REPENSANDO AS FASES DO PENSAMENTO DE ROGERS

Adriano Holanda

Psicólogo e Psicoterapeuta, Mestre em Psicologia pelo Instituto de PsicoloGia da Universidade de Brasília, Professor do Departnento de Psicologia do CEUB/DF

INTRODUÇÃO

Uma proposta de “repensar” uma teoria já se mostra, na base, pretensiosa. Na realidade, a pretensão de se rediscutir um assunto tão antigo e já tão debatido se deve a uma necessidade pessoal. Necessidade esta de caráter teórico quando da perspectiva das idéias de Rogers, e prático quando da aplicação destas idéias à situação de consultório, mas fundamentalmente, à transmissão destas idéias.

O que representa, hoje em dia, a Abordagem Centrada na pessoa? Uma teoria de personalidade, um esboço metodológico, uma “linha” terapêutica ou uma filosofia de relações humanas? Eu me atreveria a dizer que nenhuma dessas e todas, ao mesmo tempo. Todavia, estas asserções não conseguem abarcar a importância histórica e metodológica das idéias de Rogers.

A perspectiva de Rogers é revolucionária no seio da prática psicoterapêutica, mas não apenas ai. Num de seus artigos autobiográficos, Rogers revela seu próprio espanto ante a penetração de suas idéias aos mais variados campos de atuação. Escreve ele seu trabalho e de colaboradores:

“Revolucionou o campo do aconselhamento. Permitiu que a psicoterapia fosse examinada e pesquisada abertamente… Desempenhou um papel na mudança ocorrida nos métodos de ensino em todos os níveis. Foi um dos fatores responsáveis pelas mudanças conceituais que ocorreram na área de liderança na indústria (e também na área militar), da prática do serviço social, da enfermagem e da assistência religiosa…”[1]

O pensamento de Rogers foi ainda básico para o movimento de grupos de encontro, tendo influenciado em certa medida a Filosofia da Ciência, as relações inter-culturais e inter-raciais, e alguns estudiosos de Teologia e Filosofia. Mas, ao colocar a pessoa do cliente como o “expert” de sua própria vida, Rogers reatribui-lhe poderes sobre si-mesma. Esta é o mais autêntico legado revolucionário do pensamento rogeriano, segundo Bozarth [2]. A grande revolução do pensamento de Rogers consiste na consideração do processo de psicoterapia como uma interação, na qual se tem a introdução de um aspecto fundamental, a espontaneidade do terapeuta.

Um pensamento de tal relevância merece ser continuamente repensado e revisto. Minha pretensão, pois, está intimamente ligada à minha dificuldade de organizar a representação da Abordagem Centrada na Pessoa hoje, dentro do fluxo de seu desenvolvimento e evolução históricos.

Gostaria de salientar que este trabalho tem um forte caráter especulativo, baseado em aspectos teóricos do pensamento de Rogers. Sua contribuição pode ser, caso comprovado e aceito, de ordem ampla da própria teoria da Abordagem Centrada na Pessoa ou ainda, como uma tentativa de abertura a novas perspectivas de ação.

De fato, não sei ao certo onde se encaixa esta reflexão. É notória a quantidade de críticas que são direcionadas à atuação de Rogers. Todavia, nada me tira da mente que, caso estivesse ainda vivo, ele teria estado no Brasil, em Agosto de 1987, para o I Congresso Holístico Internacional, teria concordado com grande parte das reflexões ali colocadas, estaria empenhado em lutas pela abertura do ser humano ao seu ambiente, e até, talvez concordasse comigo ao discutir a evolução do conceito de Pessoa (como já o fez, implicitamente, com Buber, em 1957).

1. A PROPOSTA DE ROGERS

Pode-se entender a proposta da Psicoterapia Centrada na Pessoa como uma troca de experiências vivenciais entre terapeuta e cliente, sendo característica uma postura específica pessoal, ou seja, a colocação da pessoa do profissional, algo que não havia na época de Rogers.

Podemos definir esta postura como uma “dedicação” do terapeuta em caminhar em direção ao seu cliente, acompanhando o ritmo do cliente e respeitando—o como uma unicidade existencial [3]. Esta postura supõe um compromisso do terapeuta e sua totalidade, com o cliente e sua totalidade.

A Abordagem Centrada na Pessoa se revela então como uma filosofia de atitude, como uma filosofia de um agir, uma “filosofia básica”[4] que desemboca numa filosofia de vida [5].

A proposta psicoterapêutica de Rogers repousa na valorização dos aspectos subjetivos e intersubjetivos[6] do relacionamento entre cliente e terapeuta.

Na sua empreitada por tornar mais claras e acessíveis suas idéias sobre o processo psicoterapêutico, Rogers termina por revelar uma profunda preocupação com a cientificidade de seu modus operandi, procurando sempre estar empenhado em pesquisas que pudessem lhe dar dados mais fidedignos; mas também convive com uma preocupação filosófica, chegando mesmo a discutir a respeito da natureza da ciência[7].

Sobre a questão da subjetividade e da inter subjetividade, temos que:

“À proposta rogeriana é facilitar a pessoa a ‘tornar-se pessoa’. Para ele a solução é a interioridade que permita a cada um assumir o que é em verdade e faculte, ao mesmo tempo, aceitar as outras como são. À noção de pessoa é a base da proposição rogeriana. O importante é a dinâmica vivencial que o indivíduo estabelece consigo e com o outro. O que predomina no ser humano é a subjetividade”[8].

Rogers releva ainda a questão da liberdade individual e da responsabilidade, além da potencialidade inerente a cada pessoa. Nestes conceitos e na sua atuação terapêutica, Rogers se aproxima de um pensamento fenomenológico [9] e existencial [l0].

Desta posição, Rogers deriva una noção de homem subjacente à sua prática. Não se trata de uma noção fechada, o que implicaria num conceito estático e numa consideração apriorística. Além disso, uma conceptualização rígida do ser humano serviria de obstáculo ao contato imediato.

Puente assinala que:

“…Rogers não concebe o homem como fundamentalmente hostil, destrutor, ele não o considera tampouco como um ser cuja natureza seja de nada possuir, uma ‘tábula rasa’ maleável de onde tudo pode ser extraído: Rogers não concebe entretanto a natureza do homem como sendo a de um ser cuja essência seja perfeitamente boa (..). A hipótese de Rogers, é que o homem possui sua natureza, e que esta natureza é digna de confiança. (…) Visto deste ângulo, o homem não é nem uma máquina nem um ser sujeito a seus influxos inconscientes, mas uma pessoa em vias de auto-criação, uma pessoa que cria significação na vida, e que exprime a dimensão da liberdade subjetiva” [11].

Para Rogers, o ser humano tem uma natureza que lhe é própria, e esta natureza tem um valor positivo, na medida em que revela o desejo de vir a atuar integralmente, o mais efetivamente possível. Sua hipótese é que cada ser humano possui uma natureza particular e digna de confiança. O homem não é nem uma máquina, nem um ser sujeito a seus influxos inconscientes, mas uma pessoa em vias de auto-criação, de auto-estruturação[12], um ser que cria significações na vida e que expressa toda a dimensão de sua liberdade subjetiva.

Para Rogers – ao contrário de Rousseau [13] – , o homem não é considerado como uma essência perfeita, maculada pela sociedade, mas tem características próprias de um ser positivo, progressista, construtivo, realista e, principalmente, merecedor de confiança.

O homem, como todos os membros de sua espécie, possui uma natureza básica, com atributos compartilhados por seus semelhantes. Se o ambiente no qual estiver inserido for favorável, permissivo, no sentido de valorizar sua liberdade, haverá a expressão dos homens, em todas as suas formas de sentimentos, sem reservas. No decorrer da convivência com estes sentimentos, perceberá que sua própria natureza é confiável, e partilhada pelos demais.

O homem é, pois, um membro da espécie humana, é um ser digno de confiança, com tendência a desenvolver-se, de um estado de dependência à independência, tendendo ainda à harmonizar seus impulsos – e não ficar eternamente sujeito a eles – e a evoluir.

O que se pode afirmar é que a pessoa do cliente não é um objeto de conhecimento, nem mesmo um objeto de ação terapêutica; ele é um sujeito, com sua individualidade, suas características, diante do qual um outro sujeito, o terapeuta, vai se situar [14]. O terapeuta, de sua parte, não é um “homem de ciência” no sentido em que estuda um objeto “científico”, é alguém que se coloca em relação, que faz parte da experiência do cliente. Ambos são seres concretos, criadores e criaturas, que se transformam sempre pelas relação que estabelecem com os outros.

2. AS FASES DO PENSAMENTO DE ROGERS

O pensamento de Carl Rogers acompanhou sua própria teoria, no sentido de atualizar-se continuamente, sempre buscando um maior desenvolvimento na sua práxis, evoluindo até constituir certas fases bem distintas que servem de parâmetro para a compreensão de sua teoria como um todo.

Há, porém, certa divergência quanto à esquematização destas fases. Comumente se estabelecem três grandes etapas [15] para o pensamento de Rogers, cada uma delas com características próprias no que diz respeito a posturas e considerações do terapeuta, além de ter sempre uma determinada obra de Rogers como ponto de referencial. Estas etapas obedecem o critério relativo ao processo terapêutico e não à ambientação ou teoria da personalidade

Para Puente [16] as fases seriam estas:

1) A fase do Insight (1940-1945).

2) A fase da Congruência (1946-1957)

3) A fase do Experiencing (1957- )

Hart & Tomlinson(17) e Wood(18) estabelecem as seguintes fases:

1) Psicoterapia Não-Diretiva (1940-1950)

2) Psicoterapia Reflexiva (1950-1957)

3) Psicoterapia Experiencial (1957-1970)

Huizinga [19], citando Hart e Dijkhuis, traça um quadro comparativo com algumas perspectivas históricas das fases do pensamento de Rogers:

1. Terapia Não-Diretiva

1940-1950 (Hart)

1940-1947 (Dijkhuis)

2. Terapia Centrada no Cliente

1950-1957 (Hart)

1947-1957 (Dijkhuis)

3. Terapia Experiencial

1957-1964

Já ao se referir ao biógrafo Kirschenbauin [20], traça outra perspectiva, assim dividida:

1. Início e Meio da década de 1930, período em que a “essência do counseling com crianças consiste na manipulação das condições externas e do meio”;

2. Meados da década de 1930 e início da de 1940, quando Rogers se mostra mais interessado na mudança terapêutica e começa a desenvolver seus métodos não- diretivos;

3. Meados/Fim da década de 1940, onde se percebe una maior ênfase nas atitudes centradas no cliente (basicamente aceitação e compreensão empática);

4. Final de 1940 e início dos anos 1950, quando se adiciona a atitude “congruência”.

Até chegarmos A atual Abordagem Centrada na Pessoa, o pensamento de Rogers evoluiu sobremaneira. O próprio termo “Centrado na Pessoa” surge, segundo Bozarth [21], em literatura recente, ao redor de 1976, mas se formalizando a partir da publicação, em 1977, de Carl Rogers On Personal Power, onde Rogers amplia sua filosofia da terapia centrada no cliente para outras áreas, tais como a administração, a supervisão e a educação.

Apesar das pequenas divergências entre os autores, convém analisar as diversas fases com base nas suas características principais.

3. EVOLUÇÃO E CARACTERÍSTICAS DAS FASES DO PENSAMENTO DE ROGERS

A título de análise das características primordiais, tomemos por base a distinção das etapas feita por Wood e Hart & Tomlinson [22].

3.1. A Psicoterapia Não—Diretiva (1940—1950)

O primeiro rótulo que a perspectiva terapêutica de Rogers recebe é a de não—diretiva, por volta de 1940, expressão que “captura a essência do método de aconselhamento” desenvolvido por Rogers [23].

A primeira fase, que recebe o nome de “Psicoterapia Não—Diretiva”, refere—se ao período compreendido entre os anos 1940 e 1950, nos quais Rogers está na Universidade de Ohio. Antes desta fase, segundo Puente(24), Rogers teria seguido uma orientação “eclética”.

Esta fase corresponde ao momento no qual o objetivo principal do terapeuta se voltava para o insight do cliente (insight a nível muito mais intelectual e ainda não preocupado em ser vivencial). Nesta fase, as atitudes do terapeuta são muito “tecnológicas havendo a primazia da técnica do reflexo de sentimentos, além de uma postura de “neutralidade”, de permissividade e não—intervencionismo, além de uma postura de aceitação e clarificação do comportamento do cliente e certas restrições ao atendimento; é uma fase de grande intelectualismo, o que restringe o atendimento a pessoas com razoável capacidade intelectiva e analítica(25).

É nesta atmosfera de permissividade que surgem as mais contudentes criticas direcionadas ao papel pouco ativo que o terapeuta exerceria, o que levou a uma série de mal— entendidos e de mitos sobre a figura do terapeuta “que não fala” em terapia. Na realidade, seu esforço era uma tentativa de desarticular a conotação de autoridade relacionada ao terapeuta.

O conceito central é o de não—direção, ou seja, a abstenção de intervenções que possam vir a se interpor ao processo do cliente. Mas os mal—entendidos surgiam da confusão entre “não—direção” e “dar diretivas”:

“Não—direção é em essência a abstenção de juízos de valores, em outro sentido, não direção não existe. Cumpre distinguir entre ‘diretivas’ e ‘direção’. Enquanto o termo ‘diretivas’ implica conselhos, sugestões, ordens, o termo ‘direção’ sugere a idéia de significação”(26).

Segundo Puente(27), a principal referência a esta fase seria o artigo de Rogers, “The Processes of Therapy”, publicado em 1940, no Journal of Consulting Psychology embora a obra mais característica seja “Counseling and Psychotherapy’ de 1942 (publicado em português sob o titulo de “Psicoterapia e Consulta Psicológica).

O germe do que viria a ser a Abordagem Centrada na Pessoa já se encontrava promissor nesta obra, inclusive com certas intuições a respeito do significado da mudança em psicoterapia:

“…pela primeira vez, ele enfatiza a própria relação terapêutica como uma experiência de crescimento para o cliente. Afirma ainda que este tipo de terapia não é uma preparação para a mudança, ela é a própria mudança’”(28).

Sua prática clínica se inicia em terreno infantil, onde realiza numerosas experiências práticas. Aí encontra como ponto de partida de suas idéias a chamada “Terapia da Relação” de Otto Rank, que focaliza primordialmente a independência do individuo, e valoriza a relação terapêutica.

Esta fase representa um momento de reflexão que leva Rogers a conclusões originais acerca do papel do cliente e das técnicas. O interesse maior é o indivíduo, que é o centro, o objetivo, e não o problema em si. Pretende—se ajudar o indivíduo a crescer, ao invés de simplesmente ajudá—lo a resolver suas pendências.

Ainda não surge, aqui, a percepção da totalidade do ser humano, havendo pontos de interesse centrais no trabalho psicoterapêutico. Todavia, já encontramos elementos importantes que serão retomados posteriormente, nas demais fases de seu pensamento, como diz Bastos:

“A terapia rogeriana patenteia alguns valores gerais, que influem durante as várias fases de seu desenvolvimento, estabelecendo uma filosofia humanista da pessoa e das relações humanas. Nota-se aí semelhança com a terapia da relação. Esses valores gerais são quatro e Rogers assim os apresenta: l.) o impulso ao crescimento; 2.) maior ênfase ao afetivo do que ao intelectual; 3.) importância do presente;

4.) a relação terapêutica como experiência de crescimento”.(29)

3.2. Terapia Centrada no Cliente (1950—1957)

A segunda fase recebe o nome de “Terapia Centrada no Cliente”. Convém assinalar que, antes de ser apenas uma mudança de nomenclatura e de designação, trata—se de uma significativa mudança postural global no pensamento e na prática de Rogers.

“Segundo Shlien e Zimring , o desvio da noção de ‘não—direção’ para ‘centrada no cliente’, não é uma revisão de nomenclatura simplesmente. significa a clarificação da perspectiva: como o termo negativo sugere, a terapia não—diretiva ainda permanece fora do cliente, almeja usar a permissividade como um catalisador para o desenvolvimento do ‘insight’. ‘Centrar-se’ no cliente sugere não apenas um papel mais ativo por parte do terapeuta; também significa que ele torna o cliente o foco de sua atenção”.(30)

Esta fase, correspondente ao período em que Rogers esteve em Chicago, se situa entre os anos 1950 e 1957. Nos derradeiros anos desta fase, Rogers teria formulado sua terapia num caráter mais teórico e sistemático, na tentativa de construir uma teoria da terapia. Neste sentido o texto matricial desta fase é o “A Theory of Therapy, Personality, and Interpersonal Relationships, as Developed in the Client— Centered Framework”, escrito em 1956, mas somente publicado no ano de 1959(31). Mas a obra que mais caracteriza este período é seu livro “Client—Centered Therapy”, de 1951.

A função do terapeuta é de evitar ameaça ao cliente, além de promover o desenvolvimento da congruência do seu conceito de self e do campo fenomenológico. É ainda uma fase onde o reflexo de sentimentos ainda é muito usado, mas agora surgem, na postura do terapeuta, as condições consideradas “necessárias e suficientes” ao crescimento e à mudança: a empatia, a autenticidade e a consideração positiva incondicional.

Há um amadurecimento das perspectivas não—diretivas ligadas à compreensão da psicologia do eu, com atitudes como um certo abandono de um interesse diagnóstico, voltando—se para a capacidade inerente do cliente. Neste momento, Rogers privilegia a ação facilitadora e a presença do terapeuta.

Agora já se percebe um reconhecimento da universalidade do conceito de tendência atualizante, um pouco limitada na primeira fase.

3.3. Terapia Experiencial (1957—1970)

A terceira fase, ou fase da “Terapia Experiencial”, que se situa a partir de 1957 até 1970 apresenta um salto qualitativo no que se refere ao trabalho de Rogers, a fase de Wisconsin.

O objetivo nesta fase é ajudar o cliente a usar plenamente sua experiência, promovendo uma maior congruência do self e desenvolvimento relacional. A ênfase do processo recai aqui na vida inter e intrapessoal do individuo, onde se percebe mais consideração em termos de totalidade de existência.

Em termos posturais, há um aumento da variação dos comportamentos do terapeuta, com maior significado na relação terapêutica como um encontro existência com uma intervenção caracterizada pelo abandono da técnica e pela focalização na experiência do cliente e na expressão das experienciações do terapeuta.

Há uma total reformulação do conceito de processo psicoterápico e uma considerável ênfase na congruência do terapeuta. Seu livro, “On Becoming a Person”, de 1961, é o referencial desta fase.

Nesta fase, há uma maior interação entre Rogers e seus colaboradores. Um aspecto importante é que Rogers aceita sugestões e críticas, e se vê influenciado em especial, pelo conceito de experiencing de Eugene Gendlin, definido como um dado sentido com referência direta da pessoa em relação à sua consciência fenomênica. Trata-se de um conceito pré—lógico(33), experiencial, vivencial, sendo um processo vivido organicamente.

Gendlin, segundo Spiegelberg(34), é quem “fornece a Rogers substratos teóricos para a passagem do positivismo lógico a uma orientação existencialista, dando ênfase à reinterpretação do termo experiência”.

Para Cury(35), esta é uma fase bi—centrada, onde inter—atuam dois mundos fenomenais distintos, o do cliente e o do terapeuta. Este pensamento conduz Rogers aos movimentos de grupos e encontros de comunidade na década 70-80.

Uma das críticas mais importantes recebidas por Rogers vem do próprio Gendlin:

“Gendlin opõe—se a Rogers ao recusar a hipótese de que a simples percepção das atitudes terapêuticas é condição necessária e suficiente para a terapia. Sua concepção de terapia é essencialmente existencial, e atribui ao terapeuta maior intervenção no diálogo terapêutico do que é admitido pela terapia rogeriana”(36).

No pensamento de Gendlin, a congruência não é considerado apenas como a consciência de suas experiências, mas a consciência de seu experiencing.

Nesta fase há uma tendência para que o self desapareça como objeto concreto, passando a ser sentimento, o que de fato parece ocorrer.

Estas são as fases tradicionalmente apontadas como delimitadoras do pensamento de Rogers. Porém, ainda que n&o esquematizada, me parece que há uma significativa diferença entre o pensamento de Rogers no ano de 1970, quando publicou, “Carl Rogers On Encounter Groups”, e o seu pensamento em 1980, quando temos “A Way of Being”.

4. UMA QUARTA FASE

A idéia de uma quarta fase surge de algumas posições explícitas de Rogers e algumas constatações. Há uma considerável mudança de seu posicionamento na terapia em direção a uma terapia fenomenológica, como assinala Moreira(37), mesmo que Rogers não alcance, a contento, realizar esta mudança.

A partir da fase anterior, percebe—se uma preocupação maior de Rogers com a interação com o cliente, abandonando uma postura mais intelectualizada e centrada na “pessoa—indivíduo”.

Isto fica mais claro, ao observarmos a evolução de sua prática clínica. Moreira, a analisar algumas entrevistas terapêuticas de Rogers, afirma:

“Rogers busca apoiar—se na experiência subjetiva que se constitui no campo da inter—relação terapeuta—cliente e expressa suas próprias emoções emergentes desse campo. Isso faz com que sua conduta terapêutica se aproxime de uma metodologia fenomenológica, à medida em que chega mais perto das articulações de sentido que acontecem na situação de terapia”(38).

Esta fase compreenderia os últimos anos de sua vida (1970 a 1987). Neste período, Rogers se dedicou integralmente às atividades de grupo (abandonando a terapia individual), e às questões que se acercavam do relacionamento humano na coletividade.

Apesar de tudo, esta fase é meramente especulativa, não havendo ainda uma estruturação adequada. Mesmo assim, Moreira propõe uma nova diferenciação entre as fases, que seria: 1) Fase Não Diretiva (1940—1950); 2) Fase Reflexiva (1950—1957); 3) Fase Experiência (1957—1970) e, 4) Fase Coletiva (1970—1985).

A esta última fase, propomos o nome de “fase interbumana” (utilizando uma linguagem buberiana), por considerar que “coletiva” privilegia demasiado uma outra dimensão da existência humana, a social, representada pelo grupo onde temos a realizaçâo desse coletivo, mas que, em geral, suprime o elemento pessoal, individual, “justamente o elemento mais importante”(39).

Esta é também uma fase de transcendência de valores e de idéias, na qual Rogers expressa uma preocupação com o futuro do homem e do mundo, com questões que abrangem outras áreas da ciência(40). Na suas últimas obras, Rogers empreende uma discussão que ultrapassa o simples cientificismo tradicional e parte para uma interdisciplinaridade onde coexistem conceitos da física, da química, e de outras áreas da ciência.

Seria uma fase mais mística, holística no seu sentido mais amplo, em que Rogers se voltaria para a consideração de uma relação mais transcendental, ou para a transcendência da existência humana.

A evolução das suas idéias é acompanhada também de uma evolução da própria nomenclatura de sua abordagem, e da designação daquele que vem ao seu encontro; assim, usar una terminologia que faça referência a um “cliente” acaba por se tornar também insatisfatório, Com isso, surge em 1976, a designação “centrado na pessoa”, o que implica numa consideração mais ampla do próprio processo de psicoterapia.

Este seria, seguramente, o seu período de maior abertura a quaisquer outras colocações e correlações. Todavia, no que se refere a prática da psicoterapia, ainda predomina a hipótese fundamental que propõe a suficiência da existência de certas características na relação terapeuta- cliente que asseguram as mudanças construtivas da personalidade.

O que prevalece é o sentido de evolução no pensamento de Rogers, onde uma idéia se junta às anteriores em prol de um crescimento contínuo e assim, percebe—se o intenso trabalho voltado à prática do advento de um novo homem, mais livre e congruente, na mais completa expressão da tendência atualizante, num compromisso com seu devir.

5. TENTATIVA DE JUSTIFICATIVA

Rogers, nas suas derradeiras obras, se embrenhou por terrenos novos em relação ao seu campo de atuação. Preocupa— se com questões que abrangem a humanidade como um todo[41], ou com correlações que fundamentam suas idéias na ciência tradicional(42).

Isto deriva da idéia que um novo mundo estaria prestes a emergir, a possibilidade de uma nova era e uma nova compreensão da realidade, e consequentemente, um novo homem surgiria.

Rogers assinala constantemente, nesta fase, as mudanças de paradigmas, mudanças estas que ajudam a cambiar a própria cultura. Apóia—se fundamentalmente na sua noção de tendência atualizante, agora ampliada para o conceito de tendência formativa.

Há um processo direcional na vida, em cada organismo há um fluxo ininterrupto, subjacente, em direção à realização das suas próprias potencialidades. Poder traduzir isto como um movimento em direção à “excelência” (aqui entendida como o melhor de si, em dada circunstância), o que é muito bem ilustrada pela famosa história das batatas.

Vários exemplos confirmam esta hipótese, e Rogers cita personalidades do quilate de Kurt Goldstein (importante figura que influenciou a Gestalt—Terapia), Abrabam Maslow, Angyal e Albert von Szent—Gyoergyi.

Szent—Gyoergyi(43) apresentou alguns trabalhos no campo da Biologia, e em alguns momentos afirma que todo organismo procura sua própria realização. Outra figura de analogia, Magohah Murayana, em seus estudos epistemológicos, aponta para as interações mútuas de causa e efeito, ou seja, não mais se considera a univocidade das relações causa— efeito (o que, de fato, se constitui numa consideração limitada da ciência – a tempo: o próprio behaviorismo há muito já reviu este ponto).

Rogers utiliza—se de alguns outros exemplos para justificar esta sua apresentação, como a formação do universo, dos planetas ou da vida na Terra; ou ainda a formação dos cristais. Sua concepção de uma tendência “sempre atuante em direção a uma ordem crescente e unia complexidade inter—relacionada” encontra eco nos conceitos de sintropia de Szent-Gyoergy e de tendência mórfica de Lancelot White. O universo se encontra em constante construção e de—construção, em processo de criação e deterioração, e posterior re—criação.

Escreve Rogers que “a transformação de um estado em outro é um evento súbito, não linear, em que muitos fatores interagem ao mesmo tempo”(44), como o é a História e a Evolução.

Mas a analogia mais forte usada por Rogers é com a física contemporânea, em especial figuras como Fritjof Capra e Ilya Prigogine. De Capra aborda basicamente a relação existente entre física moderna e misticismo oriental. De Prigogine(45) toma certos conceitos sobre sistemas dinâmicos e os aplica às situações do cotidiano.

Todas estas formas de pensamento científico fortalecem, em Rogers, a idéia de que o ambiente psicológico adequado facilita a mudança e a aprendizagem. À mente é maior do que o cérebro, ou seja, a pessoa é maior do que o que fazem dela. À chave é potencializar a pessoa:

“Potencializar a pessoa é colocar em movimento uni processo que pode revolucionar a família, a escola, a organização, a instituição, o Estado. Estamos diante de uma outra mudança paradigmática”(46).

Fortalece—se, com isto, a hipótese central da Abordagem Centrada na Pessoa, a tendência atualizante, e o processo terapêutico, como descrito por Rogers, se vê também confirmado, na questão da necessidade de se criar um clima propicio à mudança de personalidade.

Além dos novos paradigmas científicos, numerosas pesquisas confirmaram as intuições de Rogers. Senão vejamos: da discussão acerca da eficácia psicoterapêutica, as pesquisas têm demonstrado que, dentre os inúmeros fatores determinantes de uma abordagem eficaz, ternos o fato de que a psicoterapia é uma relação onde atuam a influência que o terapeuta exerce sobre o cliente e a relação que ambos estabelecem.

Os primeiros questionamentos sobre este ponto levantaram a primazia das técnicas e modelos especiais de cada psicoterapia como os fatores preponderantes. Nasce dai a “Teoria da Especificidade”, que afirma que a eficácia decorre da técnica e do contexto especifico do tratamento. Como exemplo disto temos a Psicanálise freudiana clássica e o Behaviorismo radical.

Este modelo de pensamento delimita um tradicional raciocínio mecanicista, além de uma univocidade da causalidade, derivando numa onipotência metodológica do terapeuta, mantendo seu status de poder, além de estimular a antiquada separação da psicoterapia em “linhas” separadas.

Empiricamente não foram determinadas estas diferenças atribuídas pelas diversas técnicas, o que gerou consideráveis questionamentos nas próprias bases com a proliferação de novos modelos que buscavam elementos comuns de eficácia.

Surge então, a “Teoria dos Fatores Inespecíficos”, uma reação iniciada na década de 1950, por M.J.Eysenck. concomitantemnente, Rogers(47) passa a apontar como fatores eficazes e suficientes em psicoterapia: a autenticidade, a empatia e a consideração positiva, numa proposta relacional de psicoterapia.

Frank(48), na década de 60 explicitou os fatores específicos em oposição aos não—específicos: os resultados em psicoterapia decorrem de fatores comuns a todas as psicoterapias, e incluem:

• relação de confiança e carregada de emoção

• ambiente terapêutico facilitador da expressão um “racional” (para patogênese, cura e ritual)

Já Altshuler [49] sintetiza os elementos considerados comuns por diversos autores: (1) Relação Terapeuta—cliente, com a particularidade de ser intensa, carregada emocionalmente e de confiança; (2) Aceitação e Apoio do Cliente, ou seja, o cliente é uma pessoa que merece respeito e ajuda, e uma atitude de aceitação incondicional leva a uma melhora de sua auto estima; (3) Oportunidade de Expressar Emoções, num encorajamento à reflexão e à expressão de desejos, causando alívio, aceitação e senso de domínio; (4) Rituais, cada terapia possui um ritual próprio a ser observado, o que aumenta a confiança do cliente no terapeuta e; (5) Base Racional, isto é, uma explanação racional sobre a causa dos sintomas, um referencial teórico que dá segurança ao terapeuta.

Parte—se, atualmente, para uma visão integrada do processo terapêutico, numa síntese, desembocando no chamado Movimento de Integração de Psicoterapias(50).

Este posicionamento holístico e ao mesmo tempo, fundamentado empiricamente, abre novos rumos à Abordagem Centrada na Pessoa, como rediscutir o papel da “pessoa” na relação terapêutica.

5. REDISCUTINDO A NOÇÃO DE “PESSOA”

Das críticas do individualismo ao centramento na “pessoa—indivíduo”, temos consideráveis mudanças.

Se considerarmos que o conceito de pessoa é transcendente à materialidade e à individualidade, a característica básica da nossa compreensão do conceito de “pessoa”, é o que Gabriel Marcel aponta por “reciprocidade interhumana”:

“Diríamos de inicio que ela (reciprocidade interhumana) é um dado primordial da percepção das pessoas, visto que a pessoa não é conhecida senão quando ela se dá de certa maneira a quem a contempla”(51).

Tentemos entender este conceito de pessoa como um ser inserido historicamente na sua realidade, e inter— atuante, participe desta realidade, sendo que o ser somente se determina a partir dela.

Esta realidade da pessoa, como integrada ao mundo transparece na compreensão moderna do seu conceito, pois:

“Eu não estou jamais verdadeirawente só: as coisas que me cercam nào cessam de se oferecer em espetáculo (..), e mesmo a indiferença é também uma tomada de posição; ela não é jamais pura abstenção”(52)

Faz—se necessário diferenciarmos alguns conceitos até aqui abordados, como estes aparecem para nós: Homem, Individuo e Pessoa. Homem é o conceito mais genérico e mais amplo e designa o ser, a espécie, o existente. O Indivíduo é unidade, singularidade na espécie humana; é a especificidade do homem em relaçâo consigo. É uma complexidade dotada de identidade interna que resulta em um determinado homem, em particular.

Sobre o conceito de individuo, encontramos em Kierkegaard a análise mais acurada, donde podermos estrair sua característica primordial: o isolamento.

“Kierkegaard considera do indivíduo isolado de seus semelhantes: toda comunicação se faz através e com Deus. Esta categoria do ‘único’, do homem no singular, corta todos os laços com o inundo; ora, como assinala Martin Buber, não se alcança a Deus evitando o mundo”(53).

A este ente que se encontra com Deus sem se destacar do mundo circundante, Buber dá o nome de pessoa; que difere do indivíduo justamente por ser o indiviso, o singular, o único, mas inserido ativamente no mundo, com o mundo.

Pessoa deve ser compreendida enquanto um ser— transcendente, integrado e inserido historicamente na sua realidade, não sendo existente apenas como um dado, mas como uma expressão, um ato sujeito de sua própria ação.

Sua relação como pessoa—mundo define justamente o fato desta ser uma experiência individual, “pessoal”, estabelecida a partir da sua consciência que é, antes de tudo, intencional, Sendo assim, a experiência da pessoa é sempre inatingível e irredutível ao terreno do “pessoal”.

Uma compreensão de pessoa não é adequada a nível objetivo, científico, pois somente me aproximo da outra pessoa através da co-execução de seus atos(54).

A experiência de pessoa é articulada a partir de seu centro dinâmico e ativo, que se ordena pelo “eu sou”, inatingível objetivamente, e somente experienciado como co— participação na sua existência singular e única de sujeito de sua própria constituição e manifestação.

Para Buber, a noção de pessoa é central de sua filosofia. Convém ressaltar que Buber era conhecedor da filosofia de Sõren Kierkegaard que, como precursor do Existencialismo, foi quem mais firmemente tratou da questão do individuo. Na reflexão de Kierkegaard, o pensamento abstrato deixa de lado a existência, ou seja, a individualidade. Sob este aspecto, vemos que é tema central de sua filosofia a unidade da existência.

O indivíduo se define, pois, como a verdadeira singularidade do ser humano. É característico do pensamento de Kierkegaard a unicidade da existência e, por conseqüência, a unicidade do indivíduo é relevada à mais alta importância.

Apesar das consideráveis similitudes entre o pensamento de Kierkegaard e o de Buber, este não se mostra satisfeito com a sua consideração, e diferencia claramente Individuo de Pessoa. De fato, ambos os pensadores concordam que se deve instaurar a existência no indiviso, no ser distinto da massa, numa oposição que em Buber não tem o caráter an encontrado em Kierkegaard. No pensamento do filósofo dinamarquês, a real existência (que implica encontro com Deus) somente se daria quando o Indivíduo se desligasse completamente da sociedade, vindo a permanecer em solidão, onde então encontraria a verdade.

Para Buber, não é possível compreender o conceito de “indivíduo” em Kierkegaard, sem entender a sua própria solidão, O “indivíduo” é a singularidade concreta que se encontra a si mesma(55)

Já em Buber, a diferença reside exatamente neste ponto. Um retorno à unicidade é necessária, porém a relação com o mundo deve ser mantida, o contato com o outro deve ser estabelecido, e a singularidade deve estar aberta a convivência com a comunidade.

Existe, portanto, uma diferença crucial entre o indivíduo e a pessoa. Deve-se retornar ao que caracteriza o único, o singular, e ainda manter as relações com o mundo; ou seja, o contato com o outro deve ser estabelecido e a singularidade deve estar aberta, a serviço da vida conjunta com a comunidade.

“…o conceito de pessoa está em aparência muito próximo do de individuo; creio ser conveniente distingui-los. Um indivíduo é, certamente, unia singularidade do ser humano, e ele pode se desenvolver desenvolvendo sua singularidade. É o que Jung chama de individuação. Ele pode se tornar cada vez mais indivíduo, sem ser cada vez mais humano (..). Entretanto, uma pessoa, é um indivíduo que vive realmente com o mundo. E com o mundo, não pretendo significar no inundo – senão em contato real, em reciprocidade real com o mundo, e todos os aspectos que ele pode sair de encontro com o homem. Não digo somente com o homem, visto que, algumas vezes, saímos ao encontro do mundo de diferentes maneiras. Mas seria a este que eu chamaria de pessoa, e se posso expressamente dizer sim ou não a certos fenômenos, sou contra os indivíduos e a favor das pessoas”(56)

Diante do exposto, entendemos que a noção de pessoa nos remete a uma consideração do homem como um ser vinculado à sua realidade e ao mundo, como na filosofia de Rogers.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir desta discussão, temos que a Abordagem Centrada na Pessoa — hoje, difere radicalmente era alguns aspectos das fases ulteriores de sua evolução.

A compreensão da noção de pessoa sob uma ótica buberiana, permite um descentramento do trabalho da terapia na figura do indivíduo, para se focalizar na relação que ambos (terapeuta e cliente, ou terapeuta e grupo) estabelecem.

Este posicionamento pode ser uma realidade ou uma perspectiva. O que permanece é a discussão e o diálogo.

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notas de rodapé, convertidas em notas de fim de texto

1.Rogers, 1977:30. Artigo originalmente publicado em 1974.

2.Bozarth, 1989.

3.Bozarth, 1989.

(4) Rogers, 1987.

(5) Bowen, 1987.

(6) Rogers, 1961; Evans, 1977.

(7) Bastos, 1985:63.

(8) Wood, 1983.

(9) como bem nos aponta Moreira, 1990, 1993. Peretti (1967) chega a se referir a esta postura de Rogers como uma ‘fenomenologia de confiança’, por sua crença no potencial dos organismos e do ser humano, bem expresso no seu conceito de tendência atualizante.

(10) Puente, 1970.

(11) Puente, 1970:76—77.

(12) Numa concepção que se aproxima sobremaneira do pensamento heraclítico acerca do devir (Holanda, 1992).

(13) Quando se ressalta o conceito de liberdade em Rogers, uma correlação possível é com o pensamento de J.J.Rousseau, filósofo social suiço do século XVIII, para quem a liberdade é o mais importante dos princípios. Sua concepção de liberdade inclui uma liberdade interior, caracterizada por uma autonomia que surgia a partir do contato do homem com a natureza. Já em Rousseau existia a crença de um potencial inerente ao ser humano, potencial este que somente poderia ser desenvolvido com liberdade.

(14) Pagés, 1986.

(15) Puente (1970), Eart & Tomlinson (1970), Wood (1983), Cury (1987), Huizinga (1984).

(16) Puente, 1970.

(17) Hart & Tomlinson, 1970.

(18) Wood, 1983,

(19) Huizinga, 1984.

(20) Huizinga, 1984.

(21) Bozart 1989.

(22) Wood (1983), Bati & Toilinson (1970).

(23) Huizinga, 1984.

(24) Puente, 1970.

(25) Bastos, 1985.

(26) Bastos, 1985:72.

(27) Puente, 1970.

(28) Cury, 1987:12.

(29) Bastos 1985:89.

(30) Cury, 1987:15—16.

(31) Puente, 1970. Este texto de Rogers foi publicado nula ediçáo de S,Koch, Psycbology: À Study of

a science, )iew York: McGraw— Book Coipany, Inc.

(32) Puente, 1970; Bastos, 1985.

(33) Bastos, 1985.

(34) Splegelberg apud Moreira, 1990.

(35) Cury, 1987.

(36) Bastos, 1985:101.

(37) Moreira, 1993.

(38) Jioreira, 1990:156.

(39) Giles, 1989.

(40) Rogers, 1983.

(41) Rogers, 1983a.

(42) Rogers, 1983b.

(43) Àlbert von Szent—Gyoergy! (1893—1986), húngaro naturalizado norte-americano, ganhou o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 1937, com o trabalho sobre o estudo dos metabolismos e dos efeitos das vitaminas À e C.

(44) Rogers, 1983b.

(45 llya Prigogine, nascido em 1917, em Moscou, desde os quatro anos de Idade está radicado na Bélgica, foi prêmio Nobel de Química e 1971 por seus trabalhos com a termodinâmica e sua teoria das ‘estruturas dissipativas’, ou seja, a criação da ordem a partir da desordem. Para Prigogine (Sorman, 1989), o modelo clássico de ciência é o da simetria e da simplicidade, determinista e reversível, e este modelo está sendo progressivamente substituído por cálculos de probabilidade, pois a maior parte dos sistemas dinâmicos é na verdade, instável. Cria, com isto, a perspectiva de que a ordem nasce do caos. Prigogine observa que nosso universo, nascido de um caos inicial — usa explosão há quinze bilhões de anos — organizou-se em galáxias e planetas. A própria vida, nascida dos acasos da seleção natural, progride no sentido de uma sempre maior organização e complexidade. A economia funciona também sobre este modelo da soma das atividades individuais desordenadas surge a ordem social e o progresso econômico. O destino das nações é igualmente atingido por turbulências que, depois de gigantescas flutuações — movimentos de massa, conflitos — terminam num nova ordem social que clama por mais recursos energéticos’ (Sorman, 1989:46).

(46) Rogers, 1983a:13.

(47) Rogers, 1961.

(48) Frank, 1981.

49) Altshuler, 1989

(50) Taboas, 1993.

(51) Narcel, 1957:19.08—16.

(52) De Piriance, 1984:141.

(53) Labba 1959:78.

(54) liruning, 1956.

(55) Buber, 1982.

(56) Buber 1988:173-174.

Trabalho apresentado no VII Encontro Latino-Americario da Abordagem Centrada na Pessoa, 9 a 16 de Outubro de 1994, Maragogi-Al, Brasil.

Apresentado no VII Encontro Latino Americano da ACP

09 a 16 de outubro de 1994 – Maragogi- AL – Brasil