UMA EXPERIÊNCIA NO ATENDIMENTO AOS TRABALHADORES DO TRANSPORTE COLETIVO URBANO.

Mirian Padilha Leal

Estresse no trabalho.

Estresse na língua inglesa.

Estresse no português.

Definição: Conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras, capazes de perturbar-lhe a homeosta-se.”

Estresse é uma palavra antiga que veio adquirindo ao longo do tempo diversas acepções.

1.440 – Usada na engenharia – Força ou pressão exercida sobre um objeto.

1.655 – Força ou pressão exercida sobre uma pessoa com o fim de compelir ou extorquir.

1.690 – Exercício extenuante, grande força.

1.704 – Sofrimento, adversidade, aflição.

1.756 – Insistência excepcional, ênfase.

l.843 – Solicitação excessiva de um órgão corporal ou da mente.

1.936 – Usada pela primeira vez na saúde por Hans Selye, médico e pesquisador autriaco.

O ESTRESSE PODE SER : POSITIVO OU NEGATIVO.

Quando ele é positivo, dá-se o nome de EUSTRESSE.

Eustresse – quando a pessoa envolvida encara os obstáculos como desafios agradáveis, a medida que ela acredita em sua própria capacidade de superação.

A palavra Distresse é igual a Estresse. Têm o mesmo significado.

A palavra Trabalho significa: aplicação das forças e faculdades humanas para um determinado fim.

A palavra TRABALHO, deriva do latim TRIPALLIUM; que é o nome de um instrumento de tortura com três pontas, o qual era usado para castigar os escravos no império romano.

Aristóteles dizia que trabalho: “Escravidão de uns é necessária para que outros possam ser virtuosos”.

Platão dizia que: “Os trabalhadores da terra e os outros operários, conhecem só as coisas do corpo. Se, pois sabedoria implica conhecimento de si mesmo, nenhum destes é sábio em função de sua arte…”

Pródico – Sofista dizia que: “Nada do que é bom e belo, concederam os deuses aos homens sem esforço e estudo.

Parece que estas mesmas concepções de trabalho permeiam o cotidiano da maioria dos trabalhadores, e em especial os trabalhadores do transporte coletivo urbano da região da grande Porto Alegre – RS.

No período de Maio de 2002 até Agosto de 2005 foram feitos por volta de 2.000 atendimentos psicológicos aos profissionais do transporte coletivo da grande Porto Alegre-RS.

Duas foram as empresas que tiverem este benefício. As chamarei de, a 1ª chamarei de: Só se o Gil fosse ouvido, e a 2ª de: Se existisse a casa eu poderia ter visto-a.

As queixas são comuns aos dois grupos atendidos.

– Pressão por cumprimento de horários, quando pela qualidade dos veículos e das estradas eles não são cumpríveis.

– Pressão no trânsito

– Pressão dos passageiros

1.1 Local onde é designado para o lazer e descanso dos profissionais é chamado de canil, pelos seus chefes.

1.2 Quando estes dirigem-se aos trabalhadores, utilizam-se de palavras desqualificantes.

1.3 Caso ocorra acidente de trânsito, não levam em conta a fala do motorista, mas quem irá pagar a conta do conserto é o próprio motorista.

1.4 Quando ocorre assalto no ônibus, o cobrador paga do seu salário, assim como o motorista, saí no contra-cheque como adiantamento salarial.

1.5 A palavra do cobrador e do motorista não tem valor para a empresa e sim o que o fiscal de linha diz a respeito deles.

2.1 Relatam que é preciso muitas vezes descerem do ônibus durante o trajeto para olharem os pneus. Isto é um artifício utilizado pelos mesmos para que possam se dar conta se estão indo ou voltando.

2.2 Não sabem como passaram por ali (Free way).

2.3 Muitos que estão em tratamento, pensam em jogar os ônibus de pontes ou nas paradas de ônibus.

Para Carl R. Rogers, “ Os sentimentos positivos são aceitos tanto quanto os sentimentos negativos, como uma parte da personalidade. É esta aceitação, tanto dos impulsos de imaturidade como os de maturidade, das atitudes agressivas e de sociabilidade, de sentimentos de culpa e de expressões positivas, que dá ao individuo oportunidade pela primeira vez na vida de se compreender a si próprio tal como é. Não tem necessidade de uma atitude de defesa em face dos sentimentos negativos. Não tem oportunidade de supervalorizar os sentimentos positivos. E neste tipo de situação, surge o insight espontaneamente. (…)

Esta compreensão, esta apreensão e aceitação de si constituem o aspecto mais importante de todo o processo. Aqui se estabelece a base a partir da qual o indivíduo é capaz de ascender a novos níveis de integração”.

Baseando o trabalho nas minhas percepções de Rogers, pude contribuir de alguma maneira para a maior integração dessas pessoas por mim atendidas neste período de tempo.

O meu profundo desejo é de trazer contribuições cada vez mais calcadas naquilo que vivo no meu dia a dia. Nas minhas relações com a família, os amigos, trabalho em instituições e no consultório. Onde podemos conviver e viver a essência daquilo que acreditamos e que somos.

Referências bibliográficas

GRAÇA, Maria; CODO, Wanderley. Saúde mental & trabalho.

ROGERS, Carl R. Terapia centrada no cliente.

OXFORD ENGLISH DICTIONARY.

NOVO DICIONÁRIO AURÉLIO.

PINTO, Rui Rebello; NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Instituições do

Direito Público e Privado.

Psicóloga Mirian Padilha Leal

CRP: 07/9041-RS

Supervisora de psicologia do grupo privado de saúde “Centro Clínico Gaúcho”.

Apresentado no VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa – Canela RS – 9 a 15/10/2005