que receberam da supervisora para elaborar o relatório no item Versão de Sentido. (relatório completo no Anexo 1)

A escolha do instrumento da Versão de Sentido (Amatuzzi, 2001) se deu em função do objetivo da pesquisa: processo de desenvolvimento do plantonista. O interesse estava direcionado em captar como o estagiário se movimenta em sua aprendizagem e descrever as mudanças que ocorrem ao longo do tempo, quando ele vai ficando mais experiente em sua escuta clínica.

Transcrevemos aqui a definição do próprio Amatuzzi (op. Cit.):

Como produção, uma VS é a fala, o mais autêntica possível, que toma como referência intencional um encontro vivido, pronunciada logo após sua ocorrência. (p.81) Como produto, a VS será um texto expressivo, escrito ou gravado por iniciativa da própria pessoa, ou solicitado por um interlocutor (p.82).

5. Análise do Material e Resultados:

Para esta análise, desconsideramos o material dos estagiários que realizaram menos do que 8 (oito) consultas de plantão e dos que não apresentaram os respectivos relatórios em tempo útil, totalizando 202 relatórios que foram por nós analisados, de um total de 256.

A coordenadora do projeto e seus assistentes escolheram os relatórios dos estagiários que iriam analisar, procurando evitar interferência pelo grau de amizade, conhecimento ou avaliações negativas. A coordenadora analisou os relatórios das três estagiárias que completaram a equipe de trabalho inicial.

A instrução para análise das versões de sentido foi que descrevessem de maneira mais naturalista possível o que percebiam de cada versão de sentido (lidas em ordem cronológica) de cada estagiário/a, sem avaliações ou pré julgamentos de qualquer natureza e procurassem explicitar qual a direção da VS.: para que/quem é dirigida (atendimento, atuação, cliente, plantonista, etc.), qual a dimensão focalizada (cognitiva ou vivencial) e outros critérios que fossem emergindo à medida que liam as VS. Em reunião posterior verificamos o trabalho desenvolvido por todos e chegamos a 13 critérios de análise, conforme mostra tabela abaixo:

CATEGORIA

DEFINIÇÃO
1. referência direta

Descrição de sentimentos, emoções, vivências que se referem ao plantonista (à sua experiência imediata)

2 auto avaliação do atendimento

Avaliação da consulta pelo/a plantonista (nível cognitivo)

3. auto avaliação da atuação

Avaliação das intervenções e atitudes do/a plantonista durante a consulta

4. avaliação do/a cliente Inferência das vivências da cliente ou de sua personalidade ou patologia
5. reflexão teórica Aprendizagem obtida durante a consulta (nível cognitivo)
6. percepção de movimento do/a cliente

Percepção de mudanças comportamentais ou atitudinais verbais ou não verbais esboçadas pelo/a cliente.

7. percepção de movimento do plantonista Percepção de mudanças atitudinais ou cognitivas, verbais ou não verbais vivenciadas pelo/a plantonista
8. preocupação do plantonista com o futuro Referências relacionadas ao futuro (após a consulta)
9. descrição do procedimento (do estagiário)

Referências descritivas do que o estagiário fez ou deveria ter feito (orientações oferecidas ao cliente)

10. descrição do comportamento do cliente Referências descritivas do comportamento (ação) específico do/a cliente antes, durante ou depois da consulta.
11. descrição do comportamento do plantonista Referências descritivas do comportamento (ação) específico do/a plantonista antes, durante ou depois da consulta
12. expectativa do plantonista (prévia ou durante a consulta) Referências descritivas de influências prévias ou durante a consulta (cognitivas e/ou vivenciais) que interferiram no atendimento
13. Identificação do Plantonista Percepção de aspectos pessoais do plantonista semelhantes aos do cliente

A seguir apresentamos algumas frases características de cada critério:

1. Referência direta: “Durante o atendimento, senti-me comovida com esta filha”; “Estava um pouco nervoso ao atendê-la”.

2 Auto avaliação do atendimento: “Eu gostei do atendimento, acho que consegui ser empático o suficiente para acolhe-la de forma correta.”; “O atendimento foi um pouco superficial, pois a cliente é irmã de uma amiga próxima”.

3. Auto avaliação da atuação: “Senti-me segura e empática com ambas..”; “ Tive que fazer uma enorme força para não ficar julgando, achando que era fantasioso o seu relato ou que poderia ser louca mesmo.”

4. Avaliação do/a cliente: “Sua fala era confusa e repleta de muitas informações”. “ Parece-me uma mulher que ainda não elaborou bem sua separação conjugal … precisa resgatar sua auto estima.”

5. Reflexão teórica: “Não sei se o fato de ter identificado o problema da cliente como claustrofobia e ter pensado imediatamente em encaminhá-la a outra abordagem, somado ao fato de saber que não poderia atendê-la, possam ter influenciado meu comportamento de acolhimento.”; “ O que lhe parecia ser um precipício entre a velhice e a juventude, logo deu espaço para uma ponte, o que permitiu, a meu ver, uma aproximação maior por parte dela, de sua experiência.”

6. Percepção de movimento do/a cliente: “No final do atendimento ela se mostrou mais otimista e confiante”. “Aos poucos, despiu-se e mostrou-se frágil.”;

7. Percepção de movimento do plantonista: “No decorrer do atendimento fui me acalmando e tentando compreender cada um deles, sem desqualificar o sentimento de nenhum dos outros”; “No início fiquei preocupada em não dar conta de sua demanda, mas ao longo do atendimento pude compreender melhor sua aflição e lhe acolher.”.

8. Preocupação do plantonista com o futuro: ”Seria interessante que ela pudesse ser atendida o mais rápido possível.”. “Gostaria de continuar atendendo, mas sei que não é possível”.

9. Descrição do procedimento (do estagiário): “Dei um tempo para ela se acalmar e depois chamei”.; “Orientei a cliente a vir na sessão marcada para esclarecer melhor as suas dúvidas, pois nem ela mesma tinha certeza do atendimento em questão.”

10. Descrição do comportamento do cliente: “Chegou muito nervosa e falando em voz alta”.; “Conseguiu falar de suas experiências, como é ficar nervosa e com ela se ente.”

11. Descrição do comportamento do plantonista: “… pois quase transformei o atendimento em interrogatório.”; E mesmo correndo o risco de fazer algo errado, citei um pouco de minhas experiências de meu estágio anterior com idosos, dando-lhe a entender que tinha bagagem para entender seus problemas e que eles eram mais comuns do que imaginava.”

12. Expectativa do plantonista (prévia ou durante a consulta): “Foi meu primeiro atendimento e fiquei imaginando como seria.”; Lembrei de supervisões anteriores e de algumas falas ‘mais batidas’ que deram o resultado esperado de retornar a pergunta direcionada a mim de modo que ela própria desse a resposta.”

13. Identificação do Plantonista: “É engraçado que o fato de eu estar grávida, com alguns casos me afasta do cliente, mas em outros como este, me aproxima, surgindo certa identificação.”; “É como se realmente eu estivesse em seu lugar e me senti abandonada pelo meu filho.”

O próximo passo foi tentar extrair o movimento que emergia a partir de leitura cronológica das V.S. de cada estagiário, procurando refletir que categorias foram utilizadas ao longo dos 4 meses, subdivididas em dois tempos (março/abril e maio/junho). Que classes de critérios cada um utilizou? Houve mudanças significativas? De posse desta análise (de segundo grau), iniciamos o 3º passo da análise: Que fio condutor poderíamos encontrar a partir do movimento de cada plantonista e do conjunto das V.S. de todos?

6. Conclusões:

A releitura de todos os 13 critérios nos mostrou 3 (três) categorias interligadas:

a) Critérios coerentes com a ACP: referência direta, reflexão teórica, percepção de movimento do/a cliente; percepção de movimento do plantonista; descrição do comportamento do cliente e descrição do comportamento do plantonista; descrição do procedimento (do estagiário).

b) Critérios centrados na aprendizagem e identidade do plantonista (também coerentes com a ACP): auto avaliação do atendimento; auto avaliação da atuação.

c) Critérios contraditórios com a ACP: avaliação do/a cliente; preocupação do plantonista com o futuro; expectativa do plantonista (prévia ou durante à consulta) e Identificação do Plantonista.

A seguir apresentamos o quadro geral, com as respectivas freqüências e percentagens, nos dois momentos (T 1 e T 2), em cada categoria:

FREQ

T 1

%

T 1

FREQ

T2

%

T2

TOTAL % TOTAL
V.S. CENTRADAS 128 45,2 130 37,7 258 41,1
V.S. IDENTIDADE 75 26,5 109 31,6 184 29,3
V.S. CONTRÁRIAS 80 28,3 106 30,7 186 29,6
TOTAL 283 100 345 100 628 100
A maior dificuldade enfrentada pelos plantonistas parece ser a suspensão do julgamento no encontro com o outro. Isto se evidencia pelas V.S. presentes ao longo do tempo, mesmo quando o plantonista já se sentia mais seguro e mais identificado com a tarefa clínica e com a ACP. Em supervisão, ao discutirmos cada atendimento, podíamos verificar que a insegurança do plantonista ficava aplacada quando ele encontrava uma explicação razoável para aquele sofrimento, quer encaixando-o em alguma nosologia ou construindo uma solução para a problemática trazida.

Evidenciamos também que a preocupação com a aprendizagem e a identidade do plantonista também perpassaram seu desenvolvimento, na medida em que muitas V.S. apresentavam componentes de auto-avaliação quer do atendimento em si, quer de sua própria atuação. Esta reflexão indica que a assimilação de uma postura centrada ia se solidificando à medida em que o plantonista ia construindo seu jeito de ser, ao se aproximar de cada encontro com uma intenção de ser eficaz nos próprios objetivos e com um aumento da tolerância quanto às incertezas e ambigüidades. (Wood, 1994)

Como supervisora, experimento um grande desafio, já que os plantonistas têm uma preparação anterior mais voltada para a fundamentação psicanalítica e chegam ao estágio querendo aplicar os conhecimentos psicológicos até então adquiridos. Ao iniciarem as consultas do Plantão defrontam-se com uma solicitação de se colocar no lugar do outro para captar com sensibilidade e exatidão a experiência-imediata-presente-construída-na-relação-momento-a-momento. Alguns ficam ocupados em saber responder quando a pessoa disser isto ou aquilo; outros querem entender as causas do sofrimento explicitado e uns, ao invés de centrar na vivência (experienciação), centram-se mais na problemática, buscando soluções. A solicitação de relatórios após cada atendimento também foi um fator que, inicialmente, atrapalhava a atuação do plantonista, pois este ficava preocupado em memorizar tudo para relatar depois. Muitos estagiários comentam que estão lendo os textos recomendados, consideram que entendem cognitivamente a proposta, entretanto sentem-se perdidos no momento do atendimento.

Ao longo do estágio, os plantonistas começam a vislumbrar o sentido de uma postura centrada na pessoa, ainda que continuem a vivenciar a dificuldade e a complexidade do fenômeno humano. Interessante ressaltar que, ao preparar os relatórios para a supervisão, alguns já trazem sua auto-supervisão, questionando suas atuações. [10]

A partir das análises das V.S. percebemos que os plantonistas, inicialmente, se ocuparam mais com a dimensão teórica, procurando aplicar os conhecimentos adquiridos, através de VS coerentes com a ACP e uma menor preocupação com aspectos avaliativos, quer da cliente ou do atendimento ou da própria atuação. À medida que iam se desenvolvendo, o foco das VS centrava-se mais na identidade do plantonista, ao mesmo tempo em que continuavam eventualmente avaliando a cliente ou preocupados com o futuro ou se identificando com a pessoa. Entendemos este movimento em função do término do estágio, onde alguns poderiam estar mais preocupados com a própria aprendizagem e com seu papel de estagiários.

Ao finalizar este trabalho, percebemos que outros caminhos poderiam ter sido trilhados, especialmente em relação às classificações das V. S, pois muitas apresentaram critérios mistos, o que nos levou a pensar na necessidade de revê-las posteriormente. Neste sentido o delineamento de um processo propriamente dito necessita de estudos posteriores. Aqui apresentamos uma primeira aproximação do desenvolvimento do estagiário plantonista ao se defrontar com a complexa tarefa de acolher a urgência de quem procura um Serviço de Psicologia.

Algumas questões anteriormente suscitadas encontraram neste trabalho um direcionamento para futuras investigações, especialmente em ralação à preparação de nossos alunos para participar do Plantão Psicológico e aguçar a escuta clínica.

Anexo 1

RELATÓRIO DE PLANTÃO PSICOLÓGICO

Estagiária/o:

Data, horário e duração da consulta:

1. Informações cadastrais: (não são obrigatórias, podem ser aproximadas)

1.1. nome:

1.2. sexo:

1.3. endereço:

1.4. telefone:

1.5. data de nascimento:

1.6. profissão (se estudante indicar curso, série):

2. Urgência explicitada (e sua evolução na vida da pessoa e na consulta):

3. Compreensão da urgência:

4. Breve Relato do atendimento:

5. Atendimentos anteriores:

6. Expectativas em relação ao SPA:

7. Encaminhamento (se for o caso) para:

8. Versão de Sentido:

Anexo 2: Levantamento Estatístico das Consultas do Serviço

de Plantão Psicológico realizadas de 07/03 a 06/07/2005.

Tabela Idade x Sexo

FEMININO
MASCULINO
TOTAL
IDADE
FREQ
%
FREQ
%
FREQ
%
00-05
3
1,6
8
11,4
11
4,3
O6-10
16
8,6
24
34,2
40
15,5
11-15
17
9,1
8
11,4
25
9,7
16-20
10
5,4
3
4,2
13
5,1
21-25
10
5,4
6
8,4
16
6,3
26-30
15
8
6
8,4
21
8,2
31-35
24
13
5
7,3
29
11,2
36-40
22
12
4
5,7
26
10,2
41-45
19
10,2
1
1,5
20
7,8
46-50
14
7,5
2
3
16
6,3
51-55
16
8,6
0
0
16
6,3
56-60
10
5,4
2
3
12
4,7
61-65
3
1,6
1
1,5
4
1,6
66-70
4
2,1
0
0
4
1,6
>/= 71
2
1
0
0
2
0,8
?
1
0,5
0
0
1
0,4
TOT
186
100
70
100
256
100
Tabela dos Encaminhamentos Realizados

ENCAMINHAMENTOS
FREQ
%
Triagem Interna
41
16
Triagem Externa
116
45,2
Psicoterapia Interna
17
6,6
Psicoterapia Externa
69
27
Psicologia Escolar
2
0,8
O.V.
2
0,8
S/ encaminhamento
5
2
s/inscrição
1
0,4
Triagem ?
3
1,2
TOTAL
256
100

Interna
Para a equipe da ACP

Externa
Para outras equipes

Triagem ?

s/ informação

Tabela da situação Atual

(4 meses depois)

SITUAÇÃO ATUAL
FREQ.
%
Desistência
28
11
Em Psicoterapia
49
19,1
Em Triagem
16
6,3
Fila espera para Triagem
95
37
Fila espera para psicoterapia
51
19,8
O.V.
2
0,8
Psicologia Escolar
2
0,8
S/ Encaminhamento
5
2
? Prontuários não encontrados
8
3,2
TOTAL 256 100

Anexo 3: Queixas trazidas às consultas do Plantão Psicológico

Tabela das Queixas apresentadas nas consultas de Plantão

QUEIXAS
Freq.
%
ansiedade, angústia
45
13,1
depressão
38
11,1
desvalorização, inferioridade, baixa auto estima
31
9,1
problemas escolares/de aprendizagem
28
8,3
preocupação c/ filho/a, neto/a
28
8,3
medo, fobia, pânico
21
6,2
conflitos familiares
21
6,2
problemas físicos (insônia, gagueira, etc.)
20
5,9
agressividade, impulsividade
17
5
conflitos afetivos
13
3,8
problemas conjugais
13
3,8
rejeição, exclusão
11
3,2
mudanças de comportamento
8
2,4
compulsão
5
1,5
culpa
5
1,5
imaturidade, regressão
5
1,5
irritabilidade, nervosismo
4
1,2

infelicidade, insatisfação
4
1,2
perdas
3
0,8
pedido de avaliação psicológica
3
0,8
agitação
2
0,6
escolha profissão
2
0,6
hábitos estranhos
2
0,6
problemas de socialização
2
0,6
crises de choro
2
0,6
afastamento do trabalho
1
0,3
masturbação
1
0,3
vergonha
1
0,3
confusão
1
0,3
precocidade
1
0,3
sem queixa
1
0,3
sem iniciativa
1
0,3
TOTAL
340
100

BIBLIOGRAFIA

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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO – Departamento de Psicologia e Fonoaudiologia. (1999). Caracterização da Clientela e dos Serviços prestados pela Clínica-Escola da UNICAP. Pesquisa apresentada por Juliana Gouveia e Lidio Clemente, orientada por Carmem Barreto, Recife, (não publicada).

WOOD, John Keith et. Alli. (1994) Abordagem Centrada na Pessoa. Vitória, ES: Ufes.

———

1. Trabalho apresentado no VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa, outubro de 2005, Canela, RS.

2. Psicóloga (CRP-05/1718), Coordenadora da Pesquisa, Professora e Supervisora do curso de Psicologia da Universidade Estácio de Sá, campus Méier, RJ, Doutora em Psicologia (UFRJ), Sócia fundadora do Centro de Psicologia da Pessoa (CPP), psicoterapeuta, plantonista e coordenadora do curso de formação de psicoterapeutas do CPP.

3. Estagiárias do Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Estácio de Sá, campus Méier, RJ, participantes do Fórum Brasileiro e que colaboraram na realização da pesquisa.

4. Estagiários do Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Estácio de Sá, campus Méier, RJ que também colaboraram em uma segunda etapa na realização da pesquisa.

5. Universidade Estácio de Sá, Campus Méier, Rio de Janeiro.

6. Versão de Sentido [Amatuzzi, Mauro. (2001) Por uma Psicologia humana. Campinas, SP: Editora Alínea.] refere-se “à fala, o mais autêntica possível, que toma como referência intencional um encontro vivido, pronunciada logo após a sua ocorrência.” (p.81) É uma versão que procura captar a experiência imediata após cada evento (consulta, entrevista, sessão, supervisão, aula, etc.). Significa então escrever livremente como você está imediatamente após o evento, qual o sentido que este evento teve para você.

7. Esta seção foi retirada de TASSINARI (1999) e de TASSINARI (2003).

8. O surgimento e a história do Plantão Psicológico estão muito bem sistematizados em EISENLOHR (1997)

9. Para minha surpresa, encontrei a mesma inspiração sobre a origem da palavra Plantão na publicação (Mahfoud, 1999), cujo lançamento ocorreu em 16/10/99, portanto posterior ao projeto de mestrado qualificado em fevereiro/99.

10. Uma das plantonistas colocava um asterístico (nos relatórios) nos momentos em que ela percebia que não foi centrada, isto é, que se interessou mais pelo conteúdo ou pela solução do problema ou que não conseguiu colocar entre parêntesis seus valores. A metáfora do asterístico ganhou forma, indicando que, aos poucos, os próprios plantonistas são capazes de avaliar suas atitudes.

Apresentado no VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa – Canela RS – 9 a 15/10/2005