Revelando os elementos facilitadores e bloqueadores da aprendizagem num curso de inglês na universidade

Vera Cabrera Duarte

* Trabalho apresentado ao VII Encontro Latino Americano da Abordagem Centrada na Pessoa, realizado de 9 a 16 de outubro de 1994, em Maragogi – AL — Brasil,

DEPOIMENTOS DE ALUNOS (ex) DE P.O.
“… TENSION IS THE GREATEST PROBLEM THE STUDENT HAS DURING O.P. CLASSES.”
“… THE STUDENTS DIDN’ T HAVE THE CHANCE TO SPEAK, PERHAPS .BECAUSE OF THE SUBJECTS AND MAINLY BECAUSE OF THE STUDENTS ‘TENSION.”
“… MUITAS VEZES SENTI MEDO OU RECEIO DE COMETER ERROS E RECEBER UMA REAÇÃO NEGATIVA DO PROFESSOR. ISSO ACABA CRIANDO UMA CERTA INIBIÇÃO NA HORA DE FALAR.”
“… UM PROBLEMINHA QUE ATRAPALHA MUITOS É A INIBIÇÃO, CAUSANDO BLOQUEIO.”
“… GOSTARIA DE PODER PARTICIPAR MAIS, MAS MUITAS VEZES DEIXO O TEMPO PASSAR NA AULA POR FICAR RETRAÍDA PARA FALAR E SEM SEGURANÇA…”
“… UMA DE MINHAS MAIORES DIFICULDADES É O PROBLEMA DE ME EXPRESSAR, O MEDO DE COMETER ERROS…”

ESTRUTURA DO CURSO DE PRÁTICA ORAL
– 5 AULAS SEMANAIS.
– HABILIDADES: OUVIR – FALAR
– DIVERSAS ATIVIDADES VISANDO DESENVOLVER AS REFERIDAS HABILIDADES
– NÃO ESCREVE – ESCREVE POUCO.
– AVALIAÇÃO – “O QUE” O ALUNO FALA.
– FEEDBACK PERMANENTE – O QUE PODE DISPENSAR AVALIAÇÕES ESPECIAIS.

– OBSERVAÇÃO DO PROFESSOR:
RELEVÂNCIA DO QUE DIZ
CAPACIDADE DE ARGUMENTAÇÃO
PERTINÊNCIA DAS SUAS IDÉIAS
CONHECIMENTO DA LÍNGUA

COMO CONSEQÜÊNCIA:

1. AVALIAÇÃO O ALUNO FALA

2. FALAR É PRATICAMENTE A ÚNICA AÇÃO ESPERADA.
3. O ALUNO É AVALIADO (SENTE-SE AVALIADO):
• EM TERMOS LINGÜÍSTICOS
• EM TERMOS DE CARACTERÍSTICAS PESSOAIS.
PORQUE:
– FALA DE SI
– EMITE OPINIÕES
– EMITE JULGAMENTO

CONFLITO

ANÁLISE QUALITATIVA

• O QUE NA SUA OPINIÃO INTERFERE (CONTRIBUINDO OU PREJUDICANDO) NO SEU DESEMPENHO DE PRÁTICA ORAL?

– “… TODO ALUNO MANIFESTA RESISTÊNCIA À APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA.” (Mahoney, 1976:76)

APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA… É ENVOLVIMENTO PESSOAL, A PESSOA TODA – SENTIMENTO E INTELECTO – ESTÁ NO EVENTO DA APRENDIZAGEM… É AUTO-INICIADA, MESMO QUANDO O ESTÍMULO VEM DE FORA, A SENSAÇÃO DE DESCOBERTA, DE ALCANÇAR ALGO, DE COMPREENDER, VEM DE DENTRO DO ALUNO… É PERVAGANTE, ALTERA O COMPORTAMENTO, AS ATITUDES, TALVEZ, MESMO A PERSONALIDADE DO ALUNO… É AVALIADA PELO ALUNO, ELE SABE SE ESTÃO SENDO OU NÃO SATISFEITAS SUAS NECESSIDADES, SE CAMINHA PARA O QUE QUER APRENDER. O LOCUS DA AVALIAÇÃO RESIDE NO PRÓPRIO ALUNO. A SUA ESSÊNCIA É SIGNIFICATIVA. (Pg.42).

RESISTÊNCIA (DEFESA)… REPRESENTA A REAÇÃO DO ORGANISMO À AMEAÇA, A FIM DE MANTER A ESTRUTURA DO EU. EM OUTRAS PALAVRAS, A DEFESA REPRESENTA UMA OPOSIÇÃO A TODA MUDANÇA SUSCETÍVEL DE ATENUAR OU DE DESVALORIZAR A ESTRUTURA DO EU. (Pg.44).

AMEAÇA… FALAMOS DE AMEAÇAS QUANDO O INDIVÍDUO SE DÁ CONTA (CONSCIENTE OU SUBLIMINARMENTE ATRAVÉS DA SUBCEPÇÃO) DE QUE CERTOS ELEMENTOS DE SUA EXPERIÊNCIA NÃO SE AJUSTAM À IDÉIA QUE FAZ DE SI MESMO. (Pg.43).

• PROFESSOR -AMEAÇADOR / FACILITADOR

FATOR AMEAÇADOR
• “A AULA DE P. O. PARECE UM PESADELO. TODOS FECHADOS NUMA SALA, UM OLHANDO PARA A CARA DO OUTRO,
DESESPERADOS E A PROFESSORA COM ‘CARA DE PERGUNTA’ TE ‘QUASE’ OBRIGANDO A FALAR – E VOCÊ TEM QUE FALAR – É
HORRÍVEL… NÃO GOSTO, NEM NUNCA VOU GOSTAR DAS AULAS DE P. O., PORQUE SEI QUE TENHO QUE FALAR E ISSO ME
DEIXA MUITO NERVOSA. NÃO GOSTO DE SER OBRIGADA A FALAR. AÍ É QUE NÃO SAI NADA MESMO.” (28/22)

FATOR FACILITADOR

• “O PROFESSOR PRECISA SABER COMO LIDAR COM A CLASSE PARA PODER DAR A TODOS A OPORTUNIDADE DE SE
EXPRESSAREM E NÃO SÓ A ALGUNS, PORQUE EXISTEM OS TÍMIDOS E OS EXTROVERTIDOS E O PROFESSOR TEM QUE SABER
LIDAR COM OS DOIS LADOS DA MOEDA PARA QUE A CONVERSA FLUA LIVREMENTE, E AS PESSOAS SE SINTAM EMPOLGADAS E
LEVADAS A PARTICIPAR E NÃO AMEDRONTADAS COM MEDO DE ABRIR A BOCA.” (19/11)

• “DA PROFESSORA ESPERO DIÁLOGO, COMPREENSÃO AO MENOS NO INÍCIO DO CURSO ATÉ PODER NOVAMENTE TER DOMÍNIO DO IDIOMA E VENCER MINHA TIMIDEZ.” (07/06).

• AVALIAÇÃO – AMEAÇADOR / FACILITADOR

FATOR AMEAÇADOR
(Nota)
• “A MAIOR DIFICULDADE QUE ENCONTREI EM PRÁTICA ORAL FOI A INTIMIDAÇÃO POR PARTE DE CERTOS PROFESSORES FAZENDO
COM QUE OS ALUNOS NÃO SE SENTISSEM A VONTADE PARA FALAR. OS ME TODOS DE CORREÇÃO SÃO POR VEZES
DESINCENTIVADORES. O ALUNO SENTE-SE MAL SENDO CORRIGIDO DE TAL MANEIRA E ACABA POR NÃO FALAR MAIS
DURANTE O CURSO, DESPERDIÇANDO UM POTENCIAL IMENSO, EM TERMOS DE LÍNGUA.” (28/14).

FATOR FACILITADOR
Diálogo

• “EU ME SENTIA MEIO DISTANTE DA PROFESSORA E RETRAÍDA, MAS DEPOIS DA CONVERSA – A AVALIAÇÃO – ACHO QUE CONSEGUI ME ABRIR E SENTI-LA MAIS JUNTO DOS ALUNOS, ESPECIFICAMENTE DE MIM.” (13/20).
• ACHO MUITO INTERESSANTE DA SUA PARTE FAZER UMA AVALIAÇÃO E NOS DIZER O QUE VOCÊ PENSA E COMO ESTAMOS
INDO E COMO FOMOS NAS ATIVIDADES. NÃO É ISTO O QUE SEMPRE ACONTECE, E AI VOCÊ VAI ATÉ O FINAL SUPERINSEGURA, COM MEDO, E SEM SABER AO MENOS O QUE O PROFESSOR PENSA A SEU RESPEITO.” (13/17).

RELAÇÕES INTERPESSOAIS – AMEAÇADOR/ FACILITADOR

ALUNO/ALUNO
PROFESSOR/ALUNO

FATOR AMEAÇADOR
• “ACHO O RELACIONAMENTO ENTRE O PESSOAL DA CLASSE BOM, MAS LONGE DE SER ÓTIMO POIS AQUI TAMBÉM EXISTEM AS
FAMOSAS ‘PANELINHAS’ O QUE FAZ INIBIR MUITA GENTE… SINTO QUE TENHO CONDIÇÕES DE FALAR, MÁS TENHO TAMBÉM
MUITO RECEIO DE FALAR PARA A CLASSE TODA. (13/19).

FATOR FACILITADOR

• O RELACIONAMENTO ÓTIMO ENTRE OS ALUNOS E ENTRE O PROFESSOR E OS ALUNOS TAMBÉM COLABOROU BASTANTE PARA O
DESENVOLVIMENTO DA CLASSE, POIS OS GRUPOS ERAM SEMPRE DIFERENTES EVITANDO AS PANELINHAS, TENDO UM
ENTROSAMENTO BOM ENTRE A CLASSE. SENTI COM ISSO UMA GRANDE MELHORA MINHA ESTE SEMESTRE. APESAR DA MINHA
PARTICIPAÇÃO AINDA SER POUCA, SENTI QUE CONSEGUI ME SOLTAR MAIS NA ‘PARTE ORAL”. (13 / 25).

• AS ATIVIDADES —AMEAÇADOR/ FACILITADOR

FATOR AMEAÇADOR
• “ACHO QUE A AULA DE P. O. DEVERIA SER MAIS LIVRE, SEM COBRANÇAS, SEM MEDO DE AVALIAÇÕES ETC… TENHO CERTEZA
QUE ISTO MELHORARIA O NÍVEL DA CLASSE 90%. ACHO O SEMINÁRIO, POR EXEMPLO, SUPER CHATO, POIS VEJO QUE
MAIS DA METADE DA CLASSE FICA SUPER NERVOSA E MUITAS VEZES ATÉ SEM DORMIR. P. O. NÃO PRECISA SER ASSIM.” (07/02).

FATOR FACILITADOR

• NA MINHA OPINIÃO A MELHOR ATIVIDADE FOI A DAS EXIBIÇÕES, PRINCIPALMENTE DA MINHA, NÃO PORQUE TENHA
SIDO A MELHOR, MAS PORQUE HÁ ALGUM TEMPO ATRÁS, Eu ESTAVA MUITO DESANIMADA E ACHANDO QUE NÃO CONSEGUIA
FALAR. ACHAVA QUE ESTAVA PIORANDO E ME RETRAÍA CADA VEZ MAIS. NO DIA DA EXIBIÇÃO EU VI QUE FOI TUDO MUITO
NATURAL, POIS APESAR DE NÃO TER DECORADO EU FALEI MUITAS COISAS QUE EU NEM IMAGINAVA. DAÍ POR DIANTE
VOLTEI A TER MAIS GOSTO POR ME DEDICAR.” (13/17)

CONTEÚDO

FATOR AMEAÇADOR
• “GOSTARIA DE PODER PARTICIPAR MAIS MAS MUITAS VEZES DEIXO O TEMPO PASSAR NA AULA POR FICAR RETRAÍDA PARA
FALAR, SEM SEGURANÇA E SEM CONHECIMENTO DE VOCABULÁRIO.” (13/13)

• “AO FAZER UM CURSO DE PRÁTICA ORAL, SUPõE-SE QUE O ALUNO JÁ VENHA COM UM BOM EMBASAMENTO NA PARTE ORAL E
ISSO NEM SEMPRE ACONTECE. SURGE ENTÃO, UM CÍRCULO VICIOSO: O ALUNO NÃO FALA, POIS ACHA QUE NÃO SABE E
CADA VEZ MAIS SE RESERVA, COM MEDO DE RECEBER MAIS CRÍTICAS E ASSIM NÃO FAZ NADA PARA MUDAR, PIORANDO A
SITUAÇÃO.” (28/23)

DISCUSSÃO
• APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

“SE É PEQUENA A RESISTÊNCIA DO ALUNO À APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA ENTÃO ELE REALIZA SUA POTENCIALIDADE PARA APRENDER.” (MAHONEY, 1976:7).

• EDUCADORES E PROFESSORES DE LÍNGUA – PRÁTICA EDUCATIVA – POTENCIALIDADE PARA APRENDER:
“… THE LESS ANXIOUS THE LEARNER, THE BETTER LANGUAGE ACQUISITION PROCEEDS. SIMILARLY, RELAXED AND COMFORTABLE
STUDENTS APPARENTLY CAN LEARN MORE IN SHORTER PERIODS OF TIME.” (DULàY & BURT, 1982:51).

• KRASHEN (1982):
O FILTRO AFETIVO É UMA FORMA DE BLOQUEIO MENTAL.
< FILTRO = < ANSIEDADE
INTERAÇÃO NO GRUPO
> DESEMPENHO

FATORES QUE INTERFEREM NO DESEMPENHO:
• > OU < FILTRO AFETIVO
• DESENCADEIAM OU NÃO RESISTÊNCIA A A.S.
• PROMOVEM OU NÃO REALIZAÇÃO DA POTENCIALIDADE PARA APRENDER.
• AMEAÇAM OU FACILITAM A APRENDIZAGEM.

PROFESSOR
1. ORGANIZAR, PREPARAR E AVALIAR TAREFA.
2. SER RESPONSÁVEL PELO AMBIENTE FACILITADOR DA APRENDIZAGEM
3 • TORNAR O AMBIENTE ONDE OS ALUNOS:
• NÃO SINTAM-SE JULGADOS
• CONFIEM NO PROFESSOR
• POSSAM DESENVOLVER-SE TANTO EMOCIONAL COMO INTELECTUAL- MENTE.
4. SEM FERIR O TRADICIONAL E LEGÍTIMO PAPEL DO PROFESSOR:
• AGENTE DE INTERVENÇÃO
• AQUELE QUE PROPÕE AOS ALUNOS ESTRUTURA DE TRABALHO DE
ACORDO COM:
* MÉTODOS DE ESTUDO
* ESQUEMAS COGNITIVOS E ORIENTAÇÃO DO TRABALHO (LA PUENTE, 1978:77).
• AVALIA, CORRIGE, APROVA E REPROVA.

“AO PROFESSOR, CABE ENTÃO GARANTIR A REDUÇÃO DE AMEAÇAS EXTERNAS E ASSIM DIMINUIR ÀS RESISTÊNCIAS BLOQUEADORAS DE UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA. (MAHONEY, 1976:98)

• QUAL SERIA ENTÃO O PLANO DE CURSO COM SEUS OBJETIVOS E FORMAS DE AVALIAÇÃO, PROPOSTO POR ESSE PROFESSOR?
• DESLOCANDO O FOCO DO QUESTIONAMENTO – DEIXANDO O PAPEL DO PROFESSOR MOMENTANEAMENTE – QUAIS OS FATORES DA ‘MOTlVAÇÃO INTRÍNSECA” QUE CONDUZEM O ALUNO À BUSCA DA SUA APRENDIZAGEM?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DUARTE, Vera Lúcia Cabrera. As relações interpessoais em sala de aula num curso de Inglês na Universidade – o desempenho oral do aluno num situação de medo. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, dez. 1988.

DULAY, Heide; BURT, Marina; KRASHEN, Stephen. Language Two. Oxford University Press, New York, 1982.

GUEDES, Maria José. Uma Experiência de Availação. Dissertação de Mestrado, PUC-SP, 1982.

KRASHEN, S. Principies and Practice in Second Language Acquisition. Pergamon Press, Oxford, 1985.

________ Theory versus Practice In Language Leaming Training”. In !nnovative Approaches to Language Learning. Robert W. Biair Editor, 1982.

LA PUENTE, Miguel de. O ensino centrado no estudante – Renovação e crítica das teorias educacionais de Cari Rogers. Cortez e Moraes, São Paulo, 1978.

MAHONEY, Abigail Alvarenga. Análise Lógico-Formal da Teoria da Aprendizagem de Carl Rogers. Tese de Doutoramento, PUC-SP, 1976.

STEVICK, Earl W. A way and ways. Newbury House Pubhshers, Massachusetts, 1980.