O Professor no Papel do Aluno: Relato de uma experiência

Vera Cabrera Duarte

“What it is like to be a student again is something which many yeachers have long forgotten.”
John Holmes

RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA NA UNIVERSIDADE DE STIRLING – ESCÓCIA
PROPOSTA DE APRENDIZAGEM AUTO-DIRECIONADA

British Council Summer Course – “An Introduction to Self Directed Learning”
Director of Studies – Susan Holden

1. ALUNA: APRIMORAMENTO DA LÍNGUA INGLESA
Pesquisa sobre a Universidade: “An Experience in Self Directed Learning – An Attempt to Get to Know The University”

• Ênfase no Aprimoramento da Língua Inglesa
• Pesquisa sobre a Universidade de Stirling (Instalações, Funcionamento, História etc.)
• Objeto de nossa discussão (o professor no papel do aluno).

2. PROFESSORA: ESBOÇO DO PLANO DO CURSO ESTUDOS INDIVIDUAIS. CURSO QUE ESTAVA PARA SER INTRODUZIDO NA PUC-SP.
• Levantamento Bibliográfico + Discussões.
“An Experience in Self-Directed Learning – An Attempt to a Self Directed Learning Programme”

QUE FATORES SÃO IMPORTANTES PARA MINHA
APRENDIZAGEM DE INGLÊS?

DIÁRIOS
• ATITUDES POSITIVAS E NEGATIVAS
• IMPRESSÕES QUANTO AO POVO E QUANTO À VIVÊNCIA NA CULTURA
• OBSERVAÇÕES SOBRE PROFESSORES E COLEGAS DE CLASSE
• MEDOS, FRUSTRAÇÕES, DIFICULDADES E SUCESSOS EXPERIENCIADOS
• ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM
• ELEMENTOS FACILITADORES E BLOQUEADORES DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM.
• PARTE DO PROCESSO – NÃO OCASIONAL.
• ANÁLISE MAIS DETALHADA – RELATÓRIO, ESTE ENCONTRO.

CONCLUSÕES GERAIS

CONSTATAÇÃO

TRABALHEI COMPULSIVAMENTE QUANDO PUDE CRIAR, ESCOLHER “O QUE” E “COMO” ESTUDAR, EM FUNÇÃO DAS MINHAS
NECESSIDADES E DESEJOS.
TEMPO DISPONÍVEL E CONDIÇÕES MATERIAIS FACILITARAM MINHA APRENDIZAGEM.

INTERPRETAÇÃO

1. FIQUEI MUITO CANSADA NA PRIMEIRA SEMANA DO CURSO. A IMERSÃO TOTAL NUMA OUTRA CULTURA PARECIA EXIGIR ESFORÇO E A TAREFA A SER CUMPRIDA PARECIA GRANDE DEMAIS.

2. SENTIMENTO DE TER FEITO PARTE DAQUELA CULTURA: LÍNGUA, MÚSICA. MOEDA. ETC. -> MAIOR MOTIVAÇÃO.

3. FREQÜENTEMENTE ME COMPAREI AOS COLEGAS: ALGUMAS VEZES TENTEI IMITÁ-LOS, OUTRAS, TENTEI SUPERÁ-LOS.

4. FIQUEI COMPETITIVA, PORÉM A COMPETIÇÃO ERA COMIGO MESMA.
EU HAVIA TRAÇADO MEUS OBJETIVOS AO COMPARAR-ME AOS COLEGAS EU ESTAVA ESTABELECENDO PARÂMETROS PARA A
AUTO-AVALIAÇÃO. EM OUTRAS PALAVRAS, EU USAVA OS COLEGAS PARA ATINGIR OS OBJETIVOS POR MIM ESTABELECIDOS.

5. MUITAS VEZES FIQUEI ANSIOSA DURANTE ALGUMAS AULAS, PRINCIPALMENTE QUANDO COMETI ERROS DE INGLÊS
“NATIVE SPEAKER” = IMPOSSIBILIDADE.

6. NUNCA ME ESQUECI DOS ERROS QUE COMETI – ALGUNS NÃO ME ESQUEÇO ATÉ HOJE – PRINCIPALMENTE SE OS COMETIA NA PRESENÇA DE PROFESSORES OU PESSOAS QUE PUDESSEM ME AVALIAR COMO UMA CONTRADIÇÃO, A SITUAÇÃO EM QUE ESCOLHI COLOCAR-ME, AO PRODUZIR O “VIDEO-CLIP”, BASEADO EM ENTREVISTAS COM DIVERSAS PESSOAS DA UNIVERSIDADE.
• Medo de Errar – Câmera Filmadora – Bloqueadora – (ameaça)
• Por outro lado – um conjunto de elementos facilitadores:
* grupo,
* meu nível de inglês,
* aulas de prática de ensino – autoridade – treino

7. CONJUNTO DE SENTIMENTOS E CIRCUNSTÂNCIAS -> MAIOR MOTIVAÇÃO PARA O APRIMORAMENTO DA LÍNGUA INGLESA -> APERFEIÇOAMENTO DE ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM.
• Exemplos:
* Registro de expressões ou palavras que eu gostaria que fizesse parte do meu repertório lingüístico e prática constante
* Comunicação interrompida -> Problemas de Compreensão Oral – resultado -> constante controle da comunicação.

8. USEI O PROFESSOR COMO GUIA COMO TUTOR E TORNEI-ME INDEPENDENTE CONFORME MEU TRABALHO EVOLUÍA. PROFESSOR/FACILITADOR

9. APRECIEI A APROVAÇÃO DO PROFESSOR A CADA ETAPA CONCLUÍDA E TORNEI-ME MAIS CONFIANTE À MEDIDA QUE OCORRIAM COMENTÁRIOS POSITIVOS SOBRE MEU DESEMPENHO LINGÜÍSTICO E A CADA “SUCESSO” ALCANÇADO, ARRISCAVA-ME
NOVAMENTE.

10. A IMPORTÂNCIA DE UM CLIMA FACILITADOR, NÃO-AVALIATIVO FOI ENFATIZADA (LINDSAY).

11. ENVOLVI MEUS COLEGAS NOS MEUS PROJETOS E GOSTEI DE PRODUZIR EM GRUPO DESDE QUE EU LIDERASSE O GRUPO (LIDERANÇA ESPONTÂNEA).

12. MINHA MAIOR NECESSIDADE – COMO ALUNA – FOI FAZER ALGO CONCRETO: VIDEO-CLIP NO PROJETO 1 E O PLANO DO CURSO DE ESTUDOS INDIVIDUAIS NO PROJETO 2.

13. QUANTO AO ASPECTO CULTURAL:
• PROFESSORA DE INGLÊS – “GATUNO” – ABSORVE ELEMENTOS DE UMA CULTURA (LÍNGUA, HÁBITOS, COSTUMES, MÚSICA, DANÇA, ESPORTE, LAZER, MOEDA), ARMAZENA E TRANSPORTA PARA SUA CULTURA DE ORIGEM.

14. A AUTO-AVALIAÇÃO: CONSTANTE FINAL DO PROCESSO -> AVALIAÇÃO DE TODA A EXPERIÊNCIA APONTANDO INCLUSIVE CAMINHOS FUTUROS QUE ESTÃO CONCRETIZANDO-SE NO PRESENTE.

VOLTA PARA O BRASIL – CONTINUIDADE DOS ESTUDOS:

1. CEELT-CAMBRIDGE EXAMINATION OF ENGLISH – APROVAÇÃO E BUSCA DE NOVA OPORTUNIDADE DE APRIMORAMENTO DA LÍNGUA INGLESA.

2. ARELS DIPLOMA EXAMINATION IN SPOKEN LANGUAGE AND COMPREHENSION.

• SOCIEDADE BRASILEIRA DE CULTURA INGLESA
• CONTINUIDADE AOS DIÁRIOS E A REFLEXÃO SOBRE O ‘APRENDENDO A APRENDER

QUAL A IMPORTÂNCIA DESSA EXPERIÊNCIA

EM SELF-DIRECTED LEARNING PARA A APRENDIZAGEM
(NOSSA E DE NOSSOS ALUNOS)

• VONTADE E OU NECESSIDADE-> ESTABELECIMENTO DE OBJETIVOS.

• ATINGIR ESSES OBJETIVOS -> MEIOS E AS OPORTUNIDADES SÃO ENCONTRADAS.

• RESPONSABILIDADE PELO APRENDIZADO: NINGUÉM APRENDE PELO OUTRO, É UM PROCESSO INTRANSFERÍVEL:
* Tomadas de Decisões Pessoais,
* Envolve a pessoa como um todo, ela é quem escolhe os objetivos, o caminho, o ritmo, os materiais a serem utilizados e finalmente avalia o processo

• NÃO É NECESSARIAMENTE UM APRENDER SOZINHO, SEM O PROFESSOR – MINHA EXPERIÊNCIA MOSTRA QUE EU PRECISO DO PROFESSOR COMO INTERLOCUTOR NO PROCESSO:
* Parâmetro 1 – Em termos do conteúdo e
* Parâmetro 2 – Em termos do ambiente facilitador da aprendizagem.

• ATITUDE FUNDAMENTAL “SELF DIRECTED LEARNING’ -> APRENDER SIGNIFICATIVAMENTE É PESSOAL, INDIVIDUAL.

APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

“APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA… É ENVOLVIMENTO PESSOAL A PESSOA TODA – SENTIMENTO E INTELECTO – ESTÁ NO EVENTO DA APRENDIZAGEM… É AUTO-INICIADA, MESMO QUANDO O ESTÍMULO VEM DE FORA, A SENSAÇÃO DE DESCOBERTA, DE ALCANÇAR ALGO, DE COMPREENDER, VEM DE DENTRO DO ALUNO… É PERVAGANTE ALTERA O COMPORTAMENTO, AS ATITUDES, TALVEZ, MESMO A PERSONALIDADE DO ALUNO… É AVALIADA PELO ALUNO, ELE SABE SE ESTÁ OU NÃO SATISFAZENDO SUA NECESSIDADE, SE CAMINHA PARA O QUE QUER APRENDER. O LOCUS DA AVALIAÇÃO RESIDE NO PRÓPRIO ALUNO, A SUA ESSÊNCIA É SIGNIFICATIVA.” (Mahoney, 1976, p.42)
NA ÁREA DO ENSINO DE LÍNGUAS, ALGUNS ESTUDIOSOS DISCUTEM A QUESTÃO DO APRENDER, NA PERSPECTIVA DE CARL ROGERS:
• Underhill (1989) -> Elementos da psicologia humanista para a área do ensino de inglês como língua estrangeira, citando Cari Rogers:
Rogers holds that experiencial learning has to be selfinitiated. The stimulus may come from outside but the sense of discovery ‘and the motivation that brings comes from inside… Carl Rogers focus is on helping well-adjusted people to move towards realizing their own individual and unique potencial towards becoming what he called ‘fully-functioning persons.” (p.251)

EXPERIÊNCIA NA ESCÓCIA:
• Escolha:
1. Fazer ou não um ou mais projetos
2. O que fazer
3. Como fazer

• SEGUI MINHAS VONTADES, NECESSIDADES, CRENÇAS E ESTRATÉGIAS.

• FIZ UMA AVALIAÇÃO DE TODA A EXPERIÊNCIA, AO FINAL DO CURSO, A QUAL FOI DE GRANDE IMPORTÂNCIA EM TERMOS PROFISSIONAIS E PESSOAIS.

• REGISTROS NOS DIÁRIOS: MOMENTOS DE REFLEXÃO, INTROSPECÇÃO – ELEMENTOS-CHAVE DE TODO O PROCESSO.

COMO INCLUIR ELEMENTOS DO “SELF-DIRECTED LEARNING” NO NOSSO DIA-A-DIA DA SALA DE AULA E PROPICIAR A OCORRÊNCIA DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

1. O TERMO “SELF-DIRECTED LEARNING”, AQUI NESTE TRABALHO, REFERE-SE A UMA ATITUDE DO ALUNO, QUE AO RESPONSABILIZAR-SE PELA SUA APRENDIZAGEM DIRECIONA TAL PROCESSO (Dickson, 1987, p. 11)

ISSO NÃO SIGNIFICA QUE ELE DEVA NECESSARIAMENTE ADMINISTRAR TODAS AS TAREFAS DE SEU APRENDIZADO:
‘To be responsible for something does not entail having to carry out the courses of action arising from it” (Dickinson, op. cit.).

2. REFLEXÃO -> INTROSPECTIVA E RETROSPECTIVA SOBRE O QUE
ESTÁ SENDO EXPERIENCIADO (IR E VIR DA EXPERIÊNCIA À REFLEXÃO) Gail, Ellis (1990) -> REFLETIR NO APRENDENDO A APRENDER:
“By helping your students to consider factors which may affect your language learning and to discover the leaming strategies that suite you best.”
(Waden (1986) -> IMPORTÂNCIA DA REFLEXÃO SOBRE O APRENDER:

It is also important that the students themselves be given opportunities to think about their learning process so that they may become aware of their own beliefs and how these beliefs can influence what they do to learn. “ (p.4).

3. MUDANÇA, TRANSFORMAÇÃO.

ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA -> CONTRIBUIÇÕES PARA O PRESENTE TRABALHO: ALICERCE BÁSICO DA ACP -> (Rogers, 1983, p. 142):
‘TENDÊNCIA FORMATIVA DIRECIONAL NO
UNIVERSO” -> “REALIZAÇÃO CONSTRUTIVA DAS
POSSIBILIDADES QUE SÃO INERENTES AO HOMEM” (Rogers, 1980, p.4O).

• TENDÊNCIA -> PROCESSO NATURAL
• MANUTENÇÃO OU CRESCIMENTO DO ORGANISMO
• CONFIANÇA NA POTÊNCIA DESSAS FORÇAS NATURAIS DA VIDA, CUJA PRESENÇA OU AUSÊNCIA É CRUCIAL PARA A VIDA OU MORTE DO ORGANISMO (Rogers, 1980)
• AUTO DIRIGIR-SE
• AUTO AJUSTAR-SE
• AUTO DESENVOLVER-SE à PESSOA EM PLENO FUNCIONAMENTO (Rogers, 1985:314).

• ESTA É A TÔNICA DA PROPOSTA DE SELF-DIRECTED LEARNING E MINHA EXPERIÊNCIA CONFIRMOU ISSO.

• ESTUDOS INDIVIDUAIS:
1. EXPERIENCIAR O “APRENDER A APRENDER” -> NUM “IR E VIR” DA EXPERIÊNCIA À REFLEXÃO.
2. QUESTIONAR-SE: POR QUE?
O QUE?
COMO?
3. RESPONSABILIDADE PELO PROCESSO DE APRENDER
CAMINHO DO APRENDER SIGNIFICATIVAMENTE.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DICKINSON, Leslie. Autonomy, Self-Directed Learning and Individualization in ELT Documents 103 – Individualization in Lanuae Learning. The British Council, 1978.

________ Self-Instruction in Language Learning. Cambridge University Press, 1987.

DUARTE, Vera Lúcia Cabrera. As Relações lnterpessoais em Sala de Aula num Curso de Inglês na Universidade – O desempenho do aluno numa situação de medo. Dissertação de Mestrado – PUCSP, 1988.

ELLIS, Galis e Barbara Sinclair. Learning to Learn Enniish. Cambridge University Press, 1990.

GEDDES, Marion and 0111 STURTRIDGE. Individualization. The British Council – Modern English Publication Ltd., 1990, edited by Marion Geddes e 0111 Sturtridge printed in Hong Kong.

HENNER, Stanchina, Carolyn e Philip Rlley. Aspects of Autonomous Learning (Centre de Recherches et d’Applications Pêdagogique cri Langues Universite de Nancy, France) – URAPEL in ELT Documents 103 – Individualization in Lan2uaEe Learnin – The British Council, 1978.

HOMES, John. Projeto Nacional Ensino de Inglês Instrumental em Universidades Brasileiras. Ih Teacher as a Researcher Working paper 17, April – Centro de Pesquisas, Recursos e Informações em Leitura (CEPRIL), Julho, 1986.

MAHONEY, Abigail Alvarenga. Análise Lógico-Formal da Teoria de Aprendizagem de Carl Roers. Tese de Doutoramento, 1976.

ROGERS, Carl Client Centered Therapv. Boston Houghton Mifflin, 1951.

________• Um Jeito de Ser. Trad. Maria Cristina Machado Kupfer e outros. Editora Pedagógica Universitária Ltda. São Paulo, 1980.

________• Em Busca de Vida – da Terapia Centrada no Cliente Abordagem Centrada na Pessoa. Trad. Afonso Henrique L. da Fonseca, Summus Editorial, São Paulo, 1983.
________• Liberdade para Aprender em Nossa Década. Trad. José Otávio de Aguiar Abreu, Editora Artes Médicas, Porto Alegre, 1985.

________• Tornar-se Pessoa. Trad. Manuel José do Carmo Ferreira, Livraria Martins Fontes, 1987.

UNDERHILL, Adrian. Process in Humanistic Education in ELT Journal Volume 43/4 Oxford University Press, 1989.

WADEN, Anita. Helping Learners think about Learning in ELT Journal volume 40/1, Oxford University Press, January, 1986.

Trabalho apresentado ao VII Encontro Latino Americano da Abordagem Centrada na Pessoa, realizado de 9 a 16 de outubro de 1994, em Maragogi – AL — Brasil.