PROJETO: SERVIÇO DE PSICOLOGIA PARA O “NASCE”

Juliana dos Santos Lopes

APRESENTAÇÃO

O NASCE – Núcleo Assistencial Criança Esperança é um projeto mantida pela SEAC – Sociedade Espírita Amor e Caridade, situada a Rua Pe. Viegas, 210 – Jardim Industrial – Contagem/MG. Um espaço de acolhimento à criança e adolescente desprovidos de um mínimo de recursos, oferecendo-lhes apoio pedagógico, alimentação, educação “moral” orientação sobre higiene e saúde, atendimento odontológico.

O presente Projeto, propõe a continuidade e ampliação dos serviços de Psicologia já existentes na Instituição, com inclusão de atendimentos a grupos de crianças e trabalho com as famílias. Com a reforma de seu espaço físico, a partir do ano 2001, o NASCE terá condições de expandir suas atividades, incluindo cursos profissionalizantes aos adolescentes e ampliando o número de salas com a possibilidade de aumentar o número de crianças que somam hoje 60 .

O serviço de Psicologia pretende trabalhar para a capacitação e crescimento da equipe e freqüentadores do NASCE. Exercendo seu compromisso social, a Psicologia busca construir um espaço de reflexão, no qual a instituição possa se tornar protagonista de seus problemas e necessidades, passando a compreender melhor sua condição e utilizar de seus próprios recursos na busca de alternativas para solução de problemas.

HISTÓRICO

O NASCE foi fundado no ano de 1995 e durante o ano seguinte, teve início uma primeira experiência de serviços de Psicologia na Instituição. Foram convidadas alguns estudantes e psicólogas recém-formadas para atenderem às crianças em caráter voluntário.

O entusiasmo e desejo de colocar em prática a teoria, além do espírito de doação, motivavam os estudantes e psicólogos a realizarem os atendimentos. O serviço desenvolvido teve grande importância para as crianças atendidas.

Entretanto, alguns fatores fizeram com que o mesmo não continuasse. Com a saída da Psicóloga que supervisionava os atendimentos, a motivação caiu. Os voluntários começaram a encontrar dificuldades, tais como: elevado índice de evasão das crianças e ausência aos atendimentos; deficiências de ordem técnica e teórica devido a falta de supervisão de sua prática.

Como não havia nenhum tipo de vínculo estabelecido com o NASCE, os voluntários foram abandonando os atendimentos. O surgimento de outras oportunidades de trabalho com mais benefícios para os recém formados e estagiários, também contribuiu para isso.

Durante o ano de 1999, prestamos um serviço de Assessoria Psicológica, a pedido da coordenação, para as professoras da instituição, através de encontros semanais. O trabalho visava explicitar as relações mantidas no grupo, buscando sua evolução e esclarecer aspectos do desenvolvimento e formação das crianças. O processo possibilitou o início de uma conscientização da própria prática e de uma mudança de postura diante dos alunos.

Ao final deste primeiro ano, constatou-se a necessidade de se retomar os atendimentos psicológicos às crianças, de uma forma mais consistente. Ponderou-se que seria necessário um Profissional com certa experiência supervisionando os estagiários de Psicologia e coordenando todo o trabalho Psicológico realizado na Instituição. Foi decidido também dar continuidade ao trabalho com as educadoras, mantendo-se um espaço produtivo de reflexão sobre a prática.

Durante o ano de 2000. Foi implantado a 1a Etapa do Projeto de Psicologia, dando continuidade ao trabalho com as educadoras e mantendo Supervisões semanais a 4 voluntários de Psicologia que realizaram atendimentos individuais a crianças indicadas pelas professoras. O projeto foi viabilizado graças a uma doação mensal de Empresa comprometida com o desenvolviemnto social.

Ao final do ano de 2000, a avaliação do trabalho foi positiva. Verificou-se um constante amadurecimento da equipe e melhor saúde emocional das crianças atendidas. Todas as crianças triadas no ano de 1999 tiveram oportunidade de serem atendidas, sendo que atualmente 4 delas continuam o processo terapêutico. E um número cada vez maior aguarda na fila de espera.

JUSTIFICATIVA

Durante seus primeiros anos de vida, o NASCE vem atendendo às necessidades básicas das crianças: alimentação, saúde, higiene, proteção. Partindo do pressuposto de que, oferecendo-lhes condições básicas de sobrevivência, e promovendo o desenvolvimento de sua religiosidade, serão capazes de se formarem como pessoas integradas a sociedade.

Sua proposta de trabalho, visa a evolução do homem como um todo e se baseia na formação espiritual para alcance deste objetivo. Entretanto, desde cedo percebem que, para a evolução integral do Ser Humano, é necessário considerá-lo em todos os aspectos biopsicossociais. Buscam no conhecimento científico da Psicologia, uma compreensão ampliada deste Ser, bem como uma contribuição para a evolução psicológica e equilíbrio emocional dos mesmos.

Há também uma demanda de se propiciar a evolução da Instituição e de seus membros no sentido de alcançarem uma autonomia. Em reflexões com a equipe de educadoras e estagiários tem sido explicitada a necessidade de se passar do caráter assistencial, da caridade, na qual o outro sempre recebe, não atingindo a manutenção própria; para a autogestão, onde a Instituição e seus membros possam compreender melhor sua condição e utilizar de seus próprios recursos na busca de alternativas para solução de problemas.

Após 5 anos de trabalho, o NASCE expande suas atividades implantando a profissionalização, de forma mais efetiva. Estão ampliando as instalações, conseguindo maquinários e pessoas para os cursos. Buscam, com isso, oferecer alternativas à comunidade carente, para que possam se manter. Entretanto, tão essencial quanto oferecer os recursos é provocar a mudança de postura dos beneficiados. Permitir que se tornem sujeitos de suas vidas, para realmente se beneficiarem com o que lhes é oferecido, não como um fim em si, mas como um meio para alcançar a própria autonomia.

Diante disto, considera-se de suma importância a manutenção e ampliação dos Serviços prestados pela Psicologia, que pretende manter um constante espaço para a reflexão e crescimento do NASCE, viabilizando esta mudança de postura.

REFERENCIAL TEÓRICO

Em uma primeira avaliação observa-se que O NASCE se organiza como uma Instituição Educacional, possuindo o caráter de uma Instituição Assistencial sobre o atravessamento da Instituição Religiosa Espírita. Cada uma destas instituições que se sobrepõe na Organização possuem um conjunto de normas, ideologias e valores. A falta de clareza destas interferências parece causar uma certa confusão de objetivos do NASCE, com os objetivos da Sociedade Espírita.

O caráter assistencial perpassa todo o projeto, provocando uma relação de dependência. Esse tipo de relação, não promove o reconhecimento do outro de seus valores, saberes e necessidades individuais. Neste sentido, os indivíduos também não tomam consciência de suas potencialidades, acreditam-se incapazes de resolver seus problemas e tomar as rédeas da própria vida.

Embora seja objetivo da Organização, oferecer às crianças um pleno desenvolvimento físico, emocional e educacional, seus atores encontram dificuldades em atingi-los, visto que apresentam um distanciamento entre os objetivos e a prática. Desta forma, as pessoas atendidas ficam a espera da assistência, não buscam viabilizar recursos para a autogestão. As relações observadas entre SEAC-NASCE, NASCE-Famílias, Educadoras-crianças, refletem este caráter dependente. A fala da Coordenadora ao solicitar uma assessoria, sucinta tal constatação. “Preciso me desligar do NASCE para me dedicar a minha profissão, mas é difícil pois as professoras precisam de mim o tempo todo. Gostaria de diminuir esta dependência”.

Acreditamos que a relação de dependência é recíproca. O que recebe tudo nas mãos não sabe como usar seu potencial, acreditando que só sobrevive em função do que o atende o tempo todo. Este, por sua vez, não pode sair da relação, visto que se sente responsável pelo outro e culpado ao imaginá-lo sem a sua assistência, já que não consegue enxergar o seu potencial.

Mesmo sendo mantido este tipo de relação, as forças de crescimento inerentes ao homem se manifestam de várias formas no NASCE. Questionamentos e resistências ao que está sendo “aprendido”, transgressões às regras, abandonos da instituição. No campo das professoras, verifica-se insatisfação com os resultados do trabalho e distanciamento dos objetivos de formação da pessoa propostos pelo projeto, o que culmina com a solicitação de espaço para repensar a prática.

O serviço de Psicologia se baseia em determinadas concepções sobre o ser humano, que irão fundamentar as atitudes e práticas realizadas no NASCE, com o objetivo de propiciar cada vez mais a conquista da autonomia de seus indivíduos e da autogestão da instituição. O fio condutor é a crença na capacidade humana, convicção básica da Filosofia Humanista.

Parte-se do pressuposto de que o Ser Humano tem a capacidade latente ou manifesta de compreender-se a si mesmo e de resolver seus problemas de modo suficiente para alcançar sua satisfação e eficácia necessárias ao funcionamento adequado. Tem igualmente uma tendência a exercer esta capacidade. A atualização eficaz destas potencialidades não é automática. Ela requer certas condições e um certo clima de aceitação e valorização para que ocorra. Quando é livre para agir conforme suas impressões e sentimentos, como um ser capaz de aperceber as coisas que o cercam e tomar uma postura diante das situações, considerando a sua existência e liberdade e respeitando o direito a liberdade e autodeterminação do outro, o homem se encaminha para a globalidade e integração . [ Rogers, Carl – Psicoterapia e Relações Humanas]

Este homem agirá de forma socializada ou seja, em cooperação com os outros e consigo mesmo, não necessariamente de acordo com a sociedade vigente. Seu comportamento será voltado para a manutenção, intensificação e reprodução do “eu” em direção a autonomia. É a tendência ao desenvolvimento.

Considerando-se o objetivo principal da Instituição, que é o de formar pessoas em condições de conviver em sociedade e se manter de forma digna, o presente Projeto se baseia nestas concepções como fio condutor de sua prática nas diversas formas de atuação propostas e que por ventura venham a surgir.

OBJETIVO GERAL:

Desenvolver a autonomia da equipe de educadoras, crianças e adolescentes propiciando o processo de autogestão da instituição

OBJETIVOS ESPECÍFICOS.

• Oferecer à equipe do NASCE, um espaço de aceitação, compreensão empática e valorização, possibilitando a evolução do grupo e desenvolvimento da autonomia.

• Desenvolver a postura crítica das famílias diante da sua condição e exercitar a busca de alternativas e soluções para suas dificuldades.

• Possibilitar a expressão e elaboração de sentimentos e situações familiares vividas pelas crianças e adolescentes na busca de uma melhor estruturação pessoal e convívio social.

• Propiciar um vínculo e compromisso com os voluntários de psicologia da instituição, no qual possam adquirir conhecimento, experiência e formação profissional em troca de seu serviço prestado.

• Oferecer serviço psicológico de qualidade a Instituição diminuindo as dificuldades de acesso a este serviço, enfrentadas pela população mais carente;

[esquema do fluxo]
METODOLOGIA

ESTRATÉGIA 1 – ASSESSORIA PSICOLÓGICA ÀS EDUCADORAS

No trabalho já iniciado com a equipe de educadores, verificou-se um crescimento do grupo, que vêm se tornando mais seguro de sua prática e com mais clareza de seus objetivos, buscando formas mais eficientes de alcança-los.

Observa-se também a necessidade de uma discussão das práticas e estratégias de atuação visando uma maior profissionalização dos trabalhos e adequação ao movimento atual de expansão da Instituição.

Baseada na convicção de que este crescimento é um processo constante e na necessidade do acompanhamento do mesmo, para esclarecimento e desobstrução de entraves que possam paralizá-lo ou impedi-lo, considera-se de suma importância a continuidade dos encontros com as educadoras da instituição.

PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS: Os encontros serão conduzidos pela Psicóloga responsável pelo projeto, podendo, ser acompanhados por um dos Voluntários de Psicologia interessado em discutir o trabalho.

METODOLOGIA

• GRUPO DE REFLEXÃO: Encontros quinzenais com o grupo de educadoras e a duração de 1:00 hora. O objetivo dos encontros é propiciar a reflexão acerca das relações mantidas no grupo e seu reflexo nas crianças. Acredita-se que assim daremos continuidade ao desenvolvimento da autonomia e evolução do grupo.

• GRUPO DE AVALIAÇÃO DOS TRABALHOS. Encontro Mensal com duração de 1:00 hora para discussão e estruturação dos Projetos desenvolvidos na Instituição, questões de sala de aula e estratégias de atuação.

• Serão utilizadas dinâmicas, jogos, verbalização e discussão da prática.

RECURSOS:

• Sala ampla e reservada, com chave, para realização das dinâmicas

• Material para trabalhos em grupo: papéis para rascunho, lápis, giz de cera, aparelho de som, sucatas, brinquedos e jogos diversos;

• Textos diversos para estudo ;

ESTRATÉGIA 2 – ATENDIMENTOS INDIVIDUAIS A CRIANÇAS E ADOLESCENTES

O trabalho de supervisão a atendimentos individuais vem sendo realizado durante todo ano de 2000, tendo produzido grandes resultados para as crianças atendidas, conforme avaliação das educadoras do NASCE. O vínculo estabelecido com os voluntários foi mantido por mais seis meses além do previsto. Os mesmos desenvolveram um real processo terapêutico com seus clientes e vêm alcançando um bom crescimento profissional.

Atualmente, mantemos 2 voluntários que pretendem continuar os trabalhos no próximo ano. Há ainda novos candidatos a estágio, que se interessam pelo projeto e estão dispostos a ocupar as vagas ampliando o número de crianças beneficiadas.

OBJETIVOS DO ESTÁGIO

• Oferecer atendimento psicológico gratuito às crianças e adolescentes do NASCE;

• Garantir a qualidade e continuidade dos serviços psicológicos prestados, através de supervisão e estudo;

• Oferecer ao voluntário uma oportunidade de iniciar a prática clínica, e de desenvolver e aprimorar suas condições teóricas, técnicas, profissionais e pessoais;

CLIENTELA:

Crianças e adolescentes freqüentadores do NASCE, pais e responsáveis pelos mesmos, indicadas pelas professoras ou a pedido dos pais.

FORMA DE SELEÇÃO:

Serão feitas triagens a partir de inscrições voluntárias dos interessados e de indicação feita pelas professoras do NASCE. Estabelecendo uma lista de espera a ser atendida de acordo com a disponibilidade dos voluntários.

Cada cliente freqüentará a 1 sessão semanal em horário a ser combinado com o psicólogo responsável. Não poderão faltar a 3 sessões consecutivas, perdendo neste caso o direito a vaga para atendimento.

O responsável pelo atendimento poderá marcar horários diferenciados para contato com os pais e escola se julgar necessário.

LOCAL DO ESTÁGIO: Sala específica para os atendimentos, com a infra-estrutura necessária para atividades com crianças, adolescentes e pequenas reuniões familiares.

DOS VOLUNTÁRIOS (ESTAGIÁRIOS)

Os voluntários serão estudantes de Psicologia a partir do 8o período, bem como Psicólogos recém-formados que se identifiquem com o projeto e desejem iniciar a formação em Psicoterapia Infantil dentro da Abordagem Centrada na Pessoa.

NÚMERO DE VAGAS: 05 (CINCO)

CARGA HORÁRIA:

Semanal: 5 horas

Semestral: 120 horas

METODOLOGIA

• Os Voluntários realizarão atendimentos individuais à 2 crianças da Instituição, com duração de 50 minutos, podendo utilizar os 10 minutos restantes para confecção de relatórios ou conversas esporádicas com os pais.

• Uma vez por semana os voluntários participarão de uma Supervisão em grupo, para discussão de caso e estudos teóricos, com duração de 2 horas

• Ao final do primeiro semestre, será realizada uma avaliação do estágio;

• O voluntário deverá Ter disponibilidade de pelo menos um ano para os atendimentos e supervisões, avisando com 1 mês de antecedência sobre seu desligamento;

• Deverão organizar os prontuários com anotações sobre o número de sessões, faltas e psicólogo responsável, bem como confeccionar um relatório semestral sobre a situação do cliente.

• O voluntário deverá manter pontualidade assiduidade nos atendimentos e Supervisão.

CRITÉRIOS DE SELEÇÃO

Serão selecionados a partir de entrevista com a Supervisora, na qual serão colocados a par do projeto como um todo, suas obrigações, benefícios estabelecendo-se um Contrato de Voluntário.

DIREITOS DOS VOLUNTÁRIOS

1 – Participar das supervisão semanais; grupos de discussões e atividades eventuais oferecidas pelo Serviço;

2 – Vales transporte para deslocamento (2 vales/dia)

3 – Utilização da sala de atendimentos, com os recursos e materiais nela existentes;

4 – Certificado de participação de Estágio Supervisionado (Desde que respeitados os critérios acima descritos) com avaliação e carga horária cumprida;

5 – Lanches eventuais dependendo do horário de atendimento.

METODOLOGIA DAS SUPERVISÕES

• Serão realizadas na forma de grupos operativos onde serão discutidos casos, trocadas experiências e repensadas intervenções;

• A orientação teórica seguirá a Abordagem Centrada na Pessoa, sem descartar as contribuições pertinentes das demais abordagens;

• Discussão de referencial teórico indicado;

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO.

• Avaliação do Supervisor ao final do semestre;

• Freqüência às Supervisões e atendimentos, comprometimento;

• Avaliação dos resultados para a Instituição;

• Avaliação pessoal do Estagiário;

ESTRATÉGIA 3 – ATENDIMENTOS À GRUPO DE CRIANÇAS

Considera-se que, a realização de atividades em grupo, pode possibilitar uma maior consciência de si, melhoria da auto estima, coesão e desenvolvimento do grupo de crianças como um todo. Acredita-se que o trabalho realizado com turmas inteiras, evita os rótulos de criança problema e discriminação que geralmente ocorre entre as próprias crianças.

É também uma forma de atingir a um maior número de crianças, oferecendo-lhes a oportunidade de se expressar, trabalhar seus sentimentos e relações.

CLIENTELA: Crianças e adolescentes da instituição, divididas em 4 grupos, por faixa etária 6 a 8 anos, 9 a 11 anos, e 13 a 16 anos.

LOCAL: Sala de aula ampla e reservada com chave.

PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS: Estagiários e/ou Psicólogos que tenham participado de pelo menos um semestre em atendimentos individuais, sob a Supervisão da Psicóloga responsável pelo Projeto que também atenderá a um grupo de crianças.

METODOLOGIA:

• Os voluntários deverão elaborar um projeto semestral de trabalho com os grupos. Buscando coerência junto aos objetivos do Projeto de Psicologia e integração entre os mesmos.

• Os encontros serão semanais e deverão propiciar o desenvolvimento da auto estima, através da consciência de si, percepção do outro, e possibilitando o exercitar da autonomia. Cada encontro terá a duração de 1 hora.

• Os estagiários e Psicólogos participarão de Supervisão semanal, com a duração de 1:00 hora, para avaliação do andamento do trabalho.

• Ao final do 1o semestre, será feita uma avaliação do processo e evolução do grupo estabelecendo-se novo projeto para a continuidade do trabalho.

• Serão realizados estudos periódicos sobre referencial teórico de grupos.

RESPONSABILIDADE DOS VOLUNTÁRIOS

• Fazer relatório de cada encontro

• Participar das Supervisões

• Comprometerem-se com o projeto por pelo menos 6 meses.

• Elaborar o projeto de atuação com o grupo durante este período, utilizando-se de técnicas previamente discutidas e de acordo com o objetivo geral do projeto;

• Manter pontualidade e assiduidade para os trabalhos com o grupo e Supervisão.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÀO

• Avaliação do Supervisor ao final do semestre;

• Freqüência às Supervisões e atendimentos, comprometimento;

• Avaliação dos resultados para a Instituição;

• Avaliação pessoal do Estagiário;

ESTRATÉGIA 4 – ENCONTRO COM AS FAMÍLIAS

O trabalho com as famílias do NASCE, surge como uma necessidade e um desafio. Durante as reuniões com as educadores, no ano de 1999, ocorreu uma reflexão sobre o conceito de família e suas implicações na prática . No ano 2000 buscou-se uma mudança de postura da equipe, diante dos familiares. Foram colocadas em prática estratégias para a inclusão da família nas atividades do NASCE, valorizando-se suas contribuições e buscando-se uma construção em conjunto de temas de interesse. O objetivo era garantir a participação nas reuniões mensais, na busca de uma parceria na educação e formação dos filhos.

Entretanto, verifica-se ainda uma necessidade de mudança de postura dos familiares. É preciso apropriarem-se de sua história pessoal , construindo uma visão mais crítica do contexto social e de suas responsabilidades na formação dos filhos e na própria manutenção.

Surge portanto a proposta de se abrir este espaço de reflexão com os pais e responsáveis, na tentativa de fortalecer o grupo e comprometê-los com suas próprias questões.

LOCAL: Salão da Instituição.

PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS: Os encontros serão conduzidos pela Psicóloga responsável pelo Projeto, podendo ser acompanhados por estagiário que tenha interesse em participar e discutir o processo do grupo.

METODOLOGIA:

• ENCONTRO DE PAIS : 1 reunião mensal com 2 horas de duração, com pais e responsáveis por crianças do NASCE.

• Dinâmicas e atividades de sensibilização, e auto percepção

• Espaço para a palavra: Discussões em grupo sobre a realidade pessoal.

• Espaço para a ação: Busca de alternativas e discussão de atividades para melhoria da condição social.

PERÍODO DE DURAÇÀO DO PROJETO:

Esta etapa do Projeto terá a duração de 12 meses, com início previsto para fevereiro de 2001. Após este período, pretende-se realizar uma avaliação dos resultados, verificando-se quais objetivos foram alcançados, novas demandas e dificuldades encontradas. Trançando-se estratégias para atuações futuras.

RESULTADOS ESPERADOS

Ao final do período de duração do projeto, espera-se

1. Alcançar um maior nível de evolução da equipe, construindo-se uma relação mais independente onde cada uma possa reconhecer seu espaço dentro da Instituição, exercendo sua função de forma mais definida e profissional. Com isso, espera-se que consigam começar a colocar em prática os Projetos de trabalho que se propõem a realizar e desenvolvam a capacidade de traçar estratégias a partir de uma avaliação.

2. Com relação aos Encontros com Familiares, espera-se que ao final do processo sejam capazes de reconhecer suas potencialidades e de pensar em estratégias e atividades para utilizá-los na solução de suas dificuldades e carências.

3. Pretende-se que pelo menos mais 6 crianças estejam sendo atendidas pelos voluntários, sendo que as 4 crianças atualmente atendidas tenham dado continuidade ao processo. Espera-se também a presença de 5 voluntários durante todo o processo e o interesse de pelo menos 50% pela continuidade do trabalho.

4. Nos trabalhos com grupos de crianças, espera-se uma melhoria da auto-estima e das relações interpessoais, bem como o desenvolvimento de uma maior autonomia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em seus 5 anos de funcionamento o trabalho realizado pelo NASCE vem sendo reconhecido pela comunidade como importante alternativa para o destino das crianças que por ele passam. Embora, ainda recente, já tem servido de referência à famílias carentes da região.

A Psicologia vem contribuir com esse trabalho, no sentido de tornar o NASCE, cada vez mais efetivo em seus objetivos. Dar voz a instituição, é possibilitar seu crescimento. Ajudá-la na construção e solidificação de sua identidade.

Espera-se com este trabalho, propiciar a estas crianças e adolescentes uma possibilidade de serem elas mesmas, de se desenvolverem como pessoas responsáveis por suas escolhas, cientes de sua liberdade humana, atrelada a responsabilidade para com o outro que é também livre.

Trabalhando assim, de forma preventiva e integrada, comunidade/ religiões / ciência / empresários, assumem o compromisso de propiciar mudanças sociais a partir de nossos próprios esforços, provando ao poder público que existem caminhos, basta vontade política e ética para poder traçá-los e segui-los.

DA PROFISSIONAL RESPONSÁVEL

JULIANA S. LOPES – Psicóloga, CRP 04/13648, Formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, com ênfase em Psicologia Educacional; formações complementares em: Recursos Humanos pela Sales e Viegas Consultores Associados; Psicoterapia Humanista pelo Instituto Humanista de Psicoterapia; Psicomotricidade Relacional pelo Instituto Brasileiro de Psicomotricidade Relacional, Filiado ao Inst. Italiano Di Psicologia Della Relazione (em andamento); tendo prestado serviços de Assessoria de Psicologia Educacional ao NASCE, Intervenções em grupos terapêuticos através do Instituto Humanista de Psicoterapia, atendimentos individuais de Psicoterapia infantil e adulto, Orientação Vocacional e Psicopedagogia.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ROGERS, Carl r. & Knget, G.M. – Psicoterapia e Relações Humanas – Vol. 1 (Teoria) e 2 (Prática). Belo Horizonte, Mg Interlivros, 1977.

ROGERS, Carl R. Liberdade para aprender

BAREMBLIT, Gregório – Compêndio de Análise Institucional e Outras Correntes.

Belo Horizonte 10 de janeiro de 2000.

Juliana dos Santos Lopes

Psicóloga – CRP 04/13648

CONSULTÓRIO:

Rua: São Matias, 180 – São Salvador – 3362 7250 /9912 8540

Apresentado no XI ENCONTRO LATINO-AMERICANO DA ACP – Socorro – Brasil – Out/2002